Dicionário
Definição
O dicionário é uma obra de consulta que reúne palavras de uma língua e apresenta informações sobre seus significados. Na maioria dos dicionários, os verbetes são organizados em ordem alfabética, facilitando a localização dos termos. Dependendo do tipo de dicionário, também podem ser apresentadas informações sobre pronúncia, divisão silábica, classe gramatical, origem da palavra, sinônimos, antônimos e exemplos de uso.
Alguns dicionários apresentam ilustrações, fotografias, mapas ou esquemas para facilitar a compreensão de determinadas palavras. Esse recurso é especialmente útil em dicionários escolares, enciclopédicos e especializados.
Origem e História do dicionário
A origem dos dicionários está relacionada à necessidade humana de registrar, explicar e organizar palavras. Muito antes do surgimento dos dicionários modernos, diferentes povos já produziam listas de termos acompanhados de seus significados ou equivalentes em outras línguas. Esses registros eram úteis principalmente para escribas, comerciantes, administradores e estudiosos.
Alguns dos exemplos mais antigos conhecidos apareceram na Mesopotâmia, por volta do terceiro milênio a.C. Escribas sumérios e, posteriormente, acádios elaboravam listas de palavras gravadas em tabuletas de argila. Muitas dessas listas apresentavam termos em sumério acompanhados de equivalentes em acadiano, funcionando como uma espécie de vocabulário bilíngue.
Na Antiguidade, gregos e romanos também produziram glossários destinados a explicar palavras consideradas difíceis, antigas ou pouco utilizadas. Essas obras ainda não possuíam a organização e a abrangência dos dicionários atuais, mas contribuíram para o desenvolvimento da lexicografia, área dedicada ao estudo e à elaboração de dicionários.
Os dicionários na Idade Média
Durante a Idade Média, entre os séculos V e XV, os glossários tornaram-se importantes para religiosos, estudantes e copistas. Muitos textos eram escritos em latim, enquanto as populações europeias falavam línguas que estavam se formando a partir do próprio latim e de outros idiomas. Por essa razão, tornou-se necessário explicar determinadas palavras e expressões.
Inicialmente, pequenas explicações eram escritas nas margens ou entre as linhas dos manuscritos. Posteriormente, essas anotações começaram a ser reunidas em listas organizadas. Surgiram, assim, glossários mais extensos, que auxiliavam na leitura de textos religiosos, jurídicos, filosóficos e literários.
O aparecimento das universidades europeias a partir dos séculos XI e XII ampliou a necessidade de obras de consulta. O crescimento dos estudos de gramática, filosofia, medicina e Direito favoreceu a elaboração de repertórios de palavras cada vez mais sistemáticos.
O desenvolvimento dos dicionários modernos
A invenção da imprensa de tipos móveis na Europa, associada a Johannes Gutenberg em meados do século XV, transformou profundamente a produção e a circulação de livros. Os glossários e vocabulários passaram a ser impressos em maior quantidade, tornando-se mais acessíveis aos estudiosos.
Entre os séculos XVI e XVII, o fortalecimento das línguas nacionais europeias estimulou a criação de obras destinadas a registrar e padronizar seus vocabulários. Nesse período, começaram a surgir dicionários mais próximos do modelo atual, organizados alfabeticamente e contendo explicações mais detalhadas sobre as palavras.
Na Itália, a Accademia della Crusca publicou, em 1612, o "Vocabolario degli Accademici della Crusca", importante obra dedicada à língua italiana. Na França, a Académie Française iniciou durante o século XVII a preparação de seu próprio dicionário, cuja primeira edição foi publicada em 1694. Essas obras estavam relacionadas ao esforço de estabelecer normas para o uso das línguas nacionais.
O dicionário de Samuel Johnson
Um importante acontecimento na história dos dicionários ocorreu em 1755, quando o escritor inglês Samuel Johnson publicou "A Dictionary of the English Language". Embora não tenha sido o primeiro dicionário da língua inglesa, a obra destacou-se pela extensão, pela qualidade das definições e pelo uso de exemplos retirados de textos literários.
Johnson trabalhou durante vários anos na elaboração do dicionário. Seu trabalho contribuiu para registrar o vocabulário da língua inglesa e influenciou muitas obras lexicográficas posteriores. Durante mais de um século, seu dicionário permaneceu como uma importante referência no mundo de língua inglesa.
Os grandes dicionários dos séculos XIX e XX
No século XIX, os avanços nos estudos linguísticos permitiram a produção de dicionários ainda mais completos. Os responsáveis por essas obras passaram a pesquisar não apenas os significados das palavras, mas também sua origem, evolução histórica, pronúncia e diferentes formas de utilização.
Um dos projetos mais importantes desse período foi o "Oxford English Dictionary". Sua elaboração começou no século XIX e envolveu a coleta de milhões de exemplos encontrados em textos de diferentes épocas. A primeira parte da obra foi publicada em 1884, enquanto a primeira edição completa ficou pronta em 1928.
