Questões sobre Guimarães Rosa, sua obra e estilo literário
1. Sobre as principais características da linguagem de Guimarães Rosa, é correto afirmar que:
A - Utiliza linguagem simples e coloquial, evitando qualquer inovação lexical.
B - Emprega neologismos, regionalismos e construções inovadoras que ampliam as possibilidades expressivas da língua.
C - Baseia-se exclusivamente em termos técnicos científicos para descrever o sertão.
D - Reproduz fielmente a norma culta tradicional, sem variações estilísticas.
E - Prioriza o vocabulário urbano contemporâneo em detrimento de expressões regionais.
2. Qual é a principal ambientação das narrativas de Guimarães Rosa?
A - Grandes centros urbanos industrializados do sudeste brasileiro.
B - Espaços europeus marcados por conflitos políticos internacionais.
C - Regiões litorâneas voltadas à vida marítima e comercial.
D - O sertão brasileiro, retratado em sua dimensão geográfica, cultural e simbólica.
E - Ambientes futuristas dominados por avanços tecnológicos.
3. Em relação ao romance “Grande Sertão: Veredas”, pode-se afirmar que:
A - Apresenta uma narrativa linear e objetiva, centrada apenas em batalhas externas.
B - Relata exclusivamente a formação histórica de uma cidade específica.
C - Desenvolve reflexões filosóficas por meio do relato de vida do narrador-protagonista.
D - É estruturado como um conjunto de poemas independentes.
E - Limita-se à descrição documental da fauna e da flora do interior do Brasil.
4. A figura do jagunço nas obras de Guimarães Rosa representa:
A - Um herói urbano que simboliza o progresso industrial.
B - Um personagem caricatural criado apenas para gerar humor.
C - Um símbolo da aristocracia rural tradicional.
D - Uma figura ligada aos conflitos armados do sertão, marcada por códigos próprios de honra e lealdade.
E - Um representante exclusivo da vida acadêmica e intelectual.
5. Como se manifesta a dimensão filosófica na obra de Guimarães Rosa?
A - Por meio da exaltação exclusiva de valores materiais e econômicos.
B - Pela ausência de questionamentos sobre a condição humana.
C - Pela problematização de temas como bem e mal, destino e liberdade.
D - Pela defesa explícita de ideologias políticas partidárias.
E - Pela descrição técnica de teorias científicas modernas.
6. No conjunto de contos “Sagarana”, observa-se:
A - A reprodução literal de lendas estrangeiras sem adaptação ao contexto brasileiro.
B - A construção de narrativas ambientadas no sertão, com forte presença da oralidade.
C - A ausência de personagens humanas, substituídas por figuras mitológicas.
D - A predominância de linguagem jornalística objetiva.
E - A descrição exclusiva de ambientes urbanos industrializados.
7. O sertão na obra de Guimarães Rosa pode ser compreendido como:
A - Apenas um espaço geográfico delimitado por características climáticas.
B - Um cenário secundário que serve de pano de fundo neutro para as ações.
C - Um espaço simbólico que representa desafios existenciais e conflitos humanos.
D - Uma região idealizada sem qualquer conflito social.
E - Um território exclusivamente histórico, sem relevância literária.
8. A inovação linguística presente nos textos de Guimarães Rosa contribui para:
A - Reduzir a complexidade da narrativa e simplificar a leitura.
B - Limitar o alcance interpretativo das obras.
C - Reforçar apenas o regionalismo folclórico superficial.
D - Criar dificuldades desnecessárias sem finalidade estética.
E - Expandir as possibilidades expressivas e sugerir múltiplos sentidos.
9. Em “Grande Sertão: Veredas”, o narrador Riobaldo se destaca por:
A - Narrar sua história de forma fragmentada, refletindo sobre suas escolhas e dilemas morais.
B - Descrever fatos históricos com neutralidade documental.
C - Evitar qualquer reflexão pessoal sobre os acontecimentos vividos.
D - Limitar-se a narrar batalhas sem envolvimento emocional.
E - Apresentar-se como observador externo sem participação nos fatos.
10. A relação entre oralidade e escrita na obra rosiana manifesta-se:
A - Pela exclusão total de marcas da fala popular.
B - Pela reprodução mecânica de discursos formais acadêmicos.
C - Pela incorporação de ritmos e expressões da fala sertaneja à narrativa literária.
D - Pela substituição da narrativa por registros exclusivamente técnicos.
E - Pela adoção de linguagem estrangeira como principal recurso estilístico.
11. Em relação à construção das personagens, pode-se afirmar que:
A - São figuras unidimensionais que representam estereótipos fixos.
B - Apresentam conflitos internos que revelam dilemas morais e existenciais.
C - Atuam apenas como figurantes em cenários descritivos.
D - Representam exclusivamente categorias sociais urbanas.
E - São desprovidas de qualquer profundidade psicológica.
12. O conflito entre bem e mal em “Grande Sertão: Veredas” é apresentado:
A - Como oposição simples e claramente definida entre heróis e vilões.
B - Como questão irrelevante para o desenvolvimento da narrativa.
C - Como debate religioso dogmático sem ambiguidades.
D - Como tensão complexa que envolve escolhas humanas e incertezas morais.
E - Como elemento decorativo sem impacto na trajetória das personagens.
