Questões sobre a Filosofia de Parmênides

 

Questões de teste sobre a filosofia de Parmênides (o gabarito encontra-se no final da página)



1. Qual tese expressa o princípio fundamental da filosofia de Parmênides?

a) Tudo o que existe nasce do conflito entre forças opostas e desaparece quando elas se equilibram.

b) O ser é, e não é possível pensar ou dizer coerentemente o não ser.

c) A realidade verdadeira é formada por átomos que se movem no vazio infinito.

d) A existência depende da percepção individual, de modo que cada pessoa produz sua própria verdade.

e) Todas as coisas são combinações temporárias dos quatro elementos fundamentais.



2. Por que Parmênides considera impossível pensar o não ser?

a) Porque o não ser seria uma substância muito rara, acessível apenas aos deuses e aos sábios.

b) Porque o não ser existiria somente antes do nascimento das coisas, deixando de existir depois delas.

c) Porque, ao pensar ou falar sobre algo, já se toma esse algo como objeto de pensamento ou discurso; o não ser absoluto não pode cumprir esse papel.

d) Porque os sentidos comprovam que todas as coisas são eternas, tornando desnecessário discutir o não ser.

e) Porque a linguagem humana não possui palavras suficientes para descrever a matéria invisível.



3. Ao distinguir a via da verdade da via da opinião, Parmênides sustenta que:

a) A via da verdade investiga o ser por meio do raciocínio, enquanto a opinião acompanha as aparências mutáveis percebidas pelos mortais.

b) A via da opinião é superior, pois os sentidos mostram diretamente a realidade tal como ela é em si mesma.

c) As duas vias chegam à mesma conclusão, embora empreguem vocabulários diferentes para descrever a mudança.

d) A via da verdade trata das emoções, enquanto a opinião demonstra que o pensamento não tem relação com a realidade.

e) A via da verdade descreve a origem física do universo, e a opinião prova que o ser pode surgir do nada.



4. Se o ser não pode surgir do não ser nem transformar-se em não ser, qual consequência Parmênides extrai sobre o ser?

a) O ser é criado continuamente pelos deuses, mas permanece idêntico enquanto dura cada ciclo cósmico.

b) O ser existe apenas no presente, pois passado e futuro são formas de não existência.

c) O ser é composto de partes que aparecem e desaparecem sem alterar o todo.

d) O ser é ingênito e imperecível: não começou a existir e não pode deixar de existir.

e) O ser nasce das coisas percebidas e se conserva somente enquanto alguém as observa.



5. Leia o texto a seguir, em dois parágrafos, e interprete-o:

Uma estudante observa uma vela acesa. A chama se ergue, diminui, muda de forma e, quando a vela termina, desaparece. Para o olhar cotidiano, parece natural concluir que a chama veio a existir e depois deixou de existir.

Um filósofo inspirado em Parmênides, porém, pergunta se essa conclusão alcança a verdade sobre o ser. Ele argumenta que o pensamento rigoroso não pode admitir que algo venha absolutamente do nada ou que termine em nada; a mudança vista pelos sentidos pertence ao modo como as coisas aparecem aos mortais.

Qual interpretação corresponde melhor ao raciocínio parmenídico apresentado no texto?

a) A observação da chama prova que o ser absoluto nasce e perece, e por isso os sentidos são o critério final da verdade.

b) A chama é um exemplo de como o não ser se transforma em ser e, depois, o ser retorna ao nada.

c) A variação observada pode pertencer ao plano das aparências, mas não demonstra que o ser verdadeiro tenha surgido do nada ou desaparecido no nada.

d) A chama demonstra que cada objeto possui uma verdade própria, sem qualquer princípio racional comum.

e) O texto conclui que a realidade é feita de fogo, e que Parmênides identifica o ser com esse elemento mutável.



6. Assinale a alternativa incorreta sobre a filosofia de Parmênides:

a) O argumento sobre o ser parte da impossibilidade de pensar coerentemente o não ser absoluto.

b) A via da verdade é associada ao raciocínio, enquanto a via da opinião se vincula às aparências.

c) O ser é apresentado como não gerado, imperecível e uno.

d) O poema filosófico de Parmênides contrapõe caminhos de investigação e apresenta a fala de uma deusa como guia.

e) Parmênides afirma que a mudança percebida pelos sentidos é a realidade última e que o ser passa continuamente do não ser ao ser.



