Abalo Sísmico

 

O que é Abalo Sísmico



Abalo sísmico é uma vibração ou tremor da crosta terrestre provocado pela liberação repentina de energia acumulada no interior da Terra. Essa energia se propaga pelas rochas na forma de ondas sísmicas, que podem ser registradas por instrumentos chamados sismógrafos. Dependendo da quantidade de energia liberada, o tremor pode ser tão fraco que somente os aparelhos conseguem detectá-lo ou suficientemente intenso para provocar danos em construções, deslizamentos de terra e alterações na superfície.

A maior parte dos abalos sísmicos está associada à dinâmica das placas tectônicas, grandes blocos rígidos que formam a litosfera terrestre. Essas placas estão em movimento constante e podem se afastar, aproximar-se ou deslizar lateralmente umas em relação às outras. Quando as tensões acumuladas nas rochas superam sua resistência, ocorre uma ruptura ou deslocamento súbito, liberando a energia que origina o abalo.

O ponto no interior da Terra onde ocorre inicialmente essa liberação de energia é chamado de hipocentro ou foco sísmico. Já o ponto localizado na superfície terrestre diretamente acima do hipocentro recebe o nome de epicentro. Em geral, as áreas próximas ao epicentro sentem com maior intensidade os efeitos do tremor, embora fatores como profundidade do foco, tipo de solo e características das construções também influenciem os danos.



Tipos e como se formam



Abalos sísmicos tectônicos

São os mais comuns e normalmente os mais intensos. Ocorrem em consequência dos movimentos das placas tectônicas. As rochas localizadas nas bordas das placas podem permanecer submetidas a grandes tensões durante muitos anos. Quando acontece uma ruptura ou um deslocamento ao longo de uma falha geológica, a energia acumulada é liberada rapidamente, produzindo ondas sísmicas.

Esse tipo de atividade é frequente nos limites convergentes, onde duas placas se aproximam; nos limites divergentes, onde elas se afastam; e nos limites transformantes, onde deslizam lateralmente uma em relação à outra.



Abalos sísmicos vulcânicos

Estão relacionados à atividade dos vulcões. O deslocamento do magma e dos gases no interior da crosta pode provocar fraturas nas rochas e gerar pequenos ou médios tremores. Em determinadas situações, o aumento da atividade sísmica nas proximidades de um vulcão pode indicar mudanças em seu sistema magmático.

Nem todo tremor vulcânico significa que uma erupção acontecerá. Os vulcanólogos analisam os registros sísmicos juntamente com outros dados, como deformações do terreno e emissão de gases, para acompanhar a atividade de um vulcão.



Abalos sísmicos de colapso

São tremores geralmente localizados e de baixa intensidade provocados pelo desmoronamento de cavidades subterrâneas, minas ou estruturas naturais existentes nas rochas. A quantidade de energia liberada costuma ser muito menor do que nos grandes eventos tectônicos.



Abalos sísmicos induzidos


Algumas atividades humanas podem gerar ou favorecer pequenos terremotos. Entre os exemplos estão a mineração, a construção de grandes reservatórios, a extração de petróleo e gás e a injeção de fluidos em grandes profundidades.

Nesses casos, alterações na pressão ou nas tensões existentes nas rochas podem facilitar o movimento de falhas geológicas. Esse fenômeno é conhecido como sismicidade induzida.



Características dos abalos sísmicos:


• Resultam da liberação repentina de energia no interior da Terra.



• Produzem ondas sísmicas que se propagam pelas rochas em diferentes direções.



• A maioria dos abalos está relacionada aos movimentos das placas tectônicas.



• O ponto onde ocorre a ruptura no interior da Terra é chamado de hipocentro ou foco sísmico.



• O ponto da superfície localizado diretamente acima do hipocentro recebe o nome de epicentro.



• Podem ocorrer tanto nos continentes quanto no fundo dos oceanos.



• Apresentam diferentes profundidades, desde focos próximos da superfície até eventos que ocorrem a centenas de quilômetros de profundidade.



