Milton Santos

 

Quem foi Milton Santos



Milton Almeida dos Santos foi um dos mais importantes geógrafos brasileiros e um dos principais pensadores da Geografia mundial no século XX. Nasceu em 3 de maio de 1926, na cidade de Brotas de Macaúbas, no estado da Bahia, e faleceu em 24 de junho de 2001, em São Paulo. Sua produção intelectual modificou profundamente a maneira de compreender o espaço geográfico, especialmente ao relacioná-lo com a economia, a política, a sociedade, a tecnologia e o processo de globalização.

Ao longo de sua carreira, Milton Santos desenvolveu uma interpretação crítica do espaço geográfico. Para ele, o espaço não deveria ser entendido apenas como uma superfície física onde as atividades humanas acontecem. O espaço é produzido historicamente pelas relações entre sociedade e natureza, pelas atividades econômicas, pelas redes de transporte e comunicação, pelas decisões políticas e pelas diferentes formas de utilização do território.

Sua obra ganhou reconhecimento dentro e fora do Brasil. Em 1994, recebeu o Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud, concedido na França e frequentemente considerado uma das mais importantes premiações internacionais da Geografia. Milton Santos tornou-se também uma referência para pesquisadores interessados em urbanização, desigualdades territoriais, países periféricos, globalização e organização do território.



Biografia



Milton Santos nasceu em uma família de professores no interior da Bahia. Ainda criança, recebeu forte estímulo intelectual de seus pais. Durante sua formação escolar, estudou disciplinas como francês, matemática e geografia, desenvolvendo desde cedo interesse pelo conhecimento e pelas questões relacionadas à sociedade brasileira.

Mais tarde, mudou-se para Salvador e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia. Formou-se em Direito em 1948, embora sua carreira profissional e acadêmica tenha se desenvolvido principalmente na área da Geografia. Durante esse período, começou a atuar como professor e jornalista, aproximando-se progressivamente dos estudos sobre o território, as cidades e a economia regional.

Na década de 1950, Milton Santos aprofundou sua formação acadêmica na França. Em 1958, concluiu o doutorado em Geografia na Universidade de Estrasburgo, apresentando uma pesquisa relacionada à cidade de Salvador. A experiência europeia ampliou seu contato com diferentes correntes do pensamento geográfico e contribuiu para o desenvolvimento de uma abordagem própria sobre o espaço urbano e os países subdesenvolvidos.

De volta ao Brasil, trabalhou como professor universitário e pesquisador. Também participou de atividades relacionadas ao planejamento econômico e territorial da Bahia. Após o golpe militar de 1964, foi preso por motivos políticos e posteriormente deixou o país. Durante seu período de exílio, trabalhou e lecionou em diversas universidades da Europa, da África, da América do Norte e da América Latina.

Essa experiência internacional teve grande influência sobre sua produção intelectual. Ao estudar diferentes sociedades, Milton Santos passou a analisar com maior profundidade os problemas dos países periféricos e as desigualdades produzidas pelo capitalismo mundial.

Depois de retornar definitivamente ao Brasil, no final da década de 1970, intensificou suas atividades acadêmicas. Atuou em diferentes instituições de ensino superior e, posteriormente, tornou-se professor da Universidade de São Paulo, a USP. Nesse período, produziu algumas de suas obras mais conhecidas e consolidou sua posição como um dos principais representantes da renovação crítica da Geografia brasileira.

 

Foto do geógrafo brasileiro Milton Santos
Milton Santos: um dos principais nomes dos estudos geográficos do Brasil.

 



Seus estudos e importância:



1. O espaço geográfico como construção social

Uma das maiores contribuições de Milton Santos foi sua concepção de espaço geográfico. Para o autor, o espaço resulta das relações estabelecidas entre a sociedade e os elementos materiais presentes no território.

Estradas, edifícios, portos, máquinas, redes de comunicação, cidades e áreas agrícolas fazem parte desse espaço, mas só podem ser compreendidos quando relacionados às ações humanas que os utilizam e transformam.

Dessa forma, o espaço geográfico não é algo estático. Ele muda conforme as sociedades modificam suas tecnologias, formas de produção, relações de poder e maneiras de organizar o território.



