Questões sobre o Cangaço

 

QUESTÕES DE TESTE SOBRE O CANGAÇO

 

- Leia com atenção os enunciados e alternativas;

- Indique apenas uma alternativa por questão;

- O gabarito explicativo encontra-se no final desta página.

 

 

1. O cangaço, fenômeno social do Nordeste brasileiro do final do século XIX e começo do XX, pode ser compreendido como:

A. Uma forma de resistência popular diante da miséria, da seca e da concentração de terras.
B. Um movimento de modernização política voltado à industrialização da região.
C. Uma tentativa de organização sindical rural com pautas trabalhistas.
D. Um programa governamental de combate à fome no sertão.
E. Um projeto religioso para difusão da fé católica no interior.



2. Entre os fatores que favoreceram o surgimento do cangaço no sertão nordestino, destaca-se:

A. A abundância de recursos naturais e a prosperidade econômica da região.
B. A concentração fundiária e a ausência de políticas sociais eficazes.
C. A expansão urbana e a industrialização acelerada no sertão.
D. O aumento da população estrangeira que trouxe novos conflitos culturais.
E. A presença de colônias agrícolas organizadas pelo Estado.



3. Assinale a alternativa que melhor caracteriza a atuação dos bandos de cangaceiros:

A. Limitavam-se a atividades religiosas, sem confrontos armados.
B. Constituíram uma forma de governo regional reconhecida pelo Estado brasileiro.
C. Atuavam como grupos armados que praticavam saques, mas também estabeleciam alianças com populações locais.
D. Foram apenas grupos isolados de comerciantes que buscavam expandir seus negócios.
E. Se restringiam à defesa dos grandes latifundiários contra rebeliões camponesas.



4. O cangaço está relacionado ao fenômeno do coronelismo porque:

A. Ambos buscavam a construção de cidades modernas no sertão.
B. Os coronéis frequentemente contratavam cangaceiros como jagunços para defender seus interesses.
C. O cangaço representava a continuidade de tradições religiosas trazidas por coronéis.
D. Coronéis e cangaceiros lutavam juntos pela democratização política no Nordeste.
E. Os coronéis eram perseguidos pelos bandos de cangaceiros devido ao poder econômico.



5. O líder mais famoso do cangaço foi Lampião, cuja trajetóriA -

A. Foi marcada pela busca da modernização econômica do sertão.
B. Representou a aliança constante com o governo central.
C. Envolveu tanto práticas violentas quanto relações de proteção com algumas comunidades.
D. Consistiu em uma luta pacífica contra a concentração de terras.
E. Limitou-se à organização de festas e rituais populares.



6. Uma característica marcante do cangaço erA -

A. A submissão direta aos poderes centrais do Rio de Janeiro.
B. A construção de igrejas e escolas pelo sertão nordestino.
C. A participação em movimentos urbanos de trabalhadores industriais.
D. O incentivo à imigração europeia como forma de fortalecer o sertão.
E. O uso de indumentária singular, com chapéus de couro adornados, cartucheiras e armas.



7. O fim do cangaço esteve relacionado:

A. À expansão da indústria têxtil no sertão nordestino.
B. À repressão policial intensa organizada pelos governos estaduais e federal.
C. À união entre coronéis e bandos de cangaceiros em torno de reformas agrárias.
D. À migração em massa da população sertaneja para o exterior.
E. Ao apoio popular crescente que deu legitimidade ao movimento.



8. A participação de mulheres no cangaço pode ser destacadA -

A. Por meio da presença de figuras como Maria Bonita, que integraram os bandos e romperam padrões sociais de gênero.
B. Apenas em atividades religiosas voltadas à catequese.
C. Na liderança de grandes fazendas e coronelatos regionais.
D. No comando político das cidades nordestinas.
E. Apenas em funções invisíveis e sem relevância dentro do movimento.



9. "O cangaço não deve ser visto apenas como uma sequência de crimes ou como expressão de banditismo. Ele reflete as contradições sociais do sertão nordestino, onde as condições de vida eram duras, a violência institucionalizada e as alianças entre poder local e bandos armados moldavam as relações cotidianas."

Segundo o texto acima, é correto afirmar que:

A. O cangaço deve ser interpretado apenas como banditismo comum.
B. As práticas do cangaço não possuíam nenhuma relação com as estruturas sociais do sertão.
C. O cangaço revela aspectos das desigualdades e das relações de poder locais.
D. O fenômeno não apresentou qualquer ligação com coronéis ou populações sertanejas.
E. O texto defende a visão de que o cangaço era totalmente pacífico.



10. Sobre a cultura material e simbólica do cangaço, é correto afirmar:

A. Os cangaceiros criaram cantigas, poesias e registros visuais que se tornaram parte do folclore nordestino.
B. Rejeitavam qualquer tipo de expressão cultural, limitando-se à violência.
C. Foram responsáveis por fundar universidades no sertão.
D. Desprezavam a música e a religiosidade da região.
E. Não deixaram marcas culturais na memória popular.



