16 Questões sobre a Revolta dos Malês
QUESTÕES DE HISTÓRIA SOBRE A REVOLTA DOS MALÊS:
1. A Revolta dos Malês representou um importante levante urbano ocorrido na cidade de Salvador, Bahia, no início do século XIX. Ela foi liderada por um grupo específico que se destacava entre a população africana escravizada. Qual grupo assumiu a liderança dessa revolta?
A) Trabalhadores rurais ligados às grandes plantações de açúcar e algodão, que buscavam melhores condições de trabalho e salários.
B) Escravizados de origem bantu, que formavam a maioria da população escravizada e estavam insatisfeitos com a dominação portuguesa.
C) Escravizados muçulmanos, conhecidos como Malês, que planejavam estabelecer um governo baseado na religião islâmica.
D) Índios aldeados que estavam sendo forçados a trabalhar em plantações e desejavam retomar suas terras ancestrais.
E) Comerciantes africanos livres, que desejavam maior participação no governo municipal de Salvador.
2. Um dos principais fatores que impulsionou a Revolta dos Malês foi:
A) A insatisfação dos comerciantes portugueses com as restrições ao comércio interprovincial impostas pelo governo imperial.
B) A resistência dos escravizados muçulmanos ao processo de conversão forçada ao cristianismo e à opressão cultural.
C) A tentativa do governo de proibir as festas religiosas africanas e as cerimônias de candomblé realizadas nos terreiros baianos.
D) O aumento das tarifas alfandegárias sobre produtos importados, que prejudicou a elite comercial da cidade.
E) A rivalidade entre escravizados de diferentes etnias africanas, que disputavam espaços de trabalho e moradia em Salvador.
3. A respeito dos participantes da Revolta dos Malês, é correto afirmar que:
A) Eram todos escravizados recém-chegados da África, que não falavam português e mantinham suas tradições religiosas intactas.
B) Formavam um grupo homogêneo de africanos islamizados que rejeitavam qualquer tipo de influência europeia em sua cultura.
C) Eram em sua maioria muçulmanos de origem nagô e hauçá, que dominavam a escrita em árabe e tinham grande coesão cultural.
D) Eram mestiços e afrodescendentes que haviam sido libertos e desejavam organizar uma monarquia muçulmana em Salvador.
E) Contavam com o apoio direto de líderes religiosos católicos que viam na revolta uma forma de aumentar seu poder político.
4. Durante a Revolta dos Malês, a principal forma de comunicação entre os revoltosos era:
A) O uso de sinais de fumaça e tambores africanos para coordenar ataques simultâneos contra as tropas imperiais.
B) A escrita em árabe, utilizada para manter as estratégias em segredo e garantir a unidade do movimento.
C) A leitura de panfletos impressos clandestinamente, que circulavam entre os escravizados para mobilizar as massas.
D) As reuniões nas senzalas, onde eram realizadas assembleias secretas com a participação de todos os escravizados.
E) O envio de cartas cifradas aos líderes quilombolas da região, que colaboravam com a revolta em Salvador.
5. A repressão à Revolta dos Malês foi severa. Entre as medidas tomadas pelas autoridades imperiais para evitar novos levantes, destacam-se:
A) O fechamento das escolas religiosas e das irmandades católicas que apoiavam a resistência escravizada.
B) A expulsão dos comerciantes portugueses de Salvador, por sua colaboração com os insurgentes muçulmanos.
C) A destruição dos engenhos de açúcar pertencentes a senhores que simpatizavam com as demandas dos revoltosos.
D) A concessão de liberdade para todos os escravizados envolvidos na revolta, como forma de apaziguar a população africana.
E) A deportação de líderes muçulmanos para outras províncias e a proibição de práticas religiosas africanas.
6. A Revolta dos Malês foi um movimento com características singulares em relação a outros levantes de escravizados no Brasil. Isso se deve ao fato de que:
A) Contou com o apoio de parte da elite branca baiana, que desejava maior autonomia política para a região.
B) Possuía uma organização militar bem estruturada e um ideal religioso que unificava seus participantes.
C) Foi liderada por mulheres escravizadas que se destacaram pela coragem e pela liderança carismática.
D) Resultou na formação de um quilombo urbano no centro de Salvador, que perdurou por décadas após o levante.
E) Ocasionou a abolição imediata da escravidão na cidade de Salvador e nas regiões vizinhas.
