Período Carbonífero
O que foi
O Período Carbonífero foi um período da Era Paleozoica que se estendeu aproximadamente de 359 milhões a 299 milhões de anos atrás. Ele ocorreu depois do Período Devoniano e antes do Período Permiano. Seu nome vem da grande quantidade de depósitos de carvão mineral formados nesse intervalo, principalmente a partir do acúmulo de restos vegetais em ambientes pantanosos.
O Carbonífero foi uma fase decisiva da história da Terra porque marcou a expansão de extensas florestas tropicais, o aumento da diversidade dos anfíbios, o surgimento dos primeiros répteis e a formação de grandes reservas de carvão. Também foi um período de intensas transformações climáticas, geológicas e biológicas, com efeitos importantes para a evolução da vida terrestre.
Contexto geológico
Durante o Carbonífero, os continentes estavam em processo de aproximação, o que contribuiu para a formação do supercontinente Pangeia, concluída no período seguinte, o Permiano. Esse movimento continental ocorreu por meio da tectônica de placas, com colisões entre massas continentais, formação de cadeias montanhosas e alterações nos oceanos.
No início do período, muitas regiões da Terra apresentavam mares rasos, áreas costeiras úmidas e extensas planícies alagadas. Essas condições favoreceram a formação de grandes pântanos, especialmente em áreas próximas ao Equador. Nesses ambientes, a vegetação crescia rapidamente e se acumulava em solos encharcados, com pouca decomposição completa.
A formação do carvão mineral
A principal característica associada ao Carbonífero foi a formação de grandes depósitos de carvão mineral. Esse carvão se originou do acúmulo de restos de plantas em pântanos tropicais. Como esses ambientes eram pobres em oxigênio, a matéria vegetal não se decompunha totalmente.
Com o passar de milhões de anos, camadas de sedimentos cobriram esse material orgânico. A pressão e o calor transformaram os restos vegetais em carvão. Por isso, muitas jazidas de carvão exploradas pela humanidade tiveram origem nesse período geológico.
O carvão mineral formado no Carbonífero teve grande importância histórica muito tempo depois, especialmente a partir da Revolução Industrial, iniciada no século XVIII. Ele foi usado como fonte de energia para máquinas a vapor, siderúrgicas, locomotivas e indústrias.
Clima
O clima do Carbonífero variou ao longo do período. Em sua fase inicial, muitas regiões apresentavam clima quente e úmido, principalmente nas áreas tropicais. Essas condições favoreceram o desenvolvimento de florestas densas e pantanosas.
Com o avanço do período, ocorreram importantes mudanças climáticas. No hemisfério sul, especialmente em partes do antigo continente Gondwana, houve glaciações. Essas glaciações atingiram áreas que hoje correspondem a regiões da América do Sul, África, Antártida, Austrália e Índia.
Assim, o Carbonífero não foi marcado por um clima uniforme. Enquanto algumas regiões tinham florestas úmidas e tropicais, outras enfrentavam frio intenso e formação de geleiras. Essa diversidade climática influenciou a distribuição dos seres vivos e a formação de diferentes tipos de rochas e sedimentos.
Atmosfera e oxigênio
Uma das características mais marcantes do Carbonífero foi o elevado nível de oxigênio na atmosfera. A grande expansão das florestas contribuiu para o aumento da fotossíntese, processo pelo qual as plantas absorvem gás carbônico e liberam oxigênio.
Estima-se que os níveis de oxigênio atmosférico tenham sido maiores do que os atuais em determinados momentos do Carbonífero. Esse fator favoreceu o crescimento de artrópodes de grande porte, como insetos gigantes e outros animais terrestres.
O excesso de vegetação e a formação de carvão também ajudaram a retirar carbono da atmosfera. Isso pode ter contribuído para alterações climáticas, pois a redução do gás carbônico tende a influenciar o resfriamento global.
Vegetação
A vegetação do Carbonífero era abundante, especialmente nas regiões úmidas e pantanosas. As florestas eram compostas por plantas diferentes das árvores modernas. Muitas pertenciam a grupos hoje raros ou representados por formas menores.
Entre as principais plantas do período estavam as licófitas gigantes, os fetos, as cavalinhas e as primeiras plantas com sementes. Algumas licófitas, como as do gênero Lepidodendron, podiam atingir grandes alturas, formando verdadeiras florestas.
