Principais Filósofos Ingleses
Principais filósofos ingleses e britânicos da história
A história da filosofia inglesa e britânica reúne pensadores que influenciaram profundamente a política, a ciência, a economia, a ética, a lógica, a educação e a compreensão moderna do conhecimento. Muitos desses filósofos atuaram em universidades, parlamentos, círculos científicos e debates públicos, contribuindo para a formação do empirismo, do liberalismo, do utilitarismo, da filosofia analítica e da filosofia da ciência. Embora alguns nomes tenham nascido fora da Inglaterra, como Adam Smith, David Hume e Karl Popper, eles são frequentemente estudados no contexto mais amplo da tradição filosófica britânica.
Francis Bacon (1561-1626)
Francis Bacon foi filósofo, político, jurista e escritor inglês, considerado uma das figuras mais importantes para o desenvolvimento do empirismo moderno. Defendia que o conhecimento deveria ser construído por meio da observação, da experiência e da investigação sistemática da natureza. Sua obra teve grande influência no fortalecimento do método científico moderno.
Bacon criticava o apego excessivo às ideias abstratas e às tradições intelectuais que não fossem confirmadas pela experiência. Em sua obra "Novum Organum", propôs uma nova forma de investigação baseada na indução, ou seja, na análise de casos particulares para chegar a conclusões gerais. Sua filosofia contribuiu para aproximar ciência e prática, valorizando o conhecimento como instrumento de transformação da realidade.
Thomas Hobbes (1588-1679)
Thomas Hobbes foi um filósofo inglês ligado à filosofia política moderna. Sua obra mais conhecida é "Leviatã", publicada em 1651, na qual defendeu a necessidade de um Estado forte para garantir a ordem social. Para Hobbes, os seres humanos, em estado de natureza, viveriam em permanente insegurança, movidos por interesses, medo e disputa por poder.
Segundo sua teoria, para escapar da violência e da instabilidade, os indivíduos estabeleceriam um contrato social, transferindo parte de sua liberdade a uma autoridade soberana. Hobbes é fundamental para o estudo da formação do Estado moderno, pois analisou a relação entre poder, autoridade, obediência e segurança. Embora tenha recebido influência do racionalismo e da ciência de seu tempo, não deve ser classificado simplesmente como filósofo cartesiano.
John Locke (1632-1704)
John Locke foi um dos principais filósofos ingleses do empirismo, do liberalismo político e do Iluminismo. Defendia que o conhecimento não nasce pronto na mente humana, mas se forma a partir da experiência. Sua teoria da "tábula rasa" afirmava que a mente, ao nascer, seria como uma folha em branco, sendo preenchida pelas percepções e vivências.
Na política, Locke teve grande importância para o desenvolvimento do liberalismo. Em "Dois Tratados sobre o Governo", defendeu os direitos naturais à vida, à liberdade e à propriedade. Para ele, o governo deveria existir para proteger esses direitos, e sua autoridade dependeria do consentimento dos governados. Suas ideias influenciaram o constitucionalismo, as revoluções liberais e os debates modernos sobre cidadania.
Anthony Ashley-Cooper, terceiro conde de Shaftesbury (1671-1713)
Anthony Ashley-Cooper foi filósofo, político e escritor inglês, associado à filosofia moral e ao pensamento iluminista britânico. Diferentemente do que às vezes se afirma, ele não foi um filósofo positivista, pois o positivismo surgiu apenas no século XIX, sobretudo com Auguste Comte. Shaftesbury destacou-se por refletir sobre ética, virtude, sensibilidade moral e harmonia social.
Para Shaftesbury, os seres humanos possuíam uma disposição natural para reconhecer o bem, a beleza e a virtude. Sua filosofia valorizava a ideia de senso moral, isto é, uma capacidade humana de julgar ações e comportamentos de acordo com critérios éticos. Seu pensamento influenciou debates posteriores sobre moralidade, estética e sociabilidade.
George Berkeley (1685-1753)
George Berkeley foi um filósofo irlandês de língua inglesa, geralmente incluído na tradição filosófica britânica. É um dos principais representantes do empirismo, embora tenha desenvolvido uma posição própria, conhecida como imaterialismo ou idealismo subjetivo. Para Berkeley, não seria possível afirmar a existência da matéria independente da percepção.