7. A relação entre pensamento e ser na filosofia de Parmênides pode ser resumida da seguinte maneira:

a) Pensar e ser são inteiramente independentes, pois o pensamento pode tomar o nada absoluto como objeto real.

b) O pensamento verdadeiro dirige-se ao que é; o não ser absoluto não pode ser conhecido nem enunciado como algo existente.

c) O ser é apenas uma palavra criada pela linguagem, sem relação com a realidade.

d) O pensamento produz o ser individual de cada coisa, que passa a existir somente quando é nomeada.

e) O pensamento alcança a verdade exclusivamente por meio das sensações, mesmo quando elas apresentam mudança.



8. Considere as afirmações sobre Parmênides:

I. O ser é ingênito e imperecível, pois não pode proceder do não ser nem converter-se nele.

II. O ser é imóvel e imutável, uma vez que a mudança envolveria deixar de ser o que é ou passar a ser o que ainda não é.

III. A multiplicidade e a mudança percebidas pelos sentidos constituem, para Parmênides, o conhecimento mais seguro da realidade.

IV. A investigação racional deve distinguir a via da verdade da via das opiniões dos mortais.

Quais afirmações estão de acordo com a filosofia de Parmênides?

a) I e III, somente.

b) II e III, somente.

c) I, II e IV, somente.

d) I, III e IV, somente.

e) I, II, III e IV.



9. O que significa dizer que, para Parmênides, o ser é uno?

a) Significa que todos os indivíduos são cópias idênticas de uma única pessoa original.

b) Significa que há apenas um objeto material no universo, perceptível aos sentidos como uma esfera.

c) Significa que o ser se divide realmente em partes independentes, embora todas tenham a mesma origem.

d) Significa que o ser verdadeiro é contínuo e não admite uma separação real por vazios ou não ser.

e) Significa que cada coisa tem um ser próprio e incomunicável, sem qualquer unidade entre elas.



10. Por que a mudança é problemática para a via da verdade parmenídica?

a) Porque uma mudança real parece exigir que algo deixe de ser o que era ou passe a ser o que ainda não era, envolvendo o não ser que a razão não pode admitir.

b) Porque toda mudança é lenta demais para ser percebida, e a filosofia só aceita fenômenos observados em um instante.

c) Porque mudanças ocorrem apenas nas ideias humanas e não há qualquer aparência de mudança no mundo sensível.

d) Porque a mudança provaria que o ser é eterno, mas também que ele foi criado por uma causa externa.

e) Porque Parmênides considera que os sentidos são incapazes de registrar qualquer diferença entre os objetos.



11. A imagem do ser como semelhante a uma esfera, presente no poema de Parmênides, sugere sobretudo:

a) Que o ser tem uma superfície material feita de fogo e gira ao redor da Terra.

b) Que o ser é desigual, aberto em algumas regiões e incompleto em outras.

c) Que o ser é limitado em sua forma, equilibrado e completo em todas as direções, sem partes mais ou menos ser.

d) Que o ser é apenas uma figura imaginária, sem função na argumentação filosófica.

e) Que cada parte do ser nasce em um momento distinto e possui uma duração própria.



12. Como a filosofia de Parmênides se relaciona com a investigação dos filósofos da natureza que buscavam um princípio originário?

a) Ela abandona toda investigação racional e afirma que somente os mitos explicam a origem do mundo.

b) Ela transforma a busca por um princípio em uma investigação sobre as condições lógicas do que pode ser pensado e dito como real.

c) Ela conclui que a água é o princípio de tudo, pois a água pode assumir diferentes formas.

d) Ela demonstra que cada elemento natural nasce do nada e retorna a ele em ciclos regulares.

e) Ela reduz a filosofia à observação de fenômenos, recusando argumentos sobre o ser.



13. Qual problema a filosofia de Parmênides deixa para os pensadores posteriores, especialmente para quem deseja explicar o mundo mutável?

a) Como provar que os sentidos não existem, se as pessoas continuam usando os olhos e os ouvidos.

b) Como explicar que o ser possa surgir do nada, aceitando sem dificuldade a criação absoluta e o desaparecimento total.

c) Como demonstrar que toda linguagem deve ser abandonada, uma vez que nenhuma palavra pode nomear coisa alguma.

d) Como conciliar a exigência racional de que o ser não surge do não ser nem nele se dissolve com a experiência cotidiana de multiplicidade, geração e mudança.

e) Como substituir a investigação da natureza por relatos mitológicos que dispensem qualquer argumento.



