Anticiclone e Ciclones
O que é Anticiclone?
O anticiclone é uma ampla região da atmosfera caracterizada pela presença de pressão atmosférica mais elevada do que a registrada nas áreas vizinhas, considerando-se o mesmo nível de altitude. Por esse motivo, também é chamado de centro de alta pressão atmosférica.
Nos anticiclones, o ar geralmente desce das camadas mais elevadas da troposfera em direção à superfície terrestre. Esse movimento descendente, denominado subsidência atmosférica, dificulta a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical e costuma favorecer condições de tempo estável, com pouca nebulosidade e baixa ocorrência de chuvas.
Principais características dos anticiclones:
• Apresentam pressão atmosférica mais elevada do que a das regiões ao redor.
• Podem atingir centenas ou milhares de quilômetros de extensão, influenciando o tempo atmosférico de grandes áreas.
• Ocorre subsidência atmosférica, ou seja, o ar desce das camadas superiores da atmosfera em direção à superfície.
• Ao descer, o ar é comprimido e aquecido, provocando uma redução da umidade relativa e dificultando a formação de nuvens de chuva.
• Nas proximidades da superfície, os ventos tendem a se afastar do centro de alta pressão. Esse processo é chamado de divergência dos ventos.
• Nas camadas mais elevadas da troposfera, o ar se desloca em direção à região central do anticiclone, compensando o ar que desce.
• No Hemisfério Norte, os ventos circulam ao redor do anticiclone no sentido horário.
• No Hemisfério Sul, a circulação ocorre no sentido anti-horário.
• O ar presente em um anticiclone é, geralmente, mais estável do que o ar das áreas vizinhas.
• Costumam provocar tempo seco, céu aberto ou com pouca nebulosidade e baixa ocorrência de precipitações.
• Podem permanecer estacionários sobre uma região ou deslocar-se por grandes distâncias.
• Sua atuação pode durar alguns dias ou se prolongar por várias semanas, dependendo das condições atmosféricas.
• Nem todos os anticiclones produzem ar frio. Alguns favorecem temperaturas elevadas, enquanto outros transportam massas de ar frio.
• Durante o inverno, podem favorecer noites frias devido à rápida perda de calor da superfície sob céu aberto.
• No verão, anticiclones persistentes podem intensificar o calor e contribuir para a formação de ondas de calor.
Formação dos anticiclones
Os anticiclones podem se formar por processos térmicos ou dinâmicos. Os anticiclones térmicos surgem principalmente quando uma extensa área da superfície terrestre sofre forte resfriamento. O ar próximo ao solo torna-se mais frio, denso e pesado, aumentando a pressão atmosférica. Esse processo ocorre com frequência no inverno sobre grandes áreas continentais.
Os anticiclones dinâmicos são formados pelos movimentos da circulação geral da atmosfera. Em determinadas regiões, massas de ar descendem como resultado da dinâmica das células atmosféricas e das correntes de ar existentes em grandes altitudes. Os anticiclones subtropicais são exemplos desse processo.
Principais tipos de anticiclones:
Anticiclone frio
Apresenta temperaturas mais baixas nas camadas inferiores da atmosfera em comparação com as áreas vizinhas. Geralmente possui origem térmica e forma-se durante o inverno sobre regiões continentais intensamente resfriadas.
Anticiclone quente
É caracterizado pela presença de ar relativamente quente em grande parte de sua estrutura vertical. Sua formação está relacionada principalmente à descida do ar provocada pela circulação atmosférica. Pode favorecer tempo seco e temperaturas elevadas.
Anticiclone subtropical
Forma-se nas proximidades das latitudes de 30° Norte e 30° Sul, em áreas nas quais o ar proveniente das regiões equatoriais desce em direção à superfície. Esses sistemas integram a circulação geral da atmosfera e exercem grande influência sobre os climas tropicais e subtropicais.
Anticiclone continental
Desenvolve-se sobre grandes áreas continentais, principalmente durante o inverno. Sua formação está associada ao intenso e prolongado resfriamento da superfície terrestre e das camadas inferiores da atmosfera. Pode originar massas de ar frio e seco.
Anticiclone oceânico
Localiza-se sobre os oceanos e pode permanecer relativamente estável durante longos períodos. Influencia a circulação dos ventos, as correntes marítimas, a distribuição das chuvas e as condições climáticas das regiões costeiras.