2. Os sistemas de objetos e sistemas de ações

Milton Santos formulou uma das definições mais conhecidas de sua obra ao compreender o espaço como resultado da interação entre sistemas de objetos e sistemas de ações.

Os sistemas de objetos correspondem aos elementos materiais construídos ou transformados pela sociedade, como rodovias, aeroportos, fábricas, cidades, redes elétricas, sistemas de telecomunicação e equipamentos urbanos.

Os sistemas de ações correspondem às atividades econômicas, políticas e sociais realizadas pelos indivíduos, empresas, governos e instituições. Uma rodovia, por exemplo, é um objeto geográfico, mas seu significado depende das ações associadas ao transporte de pessoas, mercadorias e capitais.

Por meio dessa relação, Milton Santos procurou demonstrar que objetos e ações devem ser analisados conjuntamente para compreender a organização do espaço.



3. O meio técnico-científico-informacional

Outro conceito fundamental desenvolvido por Milton Santos é o de meio técnico-científico-informacional. O conceito procura explicar as transformações espaciais ocorridas principalmente a partir da segunda metade do século XX.

O desenvolvimento de computadores, satélites, telecomunicações, transportes modernos, sistemas financeiros e redes digitais modificou profundamente a organização do território. Ciência, tecnologia e informação passaram a ocupar posição central no funcionamento da economia e na circulação de mercadorias, capitais e dados.

Segundo Milton Santos, entretanto, essas modernizações não chegam de maneira igual a todos os lugares. Algumas regiões recebem grande concentração de investimentos, infraestrutura e tecnologia, enquanto outras permanecem menos integradas aos grandes fluxos econômicos.



4. O território usado

Milton Santos também desenvolveu o conceito de território usado. Para ele, o território não deveria ser analisado apenas como uma área delimitada politicamente, como o território de um país.

Mais importante seria observar como esse território é utilizado pelos diferentes grupos sociais. Empresas, governos, trabalhadores, comunidades locais e instituições utilizam o território de maneiras diferentes e possuem capacidades desiguais de controlar seus recursos.

Esse conceito ajuda a compreender conflitos relacionados ao uso da terra, à instalação de grandes empresas, à construção de infraestrutura e à distribuição desigual de serviços públicos.



5. A urbanização

As cidades ocuparam posição importante nos estudos de Milton Santos. O geógrafo analisou especialmente a urbanização nos países menos industrializados e procurou demonstrar que suas características não poderiam ser explicadas simplesmente reproduzindo teorias elaboradas para os países ricos.

Em muitos países latino-americanos, africanos e asiáticos, o crescimento das cidades ocorreu rapidamente e foi acompanhado por desigualdades econômicas, expansão das periferias e dificuldades de acesso a serviços urbanos.

Milton Santos defendia que essas realidades deveriam ser estudadas considerando suas próprias características históricas, sociais e econômicas.



6. Os dois circuitos da economia urbana

Ao estudar as cidades dos países periféricos, Milton Santos formulou a teoria dos dois circuitos da economia urbana.

O circuito superior reúne atividades econômicas associadas às grandes empresas, bancos, indústrias modernas, redes comerciais, tecnologias avançadas e instituições com maior disponibilidade de capital.

O circuito inferior envolve pequenas atividades comerciais e de serviços, trabalhadores autônomos, pequenos negócios e outras formas de trabalho caracterizadas pelo uso relativamente reduzido de capital e tecnologia.

Esses dois circuitos não funcionam isoladamente. Eles se relacionam continuamente e ajudam a explicar a complexidade econômica das grandes cidades.



7. A divisão territorial do trabalho

Milton Santos também estudou a divisão territorial do trabalho, analisando como diferentes regiões passam a desempenhar determinadas funções dentro da economia.

Algumas áreas podem concentrar atividades industriais e financeiras, enquanto outras se especializam em agricultura, mineração, turismo ou fornecimento de matérias-primas.

Essa divisão não ocorre de forma neutra. Ela é influenciada por decisões políticas, investimentos empresariais, disponibilidade de infraestrutura e inserção das regiões na economia nacional e internacional.



8. As redes e os fluxos


Outro aspecto importante de seus estudos envolve as redes geográficas. Estradas, ferrovias, aeroportos, sistemas de telecomunicação, redes bancárias e sistemas digitais conectam diferentes pontos do território.