• Alguns abalos são tão fracos que não podem ser percebidos pelas pessoas.



• Tremores mais intensos podem causar rachaduras no solo, deslizamentos, desabamentos e grandes danos às construções.



• Abalos ocorridos sob o fundo do oceano podem, em determinadas condições, provocar tsunamis, especialmente quando produzem um deslocamento vertical significativo do fundo marinho.



• Depois de um terremoto principal podem ocorrer tremores menores, denominados réplicas ou aftershocks.



• Também podem acontecer abalos precursores antes de um evento maior, embora sua ocorrência não permita prever com segurança quando um grande terremoto acontecerá.



Abalo sísmico e terremoto são a mesma coisa?



Os termos estão relacionados, mas podem ser empregados com sentidos um pouco diferentes. Abalo sísmico é uma expressão ampla utilizada para designar qualquer tremor produzido pela liberação de energia no interior da Terra, independentemente de sua intensidade. Muitos desses eventos são muito pequenos e somente podem ser identificados por equipamentos de monitoramento.

Terremoto é o termo normalmente empregado para os abalos sísmicos naturais mais perceptíveis ou significativos. Na prática científica, entretanto, não existe uma separação física rigorosa entre um pequeno abalo e um terremoto: ambos resultam da propagação de ondas sísmicas produzidas por uma fonte de energia.

No uso cotidiano, é comum chamar de terremoto um evento suficientemente forte para ser sentido pela população ou provocar danos. Portanto, todo terremoto é um abalo sísmico, mas a expressão abalo sísmico também pode ser usada para tremores extremamente pequenos.



Regiões com mais abalos sísmicos no mundo



A distribuição dos terremotos pelo planeta não ocorre de maneira aleatória. A maior concentração encontra-se próxima aos limites das placas tectônicas, onde as tensões e os movimentos das rochas são mais intensos.

A principal faixa sísmica do planeta é o chamado Círculo de Fogo do Pacífico. Ele acompanha grande parte das margens do oceano Pacífico e reúne zonas de intensa atividade tectônica e vulcânica. Países como Japão, Indonésia, Filipinas, Papua-Nova Guiné, Nova Zelândia, Estados Unidos, México, Guatemala, Peru e Chile estão total ou parcialmente inseridos nessa região.

O Japão apresenta elevada atividade sísmica porque se encontra próximo ao encontro de várias placas tectônicas. Muitos terremotos estão relacionados às zonas de subducção, onde uma placa mergulha sob outra. Por essa razão, o país mantém uma extensa rede de monitoramento sísmico e normas rigorosas de construção.

A Indonésia também está situada em uma complexa região de encontro de placas. Em 26 de dezembro de 2004, um terremoto submarino de magnitude superior a 9 na região de Sumatra provocou um grande tsunami no oceano Índico, atingindo diferentes países asiáticos e africanos.

Na costa oeste da América do Sul, Chile e Peru apresentam frequentes terremotos relacionados principalmente ao mergulho da placa de Nazca sob a placa Sul-Americana. O Chile registrou, em 22 de maio de 1960, o terremoto de maior magnitude já determinada instrumentalmente, com magnitude 9,5.

A Califórnia, nos Estados Unidos, apresenta importante atividade sísmica associada principalmente à Falha de San Andreas. Nessa região, as placas do Pacífico e Norte-Americana deslizam lateralmente uma em relação à outra.

Outra importante faixa sísmica se estende do Mediterrâneo em direção ao Oriente Médio e à Ásia. Países como Itália, Grécia, Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão e Nepal possuem áreas sujeitas a fortes terremotos em consequência da colisão ou interação entre diferentes placas tectônicas.



Como são medidos



Os abalos sísmicos são detectados e registrados por instrumentos chamados sismômetros ou sismógrafos. Esses equipamentos identificam as vibrações do solo e produzem registros chamados sismogramas. A análise dessas informações permite determinar a localização do terremoto, sua profundidade e a quantidade de energia liberada.