Anticiclone migratório
Desloca-se de uma região para outra, principalmente nas zonas temperadas. Sua passagem pode alterar a direção dos ventos, reduzir a nebulosidade e provocar mudanças nas temperaturas e na umidade do ar.
Anticiclone semipermanente
Permanece durante grande parte do ano em determinadas regiões dos oceanos. Sua posição e intensidade podem variar conforme as estações. Entre os exemplos estão os anticiclones subtropicais do Atlântico Sul, do Pacífico Sul, dos Açores e do Havaí.
Anticiclone de bloqueio
É um sistema de alta pressão intenso e persistente que dificulta ou impede o deslocamento normal de frentes frias, ciclones e outras massas de ar. Quando permanece sobre uma região durante vários dias ou semanas, pode provocar estiagens, ondas de calor ou períodos prolongados de frio.
Anticiclones e condições do tempo
A presença de um anticiclone geralmente está associada ao tempo estável. Como o ar descendente dificulta a formação de nuvens espessas, as chuvas costumam ser escassas ou inexistentes. Entretanto, isso não significa que o céu permaneça sempre completamente limpo.
Em determinadas situações, a estabilidade atmosférica pode favorecer a formação de nevoeiros, névoa seca e nuvens baixas. Esse fenômeno ocorre principalmente quando há umidade próxima da superfície e uma camada de inversão térmica impede a circulação vertical do ar.
Consequências da atuação prolongada
A permanência de um anticiclone sobre uma mesma região pode provocar longos períodos de estiagem. A redução das chuvas diminui a umidade do solo, prejudica os reservatórios de água, afeta a agricultura e aumenta o risco de queimadas e incêndios florestais.
Nas cidades, a estabilidade do ar pode dificultar a dispersão dos poluentes atmosféricos. Durante episódios de inversão térmica, os poluentes ficam concentrados nas camadas próximas da superfície, contribuindo para a piora da qualidade do ar e para o aumento de problemas respiratórios.
No verão, anticiclones persistentes podem provocar forte aquecimento da superfície e ondas de calor. No inverno, o céu aberto e o ar seco favorecem a perda de calor durante a noite, podendo causar geadas em regiões de clima subtropical e temperado.
Anticiclones que influenciam o Brasil
O Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul é um dos principais sistemas atmosféricos que atuam sobre o território brasileiro. Localizado sobre o oceano Atlântico, ele influencia a circulação dos ventos, o transporte de umidade e as condições do tempo principalmente nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul.
Durante o inverno, anticiclones migratórios associados a massas de ar polar podem avançar sobre o Brasil após a passagem de frentes frias. Esses sistemas provocam queda das temperaturas, diminuição da nebulosidade e tempo seco. Em algumas áreas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, podem ocorrer geadas.
No interior do país, a atuação prolongada de sistemas de alta pressão durante a estação seca contribui para a redução da umidade relativa do ar. Essa situação é frequente entre os meses de maio e setembro em partes das regiões Centro-Oeste e Sudeste.
Diferença entre anticiclone e ciclone
O anticiclone é uma área de alta pressão atmosférica na qual o ar desce e se afasta do centro nas proximidades da superfície. Geralmente está associado ao tempo estável, seco e com pouca nebulosidade.
O ciclone, por sua vez, é uma área de baixa pressão atmosférica. Próximo à superfície, os ventos convergem em direção ao centro, fazendo o ar subir. Esse movimento ascendente favorece a formação de nuvens, chuvas e tempestades.
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Foto aérea mostrando a formação de um anticiclone. |
O que são Ciclones?
Os ciclones são sistemas atmosféricos caracterizados por uma área central de baixa pressão, em torno da qual os ventos circulam. Próximo à superfície terrestre, o ar das regiões vizinhas desloca-se em direção ao centro do sistema e, ao convergir, é forçado a subir para as camadas mais elevadas da atmosfera.
No Hemisfério Sul, os ventos dos ciclones circulam no sentido horário. No Hemisfério Norte, giram no sentido anti-horário. Essa diferença ocorre em razão do movimento de rotação da Terra e da ação da força de Coriolis.
Os ciclones podem apresentar diferentes dimensões, intensidades e características. Alguns provocam apenas mudanças moderadas nas condições do tempo, enquanto outros geram ventos muito fortes, chuvas intensas, tempestades, ondas elevadas e grandes prejuízos materiais.
