Questões sobre Trabalho e Sociedade

 

1. Por que o trabalho é um tema importante para a Sociologia?

a) O desempenho profissional explica as diferenças sociais principalmente por talentos individuais, fazendo da competição entre pessoas o centro da análise.

b) Por meio do trabalho, as sociedades produzem sua existência material e organizam relações de cooperação, poder, desigualdade e pertencimento.

c) Sua relevância está na medição do esforço físico, que permite comparar a organização social de profissões distintas segundo o desgaste corporal.

d) As escolhas de ocupação expressam preferências pessoais, de modo que o estudo do trabalho privilegia gostos em lugar das instituições sociais.

e) Ao oferecer remuneração, a atividade profissional transforma diferenças de classe em diferenças de consumo, tornando secundárias as relações de produção.



2. Uma artesã compra materiais, planeja e executa todas as etapas de uma peça e negocia sua venda. Em outra situação, uma pessoa é contratada por uma fábrica para executar uma etapa da produção, utilizando equipamentos da empresa. A comparação permite identificar:

a) maior especialização de tarefas na oficina artesanal, em contraste com o controle do conjunto da produção pelo empregado da fábrica.

b) semelhança na propriedade dos equipamentos, pois a utilização cotidiana das máquinas torna o empregado proprietário dos instrumentos industriais.

c) equivalência entre salário e receita de vendas, já que ambos remuneram o tempo de trabalho sem depender da forma de organização produtiva.

d) diferenças no controle do processo produtivo e na relação com os meios de produção, exemplificadas pelo trabalho artesanal e pelo assalariamento industrial.

e) passagem de uma atividade voltada ao mercado para outra destinada ao consumo doméstico, explicada pela concentração da produção na fábrica.



3. Uma trabalhadora recebe salário para atuar numa empresa cujos equipamentos e produtos pertencem ao proprietário. Segundo Karl Marx, o que caracteriza a relação de classe apresentada?

a) A trabalhadora vende sua força de trabalho, enquanto o proprietário controla os meios de produção e se apropria do excedente produzido.

b) O salário confere participação na propriedade produtiva, aproximando os interesses da trabalhadora dos interesses econômicos do proprietário.

c) A diferença de classe decorre da preferência pelo consumo imediato, em contraste com a disposição do proprietário para poupar rendimentos.

d) O uso das máquinas concede à trabalhadora o controle econômico da produção, embora o proprietário permaneça responsável pela comercialização.

e) A oposição entre os envolvidos resulta das diferenças de escolaridade, que definem a propriedade da empresa e a distribuição dos produtos.



4. Em um hospital, profissionais de enfermagem, medicina, limpeza e manutenção realizam funções distintas e dependem do trabalho uns dos outros. Na perspectiva de Émile Durkheim, essa situação exemplifica:

a) solidariedade mecânica, sustentada pela especialização das funções e pela complementaridade entre ocupações com conhecimentos diferentes.

b) anomia, entendida como a dependência entre especialistas que precisam coordenar atividades para prestar um serviço em conjunto.

c) solidariedade orgânica, associada à interdependência criada pela divisão social do trabalho e à necessidade de coordenação entre funções.

d) consciência coletiva homogênea, produzida pela semelhança das tarefas e pela pequena diferenciação entre os papéis profissionais.

e) isolamento funcional, no qual a autonomia técnica dos especialistas reduz a importância das relações de cooperação institucional.



5. Ao estudar as relações entre a ética protestante e o espírito do capitalismo, que interpretação Max Weber desenvolveu?

a) A ampliação do comércio explica o conteúdo das crenças religiosas, tornando a conduta econômica uma causa independente das orientações culturais.

b) O incentivo ao consumo de luxo aproximou a ascese protestante do capitalismo, ao transformar gastos ostensivos em sinal de disciplina religiosa.

c) A organização capitalista surgiu da rejeição da contabilidade e do planejamento, substituídos pela confiança pessoal entre membros das comunidades.

d) O pertencimento religioso determina a posição de classe, pois as doutrinas distribuem entre os fiéis a propriedade das empresas e o trabalho assalariado.

e) Certas orientações religiosas favoreceram uma conduta disciplinada de trabalho e uma contenção do consumo, compatíveis com a acumulação racional de capital.



