Henry Moore
Quem foi
Henry Moore foi um importante escultor inglês do século XX. É considerado um dos principais escultores de arte abstrata de origem britânica. Muitas de suas esculturas estão expostas ao ar livre, em várias cidades do mundo, principalmente nas da Inglaterra.
Biografia
Henry Spencer Moore nasceu em 30 de julho de 1898, na cidade de Castleford, no condado de Yorkshire, Inglaterra. Filho de Raymond Spencer Moore e Mary Baker, cresceu em uma família numerosa de origem operária. Seu pai trabalhava na mineração de carvão e valorizava a educação como forma de proporcionar aos filhos melhores condições de vida. Moore demonstrou interesse pelas artes desde a infância e, ainda jovem, decidiu que gostaria de se tornar escultor.
Durante a Primeira Guerra Mundial (1914–1918), Moore interrompeu sua formação para servir no Exército britânico. Em 1917, participou da Batalha de Cambrai, na França, onde sofreu os efeitos de um ataque com gás. Após se recuperar, retornou ao serviço militar e permaneceu nas forças armadas até o fim do conflito.
Com o término da guerra, recebeu auxílio destinado aos ex-combatentes e, em 1919, ingressou na Leeds School of Art. Foi um dos primeiros estudantes da instituição a se dedicar especificamente à escultura. Nesse período, conheceu Barbara Hepworth, que também se tornaria uma importante escultora britânica. Em 1921, Moore conseguiu uma bolsa de estudos para o Royal College of Art, em Londres, onde aprofundou sua formação artística.
Ao longo da década de 1920, Moore estudou esculturas de diferentes períodos históricos e culturas em museus e coleções. Em 1924, viajou para a Itália, onde entrou em contato direto com importantes manifestações da arte renascentista. No ano seguinte, passou a lecionar no Royal College of Art, atividade que conciliou com o desenvolvimento de sua carreira como escultor. Em 1929, casou-se com Irina Radetsky, estudante de pintura no Royal College of Art, que se tornaria uma colaboradora importante em sua vida profissional.
Na década de 1930, Henry Moore alcançou crescente reconhecimento no meio artístico britânico. Participou de exposições e manteve contato com artistas ligados às tendências modernas da arte europeia. Entre 1932 e 1939, lecionou na Chelsea School of Art, em Londres. Sua atuação nesse período contribuiu para consolidá-lo como um dos principais representantes da escultura moderna britânica.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939–1945), sua residência em Londres foi danificada por bombardeios, levando Moore e sua esposa a se estabelecerem em Perry Green, no condado de Hertfordshire. Durante o conflito, também ganhou notoriedade por seus desenhos de pessoas que utilizavam as estações do metrô de Londres como abrigos contra os ataques aéreos alemães. Esses trabalhos foram realizados no contexto de sua atuação como artista de guerra.
No período posterior à Segunda Guerra Mundial, sua carreira adquiriu dimensão internacional. Moore recebeu encomendas para espaços públicos, participou de importantes exposições e teve trabalhos apresentados em vários países. Em 1948, recebeu o Prêmio Internacional de Escultura da Bienal de Veneza, reconhecimento que fortaleceu ainda mais sua projeção internacional. Nas décadas seguintes, tornou-se um dos escultores britânicos mais conhecidos do século XX.
O sucesso profissional também proporcionou a Moore considerável prosperidade financeira. Parte significativa de seus recursos foi destinada ao incentivo às artes e à preservação de seu patrimônio artístico. Em 1977, juntamente com sua família, criou a Henry Moore Foundation, instituição destinada a promover a educação artística, apoiar artistas e preservar seu legado.
Henry Moore recebeu diversas distinções ao longo da vida. Em 1955, foi nomeado Companion of Honour e, em 1963, recebeu a Order of Merit, uma das mais importantes honrarias britânicas. Embora tenha recebido outras propostas de reconhecimento oficial, incluindo a possibilidade de receber o título de cavaleiro, preferiu recusá-las em determinadas ocasiões por considerar que poderiam afastá-lo de sua identidade como artista.
Moore continuou trabalhando durante a velhice, mesmo com o progressivo enfraquecimento de sua saúde. Morreu em 31 de agosto de 1986, aos 88 anos, em sua residência em Perry Green, Hertfordshire.
Características de seu estilo artístico (escultura):
• Foi influenciado, no começo de sua carreira artística, pela arte pré-colombiana, principalmente da civilização maia.
• Teve influência também de artistas renascentistas e góticos, principalmente de Michelangelo e Giotto.
• Embora tenha recebido várias influências, desenvolveu seu estilo artístico próprio e original, ligado à arte abstrata.
• Buscou inspiração na natureza, principalmente nas formas de montanhas e cavernas, para confeccionar muitas de suas esculturas.
• O bronze e o mármore foram suas principais matérias-primas para a elaboração das esculturas.