Uma das principais medidas utilizadas atualmente é a magnitude de momento, representada pela sigla Mw. Ela é calculada considerando características físicas da ruptura, como a área da falha que se deslocou, a quantidade de deslocamento e a resistência das rochas. Essa escala é especialmente adequada para medir terremotos de grande intensidade.

Durante muito tempo, tornou-se popular a chamada escala Richter, desenvolvida em 1935 pelos sismólogos Charles Francis Richter e Beno Gutenberg para estudar terremotos do sul da Califórnia. Embora continue bastante conhecida, ela possui limitações para eventos muito grandes e foi amplamente substituída, na pesquisa sismológica moderna, pela magnitude de momento.

A magnitude utiliza uma escala logarítmica. Isso significa que um aumento de uma unidade representa aproximadamente dez vezes maior amplitude das ondas registradas e cerca de 32 vezes mais energia liberada. Dessa maneira, um terremoto de magnitude 7 libera muito mais energia do que um de magnitude 6.

Também existe a medição da intensidade sísmica, que avalia os efeitos observados em determinado local, como a percepção das pessoas, os movimentos de objetos e os danos provocados nas construções. Uma das escalas utilizadas para essa finalidade é a Escala de Mercalli Modificada, organizada em graus de I a XII.

Magnitude e intensidade, portanto, representam aspectos diferentes. A magnitude expressa o tamanho físico do terremoto e está relacionada à energia liberada na fonte. A intensidade descreve os efeitos do tremor em diferentes pontos da superfície. Um mesmo terremoto possui uma magnitude determinada, mas pode apresentar diferentes intensidades conforme a distância do epicentro, as condições geológicas locais e a resistência das edificações.

 

Sismógrafo

Sismógrafo: instrumento usado para detectar e medir a intensidade de abalos sísmicos.

 

Vulcao em erupção soltando fumaça e lava na parte superior

Erupções vulcânicas podem ser causadoras de terremotos.

 

 


 

Resumo


O que são

• Tremores ou vibrações da crosta terrestre.
• Ocorrem pela liberação repentina de energia no interior da Terra.
• Essa energia se propaga por meio de ondas sísmicas.



Como se formam

• A maioria está relacionada ao movimento das placas tectônicas.
• As tensões acumuladas nas rochas podem provocar rupturas em falhas geológicas.
• Também podem ocorrer devido à atividade vulcânica, desmoronamentos subterrâneos ou ações humanas.



Principais tipos

• Tectônicos: causados pelo movimento das placas tectônicas.
• Vulcânicos: associados ao deslocamento de magma e gases.
• De colapso: provocados por desmoronamentos subterrâneos.
• Induzidos: relacionados a determinadas atividades humanas.



Hipocentro e epicentro

• Hipocentro: ponto no interior da Terra onde o abalo se inicia.
• Epicentro: ponto da superfície localizado diretamente acima do hipocentro.



Principais características

• Podem apresentar diferentes intensidades e profundidades.
• Alguns são tão fracos que somente instrumentos conseguem detectá-los.
• Os mais fortes podem causar desabamentos, rachaduras e deslizamentos.
• Abalos submarinos podem provocar tsunamis em determinadas condições.



Abalo sísmico e terremoto

• Os dois termos estão relacionados ao mesmo fenômeno físico.
• Abalo sísmico é uma expressão mais ampla.
• Terremoto costuma designar tremores mais fortes ou perceptíveis.



Regiões de maior ocorrência

• Concentram-se principalmente nos limites das placas tectônicas.
• O Círculo de Fogo do Pacífico é a principal área sísmica do planeta.
• Japão, Indonésia, Chile, Peru, México, Estados Unidos, Turquia e Irã apresentam elevada atividade sísmica.



Como são medidos

• Sismômetros e sismógrafos registram as vibrações do solo.
• A magnitude de momento (Mw) é amplamente utilizada atualmente.
• A escala Richter ainda é bastante conhecida, mas possui limitações.
• A Escala de Mercalli Modificada avalia os efeitos e danos provocados pelo tremor.

 

 




Por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)

Atualizado em 18/08/2026

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