6. Leia o trecho com três espaços em branco e escolha os termos que o tornam sociologicamente correto. Na análise marxiana, os trabalhadores vendem sua _______________ ao capitalista. A parcela do novo valor produzido que excede o valor dessa capacidade de trabalho constitui a __________. O estranhamento do trabalhador em relação ao produto e à atividade que realiza é uma dimensão da _______________. Os espaços devem ser preenchidos, respectivamente, por:

a) propriedade privada, renda da terra e solidariedade mecânica.

b) produção acabada, margem comercial e consciência coletiva.

c) capacidade empresarial, remuneração salarial e racionalização burocrática.

d) força de trabalho, mais-valia e alienação do trabalho.

e) autonomia profissional, despesa produtiva e solidariedade orgânica.



7. Uma fábrica instala equipamentos que substituem determinadas tarefas. Mesmo após a recuperação das vendas, parte dos demitidos não encontra emprego, pois as vagas disponíveis exigem outras qualificações. Que conceito explica mais diretamente essa situação?

a) Desemprego sazonal, relacionado à alternância previsível de períodos de maior e menor procura ao longo do ciclo anual.

b) Desemprego estrutural, ligado a mudanças na organização produtiva e ao desajuste entre postos existentes e qualificações disponíveis.

c) Desemprego friccional, decorrente do intervalo de busca entre ocupações semelhantes disponíveis para o perfil dos trabalhadores.

d) Desemprego conjuntural, associado à queda temporária da demanda e à redução da produção durante uma recessão econômica.

e) Desemprego voluntário, identificado quando os trabalhadores recusam vagas adequadas por preferirem permanecer fora da atividade remunerada.



8. Uma indústria contrata uma empresa especializada para realizar a manutenção de suas instalações. Os profissionais são empregados dessa prestadora e atendem às necessidades da indústria contratante. Essa forma de organização caracteriza:

a) informalidade ocupacional, pois prestar serviços dentro de outra empresa substitui o vínculo de emprego por acordos pessoais.

b) trabalho autônomo individual, pois a contratação de serviços elimina a relação dos profissionais com a empresa que os emprega.

c) integração vertical, pois a contratante incorpora a prestadora e passa a controlar diretamente a contratação de seus empregados.

d) cooperativismo de produção, pois os profissionais compartilham a propriedade da indústria e decidem a distribuição de seus resultados.

e) terceirização, pois uma atividade é realizada por uma empresa prestadora de serviços contratada por outra organização.



9. Uma empresa registra tempos de execução, compara resultados e utiliza regras padronizadas para avaliar funcionários. Como a noção de racionalização, em Max Weber, ajuda a interpretar essa prática?

a) Cálculo, mensuração e procedimentos previsíveis organizam a atividade, ampliando o controle dos meios empregados para alcançar objetivos.

b) Vínculos afetivos entre chefias e funcionários tornam os resultados previsíveis, substituindo indicadores formais na administração cotidiana.

c) A conservação de costumes profissionais orienta a avaliação, fazendo dos hábitos herdados o principal critério de escolha das metas.

d) Preferências pessoais dos gestores ganham prioridade sobre regras, reforçando a improvisação como fundamento da eficiência empresarial.

e) A participação dos empregados na propriedade explica a padronização, já que indicadores de desempenho expressam o controle coletivo da empresa.



10. Sobre flexibilização, informalidade e condições de trabalho, assinale a alternativa incorreta:

a) alterações na jornada e nos contratos podem atender a demandas produtivas, mas seus efeitos dependem das condições de negociação e proteção.

b) ocupações informais podem envolver baixa cobertura de proteção social, embora o grau de vulnerabilidade varie conforme a atividade e o contexto.

c) o exercício de uma atividade informal corresponde ao desemprego, pois a ausência de registro transforma a pessoa ocupada em alguém sem trabalho.

d) custos, riscos e poder de negociação ajudam a avaliar se mudanças na organização do trabalho ampliam ou reduzem a insegurança dos trabalhadores.

e) vínculos formalizados também podem apresentar instabilidade e intensificação do trabalho, exigindo análise das condições concretas de exercício profissional.