Essas redes permitem a circulação de pessoas, mercadorias, capitais, informações e ordens administrativas. Contudo, Milton Santos destacava que o acesso às redes e aos seus benefícios é desigual.

Grandes centros urbanos e regiões economicamente importantes normalmente apresentam maior integração, enquanto áreas periféricas podem permanecer menos conectadas.



9. A globalização

Nos últimos anos de sua produção intelectual, Milton Santos dedicou especial atenção ao fenômeno da globalização.

Ele criticava a interpretação segundo a qual a globalização produziria automaticamente integração econômica e benefícios para toda a humanidade. Em sua perspectiva, o processo estava fortemente associado aos interesses de grandes empresas, instituições financeiras e países economicamente poderosos.

Ao mesmo tempo, reconhecia que as tecnologias responsáveis pela integração mundial poderiam ser utilizadas de outras maneiras, favorecendo formas de organização social mais equilibradas.



10. Globalização como fábula, perversidade e possibilidade

Milton Santos apresentou uma interpretação da globalização baseada em três perspectivas.

A globalização como fábula corresponde à imagem divulgada de um mundo totalmente integrado, no qual as fronteiras perderiam importância e todos teriam acesso semelhante às oportunidades oferecidas pelas novas tecnologias.

A globalização como perversidade corresponde ao funcionamento concreto do sistema, marcado por desigualdades sociais, desemprego, concentração de riqueza e diferenças no acesso à informação e aos benefícios econômicos.

Por fim, o autor discutiu a possibilidade de outra globalização, baseada em maior participação social e utilização das técnicas contemporâneas em benefício de uma parcela mais ampla da população.



11. A importância de Milton Santos para a Geografia

Milton Santos contribuiu para aproximar a análise geográfica dos grandes problemas sociais do mundo contemporâneo. Seus estudos demonstraram que compreender um território exige observar não apenas seus elementos naturais, mas também relações econômicas, políticas, tecnológicas e sociais.

Sua produção teve grande importância na renovação da Geografia brasileira a partir das décadas de 1970 e 1980. Nesse contexto, vários pesquisadores passaram a questionar abordagens excessivamente descritivas e procuraram compreender os processos responsáveis pela organização e transformação do espaço.

Outro aspecto relevante de sua contribuição foi a valorização da perspectiva dos países periféricos. Milton Santos criticava a aplicação automática de teorias elaboradas nos países desenvolvidos para explicar realidades latino-americanas, africanas ou asiáticas.

Seus estudos também continuam relevantes porque muitos dos fenômenos analisados por ele permanecem presentes no século XXI, entre eles a concentração econômica, o crescimento das redes digitais, a importância das grandes empresas transnacionais, as desigualdades urbanas e a integração seletiva dos territórios.



Principais obras:



"O Centro da Cidade do Salvador"

Publicada originalmente em francês em 1959 e posteriormente no Brasil, essa obra teve origem em seus estudos de doutorado. Milton Santos analisou a estrutura urbana de Salvador e as transformações de sua área central.

O estudo demonstra como atividades econômicas, circulação de pessoas, comércio e organização social interferem na configuração da cidade. A obra marcou uma etapa importante da formação intelectual do geógrafo e apresentou elementos que seriam aprofundados posteriormente em seus estudos urbanos.



"A Cidade nos Países Subdesenvolvidos"

Nessa obra, Milton Santos discutiu características específicas da urbanização dos países considerados subdesenvolvidos naquele período.

O autor procurou mostrar que as cidades dessas regiões possuíam processos próprios de formação e crescimento, relacionados à dependência econômica, à industrialização desigual, à concentração de renda e às particularidades do mercado de trabalho.

O estudo contribuiu para questionar interpretações que tratavam o desenvolvimento urbano dos países industrializados como modelo universal.



"O Espaço Dividido"

Publicado originalmente em 1975 e posteriormente traduzido para o português, "O Espaço Dividido" é uma das principais obras de Milton Santos.

Nesse livro, o geógrafo desenvolveu a teoria dos dois circuitos da economia urbana dos países periféricos. O circuito superior está relacionado às atividades modernas e fortemente capitalizadas, enquanto o circuito inferior envolve atividades com menor disponibilidade de capital e tecnologia.