11. O fenômeno do cangaço pode ser relacionado ao contexto do sertão porque:

A. O sertão era totalmente isolado das decisões políticas e econômicas.
B. O sertão oferecia abundância de terras férteis e desenvolvimento urbano.
C. O sertão era um espaço sem desigualdades, o que eliminava tensões sociais.
D. O sertão era marcado por pobreza, escassez de recursos e forte poder dos coronéis.
E. O sertão apresentava prosperidade e igualdade entre todos os grupos sociais.



12. "A figura de Lampião foi cercada de lendas que o retratavam ora como herói justiceiro, ora como criminoso sanguinário. Essa dualidade demonstra como a memória popular é construída a partir de diferentes perspectivas, dependendo das experiências das comunidades que com ele se relacionaram."


Com base no texto acima, assinale a alternativa corretA -

A. Lampião foi unanimemente reconhecido como herói no sertão.
B. A memória popular construiu diferentes representações sobre Lampião.
C. Não houve divergências na maneira de interpretar a atuação de Lampião.
D. Lampião nunca foi alvo de narrativas populares.
E. A imagem de Lampião foi construída apenas por intelectuais urbanos.



13. Qual foi a importância da repressão policial no processo de combate ao cangaço?

A. Foi fundamental para desarticular os bandos, com operações organizadas que resultaram no enfraquecimento do movimento.
B. Não teve impacto significativo, já que os cangaceiros nunca foram perseguidos.
C. Serviu apenas para fortalecer os coronéis e eliminar opositores políticos.
D. Representou a integração cultural entre sertanejos e policiais.
E. Contribuiu para que os cangaceiros conquistassem poder político institucionalizado.



14. Sobre o fenômeno do cangaço, assinale a alternativa corretA -

A. O cangaço resultou da imigração estrangeira que trouxe violência ao Nordeste.
B. O cangaço representou a integração do sertão às políticas de industrialização urbana.
C. O cangaço foi um fenômeno restrito às capitais nordestinas.
D. O cangaço surgiu como um movimento exclusivamente religioso.
E. O cangaço reflete as contradições sociais, econômicas e políticas do sertão nordestino.



15. Sobre o cangaço, leia e analise as afirmações abaixo:

I. O cangaço teve forte relação com o contexto de pobreza, coronelismo e seca do sertão.
II. Os bandos de cangaceiros estabeleceram apenas relações de violência, sem qualquer vínculo com a população local.
III. A repressão policial foi determinante para o fim do cangaço.
IV. As mulheres tiveram participação ativa em alguns bandos.

Está correto o que se afirma em:

A. Apenas I e II.
B. Apenas II e III.
C. Apenas I, III e IV.
D. Apenas II e IV.
E. Apenas I, II, III e IV.

 

 

 

GABARITO EXPLICATIVO:

 

1. A - A interpretação do cangaço como forma de resistência popular se sustenta na combinação de pobreza crônica, concentração fundiária e fragilidade das instituições estatais no sertão, que criaram um ambiente propício à formação de bandos armados. Em vez de uma agenda política formal, esses grupos canalizavam tensões sociais acumuladas, cobrando “taxas”, negociando proteção e disputando poder local. A leitura sociológica do fenômeno, próxima ao conceito de banditismo social, explica sua capilaridade e longevidade. Assim, compreender o cangaço exige relacioná-lo às estruturas econômicas e às hierarquias de poder que marginalizavam grande parte da população sertaneja.


2. B - A concentração de terras atrelada ao coronelismo e à ausência de políticas sociais consistentes agravou as desigualdades e expôs populações à fome, à seca e à violência privada. Esse quadro estimulou a emergência de arranjos armados que navegavam entre a ilegalidade e pactos locais, preenchendo vazios de autoridade. O sertão, com baixa presença estatal, converteu-se em espaço onde lealdades pessoais e redes clientelistas predominavam. Nesse contexto, o cangaço aparece como produto de um tecido social tensionado e desassistido.


3. C - Os bandos operavam como formações armadas móveis, realizando saques e coerções, mas também estabelecendo alianças pontuais com moradores, pequenos comerciantes e até autoridades locais. Essa ambivalência explica a sobrevivência do fenômeno em áreas extensas e de difícil controle. A proteção, negociada por meio de reciprocidades e ameaças, criava zonas de influência e circulação. Assim, o cangaço se mantinha ao explorar tanto a violência quanto laços sociais e econômicos com o território.


4. B - O vínculo com o coronelismo é explicado pela prática de contratação de homens armados como jagunços, além de acordos tácitos de não agressão e de proteção mútua em determinados contextos. Coronéis, controlando recursos e lealdades, eram capazes de instrumentalizar a violência privada, enquanto bandos se beneficiavam do abrigo e da informação. Essa relação, ainda que instável, reforçava o poder local e dificultava a ação estatal. O cangaço, desse modo, dialogava com as formas tradicionais de mando no interior.