11. Leia o texto a seguir.

Uma plataforma anuncia que seus entregadores escolhem quando se conectar. Entretanto, a distribuição das entregas considera avaliações, taxas de aceitação e desempenho anterior. Os critérios usados para calcular os pagamentos e aplicar bloqueios são pouco acessíveis aos trabalhadores.

Os entregadores utilizam veículos próprios e arcam com combustível e manutenção. Para ampliar seus rendimentos, parte deles adapta os horários aos incentivos oferecidos pelo aplicativo. A possibilidade de escolher o momento de conexão convive, assim, com mecanismos que influenciam o ritmo e a execução do serviço.

Que interpretação articula adequadamente os elementos apresentados?


a) A escolha do horário indica que o aplicativo funciona como um catálogo de clientes, deixando a organização do serviço sob controle dos entregadores.

b) A pontuação reproduz a lógica da oficina artesanal, na qual quem executa o serviço define preços e controla a relação com o comprador.

c) Os veículos próprios tornam os entregadores sócios da plataforma, de modo que avaliações e bloqueios expressam decisões compartilhadas de gestão.

d) A flexibilidade de conexão convive com gestão algorítmica e transferência de custos, produzindo limites à autonomia efetiva dos trabalhadores.

e) Os incentivos recompensam preferências de horário sem interferir na organização do trabalho, preservando a negociação individual das condições de cada entrega.



12. Analise as afirmações sobre trabalho e teoria sociológica.

I. Em Marx, a exploração capitalista se relaciona à apropriação do excedente produzido pelo trabalho assalariado.

II. Para Durkheim, a especialização das funções pode fundamentar a solidariedade orgânica, embora a divisão do trabalho possa assumir formas patológicas.

III. A análise weberiana explica o desenvolvimento do capitalismo como efeito de uma causa religiosa suficiente, dispensando condições econômicas e institucionais.

IV. A gestão algorítmica pode articular mensuração e controle do desempenho, permitindo estabelecer um diálogo com o conceito weberiano de racionalização.

Estão corretas as afirmações indicadas em:


a) I, II e IV, estando incorreta a afirmação III.

b) II e IV, estando incorretas as afirmações I e III.

c) I, II e III, estando incorreta a afirmação IV.

d) I e III, estando incorretas as afirmações II e IV.

e) II, III e IV, estando incorreta a afirmação I.



13. Em uma rede produtiva, empresas e trabalhadores especializados dependem uns dos outros, mas regras de remuneração, responsabilidades e limites de jornada se tornam instáveis. Surgem conflitos que dificultam a cooperação. Qual diagnóstico é mais adequado à análise de Durkheim?

a) A ampliação da autonomia individual torna dispensável a regulação das relações profissionais, cabendo à competição organizar a cooperação entre especialistas.

b) O aumento da especialização indica solidariedade mecânica, pois a diversidade de atividades faz prevalecer a semelhança de crenças e de experiências profissionais.

c) A instabilidade das normas configura alienação, conceito com que Durkheim explica a apropriação capitalista dos produtos realizados por trabalhadores assalariados.

d) As disputas de remuneração mostram que a solidariedade orgânica exige ocupações equivalentes, tornando a diferenciação profissional um obstáculo à integração.

e) A interdependência pode coexistir com divisão anômica do trabalho quando falta uma regulação capaz de coordenar adequadamente as relações entre as funções.



