Parlendas

 

O que são


Parlendas são textos curtos da tradição oral popular, geralmente compostos por versos rimados, ritmo marcado e linguagem simples. Elas fazem parte da cultura infantil e são muito usadas em brincadeiras, cantigas, jogos de escolha, atividades escolares e momentos de interação entre crianças. Como circulam principalmente pela fala, muitas parlendas são transmitidas de geração em geração, podendo apresentar pequenas variações conforme a região do país.

Esses textos não precisam contar uma história completa. Muitas vezes, seu principal objetivo é brincar com os sons das palavras, criar ritmo, facilitar a memorização e tornar a linguagem mais divertida. Por isso, as parlendas são importantes no desenvolvimento da oralidade, da escuta, da pronúncia, da memória e da percepção de rimas.



Como são criadas


As parlendas são criadas a partir da oralidade popular, ou seja, surgem no uso cotidiano da linguagem, especialmente em brincadeiras infantis. Muitas delas não têm autor conhecido, pois foram construídas coletivamente ao longo do tempo. Uma criança, uma família ou uma comunidade pode alterar palavras, acrescentar versos ou adaptar expressões, fazendo com que a parlenda mude conforme o lugar e a época.

Sua criação costuma explorar repetições, rimas, sons parecidos, palavras engraçadas e sequências fáceis de decorar. Em muitos casos, a lógica do texto é menos importante do que o ritmo e a sonoridade. Por isso, algumas parlendas apresentam frases aparentemente sem sentido, mas que funcionam muito bem quando recitadas em voz alta durante uma brincadeira.



Características principais:



Ritmo marcado: as parlendas têm uma cadência sonora fácil de acompanhar. Esse ritmo ajuda na memorização e permite que sejam recitadas em jogos, rodas e brincadeiras infantis.



Rimas simples: muitas parlendas usam palavras com sons finais semelhantes. As rimas tornam o texto mais musical e facilitam a participação das crianças.



Repetição de palavras e sons: é comum que uma parlenda repita sílabas, versos ou estruturas. Essa repetição reforça o ritmo e ajuda no desenvolvimento da linguagem oral.



Linguagem popular: as parlendas usam palavras simples, próximas da fala cotidiana. Por isso, são facilmente compreendidas e transmitidas entre crianças, familiares e professores.



Tradição oral: muitas parlendas não foram criadas para serem lidas em livros, mas para serem faladas, cantadas ou recitadas. Elas se espalham principalmente pela memória e pela repetição.



Autoria desconhecida: grande parte das parlendas não tem autor identificado. Elas pertencem à cultura popular e foram preservadas pela transmissão entre gerações.



Uso em brincadeiras: várias parlendas são usadas para escolher participantes, iniciar jogos, marcar movimentos ou acompanhar atividades infantis. Um exemplo comum são as parlendas de contagem.


Textos curtos: geralmente são composições breves, com poucos versos. Essa característica facilita a memorização e o uso em atividades rápidas.


Musicalidade: mesmo quando não são cantadas, as parlendas apresentam sonoridade próxima da música, pois combinam ritmo, repetição e rima.


Presença de humor e imaginação: muitas parlendas apresentam situações engraçadas, personagens curiosos ou combinações inesperadas de palavras. Isso desperta o interesse das crianças e torna o aprendizado mais lúdico.

 

 

Exemplos de parlendas do folclore brasileiro:


Um, dois, feijão com arroz.
Três, quatro, feijão no prato.
Cinco, seis, chegou minha vez
Sete, oito, comer biscoito
Nove, dez, comer pastéis.

 

 

 

Serra, serra, serrador! Serra o papo do vovô! Quantas tábuas já serrou?
Uma delas diz um número e as duas, sem soltarem as mãos, dão um giro completo com os braços, num movimento gracioso.
Repetem os giros até completar o número dito por uma das crianças.

 

 

 

Um elefante amola muita gente...
Dois elefantes... amola, amola muita gente...
Três elefantes... amola, amola, amola muita gente...
Quatro elefantes amola, amola, amola, amola muito mais...
(continua...)

 

 

 

Chuva, choveu
Goteira pingou
Pergunte ao papudo
Se o papo molhou

 

 

 

– Cala a boca!
– Cala a boca já morreu
Quem manda em você sou eu!

 

 

 

- Enganei um bobo...
Na casca do ovo!

 

 

 

Fui à feira
Encontrei uma coruja
Pisei no rabo dela
Ela me chamou de cara suja

 

 

 

Bam ba la lão
Senhor capitão,
Espada na cinta,
Ginete na mão.

 

 

 

Uma pulga na balança
Deu um pulo
E foi a França

 

 

 

Era uma bruxa
À meia-noite
Em um castelo mal-assombrado
Com uma faca na mão
Passando manteiga no pão

 

 

 

A B C D
Meu burrinho sabe ler
Minha mãe mandou ir na escola
Para ele aprender!

 

 

 

Chuva e Sol,
Casamento de espanhol
Sol e chuva
Casamento de viúva

 

 

 

Tá com frio?
Toma banho no rio
Tá com calor?
Toma banho de regador

 

 

 

A vovó da Mariazinha
Fez xixi na panelinha
E falou pra todo mundo
Que era caldo de galinha.

 

 

 

Dedo Mindinho
Seu vizinho,
Maior de todos
Fura-bolos
Cata-piolhos.

 

 

 

Lá em cima do piano tem um copo de veneno
Quem bebeu morreu
O culpado não fui
EU 

 

 

 

O macaco foi à feira
Não teve o que comprar
Comprou uma cadeira
Pra (nome da pessoa) se sentar
A cadeira esborrachou
Coitada(o) (nome da pessoa)
Foi parar no corredor.

 

 

 

Quem foi a Portugal
perdeu o lugar.
Quem foi a Cotia
Perdeu a tia.
Quem foi a Pirapora
chegou agora.

 

 

 

Rei, capitão,
soldado, ladrão.
moça bonita
Do meu coração.

 

 

 

 

Lá vai a bola, girar na roda,

Passear depressa e sem demora.

E se no fim, desta canção, você estiver

Com a bola na mão, depressa pule fora.

 

 

 

 

Corre cutia, na casa da tia.

Corre cipó, na casa da vó.

Lencinho na mão, caiu no chão.

Moça bonita, do meu coração ...

UM, Dois, Três!

 

 

 

 

Eu sou pequenininha,

do tamanho de um botão.

Carrego papai no bolso

e mamãe no coração.

 

 

 

 

Tropeiro fala de burro.

Vaqueiro fala de boi.

Jovem fala de namorada.

Velho fala do que foi.

 

 

 

 

Papagaio come milho,

periquito leva a fama.

Cantam uns e choram outros,

triste sina de quem ama.

 



Cabeça pelada

Urubu camarada!

Quem te pelou

Foi a besta melada,

Comendo coalhada

No meio da estrada! ...

 

 



Quem cochicha,

o rabo espicha.

Quem escuta,

o rabo encurta.

Quem reclama,

o rabo inflama.

Quem comenta,

o rabo aumenta.

Quem implica,

o rabo estica.

 

 

 

Qual a importância das parlendas para a cultura popular brasileira?

 

• Preservação da Cultura: as parlendas representam e mantêm vivas tradições e saberes populares. Elas carregam em si a história, os valores e as crenças de um povo. Portanto, têm um papel fundamental na preservação da cultura brasileira.


• Transmissão de Conhecimento: as parlendas são uma forma de transmitir conhecimento, sabedoria e ensinamentos de geração em geração. Elas costumam passar lições de moral e conselhos que ajudam na formação de caráter e nas decisões do dia a dia.


• Identidade Nacional: elas contribuem para a formação da identidade nacional, pois são um reflexo do jeito de ser, pensar e agir do povo brasileiro. Elas demonstram as características culturais únicas do país, refletindo a diversidade regional em termos de sotaques, vocabulário e temáticas.


• Recurso Literário: as parlendas são usadas na literatura, teatro, música e outras formas de arte como uma maneira de expressar emoções, ideias ou críticas sociais de uma forma mais poética e atraente. Elas enriquecem a língua portuguesa e proporcionam um tom autêntico e local para as obras.


• Instrumento Pedagógico: em um contexto educacional, as parlendas são ferramentas eficazes para auxiliar no ensino de crianças, por serem geralmente rimadas e terem um ritmo cativante. Elas ajudam no desenvolvimento da linguagem, na compreensão de conceitos abstratos e na construção do pensamento crítico. Além disso, são úteis para apresentar a crianças a cultura e a tradição de uma maneira divertida e envolvente.

 

 

 

 

 



Revisado por Jefferson Evandro M. Ramos (graduado em História pela Universidade de São Paulo).
Atualizado em 10/06/2026