Questões sobre a Revolução Constitucionalista de 1932

 

1. O que caracteriza a Revolução Constitucionalista de 1932 como um movimento de contestação política?

A – A defesa paulista pela criação de uma nova Constituição para limitar o poder central e restaurar a ordem institucional.
B – A tentativa de transformar São Paulo em um estado independente com governo próprio e autônomo.
C – A busca pela implantação de um sistema monárquico para substituir o governo federal.
D – A expansão das forças paulistas para controlar outros estados brasileiros com objetivos militares.
E – A reivindicação pela adoção de um regime socialista inspirado em movimentos europeus.



2. Qual alternativa explica de forma adequada por que São Paulo liderou a mobilização contra o governo de Getúlio Vargas?

A – A intenção de impor seu domínio econômico aos demais estados por meio da força militar.
B – O interesse em transformar o estado em capital política do país.
C – O objetivo de estabelecer alianças com países estrangeiros para modernizar a estrutura militar paulista.
D – A discordância com reformas educacionais que afetavam o modelo de ensino paulista.
E – O descontentamento com a centralização política e a ausência de uma Constituição que garantisse autonomia regional.



3. A participação popular na Revolução Constitucionalista de 1932 pode ser compreendida como resultado de qual fator?

A – A promessa de cargos públicos para os civis que apoiassem o movimento armado.
B – A mobilização obrigatória de trabalhadores urbanos pelo governo estadual.
C – A identificação da população com o ideal de retorno à ordem constitucional e à democracia.
D – A oferta de benefícios financeiros aos voluntários para custear despesas pessoais.
E – A criação de programas econômicos que garantiam emprego imediato aos participantes.



4. A criação do MMDC durante a Revolução Constitucionalista de 1932 está relacionada a que contexto?

A – A morte de quatro estudantes paulistas, que se tornaram símbolos da resistência contra o governo de Vargas.
B – A defesa de um projeto educacional que envolvia estudantes paulistas e cariocas.
C – A implantação de um novo partido político que organizaria eleições futuras.
D – A construção de um monumento que homenageava militares veteranos de diversas guerras brasileiras.
E – A elaboração de um documento que orientava as tropas federais na repressão ao movimento.



5. Entre os objetivos dos revolucionários paulistas de 32 estava:

A – A derrubada imediata de Getúlio Vargas para substituí-lo por um governante indicado pelos militares estaduais.
B – A reorganização econômica do café como eixo da política nacional sob controle paulista.
C – A instalação de um governo provisório exclusivamente composto por juristas paulistas.
D – A integração de São Paulo com estados vizinhos para formar uma unidade política regional.
E – A exigência de convocação de uma Assembleia Constituinte para restabelecer a ordem institucional.



6. Por que a Revolução Constitucionalista de 1932 é considerada um marco na história política brasileira?

A – Porque pressionou o governo federal a acelerar o processo de elaboração de uma nova Constituição.
B – Porque ocasionou o fim das disputas regionais e consolidou a harmonia política entre os estados.
C – Porque representou o primeiro conflito político no qual as forças federais não utilizaram armamento pesado.
D – Porque promoveu mudanças sociais imediatas na estrutura trabalhista brasileira.
E – Porque resultou na criação de um sistema eleitoral baseado exclusivamente em voto distrital.



7. Qual alternativa descreve uma consequência importante do movimento constitucionalista de 1932?

A – A adoção de um modelo econômico centralizado que favoreceu apenas a indústria paulista.
B – A convocação de eleições para a Assembleia Constituinte, abrindo caminho para um novo texto constitucional.
C – A extinção completa das relações políticas entre São Paulo e o governo federal.
D – A transformação das forças paulistas em polícia federal após o conflito.
E – A formação de um conselho militar responsável por governar o estado por vários anos.



8. A propaganda política teve papel relevante na Revolução Constitucionalista de 1932 porque:

A – Era utilizada para justificar a atuação das tropas federais e incentivar campanhas de repressão.
B – Servia para desestimular a participação de civis e evitar aglomerações em áreas de conflito.
C – Permitia mobilizar a população paulista por meio de discursos que defendiam o retorno da legalidade.
D – Garantia o controle federal sobre informações estratégicas preservadas pelo governo.
E – Era destinada exclusivamente à comunicação interna entre chefes militares.



9. Qual elemento expressa o caráter regional do movimento constitucionalista?

A – A participação direta das principais lideranças políticas de todos os estados do Brasil.
B – A presença de tropas organizadas a partir de associações industriais e comerciais do Nordeste.
C – O apoio militar formal de diversos países da América Latina às forças paulistas.
D – A forte adesão de setores da sociedade paulista, que vinculavam sua identidade ao ideal constitucionalista.
E – A formação de batalhões compostos apenas por imigrantes europeus recém-chegados ao país.