14. Uma empresa automatiza tarefas, aumenta a produtividade e reduz postos de trabalho. Os empregados remanescentes são avaliados por indicadores digitais, enquanto antigos funcionários buscam renda em serviços por demanda. Uma análise sociológica que articula essas mudanças às relações de poder e à integração social reconhece:

a) a requalificação como explicação central do acesso ao emprego, permitindo tratar a distribuição dos ganhos produtivos como resultado das escolhas individuais de estudo.

b) a influência de decisões empresariais, regulação e ação coletiva na distribuição dos ganhos da automação, nos mecanismos de controle e nas condições de integração social.

c) a inovação como causa direta da precarização, atribuindo ao equipamento utilizado o poder de determinar contratos, remuneração e proteção social.

d) a renda obtida em serviços por demanda como medida suficiente da integração, tornando secundárias a estabilidade dos vínculos e a capacidade de negociação.

e) o controle por indicadores como prova de equilíbrio entre capital e trabalho, pois critérios mensuráveis aproximam o poder de decisão dos grupos envolvidos.

 

 

Gabarito explicativo:



1. b) O trabalho participa da produção de bens e serviços e da organização das relações sociais. Seu estudo envolve formas de cooperação, distribuição de recursos, identidades profissionais e relações de poder. A Sociologia investiga como instituições e posições sociais condicionam oportunidades e experiências; por isso, não reduz a análise ao talento, ao esforço físico ou às preferências individuais. Receber remuneração tampouco elimina as diferenças de classe.



2. d) Nas situações descritas, a artesã controla materiais, planejamento, execução e venda, enquanto o empregado vende sua capacidade de trabalhar e executa uma etapa com equipamentos da empresa. A distinção envolve propriedade e controle, não somente o tamanho do estabelecimento. A receita de vendas pode incluir custos e resultados do empreendimento, enquanto o salário remunera a força de trabalho contratada. O exemplo não significa que todo artesão tenha plena autonomia ou que toda atividade industrial seja igualmente fragmentada.



3. a) Marx analisa as classes capitalistas a partir das relações com os meios de produção. Quem depende do salário vende sua força de trabalho; o capitalista controla os meios produtivos e se apropria da mais-valia. Esta corresponde à parcela do novo valor criado que excede o valor da força de trabalho. O salário não concede propriedade da empresa, e diferenças de escolaridade ou consumo não constituem o fundamento dessa relação de classe. Ver O capital, capítulo sobre o processo de trabalho e a produção de mais-valia.



4. c) A solidariedade orgânica se relaciona à complementaridade das funções numa sociedade com divisão do trabalho desenvolvida. O hospital ilustra a dependência recíproca entre ocupações diferentes. Já a solidariedade mecânica se apoia mais fortemente na semelhança entre os membros do grupo. A diversidade de funções não é, por si, anomia: esse problema envolve insuficiência de regulação das relações sociais. Ter autonomia técnica em uma função também não elimina a dependência do trabalho de outros profissionais.



5. e) Weber investigou como certas formas de ascese protestante contribuíram para uma conduta metódica de trabalho, com restrição do consumo e valorização da atividade profissional. Essa orientação apresentou afinidades com o espírito do capitalismo moderno. A interpretação não atribui à religião uma causa suficiente do capitalismo nem transforma o pertencimento religioso em determinação da classe social. Contabilidade e planejamento são compatíveis com a organização racional da atividade econômica, enquanto o consumo ostensivo contraria a contenção ascética discutida. Ver A ética protestante e o espírito do capitalismo, capítulo sobre ascetismo e capitalismo.



6. d) Os termos são força de trabalho, mais-valia e alienação do trabalho. Força de trabalho designa a capacidade humana de trabalhar, comercializada na relação salarial. Mais-valia é o excedente de novo valor produzido em relação ao valor dessa capacidade, e não uma simples margem obtida na revenda de mercadorias. Alienação envolve o estranhamento diante do produto e da atividade realizada, entre outras dimensões. Solidariedade e racionalização pertencem a outros esquemas conceituais e não preenchem as definições apresentadas.



7. b) A substituição de tarefas e o desajuste de qualificações indicam desemprego estrutural. A recuperação das vendas não recompõe necessariamente os postos anteriores, pois a estrutura produtiva se modificou. O desemprego conjuntural se relaciona às oscilações da atividade econômica; o sazonal, a variações periódicas; e o friccional, à transição e à busca entre empregos. O enunciado não descreve uma escolha de permanecer sem trabalhar. A requalificação pode ajudar, mas seus resultados dependem também da existência e das condições das vagas.