Principais características dos ciclones:
• Apresentam pressão atmosférica mais baixa no centro do que nas áreas ao redor.
• Os ventos próximos à superfície deslocam-se das áreas de maior pressão em direção ao centro de baixa pressão.
• Ocorre convergência de ventos nas camadas inferiores da atmosfera.
• O ar tende a subir na região central do sistema, formando correntes atmosféricas ascendentes.
• A elevação do ar úmido favorece a condensação do vapor de água e a formação de nuvens.
• Geralmente estão associados ao aumento da nebulosidade e à ocorrência de chuvas.
• Podem provocar ventos intensos, tempestades, descargas elétricas e queda de granizo.
• No Hemisfério Sul, a circulação dos ventos ocorre no sentido horário.
• No Hemisfério Norte, os ventos circulam no sentido anti-horário.
• Podem formar-se sobre os oceanos ou sobre áreas continentais, dependendo do tipo de ciclone.
• Alguns ciclones permanecem ativos por poucas horas, enquanto outros podem durar vários dias.
• O deslocamento dos ciclones pode alterar rapidamente as condições do tempo nas regiões por onde passam.
• A intensidade dos ventos varia conforme o tipo e o estágio de desenvolvimento do sistema.
• Os ciclones mais intensos podem provocar inundações, deslizamentos de terra, erosão costeira e elevação do nível do mar.
Formação dos ciclones
A formação de um ciclone começa quando se desenvolve uma região de baixa pressão atmosférica. O ar das áreas vizinhas desloca-se em direção a esse centro de baixa pressão. Como os ventos convergem próximo à superfície, o ar é forçado a subir.
Durante a elevação, o ar se expande e esfria. Quando há umidade suficiente, o vapor de água se condensa e forma nuvens. Esse processo pode produzir chuvas intensas e liberar calor para a atmosfera, contribuindo para o fortalecimento de determinados tipos de ciclones.
A força de Coriolis desvia o movimento do ar e faz com que os ventos adquiram uma circulação ao redor do centro do sistema. Próximo à Linha do Equador, essa força é muito fraca. Por isso, os ciclones tropicais dificilmente se formam em áreas situadas a menos de aproximadamente cinco graus de latitude do Equador.
Principais tipos de ciclones:
Ciclone tropical
O ciclone tropical forma-se sobre águas oceânicas quentes, geralmente com temperaturas superficiais iguais ou superiores a aproximadamente 26,5 °C. Necessita de grande disponibilidade de umidade, instabilidade atmosférica e condições favoráveis de circulação dos ventos.
Esse sistema apresenta um núcleo quente e obtém sua energia principalmente do calor e da umidade fornecidos pelo oceano. Pode produzir ventos extremamente fortes, chuvas volumosas, ondas elevadas e marés de tempestade.
Conforme a intensidade dos ventos, os ciclones tropicais podem ser classificados como depressões tropicais, tempestades tropicais ou ciclones tropicais intensos. A denominação específica varia de acordo com a região do planeta.
Ciclone extratropical
O ciclone extratropical forma-se principalmente nas latitudes médias, fora das regiões tropicais. Seu desenvolvimento está associado ao encontro de massas de ar com diferentes temperaturas e umidades.
Esses ciclones geralmente apresentam frentes frias e frentes quentes. Podem provocar chuvas intensas, rajadas de vento, queda de temperatura e forte agitação marítima. São frequentes em áreas de clima temperado e podem atingir o Sul e partes do Sudeste do Brasil.
Ciclone subtropical
O ciclone subtropical apresenta características intermediárias entre os ciclones tropicais e extratropicais. Pode formar-se sobre águas oceânicas menos quentes do que aquelas necessárias para o desenvolvimento dos ciclones tropicais.
Esse tipo de sistema possui parte de sua energia proveniente das diferenças de temperatura da atmosfera e parte relacionada à liberação de calor durante a condensação do vapor de água. Ciclones subtropicais podem ocorrer no Atlântico Sul e afetar o litoral brasileiro.
Ciclone polar
O ciclone polar desenvolve-se em regiões de altas latitudes, próximas aos polos. Está associado ao encontro de massas de ar muito frias com massas de ar relativamente menos frias.