• Também abordou em suas esculturas, temas ligados a crianças e à maternidade. Além disso, fez muitas esculturas mostrando corpo de pessoas deitadas ou encostadas.
• Principalmente na segunda etapa de sua carreira artística, após a Segunda Guerra Mundial, passou a imprimir em suas obras de arte forte preocupação com a humanidade.
Principais obras (esculturas) de Henry Moore:
"Reclining Figure" (1929)
Uma das primeiras obras importantes de Henry Moore dedicadas ao tema da figura humana reclinada, assunto que se tornaria recorrente em sua produção. A escultura apresenta uma figura deitada bastante simplificada, com formas volumosas e afastadas da representação anatômica tradicional. O trabalho demonstra o interesse do artista pela escultura pré-colombiana, especialmente pelas figuras Chac Mool da cultura maia-tolteca.
"Reclining Figure" (1938)
Nesta escultura, Moore avançou em direção a uma representação mais abstrata do corpo humano. A figura apresenta grandes cavidades e espaços vazios integrados à estrutura da obra. Para o escultor, esses espaços não deveriam ser considerados simples ausências de matéria, mas componentes fundamentais da composição.
"Three Points" (1939–1940)
"Three Points" apresenta três formas pontiagudas que se aproximam sem chegar a se tocar. A pequena distância existente entre elas cria uma sensação de tensão visual. A obra representa uma fase em que Moore explorava intensamente formas abstratas e as relações entre volumes, espaços vazios e pontos de aproximação.
"Shelter Drawings" (1940–1941)
Embora Moore seja conhecido principalmente como escultor, seus desenhos realizados durante a Segunda Guerra Mundial tiveram grande importância em sua carreira. Eles representam habitantes de Londres refugiados nas estações do metrô durante os bombardeios alemães. As pessoas aparecem frequentemente deitadas ou agrupadas, envolvidas em cobertores. Esses trabalhos registram uma experiência coletiva marcada pela guerra, pelo medo e pela vulnerabilidade humana.
"Madonna and Child" (1943–1944)
Produzida para a Igreja de São Mateus, em Northampton, Inglaterra, a escultura representa Maria com o menino Jesus. Moore reinterpretou um dos temas tradicionais da arte cristã utilizando formas simplificadas e monumentais. A relação física entre as duas figuras transmite proteção e proximidade, características recorrentes nas representações maternas realizadas pelo artista.
"Family Group" (1948–1949)
A obra representa um casal sentado acompanhado de uma criança. O tema da família ganhou importância para Moore durante a década de 1940, período em que também nasceu sua única filha, Mary, em 1946. A composição aproxima as figuras por meio de gestos e contatos físicos, criando uma representação da união familiar. Uma versão monumental foi instalada na Barclay School, em Stevenage, Inglaterra.
"Double Standing Figure" (1950)
Nesta obra, Moore apresenta duas formas verticais associadas à figura humana. Em vez de buscar uma representação detalhada do corpo, o escultor trabalha com volumes simplificados e superfícies irregulares. A escultura demonstra seu interesse em aproximar formas humanas de estruturas encontradas na natureza, como pedras e formações rochosas.
"King and Queen" (1952–1953)
"King and Queen" apresenta duas figuras sentadas lado a lado em um banco. Apesar do título, Moore não representou personagens históricos específicos. As figuras possuem corpos simplificados e cabeças pequenas, enquanto a figura masculina apresenta uma estrutura semelhante a uma coroa. A postura solene e frontal contribui para transmitir uma sensação de autoridade e permanência.
"Reclining Figure: Festival" (1951)
Criada para o Festival of Britain de 1951, essa escultura marcou uma etapa importante da carreira de Moore. A figura humana é apresentada de maneira bastante abstrata, com grandes aberturas atravessando o corpo. O espaço passa a participar diretamente da estrutura escultórica, estabelecendo uma relação entre matéria, vazio e ambiente.
"UNESCO Reclining Figure" (1957–1958)
Produzida para a sede da UNESCO em Paris, a obra é uma monumental figura reclinada esculpida em travertino. Moore procurou relacionar a escultura com o espaço arquitetônico ao seu redor. Seu tamanho e sua instalação em ambiente público demonstram a crescente importância das esculturas monumentais na produção do artista durante o período posterior à Segunda Guerra Mundial.
"Nuclear Energy" (1964–1966)
Instalada na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, a escultura foi criada para marcar o local onde ocorreu, em 2 de dezembro de 1942, a primeira reação nuclear em cadeia controlada, realizada pela equipe liderada pelo físico Enrico Fermi. A forma da obra pode sugerir simultaneamente um crânio, uma nuvem de explosão e estruturas orgânicas. Dessa maneira, relaciona-se tanto ao desenvolvimento científico quanto ao potencial destrutivo da energia nuclear.
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Figura reclinada (1951), escultura de Henry Moore. |
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| O Arqueiro (2004): escultura de Henry Moore localizada em Berlim. |
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 26/08/2026


