Aquífero Alter do Chão
O que é
O Aquífero Alter do Chão é um grande reservatório de água subterrânea localizado na região amazônica. Ele se forma no interior de camadas de rochas sedimentares porosas e permeáveis, principalmente arenitos, nas quais a água das chuvas consegue penetrar, circular e permanecer armazenada durante longos períodos.
O nome está relacionado à Formação Alter do Chão, unidade geológica constituída principalmente por arenitos, além de argilitos, siltitos e outros sedimentos. A água ocupa os pequenos espaços existentes entre os grãos dessas rochas. Por essa razão, o Alter do Chão é classificado como um aquífero poroso e constitui um dos reservatórios subterrâneos de maior importância da Bacia Amazônica.
Localização
O Aquífero Alter do Chão está situado na Região Norte do Brasil, associado à Bacia Sedimentar do Amazonas. Suas principais áreas de ocorrência encontram-se no estado do Amazonas e no Pará.
Uma parcela importante aparece no leste do Amazonas e no centro-norte do Pará. Cidades como Manaus e Santarém encontram-se em áreas nas quais suas águas subterrâneas são aproveitadas. Segundo levantamentos hidrogeológicos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, sua área de ocorrência aflorante é estimada em aproximadamente 312 mil km².
Origem do nome
O nome “Alter do Chão” vem da vila de Alter do Chão, localizada no município de Santarém, no Pará. A formação geológica recebeu esse nome porque foi identificada e estudada na região. A própria vila foi batizada pelos portugueses durante o período colonial, em referência à localidade portuguesa de Alter do Chão.
Como se formou
A origem do aquífero está diretamente relacionada à história geológica da Bacia Amazônica. Durante o Cretáceo, iniciado há cerca de 145 milhões de anos, grandes quantidades de areia, silte, argila e outros materiais foram transportadas e depositadas por antigos sistemas fluviais e lacustres.
Com o passar de milhões de anos, essas camadas sedimentares foram compactadas e sofreram processos geológicos que originaram rochas como os arenitos da Formação Alter do Chão. Parte dessas rochas manteve grande quantidade de poros interligados.
Posteriormente, a água proveniente principalmente das chuvas passou a infiltrar-se pelo solo e pelas áreas onde essas formações aparecem próximas à superfície. A água preenche os poros e espaços existentes entre os grãos das rochas, formando as reservas subterrâneas que hoje constituem o aquífero. Estudos geológicos mais recentes relacionam a Formação Alter do Chão principalmente ao Cretáceo Superior e ao Paleógeno.
Características principais:
• Aquífero sedimentar: suas águas ficam armazenadas principalmente em rochas sedimentares, sobretudo arenitos formados pela acumulação e consolidação de antigos sedimentos.
• Grande porosidade: os espaços existentes entre os grãos de areia das rochas permitem o armazenamento de volumes significativos de água.
• Boa permeabilidade em vários setores: quando os poros das rochas encontram-se conectados, a água consegue circular pelo interior das camadas sedimentares, facilitando sua captação por poços.
• Predominantemente livre: em várias áreas, o aquífero não está completamente isolado por uma camada impermeável superior. Essa condição facilita sua recarga pela infiltração das chuvas, mas também pode aumentar a vulnerabilidade à contaminação.
• Presença de setores semiconfinados: determinadas camadas argilosas podem dificultar a circulação vertical da água, criando situações hidrogeológicas diferentes dentro do mesmo sistema.
• Água geralmente de baixa mineralização: grande parte das águas estudadas apresenta quantidade relativamente pequena de sais dissolvidos. Em algumas localidades, porém, podem ocorrer concentrações elevadas de ferro ou alterações causadas pela atividade humana.
• Recarga relacionada às chuvas: a elevada pluviosidade amazônica favorece a infiltração de água nas áreas adequadas, contribuindo para a renovação das reservas subterrâneas.
Importância
O Aquífero Alter do Chão possui grande importância para o abastecimento humano. Em áreas urbanas e comunidades amazônicas, os poços representam uma alternativa ou complemento à utilização das águas dos rios. Em Manaus, por exemplo, poços que atingem a Formação Alter do Chão fazem parte do sistema de aproveitamento dos recursos hídricos subterrâneos.
Também existe importância econômica. A água subterrânea pode ser utilizada por residências, indústrias, estabelecimentos comerciais e diferentes atividades produtivas. Em determinadas situações, sua captação é particularmente útil em lugares afastados dos grandes sistemas de distribuição de água.
Sua existência, entretanto, não significa disponibilidade ilimitada. A retirada excessiva em áreas com elevada concentração de poços pode provocar o rebaixamento do nível da água subterrânea. Esse problema já foi observado em setores de Manaus, mostrando que mesmo aquíferos de grande porte precisam ser utilizados de maneira planejada.
A preservação das áreas de recarga também é fundamental. Contaminações provenientes de esgoto, resíduos sólidos, combustíveis, produtos químicos e ocupação urbana inadequada podem alcançar águas subterrâneas, principalmente nas partes mais superficiais e livres do sistema.