Esses sistemas podem provocar ventos fortes, tempestades de neve e quedas acentuadas de temperatura. Geralmente apresentam menor duração e extensão do que os grandes ciclones extratropicais.
Ciclone-bomba
O ciclone-bomba é um ciclone extratropical que passa por uma queda muito rápida da pressão atmosférica em seu centro. Esse processo de intensificação acelerada é denominado ciclogênese explosiva.
A redução brusca da pressão pode provocar ventos muito intensos, chuvas fortes e grande agitação no oceano. A expressão “ciclone-bomba” não representa um tipo inteiramente diferente de ciclone, mas descreve a rápida intensificação de um sistema extratropical.
Furacão, tufão e ciclone tropical
Furacão, tufão e ciclone tropical são denominações regionais utilizadas para fenômenos meteorológicos de mesma natureza. Todos são ciclones tropicais intensos, formados sobre oceanos quentes.
O termo furacão é utilizado principalmente para os ciclones tropicais intensos formados no Oceano Atlântico Norte e na parte nordeste do Oceano Pacífico.
A denominação tufão é empregada para os sistemas que se formam na região noroeste do Oceano Pacífico, especialmente nas proximidades do leste e do sudeste da Ásia.
A expressão ciclone tropical é utilizada de forma geral e também serve como denominação regional para sistemas formados no Oceano Índico e no sul do Oceano Pacífico. Portanto, não é correto afirmar que todo ciclone formado no Atlântico é um furacão ou que qualquer ciclone do Pacífico é um tufão. Essas denominações aplicam-se especificamente aos ciclones tropicais que alcançam determinada intensidade.
Estrutura de um ciclone tropical:
Olho
O olho é a região central de alguns ciclones tropicais intensos. Nele, os ventos são relativamente fracos e pode ocorrer pouca nebulosidade. A pressão atmosférica registrada nessa área é extremamente baixa.
Parede do olho
A parede do olho é formada por nuvens muito desenvolvidas que cercam a região central. Nessa parte do ciclone ocorrem os ventos mais fortes e as chuvas mais intensas.
Bandas de chuva
As bandas de chuva são conjuntos de nuvens organizadas em forma de espiral ao redor do centro do ciclone. Elas podem provocar chuvas intensas, rajadas de vento e tempestades a centenas de quilômetros do olho.
* Nem todos os ciclones apresentam olho. Essa estrutura é característica principalmente dos ciclones tropicais mais organizados e intensos.
Ciclones no Brasil
O Brasil não está localizado nas principais áreas de formação de furacões, pois grande parte do Atlântico Sul apresenta condições menos favoráveis ao desenvolvimento desses sistemas. Entre os fatores limitantes estão a temperatura das águas, a circulação atmosférica e as diferenças na velocidade e na direção dos ventos em diferentes altitudes.
Mesmo assim, ciclones extratropicais são relativamente comuns no sul do continente sul-americano. Eles podem atingir principalmente os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, provocando fortes ventos, chuvas intensas, ressacas e queda de temperatura.
Ciclones subtropicais também podem formar-se sobre o Atlântico Sul e afetar o litoral das regiões Sul e Sudeste. Em situações raras, um sistema pode adquirir características plenamente tropicais.
Um caso excepcional foi o ciclone Catarina, que atingiu o litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul em março de 2004. O sistema apresentou características de furacão e causou mortes, destruição de moradias e elevados prejuízos econômicos.
Diferença entre ciclone e tornado
O ciclone é um sistema atmosférico de grande extensão, que pode atingir centenas ou milhares de quilômetros. Sua duração varia de alguns dias a mais de uma semana, dependendo de sua estrutura e das condições atmosféricas.
O tornado é uma coluna de ar em rotação que se estende de uma nuvem de tempestade até a superfície. Possui dimensão muito menor, geralmente dura poucos minutos e pode provocar ventos extremamente intensos em uma área relativamente limitada.
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Imagem aérea do ciclone Catarina (o mais forte já ocorrido no Brasil), que atingiu a costa do RS e SC em março de 2004. |
Revisado por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)
Atualizado em 28/07/2026
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Bibliografia e vídeos indicados:
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Anticiclone
https://en.wikipedia.org/wiki/Cyclone
Vídeo indicado no YouTube:
O que é e como se forma um ciclone? Entenda agora! - Canal INMET