A obra demonstra que esses circuitos coexistem e mantêm relações entre si dentro das cidades, revelando a complexidade das economias urbanas.



"Por uma Geografia Nova"

Publicado em 1978, "Por uma Geografia Nova" representa um momento decisivo da renovação teórica promovida por Milton Santos.

O autor criticou abordagens tradicionais da disciplina e defendeu uma Geografia capaz de analisar criticamente a sociedade e as transformações do espaço.

O livro teve grande influência na Geografia brasileira porque contribuiu para fortalecer uma perspectiva crítica preocupada em compreender as relações econômicas, sociais e políticas responsáveis pela produção do espaço.



"Espaço e Sociedade"

Publicado no final da década de 1970, esse trabalho aprofundou as relações entre organização espacial e estruturas sociais.

Milton Santos argumentou que o espaço participa diretamente dos processos sociais e econômicos. Portanto, ele não poderia ser considerado apenas um cenário onde os acontecimentos históricos ocorrem.

A obra contribuiu para consolidar sua compreensão do espaço como componente ativo da sociedade.



"Pensando o Espaço do Homem"

Publicado em 1982, o livro apresenta reflexões sobre a relação entre espaço, sociedade e vida cotidiana.

Milton Santos discute como diferentes formas de organização econômica e política influenciam os lugares ocupados pelas pessoas e suas condições de existência.

O trabalho possui importância por aproximar questões teóricas da Geografia das experiências concretas da sociedade.



"Espaço e Método"

Publicado em 1985, "Espaço e Método" apresenta uma reflexão teórica sobre os instrumentos utilizados pela Geografia para interpretar o espaço.

Milton Santos analisa conceitos como estrutura, processo, função e forma. Esses elementos ajudam o pesquisador a compreender não apenas a aparência das paisagens, mas também os processos históricos responsáveis por sua formação.

Uma área industrial, por exemplo, possui determinada forma espacial, desempenha certas funções econômicas, integra uma estrutura produtiva e resulta de processos históricos específicos.



"A Urbanização Brasileira"

Publicado em 1993, o livro analisa as principais transformações do processo de urbanização do Brasil ao longo do século XX.

Milton Santos discute o crescimento das cidades, a expansão das metrópoles, a integração territorial promovida pelos transportes e pelas telecomunicações e as transformações na distribuição das atividades econômicas.

O autor demonstra que a urbanização brasileira ocorreu de maneira intensa, porém marcada por grandes diferenças regionais e sociais.



"Técnica, Espaço, Tempo"

Publicado em 1994, esse livro reúne reflexões fundamentais sobre a influência das técnicas na organização do território.

Milton Santos analisa como cada período histórico apresenta determinados sistemas técnicos que modificam as formas de produção, circulação e comunicação.

Com o desenvolvimento das tecnologias modernas, o território tornou-se cada vez mais integrado por redes de transporte, telecomunicações e informação.



"A Natureza do Espaço"

Publicado em 1996, "A Natureza do Espaço" é considerada uma das obras teóricas mais importantes de Milton Santos.

Nela, o autor apresenta de forma sistematizada vários conceitos desenvolvidos ao longo de sua carreira. Entre eles estão espaço geográfico, técnica, tempo, objetos, ações, redes e meio técnico-científico-informacional.

O espaço é apresentado como um conjunto inseparável de sistemas de objetos e sistemas de ações. Essa interpretação tornou-se uma das principais referências da Geografia contemporânea.



"Por uma Outra Globalização"

Publicado em 2000, "Por uma Outra Globalização" tornou-se uma das obras mais conhecidas de Milton Santos fora dos círculos acadêmicos especializados.

O autor analisa criticamente a globalização econômica e apresenta três formas de interpretá-la: como fábula, como perversidade e como possibilidade.

Milton Santos questiona a ideia de que a globalização produz automaticamente benefícios universais. Segundo sua análise, o processo existente ampliou várias desigualdades, embora as mesmas tecnologias responsáveis pela integração mundial pudessem contribuir para construir formas alternativas de organização econômica e social.