7. Entre os ideais que motivaram a Revolta dos Malês, é possível perceber:
A) A busca pela liberdade religiosa e pela autonomia cultural dos muçulmanos africanos na diáspora.
B) A criação de um governo laico, baseado nos princípios republicanos difundidos pela Revolução Francesa.
C) O desejo de integração pacífica entre africanos islamizados e católicos de origem europeia.
D) A reivindicação de melhores condições de trabalho para os artesãos muçulmanos livres que atuavam no comércio local.
E) A fundação de uma nova religião sincrética que unisse elementos cristãos e islâmicos em Salvador.
8. Uma das formas pelas quais os Malês conseguiram articular sua revolta, apesar das limitações impostas pela condição de escravizados, foi:
A) A utilização das redes de comércio africano livre que existiam em Salvador, facilitando a comunicação e o transporte de armas.
B) O apoio explícito do governo provincial, que desejava enfraquecer a influência dos senhores de engenho católicos.
C) O recrutamento de soldados negros libertos que haviam servido no Exército Imperial e que conheciam as táticas militares.
D) A participação de líderes religiosos muçulmanos que, por meio da educação islâmica, difundiam as ideias revolucionárias.
E) O financiamento de comerciantes muçulmanos europeus que residiam em Salvador e desejavam instaurar um emirado islâmico.
9. A Revolta dos Malês teve como uma de suas consequências imediatas:
A) A intensificação da repressão policial contra as manifestações culturais africanas na cidade de Salvador.
B) A criação de uma lei que permitiu a liberdade religiosa para os africanos muçulmanos em todo o território imperial.
C) A libertação dos escravizados que participaram ativamente da revolta, como forma de conter novos motins.
D) A transferência da capital da província para o interior, evitando novas insurreições na capital baiana.
E) O fortalecimento das relações diplomáticas entre o Brasil e as nações africanas que forneciam escravizados.
10. Sobre a dimensão religiosa da Revolta dos Malês, é correto afirmar que:
A) Os revoltosos buscavam impor o cristianismo como religião oficial para todos os africanos na Bahia.
B) A influência muçulmana se manifestou na organização das tropas e na recitação de orações durante os combates.
C) A religião não teve papel significativo na revolta, sendo um aspecto secundário diante das questões econômicas.
D) Os líderes muçulmanos pregavam a conversão ao catolicismo como forma de integração social.
E) As irmandades religiosas católicas foram fundamentais no apoio aos muçulmanos durante o levante.
11. Considerando a Revolta dos Malês no contexto das lutas sociais no Brasil, pode-se afirmar que:
A) Ela foi um evento isolado, sem relação com outros movimentos de resistência de africanos escravizados no Brasil.
B) Contribuiu para o surgimento de uma identidade afro-brasileira unificada, marcada pela cultura islâmica.
C) Expressou o desejo de liberdade de um grupo específico e a recusa à imposição cultural e religiosa europeia.
D) Impulsionou a abolição imediata da escravidão em várias províncias brasileiras, antes mesmo da Lei Áurea.
E) Foi um movimento apoiado diretamente pelos colonos portugueses que desejavam enfraquecer o Império.
12. Em relação à liderança e às estratégias da Revolta dos Malês, é correto afirmar que:
A) Os principais líderes eram muçulmanos africanos alfabetizados em árabe, o que facilitou a articulação de ideias e planos.
B) A revolta foi chefiada por generais portugueses convertidos ao islamismo que buscavam maior autonomia para a Bahia.
C) Os revoltosos utilizaram exclusivamente armas de fogo adquiridas em expedições militares para Angola.
D) Os líderes eram, em sua maioria, escravizados que haviam sido batizados no catolicismo, mas que rejeitavam a fé cristã.
E) As estratégias militares incluíam alianças com navios negreiros que aportavam na Bahia durante o levante.
13. Explique o papel da religião islâmica na articulação e na organização da Revolta dos Malês, destacando de que maneira a fé muçulmana contribuiu para o surgimento desse movimento de resistência.
14. Analise como as relações sociais e econômicas da cidade de Salvador, no início do século XIX, influenciaram o desenvolvimento da Revolta dos Malês. Em sua resposta, considere aspectos como a estrutura urbana e a posição dos africanos islamizados na sociedade baiana.
15. Discuta as principais consequências políticas e sociais da Revolta dos Malês para a cidade de Salvador e para a população africana escravizada, considerando as medidas adotadas pelas autoridades e os efeitos do levante na cultura afro-brasileira.
16. "A revolta de 1835 foi o levante urbano de escravizados mais importante das Américas. Diferente de outras insurreições, o movimento malê foi planejado por uma elite de africanos letrados, que utilizavam a escrita árabe e a religião islâmica como elementos de coesão e organização política. No coração de Salvador, esses homens e mulheres desafiaram a estrutura escravista, unindo diferentes grupos étnicos sob a bandeira da resistência cultural e religiosa, transformando a capital baiana em um campo de batalha onde o projeto de liberdade se misturava à afirmação de uma identidade africana altiva e educada." (REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos Malês em 1835. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.).
Com base no trecho acima, explique de que maneira o levante dos malês de 1835 expressou formas de organização política, identidade cultural e resistência à escravidão no contexto urbano de Salvador, destacando o papel dos africanos letrados e da religião islâmica no processo.
GABARITO:
1. C
2. B
3. C
4. B
5. E
6. B
7. A
8. D
9. A
10. B
11. C
12. A
13. A religião islâmica exerceu papel fundamental na articulação e na organização da Revolta dos Malês, pois serviu como elemento de coesão entre os revoltosos e como fonte de inspiração ideológica. Os muçulmanos africanos, conhecidos como Malês, encontravam no Islã um conjunto de valores morais e espirituais que reforçava o sentimento de identidade coletiva e de resistência à dominação cristã e colonial. O domínio da escrita em árabe e o conhecimento das tradições islâmicas permitiram a troca de mensagens secretas e a organização de reuniões clandestinas, garantindo um nível elevado de disciplina e estratégia. Dessa forma, a fé muçulmana foi tanto um fator motivador quanto um recurso prático para a mobilização dos revoltosos.
14. As relações sociais e econômicas de Salvador no início do século XIX favoreceram o surgimento da Revolta dos Malês, pois a cidade apresentava uma complexa estrutura urbana com uma população africana numerosa e diversificada. Os africanos islamizados ocupavam, muitas vezes, funções como artesãos, pequenos comerciantes e escravizados domésticos, inseridos no cotidiano urbano e com maior possibilidade de articulação entre si. Essa posição permitia que eles circulassem por diversos espaços, ampliando as redes de contato e facilitando a troca de informações. Além disso, o rígido controle social exercido pelos senhores e pelas autoridades, somado às tensões decorrentes das desigualdades econômicas e culturais, criava um ambiente propício para a eclosão de movimentos de resistência.
15. As principais consequências políticas e sociais da Revolta dos Malês foram a intensificação da repressão contra as práticas religiosas e culturais africanas e o endurecimento do controle sobre a população escravizada. As autoridades temiam que a rebelião se expandisse e adotaram medidas severas, como punições exemplares aos participantes e a proibição de reuniões religiosas muçulmanas. Essa repressão contribuiu para o silenciamento temporário das manifestações islâmicas na Bahia e o fortalecimento de práticas culturais sincréticas, que incorporavam elementos do catolicismo como forma de camuflar as tradições africanas. Apesar da derrota militar, a Revolta dos Malês reforçou o espírito de resistência dos africanos escravizados e tornou-se um símbolo de afirmação identitária e de luta contra a opressão.
16. O levante dos malês de 1835 representou uma das mais significativas manifestações de resistência à escravidão no Brasil, ocorrida no ambiente urbano de Salvador durante o século XIX. A revolta destacou-se pela atuação de africanos letrados, capazes de utilizar a escrita árabe como ferramenta de comunicação e articulação política, o que lhes conferiu capacidade organizativa diferenciada. A religião islâmica funcionou como eixo de coesão, fortalecendo laços identitários entre indivíduos de distintas origens étnicas e estabelecendo um sentido de pertencimento comum. O movimento, ao reunir diversos grupos africanos, evidenciou uma resistência que não se limitava ao enfrentamento físico, mas incorporava afirmações culturais e religiosas que desafiavam a ordem escravista vigente. No espaço urbano de Salvador, essa articulação transformou a cidade em cenário de confrontos diretos, marcados pela busca de liberdade e pela afirmação de uma identidade africana instruída, consciente e politicamente engajada.
Questões elaboradas por Jefferson Evandro Machado Ramos (graduado em História pela USP)
Publicado em 28/05/2025
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Bibliografia e vídeos indicados:
FAUSTO, Boris. História do Brasil. 2ª edição. São Paulo: Edusp, 1995.
REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos Malês em 1835. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
