Quilombo dos Palmares
O que foi
O Quilombo dos Palmares foi a maior e mais duradoura comunidade formada por africanos escravizados fugitivos no Brasil Colonial. Desenvolveu-se entre o final do século XVI e 1694, reunindo milhares de habitantes em diferentes povoados, chamados mocambos. Palmares possuía organização política, produção agrícola, atividades artesanais e sistemas próprios de defesa. Tornou-se um importante símbolo da resistência negra contra a escravidão e o domínio colonial português.
Localização
O Quilombo dos Palmares localizava-se na Serra da Barriga, região que na época pertencia à Capitania de Pernambuco e atualmente integra o município de União dos Palmares, no estado de Alagoas. A área era marcada por matas densas, relevo acidentado e difícil acesso, características que favoreciam a proteção dos mocambos e dificultavam as expedições militares organizadas pelas autoridades coloniais.
Origem
O Quilombo dos Palmares começou a se formar no final do século XVI, provavelmente por volta de 1597, quando africanos escravizados fugiram de engenhos de açúcar localizados na Capitania de Pernambuco. Esses fugitivos buscaram abrigo na região da Serra da Barriga, onde fundaram pequenos povoados conhecidos como mocambos. Com o passar do tempo, Palmares recebeu novos habitantes, entre eles outros africanos escravizados, seus descendentes, indígenas e pessoas pobres que procuravam escapar do controle colonial.
Contexto histórico
A origem de Palmares esteve relacionada à expansão da economia açucareira no Nordeste do Brasil durante os séculos XVI e XVII. A produção de açúcar dependia amplamente do trabalho de africanos escravizados, submetidos a jornadas exaustivas, castigos físicos, separação familiar e ausência de liberdade. Nesse contexto, as fugas e a formação de quilombos tornaram-se importantes formas de resistência ao sistema escravista.
O crescimento de Palmares também foi favorecido pelas invasões holandesas no Nordeste, ocorridas entre 1630 e 1654. Os conflitos entre portugueses e holandeses enfraqueceram temporariamente o controle sobre os engenhos e facilitaram novas fugas. Durante esse período, a população do quilombo aumentou e seus povoados desenvolveram estruturas políticas, econômicas e militares mais organizadas.
A existência de Palmares representava uma ameaça aos interesses dos proprietários de engenhos e das autoridades coloniais. O quilombo demonstrava que os escravizados podiam resistir, organizar comunidades autônomas e construir formas próprias de produção e governo. Por esse motivo, portugueses e holandeses realizaram diversas expedições militares contra Palmares ao longo do século XVII.
As principais características do Quilombo dos Palmares foram:
• O auge do Quilombo dos Palmares foi a segunda metade do século XVII, embora tenha surgido no final do século XVI.
• Era constituído por quilombolas (escravizados fugitivos das fazendas que viviam nos quilombos) que tinham sido escravizados em fazendas das capitanias da Bahia e Pernambuco.
• Tornou-se símbolo da resistência negra à escravidão.
• Com relação à organização, o Quilombo dos Palmares era composto por vários mocambos (núcleos de povoamento). Os principais foram: Subupira, Macaco e Zumbi. De acordo com historiadores, o Quilombo de Palmares atingiu de 15 a 20 mil quilombolas na segunda metade do século XVII.
• No aspecto econômico, os quilombolas de Palmares viviam basicamente da agricultura de subsistência, da pesca e caça. Plantavam milho, banana, feijão, mandioca, laranja e cana-de-açúcar. Faziam também artesanato com cerâmica, tecido, palha e até metais.
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Reprodução das típicas habitações que existiam do Quilombo dos Palmares. A foto é do Parque Memorial do Quilombo dos Palmares que fica em Alagoas. |
Organização política e lideranças
O Quilombo dos Palmares não era formado por um único povoado, mas por um conjunto de comunidades chamadas mocambos, distribuídas pela região da Serra da Barriga. Entre os principais núcleos estavam Macaco, que funcionava como centro político, Subupira, Amaro, Andalaquituche, Aqualtune e Zumbi. Cada mocambo possuía lideranças locais, áreas de cultivo e estruturas de defesa, embora todos estivessem ligados a uma autoridade central.
Alguns historiadores consideram que a organização política de Palmares apresentava características semelhantes às de certos reinos africanos, com o poder concentrado nas mãos de uma liderança principal. Essa autoridade organizava a defesa do território, estabelecia alianças, coordenava a produção e participava da solução de conflitos internos. Entretanto, Palmares não reproduzia exatamente um único modelo africano, pois sua organização foi construída no contexto colonial brasileiro e reuniu pessoas de diferentes origens culturais.
Ganga Zumba foi uma das principais lideranças de Palmares durante o século XVII. Por volta de 1678, ele aceitou um acordo de paz proposto pelo governo da Capitania de Pernambuco. Pelo acordo, os habitantes de Palmares que aceitassem se transferir para uma área indicada pelas autoridades receberiam liberdade, enquanto os fugitivos que chegassem posteriormente deveriam ser devolvidos aos proprietários. A proposta provocou divisões internas, pois parte dos palmarinos considerava que ela não garantia a liberdade de todos.
Zumbi se opôs ao acordo e assumiu a principal liderança da resistência. Sob seu comando, Palmares manteve a luta contra as tropas coloniais e fortaleceu suas estruturas defensivas. Sua atuação fez com que se tornasse uma das figuras mais conhecidas da resistência negra à escravidão no Brasil. Outras lideranças também tiveram importância, como Dandara, associada à defesa militar e à organização da comunidade, embora existam poucas informações documentais sobre sua trajetória.