Gabarito explicativo:



1. b

O princípio de Parmênides é expresso pela fórmula segundo a qual o ser é e o não ser não é. A partir dela, ele sustenta que só o ser pode ser pensado e afirmado com coerência. As outras alternativas atribuem a ele ideias associadas a outras explicações da natureza ou ao relativismo.



2. c

Pensar ou dizer algo exige que esse algo seja tomado como objeto do pensamento ou do discurso. O não ser absoluto, entendido como aquilo que de modo algum é, não pode ser objeto de conhecimento nem de enunciado verdadeiro. Parmênides não o trata como uma substância oculta ou como uma etapa anterior das coisas.



3. a

A via da verdade segue o raciocínio que reconhece o ser como aquilo que é e exclui o não ser absoluto. A via da opinião considera o mundo tal como aparece aos mortais, com pluralidade, nascimento e mudança. A distinção não significa que as duas vias sejam igualmente verdadeiras: a aparência sensível não substitui a conclusão racional.



4. d

Se o ser não pode vir do não ser, ele não teve um começo; se não pode transformar-se em não ser, não pode perecer. Por isso, Parmênides o caracteriza como ingênito e imperecível. A resposta não descreve uma criação divina nem depende da observação de objetos individuais.



5. c

O texto contrapõe a mudança que parece ocorrer na experiência comum à exigência racional de não admitir uma passagem entre o nada absoluto e o ser. A chama pode mudar e desaparecer enquanto fenômeno percebido, mas essa observação, no argumento apresentado, não prova que o ser verdadeiro tenha surgido do nada ou retornado a ele. As opções a, b e e atribuem ao texto justamente a conclusão que o raciocínio parmenídico rejeita.



6. e

Essa é a afirmação incorreta. Parmênides não considera a mudança sensível a realidade última; a via da verdade conduz a um ser uno, imóvel e imutável. As demais alternativas reconhecem aspectos centrais de seu argumento e da forma de apresentação de seu poema.



7. b

Para Parmênides, há uma ligação fundamental entre o que pode ser pensado verdadeiramente e o que é. O pensamento não pode conhecer o não ser absoluto como se fosse algo existente. Isso não quer dizer que a linguagem invente o ser ou que toda verdade dependa das sensações.



8. c

I, II e IV estão corretas: o ser não tem origem nem fim, não muda e deve ser investigado pela via racional da verdade, distinta das opiniões dos mortais. III é falsa porque Parmênides não toma as aparências sensíveis de multiplicidade e mudança como o conhecimento mais seguro; elas pertencem à via da opinião.



9. d

A unidade do ser significa que ele é contínuo e não pode ser realmente separado por um vazio entendido como não ser. Se houvesse uma ruptura absoluta, seria preciso admitir o não ser entre as partes. A tese não afirma simplesmente a existência de um único objeto cotidiano nem que indivíduos sejam cópias uns dos outros.



10. a

Uma mudança real parece implicar que algo deixe de ser de certo modo ou adquira aquilo que antes não era. Parmênides entende que esse raciocínio introduz o não ser, incompatível com a via da verdade. A dificuldade está na consequência lógica da mudança, e não na lentidão dos fenômenos ou na incapacidade física dos sentidos.



11. c

A comparação com a esfera comunica completude, equilíbrio e uniformidade do ser em todas as direções. No poema, ela reforça a ideia de que não há no ser regiões mais ou menos existentes ou partes que lhe faltem. Não se trata de uma teoria de rotação planetária ou de um elemento material como o fogo.



12. b

Os primeiros filósofos investigavam a natureza e buscavam princípios explicativos. Parmênides desloca decisivamente o problema para as condições racionais do ser: o que pode ser pensado e dito sem contradição? Sua reflexão desafia qualquer explicação da natureza que trate geração e mudança como passagem entre ser e não ser.



13. d

A tensão entre razão e experiência torna-se um problema central para a filosofia posterior. Quem deseja explicar o mundo cotidiano precisa levar a sério a mudança percebida, mas também responder ao argumento de Parmênides de que nada pode surgir do não ser absoluto nem desaparecer nele. Diversas teorias posteriores tentam explicar a mudança sem aceitar essa passagem absoluta.

 

 


 

Por Jefferson Evandro Machado Ramos (professor e historiador graduado em História pela FFLCH-USP)

Publicado em 28/09/2026