 

 

Influências presentes em sua formação e em suas obras:

 

As obras de Milton Santos foram formadas por um conjunto amplo de influências intelectuais, especialmente da Geografia francesa, do marxismo, da economia política e dos estudos sobre urbanização e desenvolvimento desigual.

Uma influência importante foi a Geografia francesa, sobretudo durante sua formação acadêmica na França. Milton Santos entrou em contato com tradições que valorizavam o estudo regional, a organização do espaço e a relação entre sociedade e território. Entretanto, ele não permaneceu preso a uma Geografia apenas descritiva. Ao longo de sua trajetória, passou a questionar seus limites e procurou construir uma interpretação mais crítica do espaço.

O marxismo também exerceu influência significativa em sua obra, principalmente na análise das desigualdades sociais, da divisão territorial do trabalho e das relações entre capital, produção e espaço. Milton Santos utilizou categorias próximas do pensamento marxista para compreender como o capitalismo organiza os territórios de maneira desigual. Contudo, não pode ser considerado simplesmente um autor que aplicava mecanicamente as ideias de Karl Marx à Geografia. Ele desenvolveu conceitos próprios e dialogou com diferentes correntes teóricas.

A economia política foi outra referência fundamental. Milton Santos procurou compreender como empresas, governos, mercados, sistemas produtivos e fluxos de capital interferem na organização territorial. Essa influência aparece claramente em seus estudos sobre os países periféricos, sobre os circuitos da economia urbana e sobre a globalização.

Também foram importantes os debates sobre subdesenvolvimento e dependência econômica, muito presentes na América Latina durante as décadas de 1960 e 1970. Milton Santos analisou as diferenças entre países centrais e periféricos e criticou a aplicação automática de modelos elaborados nos países desenvolvidos para explicar as sociedades latino-americanas, africanas e asiáticas.

Sua experiência internacional teve igualmente grande peso. Durante o exílio após 1964, viveu e trabalhou em diferentes países da Europa, da África e das Américas. O contato direto com sociedades distintas contribuiu para ampliar sua percepção sobre urbanização, pobreza, modernização e desigualdade territorial. Isso ajudou a construir uma Geografia voltada não apenas para o Brasil, mas também para os problemas do chamado Terceiro Mundo.

Outra influência relevante veio dos estudos sobre técnica e tecnologia. Milton Santos percebeu que as transformações técnicas alteravam profundamente a organização do espaço. Transportes, telecomunicações, informática, redes financeiras e sistemas produtivos passaram a ocupar posição central em suas análises. Essa preocupação foi fundamental para a formulação do conceito de meio técnico-científico-informacional.

A filosofia e a epistemologia também estiveram presentes em sua obra. Milton Santos não se limitava a descrever fenômenos geográficos, mas buscava discutir como o conhecimento geográfico deveria ser produzido. Em obras como "Por uma Geografia Nova", "Espaço e Método" e "A Natureza do Espaço", refletiu sobre conceitos como totalidade, estrutura, processo, forma, função, tempo e espaço.

Seu pensamento também foi influenciado pela realidade brasileira. A urbanização acelerada, as desigualdades regionais, a concentração de renda, a expansão das metrópoles e as diferenças no uso do território forneceram elementos concretos para muitas de suas formulações teóricas.



Considerações finais



Milton Santos ocupa uma posição fundamental na história da Geografia brasileira e mundial. Sua obra contribuiu para transformar o espaço geográfico em uma categoria central para a análise das sociedades contemporâneas.

Ao estudar cidades, território, redes, técnicas, desigualdades e globalização, o geógrafo mostrou que o espaço é resultado de processos históricos e de relações de poder. Cada estrada, cidade, rede de comunicação ou área produtiva expressa decisões e interesses construídos ao longo do tempo.

Sua contribuição também se destacou pela tentativa de interpretar o mundo a partir das experiências dos países periféricos. Essa perspectiva permitiu questionar explicações produzidas exclusivamente a partir das sociedades economicamente mais desenvolvidas.

Mesmo após sua morte, em 2001, conceitos como território usado, meio técnico-científico-informacional, sistemas de objetos e sistemas de ações continuam presentes em pesquisas acadêmicas, livros didáticos e estudos sobre urbanização e globalização.

 

 


 

Por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)

Publicado em 15/09/2026