Energia das Marés


O que é


A energia das marés, também chamada de energia maremotriz, é a eletricidade gerada a partir do movimento de subida e descida das águas oceânicas provocado pelas marés. Esse movimento ocorre principalmente devido à força gravitacional exercida pela Lua e, em menor grau, pelo Sol sobre a Terra. Como as marés acontecem de forma regular e previsível, essa fonte de energia apresenta grande potencial para a geração elétrica em áreas litorâneas com condições naturais favoráveis.

Trata-se de uma fonte renovável, pois depende de fenômenos naturais contínuos; limpa, porque não emite gases poluentes durante a geração de eletricidade; e alternativa, por complementar outras fontes usadas na matriz energética. Apesar dessas vantagens, a energia das marés ainda é pouco utilizada no mundo, principalmente devido aos altos custos de instalação, às limitações geográficas e aos possíveis impactos ambientais sobre ecossistemas costeiros e marinhos.



Como é gerada


A geração de energia das marés pode ocorrer por diferentes sistemas. Um dos mais conhecidos utiliza barragens construídas em áreas costeiras, baías ou estuários onde há grande diferença entre a maré alta (preamar) e a maré baixa (baixa-mar). Durante a maré alta, a água entra em um reservatório. Quando a maré baixa, a água represada é liberada, passando por turbinas ligadas a geradores, que transformam a energia do movimento da água em eletricidade.

Outro sistema usa turbinas submersas instaladas em locais com fortes correntes de maré. Nesse caso, o funcionamento é semelhante ao de aerogeradores, mas as pás são movimentadas pela água em vez do vento. Como a água é muito mais densa que o ar, mesmo correntes relativamente lentas podem movimentar turbinas com grande força. Há também tecnologias que buscam aproveitar o fluxo horizontal das marés sem a necessidade de grandes barragens, reduzindo parte dos impactos ambientais.



Origem das marés


As marés são variações periódicas no nível dos oceanos. Elas ocorrem principalmente pela atração gravitacional da Lua sobre as águas da Terra. O Sol também exerce influência, embora menor. Quando a Terra, a Lua e o Sol estão alinhados, as marés tendem a ser mais intensas, formando as chamadas marés de sizígia. Quando esses astros formam um ângulo próximo de 90 graus, ocorrem marés menos intensas, chamadas marés de quadratura.

Essa regularidade torna a energia maremotriz mais previsível do que outras fontes renováveis, como a solar e a eólica, que dependem diretamente das condições do tempo. Por isso, os horários e a intensidade das marés podem ser calculados com antecedência, facilitando o planejamento da geração elétrica.



Locais mais favoráveis


A energia das marés não pode ser gerada com eficiência em qualquer litoral. Para que uma usina maremotriz seja viável, é necessário que exista uma grande amplitude de maré, ou seja, uma diferença significativa entre o nível da maré alta e o da maré baixa. Também são favoráveis áreas com baías estreitas, estuários, canais naturais e correntes marítimas intensas.

Algumas regiões do mundo apresentam grande potencial para esse tipo de energia, como partes do litoral da França, do Reino Unido, do Canadá, da Coreia do Sul e da China. No Brasil, há áreas com potencial, especialmente no litoral Norte, onde a amplitude das marés pode ser elevada. Entretanto, o uso dessa fonte no país ainda é limitado, pois exige estudos técnicos, ambientais e econômicos detalhados.



Tipos de aproveitamento da energia das marés:



Usinas com barragens: funcionam por meio da construção de uma barreira em baías ou estuários. A água é represada durante a maré alta e liberada durante a maré baixa, movimentando turbinas.


Turbinas de correntes de maré: são instaladas no fundo do mar ou em estruturas submersas. Elas aproveitam a força das correntes marítimas geradas pelo movimento das marés.


Lagoas artificiais de maré: consistem na criação de reservatórios costeiros planejados para armazenar e liberar água, produzindo eletricidade com menor interferência em estuários naturais.


Sistemas de fluxo bidirecional: permitem a geração de energia tanto na entrada quanto na saída da água, aproveitando a maré alta e a maré baixa.




Vantagens


A energia das marés é uma fonte limpa, pois não emite dióxido de carbono nem outros poluentes atmosféricos durante a geração de eletricidade. Por isso, pode contribuir para a redução da dependência de combustíveis fósseis e para a diminuição dos impactos relacionados ao aquecimento global.

Também é uma fonte renovável, pois depende do movimento natural das marés, fenômeno que continuará ocorrendo enquanto existir a interação gravitacional entre a Terra, a Lua e o Sol. Diferentemente do carvão, do petróleo e do gás natural, ela não se esgota com o uso.

Uma de suas principais vantagens é a previsibilidade. Como as marés seguem ciclos conhecidos, é possível calcular com antecedência os períodos de maior e menor geração de energia. Isso facilita a organização da produção elétrica e a integração dessa fonte ao sistema energético.

A água possui densidade muito maior que a do ar, o que aumenta seu potencial energético. Por essa razão, correntes de água podem gerar grande quantidade de energia mesmo com velocidades menores do que as necessárias para movimentar turbinas eólicas.

As instalações maremotrizes costumam ter longa vida útil. Após a construção, os custos de operação podem ser relativamente baixos, especialmente quando comparados ao investimento inicial. Em longo prazo, isso pode tornar a geração economicamente interessante em regiões adequadas.