Outros países também desenvolveram grandes projetos lexicográficos. Os dicionários passaram a exercer papel importante na educação, na literatura, na administração pública e na preservação das línguas. Ao mesmo tempo, surgiram obras especializadas em áreas como medicina, Direito, História, Filosofia e Ciências.
História dos dicionários da língua portuguesa
Na língua portuguesa, durante muito tempo foram utilizados vocabulários e dicionários bilíngues, principalmente envolvendo português e latim. Um marco importante ocorreu no início do século XVIII, quando o padre Rafael Bluteau publicou o "Vocabulario Portuguez e Latino", entre 1712 e 1728.
No final do mesmo século, Antônio de Morais Silva produziu uma obra de grande importância para a lexicografia portuguesa. Seu "Diccionario da Lingua Portugueza", publicado pela primeira vez em 1789, apresentou uma organização mais prática e voltada especificamente ao vocabulário da língua portuguesa.
Ao longo dos séculos XIX e XX, numerosos dicionários foram produzidos em Portugal e no Brasil. Entre os lexicógrafos que ganharam destaque estão Cândido de Figueiredo, Caldas Aulete e Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. No Brasil, o "Novo Dicionário da Língua Portuguesa", conhecido popularmente como "Dicionário Aurélio", tornou-se uma das obras de consulta mais conhecidas a partir da segunda metade do século XX.
Os dicionários na era digital
A expansão dos computadores e da internet, principalmente a partir das últimas décadas do século XX, modificou novamente a forma de produzir e consultar dicionários. Muitas obras impressas passaram a contar com versões digitais, inicialmente distribuídas em programas de computador e posteriormente disponibilizadas na internet.
Os dicionários digitais facilitaram a atualização das informações e possibilitaram a inclusão de recursos que não estavam presentes nas obras impressas tradicionais. Atualmente, é possível consultar pronúncias em áudio, exemplos de uso, sinônimos, antônimos, conjugação de verbos, origem das palavras e traduções em poucos segundos.
Mesmo com as mudanças tecnológicas, a principal função do dicionário permanece semelhante àquela observada desde os primeiros registros da Antiguidade: organizar e explicar o vocabulário de uma língua. Sua história acompanha, portanto, o desenvolvimento da escrita, da educação, das línguas e das formas utilizadas pelas sociedades para preservar e transmitir conhecimentos.
Principais tipos de dicionários
Dicionário geral da língua: reúne grande quantidade de palavras de determinado idioma, apresentando seus significados e, frequentemente, informações gramaticais e exemplos de utilização.
Dicionário bilíngue: apresenta palavras de uma língua acompanhadas de seus equivalentes em outra. São exemplos os dicionários português-inglês, português-espanhol e português-italiano. Eles são muito utilizados no aprendizado de idiomas e em trabalhos de tradução.
Dicionário de sinônimos e antônimos: apresenta palavras de significado semelhante ou contrário. É útil para ampliar o vocabulário e evitar repetições durante a produção de textos.
Dicionário etimológico: explica a origem das palavras e as transformações que ocorreram em sua forma e significado ao longo do tempo. Por meio dele, é possível conhecer, por exemplo, palavras portuguesas originadas do latim, do grego, do árabe e de outras línguas.
Dicionário especializado: reúne termos relacionados a determinada área do conhecimento ou atividade profissional. Existem, por exemplo, dicionários de Medicina, Biologia, História, Filosofia, Direito, Informática, Economia e Mitologia.
Dicionário enciclopédico: combina características do dicionário tradicional com informações mais amplas sobre pessoas, lugares, acontecimentos históricos, conceitos científicos e outros assuntos.
Dicionário escolar: elaborado especialmente para estudantes, apresenta definições mais acessíveis, exemplos de uso e informações gramaticais adequadas ao nível de ensino ao qual se destina.
Dicionários impressos e digitais
Durante séculos, os dicionários foram publicados principalmente em livros impressos. Atualmente, também são encontrados em versões digitais, disponíveis em computadores, celulares e na internet. Os dicionários digitais facilitam a pesquisa porque permitem localizar rapidamente uma palavra e podem oferecer recursos como pronúncia em áudio, conjugação verbal, exemplos de frases e atualização mais frequente do vocabulário.
Apesar do avanço das versões digitais, os dicionários impressos continuam sendo utilizados em escolas, bibliotecas e ambientes de estudo. Os dois formatos possuem a mesma finalidade básica: fornecer informações confiáveis sobre as palavras e seus usos.
Importância do uso do dicionário
A consulta ao dicionário é importante para estudantes, professores, escritores e profissionais de diferentes áreas. Como nenhuma pessoa conhece todas as palavras de uma língua, essa obra permite esclarecer dúvidas e compreender termos desconhecidos encontrados em livros, notícias, documentos e outros textos.
O uso frequente do dicionário também contribui para ampliar o vocabulário, melhorar a escrita e compreender com maior precisão os diferentes sentidos que uma mesma palavra pode apresentar. Ele ainda auxilia na escolha de palavras adequadas ao contexto e na aprendizagem de novos idiomas.