5. C - A trajetória de Lampião evidencia a lógica dual do fenômeno, combinando violência seletiva com acordos que garantiam sustento, informação e apoio logístico. Redes de compadrio e trocas com populações rurais ajudavam a viabilizar deslocamentos e esconderijos. Sua liderança também se baseou na construção de uma reputação temida e, ao mesmo tempo, negociadora. Essa estratégia maximizou autonomia frente a rivais e às forças repressivas.


6. E - A indumentária de couro, os chapéus adornados e o arsenal visível funcionavam como marca identitária, mecanismo de coesão do grupo e instrumento de intimidação. O equipamento reforçava a imagem de invulnerabilidade e domínio do ambiente sertanejo. A estética do cangaço, registrada em fotos e relatos, contribuiu para sua memória e para a criação de mitos. Assim, cultura material e prática guerreira se entrelaçavam no cotidiano dos bandos.


7. B - A intensificação da repressão, com unidades móveis, melhor armamento e inteligência, alterou o equilíbrio de forças, minando rotas, abastecimento e esconderijos. Operações coordenadas ampliaram o cerco e reduziram margens de manobra. A maior presença estatal em áreas estratégicas pressionou redes de apoio e quebrou pactos locais. Esse conjunto de ações corroeu a capacidade de recomposição dos bandos.


8. A - A presença feminina, exemplificada por Maria Bonita, significou participação ativa em logística, deslocamentos, cuidado e, em alguns casos, combate, desafiando papéis de gênero vigentes. Essa inserção ampliou a coesão interna e a complexidade das dinâmicas de grupo. As mulheres também influenciaram códigos de conduta e representações sobre os bandos. Tal participação deixou marcas na memória social do cangaço.


9. C - O texto orienta para uma leitura estrutural, em que o cangaço é efeito de contradições sociais e de alianças entre poderes locais e violência cotidiana. Essa abordagem recusa explicações moralistas ou exclusivamente criminais. Ao situar o fenômeno nas relações de poder do sertão, evidencia-se sua dimensão histórica e social. Assim, a análise desloca o foco do indivíduo para o contexto.


10. A - A produção de cantigas, narrativas e imagens sobre o cangaço integrou o repertório cultural nordestino, penetrando no cordel, na música e em outras artes. Essa memória não é neutra, mas resultado de disputas simbólicas sobre o sentido do fenômeno. A circulação dessas representações manteve vivo o tema na cultura popular. O legado cultural, portanto, extrapola o fato armado e alcança o imaginário coletivo.


11. D - O sertão, marcado por pobreza, seca recorrente e baixa presença estatal, favoreceu soluções privadas de segurança e justiça, muitas vezes violentas. A autoridade dos coronéis e os laços clientelistas moldaram as respostas sociais aos conflitos. Nesse ambiente, grupos armados adquiriram função de mediação e coerção. O cangaço emergiu, assim, como uma expressão das condições estruturais do território.


12. B
- A memória de Lampião oscilou entre imagens de justiceiro e de criminoso, refletindo experiências distintas de comunidades afetadas por sua atuação. Essa pluralidade de narrativas mostra como identidades históricas são negociadas no tempo. O debate se alimenta de relatos orais, registros visuais e interpretações acadêmicas. Dessa forma, a representação de Lampião é um campo de disputa simbólica.


13. A - A ação policial, ao adotar táticas de cerco, mobilidade e coleta de informações, desestruturou a logística dos bandos e reduziu sua capacidade ofensiva. A pressão contínua desgastou alianças e redes de apoio. O controle de passagens e o monitoramento de fornecedores limitaram o abastecimento. Esse conjunto de medidas enfraqueceu decisivamente o fenômeno.


14. E - O cangaço sintetiza conflitos sociais, econômicos e políticos do sertão, revelando a persistência de mandonismos, a desigualdade agrária e a precariedade da cidadania. Não se trata de um movimento de modernização, mas de um sintoma de estruturas excludentes. Sua compreensão demanda olhar para as formas locais de poder e para a ausência de direitos. Portanto, é expressão de um quadro histórico de longa duração no interior.


15. C - Estão corretas I, III e IV porque reconhecem o condicionamento estrutural do cangaço pelo contexto sertanejo, a centralidade da repressão para seu declínio e a participação de mulheres nos bandos. A II é incorreta porque ignora vínculos, negociações e pactos locais que, embora tensos e contingentes, existiram e foram importantes para a sobrevivência do fenômeno. Essa avaliação combina análise social, política e cultural. O conjunto confirma a natureza complexa e relacional do cangaço.

 

 


 

Questões elaboradas por Jefferson Evandro Machado Ramos (graduado em História pela FFLCH-USP)

Publicado em 20/09/2025

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