Sua frase mais conhecida resume parte de sua filosofia: ser é ser percebido. Isso significa que os objetos existem enquanto são percebidos por uma mente. Berkeley defendia que nossas ideias vêm da experiência, mas rejeitava a noção de uma matéria externa independente da percepção. Sua filosofia teve grande impacto nos debates sobre conhecimento, realidade e percepção.
David Hume (1711-1776)
David Hume foi um filósofo, historiador e ensaísta escocês, considerado um dos maiores representantes do empirismo britânico. Sua filosofia levou o empirismo a uma formulação radical, questionando a ideia de causalidade, a existência de certezas absolutas e a capacidade da razão de fundamentar todas as crenças humanas.
Para Hume, muito do que chamamos de conhecimento decorre do hábito e da experiência repetida, e não de uma certeza racional definitiva. Ele também escreveu sobre moral, religião, política e história. Sua obra influenciou profundamente Immanuel Kant, o ceticismo moderno, a filosofia da ciência e a teoria do conhecimento.
Adam Smith (1723-1790)
Adam Smith foi um filósofo moral e economista escocês, e não inglês. Mesmo assim, é uma das figuras centrais da tradição intelectual britânica. É conhecido principalmente por "A Riqueza das Nações", obra publicada em 1776, considerada fundamental para a formação da economia política moderna e do liberalismo econômico.
Antes de se tornar conhecido como economista, Smith escreveu "A Teoria dos Sentimentos Morais", obra em que analisou a simpatia, os julgamentos morais e a vida social. Sua reflexão econômica defendia a importância da liberdade de mercado, da divisão do trabalho e da concorrência, mas também estava ligada a preocupações morais e sociais. Por isso, deve ser compreendido tanto como economista quanto como filósofo moral.
William Petty (1623-1687)
William Petty foi um pensador inglês ligado à economia política, à estatística e à filosofia social. Embora seja mais lembrado como economista e cientista social, suas reflexões sobre população, trabalho, riqueza e organização do Estado tiveram importância para o pensamento político moderno.
Petty buscou aplicar métodos quantitativos ao estudo da sociedade, antecipando práticas que mais tarde seriam importantes para a economia, a demografia e a administração pública. Seu trabalho ajudou a consolidar a ideia de que a sociedade poderia ser estudada por meio de dados, comparações e observações sistemáticas.
Jeremy Bentham (1748-1832)
Jeremy Bentham foi jurista, filósofo e reformador social inglês, considerado o fundador do utilitarismo moderno. Sua filosofia defendia que as ações e as instituições deveriam ser avaliadas de acordo com sua capacidade de produzir felicidade e reduzir o sofrimento. Sua fórmula mais conhecida era buscar a maior felicidade para o maior número de pessoas.
Bentham aplicou o utilitarismo à legislação, à educação, às prisões, à administração pública e às reformas políticas. Defendia mudanças nas leis para torná-las mais racionais, úteis e voltadas ao bem-estar social. Seu pensamento influenciou debates sobre ética, direito, democracia, políticas públicas e justiça social.
John Stuart Mill (1806-1873)
John Stuart Mill foi filósofo, economista e político inglês, um dos principais representantes do utilitarismo, do liberalismo e do empirismo no século XIX. Influenciado por Jeremy Bentham, Mill reformulou o utilitarismo, distinguindo prazeres superiores, ligados à razão, à cultura e à liberdade, de prazeres meramente imediatos.
Em "Sobre a Liberdade", Mill defendeu a liberdade individual como condição essencial para o desenvolvimento humano, desde que seu exercício não causasse dano a outras pessoas. Também escreveu sobre democracia, direitos das mulheres, educação, economia e lógica. Sua obra teve grande importância para o liberalismo moderno e para os debates sobre liberdade de expressão, autonomia e igualdade.
Herbert Spencer (1820-1903)
Herbert Spencer foi filósofo, sociólogo e teórico social inglês, associado ao liberalismo clássico e ao evolucionismo social. Influenciado pelas ideias científicas do século XIX, procurou aplicar o conceito de evolução ao estudo da sociedade, da política, da moral e do conhecimento.