10. Sobre a Revolução Constitucionalista de 1932, qual afirmação apresenta uma interpretação coerente do conflito?

A – Foi um movimento que recusava totalmente qualquer forma de governo representativo.
B – Representou uma tentativa de instaurar um regime político amparado em princípios teocráticos.
C – Foi um confronto baseado exclusivamente em disputas econômicas pelo mercado interno.
D – Marcou o início de uma política nacional orientada pelo isolacionismo diplomático.
E – Constituiu uma reação à concentração de poder em nível federal, articulando demandas por um Estado mais equilibrado.


11. O engajamento de voluntários paulistas no conflito relaciona-se a que aspecto essencial?

A – A crença de que a vitória militar garantiria vantagens econômicas diretas aos participantes.
B – O desejo de participar de ações militares para adquirir experiência de combate.
C – A identificação com a defesa de princípios jurídicos e com a necessidade de reorganização institucional.
D – A imposição obrigatória pelo governo estadual de que todos os jovens servissem nas tropas.
E – A expectativa de que a guerra resultaria na independência de São Paulo.


12. Qual alternativa explica um dos motivos que contribuíram para a derrota dos paulistas na Revolução Constitucionalista?

A – A falta de apoio efetivo de outros estados, que esperavam mudanças sem se comprometer no conflito armado.
B – A incapacidade de avançar militarmente devido ao desgaste econômico imposto pelo próprio governo paulista.
C – O amplo apoio internacional às tropas de São Paulo, que gerou conflitos diplomáticos.
D – A superioridade numérica paulista e a sua dependência de técnicas militares ultrapassadas.
E – A inexistência de qualquer tipo de resistência organizada por parte das tropas federais.


13. A memória da Revolução Constitucionalista permanece presente na sociedade brasileira porque:

A – Tornou-se o maior conflito bélico já ocorrido entre estados brasileiros no século XIX.
B – Resultou na criação de museus estaduais exclusivamente dedicados à história da industrialização.
C – Representa um símbolo da luta por direitos políticos, reforçando valores de participação e cidadania.
D – Deu origem a um novo sistema monetário que reorganizou a economia paulista.
E – Estabeleceu uma aliança militar permanente entre São Paulo e Minas Gerais.


14. Qual alternativa indica a incorreta sobre a Revolução Constitucionalista de 1932?

A – O movimento defendia a elaboração de uma nova Constituição para reorganizar o país.
B – Os revolucionários paulistas buscavam limitar a centralização política imposta pelo governo federal.
C – A população paulista participou ativamente, contribuindo de diversas formas para o movimento.
D – O conflito expressava reivindicações relacionadas à ordem constitucional e ao reequilíbrio federativo.
E – As forças paulistas pretendiam transformar o Brasil em uma monarquia absolutista após a vitória.


15. A mobilização cultural em torno da Revolução Constitucionalista de 1932 demonstra que:

A – Houve criação de diversas obras literárias e artísticas destinadas a enaltecer exclusivamente atos militares federais.
B – A memória do conflito foi apagada dos registros culturais por não possuir importância histórica.
C – As produções culturais associavam a identidade paulista à defesa da legalidade e dos ideais constitucionais.
D – O interesse cultural sobre o tema restringiu-se ao período imediatamente posterior ao conflito.
E – A produção artística evitou abordagens políticas, concentrando-se apenas em paisagens rurais.

 

16. A Revolução Constitucionalista de 1932, ocorrida no Estado de São Paulo, foi um movimento marcado pela mobilização política, social e militar contra o governo de Getúlio Vargas. Entre os fatores que motivaram o movimento, destacam-se: a centralização do poder na figura do presidente, a suspensão da Constituição de 1891 e a nomeação de interventores federais nos estados.

Considerando o contexto histórico do período, analise as afirmações a seguir:

I. A revolta paulista buscava exclusivamente a retomada da autonomia política do Estado de São Paulo, sem reivindicar mudanças na legislação nacional.
II. A mobilização de diferentes setores da sociedade paulista, incluindo estudantes, profissionais liberais e trabalhadores urbanos, refletia a percepção de que a Constituição de 1934 deveria garantir maior participação política da população.
III. Apesar de sua derrota militar, a Revolução Constitucionalista contribuiu diretamente para a elaboração da Constituição de 1934 e fortaleceu a ideia de que pressões regionais poderiam influenciar decisões políticas nacionais.

Assinale a alternativa correta:

A - Apenas a afirmação I está correta.
B - Apenas a afirmação II está correta.
C - Apenas as afirmações II e III estão corretas.
D - Todas as afirmações estão corretas.
E - Apenas as afirmações I e III estão corretas.

 

 

GABARITO COMENTADO:

 

1 – A – A defesa pela elaboração de uma nova Constituição expressa o núcleo do movimento, pois os paulistas reivindicavam limites ao poder central após 1930 e exigiam o retorno da ordem institucional, o que traduz a essência política da Revolução Constitucionalista.

2 – E – O descontentamento paulista resultava da centralização promovida por Getúlio Vargas, que suspendeu a Constituição e concentrou o comando político em nível federal, situação que motivou a reação de grupos que buscavam recuperar a autonomia regional e o equilíbrio federativo.

3 – C – A ampla participação popular ocorreu porque muitos identificavam o movimento como defesa da ordem jurídica e da democracia, enxergando na convocação de uma Constituinte a possibilidade de restaurar mecanismos de representação e regras institucionais estáveis.

4 – A – A criação do MMDC decorreu da morte de quatro estudantes que se tornaram símbolos da resistência, o que intensificou o sentimento de injustiça e alimentou a mobilização paulista em favor de um projeto político que reivindicava legalidade e reorganização constitucional.

5 – E – A exigência de convocação de uma Assembleia Constituinte sintetizava o principal objetivo dos revolucionários, pois representava a via formal para restaurar o estado de direito e reorganizar o país sobre bases institucionais sólidas e pactuadas.

6 – A – A pressão paulista acelerou a elaboração de uma nova Constituição, já que o movimento evidenciou a necessidade de restabelecer um marco jurídico que garantisse legitimidade ao governo e respondesse às tensões políticas abertas após a Revolução de 1930.

7 – B – A convocação de eleições para a Assembleia Constituinte foi uma consequência significativa porque institucionalizou as demandas pela reorganização política e permitiu que o país adotasse um novo texto constitucional, promulgado em 1934, como resposta às pressões de 1932.

8 – C – A propaganda teve papel mobilizador ao difundir ideias voltadas ao retorno da legalidade, estimulando civis e organizações a apoiar o movimento por meio de discursos que reforçavam o caráter jurídico e democrático das reivindicações paulistas.

9 – D – A forte adesão da sociedade paulista mostra o caráter regional do movimento, já que setores econômicos, sociais e culturais do próprio estado construíram a identidade constitucionalista como elemento representativo de São Paulo diante do cenário político nacional.

10 – E – A interpretação coerente do conflito o relaciona à reação contra a concentração de poder no governo federal, já que a intervenção política após 1930 fragilizou o pacto federativo e motivou a busca por uma reorganização institucional mais equilibrada.

11 – C – O engajamento de voluntários tinha relação com a defesa de princípios jurídicos e com o desejo de reorganizar o Estado, pois muitos viam no conflito a chance de contribuir com a restauração da legalidade e da representação política.

12 – A – A derrota paulista foi influenciada pela falta de apoio de outros estados, porque muitos simpatizavam com a ideia de uma nova Constituição, mas não estavam dispostos a aderir ao confronto armado, o que deixou São Paulo isolado militarmente.

13 – C – A memória da Revolução permanece porque se tornou símbolo de luta por direitos e participação política, contribuindo para a construção de valores de cidadania e reforçando a importância da defesa da ordem constitucional na história brasileira.

14 – E – A proposição incorreta é a alternativa que afirma a intenção de instaurar uma monarquia absolutista, pois essa ideia não pertence às reivindicações dos paulistas, que defendiam justamente o oposto: a consolidação de princípios constitucionais e representativos.

15 – C – A mobilização cultural vinculada à Revolução reforça a identidade paulista associada à legalidade, já que obras artísticas e literárias interpretaram o conflito como expressão do compromisso regional com valores constitucionais e com a defesa de direitos políticos.


16. C - A Revolução Constitucionalista de 1932, embora tenha sido derrotada militarmente, representou um marco político importante, pois articulou a pressão de diferentes setores da sociedade paulista (estudantes, profissionais liberais e trabalhadores) em defesa da convocação de uma nova constituição que garantisse maior participação política e autonomia estadual. O movimento não se limitou a interesses locais, mas refletiu o anseio nacional por limites à centralização de poder instaurada pelo governo de Getúlio Vargas, com a nomeação de interventores federais e a suspensão da Constituição de 1891. Nesse sentido, mesmo sem alcançar a vitória militar, a revolução contribuiu diretamente para a elaboração da Constituição de 1934 e consolidou a ideia de que pressões regionais organizadas podiam influenciar decisões políticas nacionais.

 

 


 

Por Jefferson Evandro Machado Ramos (professor graduado em História pela FFLCH-USP)

Publicado em 03/02/2026