Os Girondinos
Quem eram os girondinos
Os Girondinos faziam parte um grupo político moderado durante o processo da Revolução Francesa. Seus integrantes faziam parte da burguesia francesa. Eram assim chamados, pois faziam parte do partido político conhecido como Gironda. Liderados por Jacques Pierre Brissot, os Girondinos compunham o Terceiro Estado, junto com os Jacobinos e os Cordeliers.
Principais ideias:
• Os Girondinos defenderam, durante o processo da Revolução Francesa, a instalação de uma monarquia constitucional na França, após a queda do absolutismo. Portanto, eram contrários ao radicalismo defendido pelos jacobinos.
• Embora não fossem radicais, os girondinos reagiram com violência às medidas radicais tomadas pelos jacobinos durante a fase da Convenção Nacional. Chegaram a promover perseguições, conspirações e até assassinatos de jacobinos.
• Eram também favoráveis a liberdade das atividades econômicas, sem grandes intervenções do governo.
• Defensores de um sistema republicano moderado, os girondinos eram favoráveis a exclusão dos mais pobres das eleições. Em 1795, implantaram o sistema de voto censitário (baseado em rendas) na França.
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Prisão de um girondino durante a fase do Terror da Revolução Francesa. |
Girondinos no poder
Os girondinos foram um grupo político ligado à burguesia liberal durante a Revolução Francesa. Receberam esse nome porque muitos de seus principais representantes eram deputados vindos do departamento da Gironda, região localizada no sudoeste da França. Tiveram grande influência principalmente entre 1791 e 1793, durante a fase da Monarquia Constitucional e nos primeiros anos da República Francesa.
No início da Revolução, os girondinos defendiam princípios como a liberdade econômica, o direito à propriedade privada, a limitação do poder real e a construção de um governo representativo. Eram favoráveis ao fim dos privilégios da nobreza e do clero, mas temiam a radicalização popular, sobretudo a atuação dos sans-culottes, trabalhadores urbanos que pressionavam por medidas sociais mais amplas.
Durante a Convenção Nacional, instalada em 1792, os girondinos disputaram o controle político da Revolução com os jacobinos. Enquanto os jacobinos defendiam medidas mais radicais e maior aproximação com as camadas populares de Paris, os girondinos representavam uma posição mais moderada, vinculada aos interesses da burguesia comercial, industrial e proprietária.
Um dos pontos centrais da atuação girondina foi a defesa da guerra contra as monarquias europeias. Para muitos girondinos, o conflito externo poderia fortalecer a Revolução, espalhar seus ideais pela Europa e unir os franceses contra os inimigos internos e externos. Em 1792, a França entrou em guerra contra a Áustria e, depois, contra outras potências europeias, o que aprofundou a instabilidade política e social do país.
Os girondinos também participaram do processo que levou à queda da monarquia francesa. Após a prisão de Luís XVI e a proclamação da República, em setembro de 1792, eles passaram a defender um julgamento do rei, mas muitos hesitaram diante da aplicação da pena de morte. Essa postura foi usada pelos jacobinos para acusá-los de fraqueza política e de falta de compromisso com a defesa da Revolução.
A partir de 1793, a influência dos girondinos entrou em declínio. A crise econômica, a alta dos preços dos alimentos, as derrotas militares e a pressão popular em Paris favoreceram o fortalecimento dos jacobinos. Em junho de 1793, muitos líderes girondinos foram presos ou afastados da Convenção. Alguns foram executados durante o período do Terror, enquanto outros fugiram ou passaram a atuar contra o governo jacobino.
Apesar de terem sido derrotados politicamente em 1793, os girondinos continuaram simbolizando uma tendência importante da Revolução Francesa: a defesa de uma república liberal, burguesa e moderada. Suas ideias estavam ligadas à valorização das liberdades individuais, da propriedade privada, do comércio e da representação política.
É importante corrigir uma confusão comum: entre 1794 e 1799, a França foi governada pelo Diretório, mas esse regime não foi propriamente comandado pelos girondinos. O Diretório surgiu após a queda dos jacobinos e de Robespierre, em julho de 1794, no episódio conhecido como Reação Termidoriana. Nesse período, o poder passou para setores moderados e conservadores da burguesia, que buscavam encerrar a fase mais radical da Revolução.
O Diretório, portanto, retomou muitas ideias próximas ao liberalismo burguês defendido pelos girondinos, mas não significou o retorno direto desse grupo ao poder. A nova ordem política procurou conter tanto o radicalismo popular quanto as tentativas de restauração monárquica. Seu principal objetivo foi garantir a estabilidade política, proteger a propriedade privada e preservar as conquistas burguesas da Revolução.
Entre 1795 e 1799, o Diretório enfrentou graves dificuldades: crise econômica, corrupção administrativa, disputas políticas, revoltas populares e ameaças monarquistas. Para se manter no poder, recorreu cada vez mais ao apoio do Exército. Esse processo abriu caminho para a ascensão política de Napoleão Bonaparte, que, em 1799, liderou o Golpe do 18 de Brumário e encerrou o Diretório.
Assim, os girondinos tiveram papel decisivo nas fases iniciais da Revolução Francesa, especialmente na defesa da república liberal e dos interesses da burguesia. Embora não tenham governado diretamente durante todo o Diretório, suas ideias moderadas ajudaram a influenciar o caminho político seguido pela França após o fim do período jacobino.
Diferenças principais entre os girondinos e os jacobinos
Os Girondinos e os Jacobinos foram duas facções políticas proeminentes na França durante a Revolução Francesa, cada uma com ideologias e abordagens distintas para governar a França. Os Girondinos, nomeados a partir do departamento de Gironda no sudoeste da França, eram um grupo moderado dentro da Assembleia Nacional. Eles defendiam uma monarquia constitucional, um governo descentralizado e eram geralmente mais favoráveis à burguesia. Os Girondinos acreditavam em estender a revolução por meios pacíficos e diplomacia. Eles eram menos radicais que os Jacobinos e hesitavam em recorrer a medidas extremas. Sua base de apoio vinha principalmente das classes médias e de áreas fora de Paris.
Em contraste, os Jacobinos, nomeados a partir do local de suas reuniões no convento Jacobino em Paris, eram mais radicais. Eles buscavam a completa abolição da monarquia e o estabelecimento de uma república. Os Jacobinos, liderados por figuras como Maximilien Robespierre, eram defensores de um governo forte e centralizado e acreditavam na necessidade de ação vigorosa e às vezes violenta para defender a revolução. Eles eram apoiados principalmente pelas classes trabalhadoras urbanas e pelos sans-culottes. A abordagem dos Jacobinos para a governança foi marcada pelo Reinado do Terror, um período de intensa repressão e execução de inimigos percebidos da revolução. Esse período destacou a disposição deles em usar medidas extremas para erradicar elementos contrarrevolucionários e impor suas políticas, contrastando fortemente com a abordagem mais moderada e cautelosa dos Girondinos.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
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Bibliografia e vídeos indicados:
Fontes de referência do artigo:
https://fr.wikipedia.org/wiki/Gironde_(R%C3%A9volution_fran%C3%A7aise)
RODRIGUES, Antônio Edmilson M.; KAMITA, João Masao. História Moderna – os momentos fundadores da cultura ocidental. Petrópolis, Editora Vozes, 2018.