8. e) Na terceirização descrita, a indústria contrata serviços de outra empresa, que emprega os profissionais responsáveis pela manutenção. O trabalho ocorrer nas instalações da contratante não torna esses profissionais autônomos ou informais. Integração vertical pressupõe incorporar ou controlar etapas da cadeia produtiva, o que não se confunde com contratar uma prestadora. O exemplo também não apresenta propriedade coletiva nem gestão pelos trabalhadores. Os efeitos da terceirização sobre remuneração e proteção precisam ser examinados nas condições concretas do vínculo.



9. a) A racionalização ajuda a compreender a organização de atividades por cálculo, mensuração e procedimentos previsíveis. Os registros e indicadores permitem comparar desempenhos e orientar decisões. Essa lógica difere da autoridade apoiada nos costumes, das relações afetivas e da improvisação pessoal. A padronização não comprova propriedade coletiva nem participação dos empregados nas decisões. Trata-se de uma interpretação da forma de organizar o trabalho, que também pode ampliar a vigilância e o controle sobre quem o executa.



10. c) Esta é a alternativa incorreta. Uma pessoa que exerce uma ocupação informal está trabalhando; informalidade e desemprego são situações distintas. A condição de desemprego envolve estar sem ocupação e, nas definições estatísticas usuais, disponível e em busca de trabalho. As outras alternativas reconhecem que flexibilização, formalização e insegurança não mantêm relações simples: é preciso avaliar jornada, proteção social, estabilidade, riscos e poder de negociação. Um vínculo formal não impede condições precárias, assim como atividades informais apresentam experiências variadas.



11. d) O texto mostra que escolher quando se conectar não equivale a controlar o conjunto das condições de trabalho. Avaliações, incentivos e critérios de distribuição de serviços interferem na conduta dos entregadores. O pagamento de combustível e manutenção explicita a transferência de custos para os trabalhadores. Possuir um veículo não concede participação na plataforma, e a pontuação não corresponde à decisão compartilhada dos prestadores. Essa interpretação aplica ao caso descrito aspectos estudados pela OIT sobre gestão algorítmica.



12. a) I, II e IV estão corretas. I relaciona a exploração marxiana à apropriação do excedente produzido. II reconhece a solidariedade orgânica e a possibilidade de formas patológicas da divisão do trabalho. IV propõe um diálogo analítico entre o controle por algoritmos e a racionalização weberiana, sem atribuir a Weber o estudo de plataformas digitais. III é incorreta porque apresenta uma explicação religiosa suficiente e isolada: Weber examinou relações entre orientações culturais e processos econômicos, sem dispensar outras condições históricas e institucionais.



13. e) A divisão anômica do trabalho ocorre quando a regulação das relações entre funções é insuficiente para coordená-las. A especialização pode produzir interdependência sem assegurar uma cooperação adequadamente regulada. O cenário destaca regras instáveis, razão pela qual a anomia é o diagnóstico mais pertinente. A solidariedade orgânica não exige ocupações semelhantes, e a autonomia individual não dispensa normas. A alternativa c confunde a análise durkheimiana com conceitos de Marx sobre alienação e apropriação capitalista.



14. b) Os resultados sociais da automação dependem das relações em que a tecnologia é introduzida. Decisões sobre investimento, remuneração e contratos, além de regulação e negociação coletiva, influenciam quem recebe os ganhos de produtividade e quem suporta os riscos. Marx ajuda a examinar apropriação e poder de classe; Weber, cálculo e controle; Durkheim, interdependência e regulação. Requalificação e obtenção de renda são relevantes, mas não bastam para explicar a estrutura das oportunidades ou a integração social. Indicadores mensuráveis também não comprovam equilíbrio de poder entre empregadores e trabalhadores.

 


 

Por Jefferson Evandro Machado Ramos (professor e historiador graduado em História pela FFLCH-USP)

Publicado em 01/10/2026