13. A natureza nas narrativas de Guimarães Rosa:
A - Surge apenas como descrição decorativa sem relação com as ações humanas.
B - É apresentada como elemento hostil sem qualquer dimensão simbólica.
C - Atua como componente integrado à experiência das personagens e aos significados da narrativa.
D - Limita-se a representar paisagens urbanas modernas.
E - Não possui relevância para a construção temática das obras.
14. A obra de Guimarães Rosa é frequentemente associada ao modernismo brasileiro porque:
A - Rejeita qualquer experimentação formal e mantém estruturas tradicionais rígidas.
B - Valoriza a inovação linguística e a exploração da subjetividade.
C - Limita-se a reproduzir modelos literários europeus clássicos.
D - Foca exclusivamente em temas históricos documentais.
E - Prioriza narrativas lineares sem aprofundamento psicológico.
15. A leitura de Guimarães Rosa pode ser considerada desafiadora porque:
A - Utiliza vocabulário exclusivamente técnico de difícil compreensão científica.
B - Apresenta enredos simplificados com linguagem direta e objetiva.
C - Exige atenção à linguagem inventiva e às camadas simbólicas do texto.
D - Baseia-se apenas em descrições geográficas detalhadas.
E - Limita-se a histórias infantis com finalidade pedagógica explícita.
16. Em relação ao espaço narrativo, observa-se que:
A - O sertão é retratado apenas como ambiente estático e imutável.
B - O espaço funciona como elemento dinâmico que influencia ações e reflexões das personagens.
C - O cenário não interfere na construção do enredo.
D - A narrativa ocorre predominantemente em ambientes urbanos cosmopolitas.
E - O espaço é descrito de forma superficial e irrelevante.
17. Sobre a contribuição de Guimarães Rosa para a literatura brasileira, pode-se afirmar que:
A - Sua obra restringiu-se à repetição de fórmulas narrativas tradicionais.
B - Sua produção destacou-se apenas pelo volume quantitativo de publicações.
C - Sua escrita promoveu renovação estética ao reinventar a linguagem literária e aprofundar questões humanas.
D - Sua importância decorre exclusivamente do retrato folclórico do sertão.
E - Sua atuação limitou-se ao campo acadêmico, sem impacto literário mais amplo.
Gabarito explicativo:
1 - B - A linguagem rosiana caracteriza-se pela criação de neologismos, pela valorização de regionalismos e pela combinação de registros linguísticos variados, o que amplia a expressividade da língua portuguesa e rompe com padrões tradicionais de escrita.
2 - D - O sertão constitui o espaço central de suas narrativas, não apenas como cenário físico, mas como universo cultural e simbólico que molda comportamentos, valores e conflitos.
3 - C - O romance estrutura-se como relato de vida do narrador-protagonista, que revisita experiências e elabora reflexões profundas sobre destino, amor, violência e existência.
4 - D - O jagunço representa figura histórica ligada aos conflitos armados do interior, mas também assume dimensão simbólica ao encarnar códigos de honra, lealdade e ambiguidade moral.
5 - C - A obra problematiza questões universais, como a distinção entre bem e mal e a liberdade de escolha, inserindo a narrativa em um plano filosófico que ultrapassa o regional.
6 - B - Os contos apresentam ambientação sertaneja e forte influência da oralidade, integrando fala popular e elaboração literária sofisticada.
7 - C - O sertão funciona como espaço simbólico que expressa desafios existenciais, conflitos morais e travessias interiores das personagens.
8 - E - A experimentação linguística cria múltiplas camadas de significado, enriquecendo a interpretação e convidando o leitor a participar ativamente da construção de sentidos.
9 - A - Riobaldo narra sua trajetória mesclando memórias e reflexões, revelando dúvidas e dilemas que evidenciam a complexidade moral de suas escolhas.
10 - C - A incorporação de ritmos e expressões da fala sertaneja confere autenticidade e musicalidade ao texto, aproximando tradição oral e escrita literária.
11 - B - As personagens apresentam conflitos internos que evidenciam dilemas éticos e existenciais, afastando-se de representações simplificadas.
12 - D - O conflito entre bem e mal surge como questão ambígua, marcada por incertezas e escolhas humanas, sem respostas definitivas.
13 - C - A natureza integra-se às ações e reflexões, contribuindo para a atmosfera simbólica e para a compreensão das experiências humanas retratadas.
14 - B - A inovação formal e a exploração da subjetividade aproximam a obra das propostas modernistas de renovação estética e linguística.
15 - C - A leitura requer atenção à linguagem inventiva e às dimensões simbólicas, que exigem interpretação cuidadosa e análise aprofundada.
16 - B - O espaço não é mero pano de fundo, mas elemento ativo que condiciona trajetórias, conflitos e reflexões das personagens.
17 - C - A obra promoveu renovação significativa da prosa brasileira ao reinventar a linguagem e ampliar o tratamento literário de questões humanas universais.
Por Elaine Barbosa de Souza - Graduada em Letras (Português e Inglês) pela FMU (2002).
Publicado em 16/02/2026
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Fonte de referência:
ARRIGUCI JR., Davi. O mundo misturado: romance e experiência em Guimarães Rosa. Novos estudos CEBRAP, São Paulo, no 40, p. 7-29, Nov. 1994.