Exemplos dos principais dicionários:
"Dicionário Aurélio": criado a partir do trabalho do lexicógrafo brasileiro Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, tornou-se um dos dicionários mais conhecidos da língua portuguesa no Brasil. Sua primeira edição foi publicada em 1975. A obra apresenta significados das palavras, informações gramaticais, expressões e diferentes usos do vocabulário.
"Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa": publicado em 2001, foi organizado pelo Instituto Antônio Houaiss. Destaca-se pela grande quantidade de verbetes e pelas informações sobre origem das palavras, significados, pronúncia e evolução histórica dos termos. É uma importante obra de referência da língua portuguesa.
"Dicionário Caldas Aulete": originado do trabalho do lexicógrafo português Francisco Júlio de Caldas Aulete, teve sua primeira edição publicada no século XIX. Posteriormente, recebeu novas edições e adaptações no Brasil. Reúne definições, expressões e exemplos de uso da língua portuguesa.
"Dicionário Priberam da Língua Portuguesa": é um conhecido dicionário digital de português. Permite consultar significados, classes gramaticais, sinônimos, antônimos, conjugação de verbos e outras informações linguísticas. Por ser disponibilizado em formato eletrônico, pode receber atualizações com maior facilidade.
"Michaelis Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa": bastante utilizado no Brasil, apresenta definições, informações gramaticais, expressões e exemplos de emprego das palavras. Atualmente, também possui versão digital para consulta.
"Oxford English Dictionary": conhecido pela sigla OED, é uma das mais importantes obras lexicográficas da língua inglesa. Seu projeto começou no século XIX, e sua primeira edição completa foi publicada em 1928. Uma de suas principais características é registrar a história das palavras, mostrando mudanças de significado e exemplos de utilização ao longo do tempo.
"Merriam-Webster Dictionary": um dos dicionários de língua inglesa mais conhecidos dos Estados Unidos. Sua história está relacionada às obras do lexicógrafo Noah Webster, que publicou importantes dicionários nos séculos XVIII e XIX. Atualmente, a Merriam-Webster mantém versões impressas e digitais amplamente utilizadas.
"Diccionario de la lengua española": elaborado pela Real Academia Española em colaboração com outras academias da língua espanhola, é uma das principais referências do espanhol. A primeira edição de um dicionário acadêmico foi publicada no século XVIII. A obra registra significados, usos e informações gramaticais de palavras utilizadas nos países de língua espanhola.
"Le Petit Robert": importante dicionário da língua francesa, publicado pela primeira vez em 1967. Reúne definições, etimologias, exemplos, sinônimos e informações sobre o uso das palavras, sendo bastante utilizado por estudantes, professores e pesquisadores.
"Larousse": nome associado a vários dicionários e obras enciclopédicas francesas. A tradição editorial começou no século XIX com Pierre Larousse. Seus dicionários tornaram-se conhecidos em vários países e existem em diferentes formatos e idiomas.
Aspectos gerais de um dicionário:
Ordem alfabética: as entradas em dicionários são geralmente organizadas em ordem alfabética, facilitando o acesso rápido à informação.
Entradas: cada palavra ou termo em um dicionário recebe sua própria entrada, que pode incluir sua pronúncia, classe gramatical, significado(s), etimologia (origem da palavra) e, às vezes, frases de exemplo.
Definições: dicionários fornecem os significados das palavras. Essas definições são tipicamente precisas e concisas.
Informações de uso: eles frequentemente incluem informações sobre como uma palavra é usada, incluindo informações gramaticais, sinônimos, antônimos e, às vezes, até expressões idiomáticas relacionadas à palavra.
Guias de pronúncia: muitos dicionários fornecem notação fonética ou fonêmica para orientar o usuário sobre como pronunciar a palavra corretamente.
Informações suplementares: recursos adicionais podem incluir ilustrações, tabelas de pesos e medidas, abreviações, frases estrangeiras e entradas biográficas e geográficas, dependendo do escopo do dicionário.
Referências cruzadas: referências cruzadas úteis para outras palavras ou conceitos relacionados são frequentemente incluídas para auxiliar na compreensão mais profunda ou para guiar o usuário a informações adicionais ou relacionadas dentro do dicionário.
Abrangência: a variedade de palavras incluídas pode variar amplamente, de dicionários muito abrangentes que cobrem palavras históricas e de dialetos a versões mais concisas ou de bolso focadas no uso atual.
Curiosidades:
• O dicionário mais antigo da história foi publicado em 1502, na Itália. Ele foi organizado pelo monge católico italiano Ambrogio Calepino.
• O dicionário possuí alguns sinônimos ou nomes populares como, por exemplo, tira-dúvidas, vocabulário, léxico, glossário e tira-teimas.
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Ambrogio Calepino: monge agostiniano foi o organizador do primeiro dicionário. |
Por Elaine Barbosa de Souza - Graduada em Letras (Português e Inglês) pela FMU (2002).
E Jefferson Evandro M. Ramos (graduado em História)
Atualizado em 26/08/2026
Temas relacionados
Bibliografia e vídeos indicados:
Fontes:
https://en.wikipedia.org/wiki/Dictionary
NOVA ENCICLOPÉDIA BARSA. [S.l.]:Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. 1999. 1 CD-ROM.