Qual a diferença entre o Aquífero Guarani e Alter do Chão?
Apesar de ambos serem grandes reservatórios de água subterrânea, o Aquífero Guarani e o Alter do Chão pertencem a contextos geográficos e geológicos diferentes.
O Alter do Chão está associado à Bacia Amazônica e ocorre principalmente no Amazonas e no Pará. Sua formação está relacionada sobretudo a depósitos sedimentares continentais do Cretáceo e de períodos posteriores.
O Sistema Aquífero Guarani, por sua vez, ocupa uma área muito maior e é transfronteiriço. Estende-se pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, totalizando aproximadamente 1,2 milhão de km². No território brasileiro, está presente em oito estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
Outra diferença importante está no confinamento. Grandes partes do Guarani encontram-se cobertas por espessas rochas vulcânicas da Formação Serra Geral. Em determinadas regiões, a água encontra-se, portanto, profundamente confinada e pode estar a centenas ou mesmo mais de mil metros da superfície.
No Alter do Chão predominam situações de aquífero livre, embora também existam setores semiconfinados. Isso favorece a recarga direta pelas chuvas, mas torna algumas áreas mais sensíveis à poluição proveniente da superfície.
Os dois sistemas possuem enorme importância estratégica, mas não é correto afirmar simplesmente que um possui "mais água" que o outro sem definir o que está sendo comparado. Área territorial, volume total armazenado, quantidade efetivamente disponível para exploração e velocidade de renovação da água são conceitos diferentes.
5 curiosidades sobre o Aquífero Alter do Chão:
1. Está sob uma região com enorme quantidade de água superficial
Uma característica curiosa é que esse grande reservatório subterrâneo se encontra justamente na Amazônia, região cortada pela maior rede hidrográfica do planeta. Isso mostra que a abundância hídrica amazônica não se limita aos rios: também existem importantes reservas abaixo da superfície.
2. Manaus está sobre terrenos da Formação Alter do Chão
Grande parte da cidade de Manaus encontra-se sobre rochas sedimentares pertencentes à Formação Alter do Chão. Por esse motivo, numerosos poços urbanos captam água dessas camadas subterrâneas.
3. Nem toda a Formação Alter do Chão é um aquífero
A formação geológica contém arenitos, argilitos e outras rochas, mas somente as partes saturadas, porosas e capazes de transmitir água funcionam efetivamente como aquífero. Portanto, "Formação Alter do Chão" e "Aquífero Alter do Chão" são conceitos relacionados, mas não exatamente sinônimos.
4. As estimativas sobre seu volume devem ser interpretadas com cautela
O Alter do Chão ficou conhecido popularmente por estimativas que lhe atribuíam volumes gigantescos de água. Entretanto, calcular a quantidade realmente disponível exige conhecer espessura, porosidade, continuidade das camadas, profundidade, qualidade da água e capacidade de renovação. Por isso, números muito elevados divulgados isoladamente não significam que todo esse volume possa ser retirado ou utilizado.
5. Um aquífero gigantesco pode apresentar problemas locais
Mesmo que o sistema possua grande extensão, uma cidade pode retirar água mais rapidamente do que ocorre sua reposição naquele determinado setor. Em partes de Manaus já foram registrados indícios de forte rebaixamento do nível das águas subterrâneas associado à concentração de poços. Esse exemplo demonstra que a gestão de um aquífero deve considerar condições locais, e não apenas seu tamanho total.
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| Infográfico com síntese sobre o aquífero Alter do Chão |
O Aquífero Alter do Chão é o maior do mundo?
Pode-se dizer que o Aquífero Alter do Chão está entre os maiores aquíferos do mundo e, segundo algumas estimativas, seria o maior em volume de água armazenada. Porém, essa afirmação exige cautela.
Alguns levantamentos atribuem ao chamado Sistema Aquífero Grande Amazônia, do qual o Alter do Chão faz parte, cerca de 162 mil km³ de água, colocando-o à frente de outros grandes sistemas aquíferos. Um documento do Ministério de Minas e Energia, por exemplo, apresenta esse sistema em primeiro lugar em um ranking por volume estimado.
O problema é que diferentes estudos utilizam delimitações, métodos e conceitos distintos. Em certas publicações, o nome “Alter do Chão” é usado de maneira mais restrita; em outras, aparece associado a um sistema aquífero amazônico muito mais amplo. Por isso, não é rigorosamente correto afirmar, sem ressalvas, que ele é “o maior aquífero do mundo”.
Por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)
Publicado em 08/09/2026
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Bibliografia e vídeos indicados:
Fontes:
ANÁLISE DA FORMAÇÃO DO AQUÍFERO ALTER DO CHÃO E A IMPORTÂNCIA DA SUA EXPLORAÇÃO
https://pt.wikipedia.org/wiki/Aqu%C3%ADfero_Alter_do_Ch%C3%A3o