Repressão ao quilombo
As autoridades coloniais e os proprietários de engenhos consideravam Palmares uma ameaça ao sistema escravista e à ordem econômica da colônia. A existência de uma comunidade autônoma formada principalmente por africanos e seus descendentes demonstrava que era possível fugir da escravidão, organizar formas próprias de governo e resistir ao domínio colonial. Palmares também recebia novos fugitivos, o que preocupava os senhores de engenho.
Ao longo do século XVII, portugueses e holandeses organizaram dezenas de expedições militares contra os mocambos. Muitas delas fracassaram devido ao difícil acesso à região, ao conhecimento que os palmarinos possuíam do território e às estratégias de defesa empregadas pela comunidade. Os habitantes construíam fortificações, armadilhas e caminhos secretos, além de realizarem ataques contra as tropas invasoras.
Na década de 1690, o governo colonial contratou o bandeirante Domingos Jorge Velho, conhecido por sua experiência em expedições armadas. Depois de sucessivos confrontos, as forças coloniais conseguiram destruir o mocambo do Macaco em fevereiro de 1694. A queda desse núcleo representou a derrota militar de Palmares, embora grupos de sobreviventes tenham continuado resistindo na região.
Zumbi conseguiu escapar da ofensiva de 1694 e permaneceu escondido com alguns companheiros. Em 20 de novembro de 1695, foi localizado, emboscado e morto pelas tropas coloniais. Sua cabeça foi levada para Recife e exposta publicamente, numa tentativa de intimidar os escravizados e desmentir a crença de que ele seria imortal. Atualmente, essa data é lembrada como o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
Dia da Consciência Negra
Todo dia 20 de novembro (dia da morte de Zumbi dos Palmares) comemoramos o Dia da Consciência Negra. A data é uma referência e homenagem à Zumbi dos Palmares e a todos os negros que resistiram bravamente à escravidão.
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| Zumbi dos Palmares: obra do pintor Antônio Parreiras (século XIX). |
GANGA ZUMBA: O PRIMEIRO REI DE PALMARES
Ganga Zumba foi um dos líderes e o primeiro rei do Quilombo dos Palmares, uma das maiores comunidades de escravizados fugitivos do Nordeste, no período do Brasil Colonial. Junto com seu sobrinho, Zumbi dos Palmares, é considerado um dos símbolos da resistência negra à escravidão.
Ganga Zumba nasceu no reino do Congo (sudoeste da África) no ano de 1638. Era filho da princesa Aqualtune da Casa de Kinlaza. Ainda jovem, foi capturado na África por traficantes de escravizados portugueses e enviado para a região Nordeste para ser comercializado como escravizado. O destino de sua mãe foi o mesmo.
Já no Brasil, trabalhou numa fazenda do Nordeste por certo tempo.
De acordo com historiadores, foi sua mãe que liderou a fuga de escravizados na fazenda, encaminhando-os para o quilombo.
Foi o líder do Quilombo dos Palmares entre os anos de 1670 e 1678. Foi sucedido por seu sobrinho, Zumbi dos Palmares.
Durante seu período de liderança, organizou o Quilombo dos Palmares, de acordo com as tradições sociais africanas (do reino do Congo). Foi também o líder da resistência em vários ataques sofridos pelo quilombo, em tentativas de destruir o núcleo de escravizados fugitivos.
Num dos ataques do governo de Pernambuco, alguns parentes de Ganga Zumba (sobrinhos e filhos) foram sequestrados pelos soldados.
Em 1678, o governador da Capitania de Pernambuco, Pedro de Almeida, armou uma cilada para Ganga Zumba. Propôs um acordo de paz ao líder quilombola, desde que eles fossem morar numa outra região e não aceitassem mais escravizados fugitivos. Ganga Zumba concordou com a proposta, porém muitos dos moradores do Quilombo dos Palmares foram contra, inclusive seu sobrinho, Zumbi dos Palmares. O grupo liderado por Ganga Zumba deixou a Serra da Barriga (local do Quilombo dos Palmares) e foi para a região do Vale do Cacau (região determinada pelo governador, no acordo). Ao chegarem no novo local, Ganga Zumba e seu grupo perceberam que tinham sido enganados, pois a região era vigiada por soldados, além da terra não ser boa para o cultivo. Esse fato gerou conflitos no grupo e questionamento sobre a liderança de Ganga Zumba.
No mesmo ano de 1679, Ganga Zumba morreu. Não temos certeza da causa de sua morte. Alguns pesquisadores afirmam ter sido suicídio em função da grande decepção de ter aceitado o acordo com o governador. Outros historiadores defendem a explicação de que o líder foi morto por integrantes do seu próprio grupo, que ficaram revoltados com o líder. Há também aqueles que acreditam que Ganga Zumba pode ter sido assassinado pelo próprio Zumbi dos Palmares.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 22/07/2026
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Bibliografia e vídeos indicados:
Fontes de referência:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Quilombo_dos_Palmares
FERREIRA, Olavo Leonel. História do Brasil. São Paulo: Ática, 1986.
PILETTI, Nelson. História do Brasil. São Paulo: Ática, 1990.
Vídeo indicado no YouTube:
Quilombo dos Palmares - TV Brasil