Essas plantas não produziam flores, pois as angiospermas ainda não existiam. A reprodução ocorria por esporos ou sementes primitivas. Como muitas dependiam de ambientes úmidos para se reproduzir, os pântanos carboníferos foram fundamentais para sua expansão.
Florestas pantanosas
As florestas pantanosas foram ambientes típicos do Carbonífero. Elas se desenvolveram em áreas alagadas, quentes e úmidas, onde o crescimento vegetal era intenso. Essas florestas acumulavam grande quantidade de matéria orgânica no solo.
A decomposição incompleta das plantas, associada ao soterramento por sedimentos, deu origem aos grandes depósitos de carvão. Por isso, as florestas pantanosas do Carbonífero tiveram importância ecológica no passado e importância econômica para a humanidade em períodos muito posteriores.
Esses ambientes também abrigavam muitos animais, incluindo artrópodes, anfíbios e pequenos vertebrados terrestres. A presença de água, vegetação densa e matéria orgânica favorecia cadeias alimentares variadas.
Animais invertebrados
O Carbonífero foi um período de grande diversidade de invertebrados. Nos mares, havia corais, braquiópodes, moluscos, equinodermos e trilobitas, embora estes últimos já estivessem em declínio em comparação com períodos anteriores.
Em terra firme, os artrópodes se destacaram. Havia insetos, escorpiões, centopeias e outros grupos adaptados à vida terrestre. O alto nível de oxigênio atmosférico favoreceu o surgimento de artrópodes de grandes dimensões.
Um exemplo conhecido é a Meganeura, um inseto semelhante a uma libélula, mas muito maior do que as libélulas atuais. Também existiram miriápodes gigantes, como a Arthropleura, que podia atingir grandes comprimentos. Esses animais mostram como as condições atmosféricas do Carbonífero favoreceram formas de vida de grande porte entre os artrópodes.
Anfíbios
Os anfíbios tiveram grande importância no Carbonífero. Eles descendiam de grupos de peixes que, no Devoniano, já haviam desenvolvido características favoráveis à vida em ambientes terrestres. No Carbonífero, esses animais se diversificaram bastante.
Como dependiam da água para reprodução, os anfíbios encontraram nas florestas pantanosas um ambiente favorável. Havia rios, lagos, brejos e áreas alagadas, o que permitia a sobrevivência de larvas aquáticas e adultos semiterrestres.
Muitos anfíbios carboníferos eram maiores do que os atuais e ocupavam diferentes papéis nas cadeias alimentares. Alguns eram predadores importantes de insetos, pequenos vertebrados e outros animais dos ambientes úmidos.
Surgimento dos répteis
Um dos acontecimentos evolutivos mais relevantes do Carbonífero foi o surgimento dos primeiros répteis. Eles representaram uma inovação importante porque possuíam adaptações que permitiam maior independência em relação à água.
A principal novidade foi o ovo amniótico. Esse tipo de ovo possuía estruturas internas que protegiam o embrião e permitiam seu desenvolvimento fora da água. Essa característica diferenciava os répteis dos anfíbios, que ainda dependiam fortemente de ambientes aquáticos para a reprodução.
Com essa adaptação, os répteis puderam explorar áreas mais secas e afastadas dos pântanos. Essa mudança abriu caminho para uma grande expansão evolutiva nos períodos seguintes, especialmente no Permiano e, mais tarde, na Era Mesozoica.
Vida nos mares
Embora o Carbonífero seja muito lembrado pelas florestas e pelos pântanos, os ambientes marinhos também eram importantes. Mares rasos cobriam partes de vários continentes e abrigavam uma fauna diversificada.
Os mares carboníferos possuíam peixes cartilaginosos, como antigos parentes dos tubarões, além de peixes ósseos, moluscos, corais e crinoides. Os crinoides, animais marinhos relacionados às estrelas-do-mar e ouriços-do-mar, eram bastante comuns em alguns ambientes.
Os recifes também existiam, embora não fossem idênticos aos recifes modernos. A vida marinha seguia se recuperando e se transformando depois das crises ambientais ocorridas no fim do Devoniano.