Essa fonte também pode diversificar a matriz energética de países com extensos litorais, reduzindo a dependência de hidrelétricas, termelétricas ou outras fontes sujeitas a crises hídricas, variações climáticas e instabilidade nos preços de combustíveis.




Desvantagens



A principal desvantagem da energia das marés é a limitação geográfica. Nem todos os litorais apresentam amplitude de maré suficiente ou correntes marítimas fortes o bastante para justificar a instalação de usinas. Por isso, seu uso fica restrito a regiões específicas.

O custo de implantação ainda é elevado. A construção de barragens, turbinas submersas, sistemas de transmissão e estruturas resistentes à corrosão da água salgada exige grande investimento tecnológico e financeiro. Em muitos casos, a relação entre custo e benefício ainda não é favorável.

As usinas maremotrizes podem causar impactos ambientais, especialmente quando utilizam barragens. Essas estruturas podem alterar a circulação da água, modificar a salinidade, afetar sedimentos, interferir na migração de peixes e alterar habitats de aves, crustáceos, moluscos e outros seres vivos.

Também existem dificuldades técnicas relacionadas à manutenção dos equipamentos. Como as turbinas e estruturas ficam em contato constante com a água salgada, estão sujeitas à corrosão, ao desgaste mecânico e à ação de organismos marinhos que se fixam nas superfícies.

Outro problema é que a geração de energia não ocorre de maneira contínua durante todo o dia. Embora as marés sejam previsíveis, elas seguem ciclos. Assim, a produção pode variar conforme os horários de maré alta e baixa, exigindo integração com outras fontes energéticas ou sistemas de armazenamento.




Impactos ambientais


Os impactos ambientais da energia das marés dependem do tipo de tecnologia utilizada. Sistemas com barragens tendem a provocar alterações mais significativas, pois modificam a dinâmica natural das águas costeiras. Isso pode prejudicar espécies que dependem dos estuários para reprodução, alimentação ou migração.

As turbinas submersas costumam causar menor impacto visual e podem dispensar grandes barragens, mas também exigem cuidados. É necessário avaliar o risco de colisão de animais marinhos com as pás, as alterações no fluxo das correntes e os efeitos sobre a vida aquática local. Por esse motivo, estudos ambientais são fundamentais antes da instalação de qualquer empreendimento maremotriz.

 

Usina de ondas
Usina de Ondas (fonte: COPPE-UFRJ)




Energia das marés no mundo



A energia maremotriz ainda representa uma pequena parcela da produção elétrica mundial. Mesmo assim, alguns países investem nessa tecnologia devido ao seu potencial costeiro. A França é um exemplo histórico, com a usina de La Rance, inaugurada em 1966, considerada uma das primeiras grandes usinas maremotrizes do mundo.

A Coreia do Sul também se destaca, especialmente pela usina de Sihwa Lake, uma das maiores instalações de energia das marés já construídas. Outros países, como Reino Unido, Canadá e China, estudam ou desenvolvem projetos voltados ao aproveitamento das correntes de maré e de regiões com grande amplitude entre preamar e baixa-mar.




Energia das marés no Brasil



O Brasil possui extenso litoral e algumas áreas com boas condições naturais para o aproveitamento das marés, especialmente em trechos do litoral Norte. Em regiões como o Maranhão, o Pará e o Amapá, a amplitude das marés pode ser significativa, o que indica potencial para estudos e projetos futuros.

Apesar disso, a energia das marés ainda não tem participação importante na matriz elétrica brasileira. O país utiliza principalmente fontes como hidrelétrica, eólica, solar, biomassa e termelétrica. Para que a energia maremotriz avance no Brasil, seriam necessários investimentos em pesquisa, avaliação ambiental, desenvolvimento tecnológico e análise econômica.



Importância energética


A energia das marés é importante porque amplia as possibilidades de geração de eletricidade a partir de fontes renováveis. Ela pode ser útil principalmente para regiões costeiras, ilhas e áreas afastadas dos grandes centros de produção energética, desde que apresentem condições naturais adequadas.

Essa fonte também pode contribuir para a transição energética, processo que busca reduzir o uso de combustíveis fósseis e ampliar a participação de energias limpas. Embora ainda enfrente desafios econômicos e tecnológicos, a energia maremotriz é uma alternativa promissora para o futuro, especialmente em países que desejam diversificar sua matriz elétrica e aproveitar melhor seus recursos oceânicos.



Conclusão


A energia das marés é uma fonte renovável, limpa e previsível, baseada no movimento natural de subida e descida das águas oceânicas. Sua geração pode ocorrer por meio de barragens, turbinas submersas ou outros sistemas que aproveitam a força das correntes marítimas. Apesar de apresentar vantagens importantes, como baixa emissão de poluentes e grande previsibilidade, ainda enfrenta obstáculos relacionados ao custo elevado, à limitação geográfica e aos possíveis impactos ambientais. Por isso, seu uso depende de planejamento cuidadoso, estudos técnicos e escolha adequada dos locais de instalação.

 

Infográfico sobre a Energia das Marés
Infográfico didático sobre a Energia das Marés

 

 



Artigo revisado por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005).
Atualizado em 11/06/2026