Spencer defendia uma intervenção limitada do Estado na vida social e econômica, valorizando a competição e a adaptação. Suas ideias foram importantes no contexto do liberalismo vitoriano, mas também receberam críticas, especialmente quando associadas a interpretações simplificadas do darwinismo social. Sua obra deve ser compreendida dentro dos debates do século XIX sobre ciência, progresso e organização social.
George Henry Lewes (1817-1878)
George Henry Lewes foi filósofo, crítico literário e pensador inglês ligado ao positivismo e ao debate científico do século XIX. Interessou-se pela psicologia, pela biologia, pela literatura e pela filosofia, buscando aproximar o estudo da mente humana dos métodos científicos.
Lewes foi um divulgador importante de ideias filosóficas e científicas em sua época. Seu pensamento valorizava a observação, a experiência e a análise dos fenômenos humanos em relação ao desenvolvimento das ciências naturais. Também teve papel relevante na vida intelectual britânica do período vitoriano.
William Whewell (1794-1866)
William Whewell foi filósofo, teólogo, historiador da ciência e professor inglês. Destacou-se na filosofia da ciência, especialmente por estudar os métodos usados na construção do conhecimento científico. Foi também responsável por popularizar o termo "cientista", utilizado para designar aqueles que se dedicavam à investigação científica.
Whewell escreveu sobre a história das descobertas científicas e sobre a lógica da pesquisa. Para ele, a ciência avançava por meio da combinação entre observação empírica e construção conceitual. Sua obra é importante para compreender como, no século XIX, a ciência passou a ser analisada não apenas como conjunto de descobertas, mas também como processo intelectual organizado.
Richard Lewis Nettleship (1846-1892)
Richard Lewis Nettleship foi filósofo inglês ligado ao idealismo britânico e influenciado por Platão e Hegel. Atuou principalmente no ambiente acadêmico de Oxford, onde contribuiu para a difusão de estudos sobre ética, educação e filosofia clássica.
Sua filosofia valorizava a formação moral e intelectual do indivíduo. Nettleship via a educação como um processo de desenvolvimento da razão e da consciência ética. Embora menos conhecido do grande público, teve importância na tradição idealista britânica do século XIX.
George Edward Moore (1873-1958)
George Edward Moore foi filósofo inglês e uma das principais figuras da filosofia analítica. Diferentemente da classificação como simples empirista, Moore é mais corretamente associado à análise conceitual, à ética e à crítica ao idealismo. Sua obra influenciou decisivamente a filosofia britânica do século XX.
Em ética, Moore ficou conhecido por "Principia Ethica", obra em que discutiu o conceito de bem e criticou a tentativa de reduzi-lo a propriedades naturais. Também defendeu a importância do senso comum na filosofia, argumentando que certas crenças comuns sobre o mundo externo possuem forte validade racional. Sua influência foi marcante em pensadores como Bertrand Russell e Ludwig Wittgenstein.
Bertrand Russell (1872-1970)
Bertrand Russell foi matemático, lógico, ensaísta e filósofo britânico, um dos nomes centrais da filosofia analítica. Trabalhou com lógica, linguagem, matemática, teoria do conhecimento, ética, política e crítica social. Ao lado de Alfred North Whitehead, escreveu "Principia Mathematica", obra fundamental para a lógica moderna e a filosofia da matemática.
Russell procurou mostrar que muitos problemas filosóficos poderiam ser esclarecidos por meio da análise lógica da linguagem. Também se destacou como intelectual público, posicionando-se em debates sobre guerra, educação, ciência, liberdade e democracia. Sua obra tornou-se referência na filosofia do século XX.
Robin George Collingwood (1889-1943)
Robin George Collingwood foi historiador, arqueólogo e filósofo inglês. Sua obra teve grande importância para a filosofia da história, área em que refletiu sobre a natureza do conhecimento histórico e sobre o trabalho do historiador.
Para Collingwood, compreender historicamente um acontecimento não significa apenas reunir fatos, mas reconstruir os pensamentos, intenções e problemas enfrentados pelos sujeitos do passado. Sua filosofia valorizou a interpretação, a crítica das fontes e a relação entre pensamento e ação histórica. Por isso, é um autor importante para historiadores e estudiosos das ciências humanas.
Michael Oakeshott (1901-1990)
Michael Oakeshott foi filósofo político inglês, frequentemente associado ao conservadorismo liberal e ao ceticismo diante de projetos políticos excessivamente racionalistas. Seu pensamento criticava a ideia de que a sociedade poderia ser totalmente planejada a partir de modelos abstratos.