Divisões do Carbonífero
O Carbonífero costuma ser dividido em duas grandes partes: Mississipiano e Pensilvaniano. Essa divisão é muito usada especialmente na tradição geológica da América do Norte, mas também ajuda a entender as mudanças internas do período.
O Mississipiano ocorreu aproximadamente entre 359 milhões e 323 milhões de anos atrás. Foi uma fase marcada por mares rasos extensos em várias regiões e por importantes depósitos calcários. A vida marinha teve grande relevância nesse intervalo.
O Pensilvaniano ocorreu aproximadamente entre 323 milhões e 299 milhões de anos atrás. Foi a fase em que as florestas pantanosas se tornaram especialmente importantes em muitas regiões, favorecendo a formação de grandes depósitos de carvão. Também foi um momento de expansão dos artrópodes terrestres, dos anfíbios e dos primeiros répteis.
Transformações geológicas
Durante o Carbonífero, ocorreram importantes processos de formação de montanhas. A colisão entre continentes contribuiu para orogenias, isto é, processos geológicos de formação de cadeias montanhosas. Essas colisões estavam associadas à aproximação das massas continentais que formariam a Pangeia.
Essas transformações alteraram o relevo, os mares, as bacias sedimentares e o clima. A formação de montanhas também influenciou a erosão e o transporte de sedimentos, criando condições favoráveis ao acúmulo de materiais em depressões e planícies.
Ao mesmo tempo, a movimentação dos continentes modificou a circulação oceânica e atmosférica. Essas mudanças ajudaram a explicar a diversidade climática do Carbonífero, com florestas tropicais em algumas regiões e glaciações em outras.
O Carbonífero no Brasil
No território que hoje corresponde ao Brasil, há registros geológicos importantes relacionados ao Carbonífero, especialmente em áreas que faziam parte do antigo Gondwana. Durante parte desse período e também no Permiano, regiões do atual Brasil estiveram associadas a ambientes frios, com influência glacial.
Vestígios dessa história aparecem em rochas sedimentares e depósitos ligados à glaciação gondwânica. Esses registros são relevantes para compreender que o território brasileiro, em tempos geológicos antigos, ocupava posições continentais diferentes das atuais e esteve submetido a condições ambientais muito distintas.
As bacias sedimentares brasileiras preservam informações sobre mudanças climáticas, movimentações continentais e antigos ambientes de deposição. Esses registros ajudam os geólogos a reconstruir a história da Terra ao longo da Era Paleozoica.
Importância evolutiva
O Carbonífero foi importante para a evolução da vida terrestre porque consolidou a ocupação dos continentes por plantas e animais. As florestas criaram ambientes complexos, com abrigo, alimento e diferentes nichos ecológicos.
Os anfíbios se diversificaram em ambientes úmidos, enquanto os primeiros répteis desenvolveram maior independência da água. Essa mudança foi essencial para a futura expansão dos vertebrados terrestres.
Os artrópodes também alcançaram grande diversidade e, em alguns casos, dimensões impressionantes. O Carbonífero, portanto, foi um período de intensa experimentação evolutiva em terra firme.
Fim do Carbonífero
O Carbonífero terminou por volta de 299 milhões de anos atrás, dando lugar ao Período Permiano. Essa transição foi marcada por mudanças climáticas, alterações nos ecossistemas e continuidade da formação da Pangeia.
Com o avanço de condições mais secas em várias regiões, muitas florestas pantanosas diminuíram. Isso afetou plantas e animais dependentes de ambientes úmidos. Os anfíbios, por exemplo, perderam parte de seus habitats favoráveis, enquanto os répteis, mais adaptados à reprodução fora da água, passaram a ganhar maior importância evolutiva.
O fim do Carbonífero não representou uma extinção tão famosa quanto a do fim do Permiano, mas marcou uma reorganização significativa dos ambientes terrestres. A Terra caminhava para um novo cenário, com continentes cada vez mais unidos, climas mais variados e grupos animais em transformação.
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| Infográfico didático sobre o Período Carbonífero |
Por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)
Atualizado em 29/05/2026
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Bibliografia e vídeos indicados:
Fontes consultadas:
https://www.britannica.com/science/Carboniferous-Period
https://en.wikipedia.org/wiki/Carboniferous
Vídeo indicado no YouTube:

