Questões discursivas sobre a Crise de 1929


QUESTÕES DISCURSIVAS SOBRE A CRISE DE 1929:



1. Quais fatores econômicos e sociais internos dos Estados Unidos contribuíram para o desencadeamento da Crise de 1929?


2. Explique como o colapso da Bolsa de Valores de Nova York, em outubro de 1929, afetou diretamente o sistema financeiro norte-americano.


3. Descreva as consequências da Crise de 1929 para a economia dos países da América Latina, especialmente no que se refere à exportação de produtos primários.


4. Analise as principais medidas adotadas pelo presidente Franklin D. Roosevelt para combater os efeitos da Crise de 1929 nos Estados Unidos.


5. Quais foram os impactos da Crise de 1929 sobre o mercado de trabalho e as condições de vida da população urbana norte-americana?


6. De que forma a Crise de 1929 contribuiu para a ascensão de regimes autoritários em países europeus durante os anos 1930?


7. Explique por que o modelo liberal clássico foi duramente criticado após a Crise de 1929 e como isso influenciou a política econômica global.


8. Qual foi o papel do sistema bancário no agravamento da Crise de 1929, e por que sua instabilidade gerou um efeito em cadeia?


9. Em que medida a Crise de 1929 influenciou as políticas industriais nos países da América Latina, como o Brasil?


10. A Crise de 1929 teve efeitos sobre o comércio internacional. Como essa retração afetou as relações econômicas entre os países?




GABARITO:


1. O crescimento especulativo da bolsa, o consumo incentivado por crédito fácil, a superprodução agrícola e industrial, e a ausência de regulação financeira foram fatores internos que criaram uma economia instável. A concentração de renda limitava o consumo real, o que gerou desequilíbrios estruturais. O sistema bancário também estava vulnerável. Esses fatores criaram um cenário propício ao colapso.


2. A quebra da Bolsa de Nova York levou à falência de investidores e empresas que perderam capital. Milhares de bancos não conseguiram manter os saques, causando pânico e falências em massa. A confiança no sistema econômico foi abalada. Isso desencadeou desemprego e falência de indústrias e comércios.


3. Os países latino-americanos, fortemente dependentes da exportação de matérias-primas, sofreram com a queda da demanda internacional. Os preços do café, açúcar, cacau, entre outros, despencaram no mercado mundial. Isso provocou recessão, queda de receitas estatais e desemprego. As economias periféricas passaram a buscar alternativas internas de crescimento.


4. Roosevelt lançou o New Deal, um conjunto de medidas econômicas e sociais. Foram criados programas de obras públicas, auxílio aos desempregados e reformas no sistema bancário. O governo passou a intervir na economia, rompendo com o liberalismo clássico. Essas medidas buscavam gerar empregos e reativar o consumo.


5. A crise provocou o fechamento de milhares de empresas, levando milhões ao desemprego. Muitos cidadãos perderam suas casas e passaram a viver em favelas improvisadas chamadas de "Hoovervilles". O poder de compra caiu drasticamente. A miséria urbana se generalizou, afetando a classe média e os trabalhadores.


6. A instabilidade econômica, o desemprego e a insatisfação popular com as democracias liberais facilitaram a ascensão de regimes autoritários. Na Alemanha, por exemplo, o nazismo ganhou apoio ao prometer estabilidade. Na Itália, o fascismo consolidou seu poder. O medo do comunismo também colaborou para esse cenário.


7. A crise mostrou que o mercado não era capaz de se autorregular. A quebra sistêmica do capitalismo liberal expôs suas fragilidades. Por isso, muitos países passaram a adotar políticas intervencionistas. O keynesianismo ganhou força, defendendo o papel ativo do Estado na economia.


8. O sistema bancário emprestava em excesso e investia na bolsa, sem lastro suficiente. Quando as ações caíram, muitos bancos quebraram e não puderam devolver os depósitos. Isso gerou pânico e corridas bancárias. A falência dos bancos afetou todos os setores da economia.


9. A crise fez com que o Brasil, por exemplo, passasse a investir em substituição de importações. A industrialização tornou-se prioridade para reduzir a dependência de produtos externos. O governo Vargas adotou políticas de estímulo à indústria nacional. Isso marcou uma nova fase da economia brasileira.


10. O comércio internacional retraiu-se com o protecionismo adotado por vários países. Tarifas alfandegárias foram elevadas para proteger os mercados internos. Isso agravou ainda mais a crise, dificultando a recuperação global. A cooperação econômica internacional ficou comprometida.

 

 


 

Questões elaboradas por Jefferson Evandro Machado Ramos (graduado em História pela FFLCH-USP)

Publicado em 31/08/2025