Oakeshott defendia a importância da tradição, da experiência prática e da prudência na vida política. Para ele, a política não deveria ser vista apenas como aplicação de teorias gerais, mas como atividade concreta, situada em contextos históricos e institucionais específicos. Sua obra é importante para os estudos de filosofia política contemporânea.
Karl Popper (1902-1994)
Karl Popper foi um filósofo austríaco naturalizado britânico, conhecido principalmente por suas contribuições à filosofia da ciência e à teoria política. Sua ideia mais famosa é o princípio da falseabilidade, segundo o qual uma teoria científica deve poder ser testada e, em princípio, refutada pela experiência.
Popper criticou a ideia de que a ciência avança pela simples confirmação de hipóteses. Para ele, o conhecimento científico progride por meio de conjecturas e refutações. Na política, defendeu a sociedade aberta, a democracia liberal e a crítica aos regimes totalitários. Sua obra influenciou profundamente os debates sobre método científico, racionalidade e liberdade política.
Alfred North Whitehead (1861-1947)
Alfred North Whitehead foi matemático e filósofo inglês. Trabalhou com lógica e filosofia da matemática, sendo coautor de "Principia Mathematica" com Bertrand Russell. Posteriormente, desenvolveu uma filosofia própria, conhecida como filosofia do processo.
Whitehead defendia que a realidade deveria ser compreendida como processo, mudança e relação, e não como conjunto de substâncias fixas. Sua obra influenciou debates em metafísica, filosofia da ciência, teologia e pensamento contemporâneo. Embora menos popular que Russell, é um dos pensadores britânicos mais relevantes do século XX.
Ludwig Wittgenstein (1889-1951)
Ludwig Wittgenstein nasceu na Áustria, mas desenvolveu grande parte de sua carreira filosófica no Reino Unido, especialmente em Cambridge. É uma das figuras mais influentes da filosofia contemporânea, sobretudo na filosofia da linguagem e na filosofia analítica.
Em sua primeira fase, representada pelo "Tractatus Logico-Philosophicus", procurou estabelecer os limites da linguagem e do pensamento. Em sua fase posterior, especialmente nas "Investigações Filosóficas", defendeu que o significado das palavras depende de seus usos em práticas sociais concretas. Sua obra transformou profundamente os estudos sobre linguagem, lógica e sentido.
Mary Wollstonecraft (1759-1797)
Mary Wollstonecraft foi escritora e filósofa inglesa, considerada uma das principais precursoras do pensamento feminista moderno. Em "Reivindicação dos Direitos da Mulher", defendeu que as mulheres deveriam ter acesso à educação racional e à participação plena na vida social.
Wollstonecraft criticou a ideia de que as mulheres seriam naturalmente inferiores aos homens. Para ela, a desigualdade resultava principalmente da falta de educação e das limitações sociais impostas às mulheres. Sua obra é fundamental para os estudos de filosofia política, educação, igualdade de direitos e história do feminismo.
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| Mary Wollstonecraft: importante filósofa inglesa do século XVIII |
Conclusão
A filosofia inglesa e britânica teve papel decisivo na formação do pensamento moderno e contemporâneo. Seus autores contribuíram para o empirismo, a teoria do conhecimento, o liberalismo, o utilitarismo, a filosofia política, a filosofia da ciência, a lógica e a filosofia analítica. De Bacon a Popper, passando por Hobbes, Locke, Hume, Mill, Russell e Wollstonecraft, essa tradição filosófica ajudou a construir debates essenciais sobre ciência, liberdade, Estado, moral, linguagem, história e direitos individuais.
Também é importante observar que nem todos os pensadores frequentemente associados a essa tradição nasceram na Inglaterra. Alguns foram escoceses, irlandeses, austríacos ou atuaram intelectualmente no Reino Unido. Por isso, a expressão mais adequada, em muitos casos, é "filósofos ingleses e britânicos", pois ela permite compreender melhor a diversidade histórica e intelectual desse conjunto de autores.
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| Infográfico com os seis importantes filósofos ingleses |
Por Jefferson Evandro Machado Ramos (professor e historiador graduado em História pela FFLCH-USP)
Publicado em 19/06/2026


