Rio de Contas

 

O que é


O Rio de Contas, também chamado oficialmente de Rio das Contas, é um dos principais cursos de água do estado da Bahia. Seu percurso atravessa áreas de diferentes características naturais e econômicas, ligando o interior baiano ao litoral. O rio desempenha importante papel no abastecimento da população, na agricultura, na produção de energia elétrica e na manutenção dos ecossistemas regionais.



Localização, nascente e foz


O Rio de Contas nasce nas serras da Tromba e do Atalho, entre os municípios de Piatã e Abaíra, na região da Chapada Diamantina. Suas nascentes estão localizadas em áreas elevadas, com altitudes superiores a 1.500 metros, onde pequenos cursos de água se unem e formam o leito principal do rio. Essa região integra a Área de Relevante Interesse Ecológico Nascentes do Rio de Contas, criada em 5 de junho de 2001 para proteger os mananciais locais.

Seguindo predominantemente na direção oeste-leste, o rio percorre aproximadamente 500 quilômetros pelo território baiano. Depois de atravessar municípios como Abaíra, Jussiape, Brumado, Dom Basílio, Tanhaçu, Jequié, Jitaúna, Ipiaú, Ubatã e Ubaitaba, deságua no Oceano Atlântico, no município de Itacaré. 



A bacia hidrográfica


A bacia hidrográfica do Rio de Contas é formada pelo rio principal e pelas terras drenadas por ele e por seus afluentes. Com aproximadamente 55 mil quilômetros quadrados, corresponde a cerca de 10% do território da Bahia. É considerada a maior bacia hidrográfica inteiramente localizada dentro do estado. ([Bahia.gov.br][3])

Entre seus principais afluentes estão os rios Brumado, do Antônio, Gavião, Sincorá, Gongogi, Jequiezinho e Jacaré. Esses cursos de água ajudam a formar uma extensa rede de drenagem, responsável por transportar as águas das chuvas e das nascentes até o leito principal.



Alto, médio e baixo curso


O alto curso do Rio de Contas corresponde à região próxima de suas nascentes, na Chapada Diamantina. Nessa área, o relevo é mais elevado e acidentado, favorecendo a formação de vales, corredeiras e pequenas quedas de água. O rio apresenta maior velocidade, pois percorre terrenos com fortes declividades.

No médio curso, o Rio de Contas atravessa áreas do centro-sul baiano, incluindo regiões de clima semiárido. Nesse trecho, recebe importantes afluentes e tem suas águas utilizadas no abastecimento das cidades, na irrigação e na produção de energia elétrica. A Barragem da Pedra, localizada nas proximidades de Jequié, é uma das principais obras hidráulicas existentes no rio.

Já o baixo curso abrange o trecho próximo ao litoral. O relevo torna-se menos acidentado, o volume de água aumenta e o clima apresenta maior umidade. Antes de chegar ao Oceano Atlântico, em Itacaré, o rio percorre áreas associadas à Mata Atlântica e forma paisagens importantes para o turismo e para a conservação ambiental.



Clima e vegetação


A bacia do Rio de Contas atravessa regiões com diferentes condições climáticas. No alto e no médio curso predominam áreas de clima semiárido ou de transição, caracterizadas por chuvas irregulares e longos períodos de estiagem. Em direção ao litoral, as chuvas tornam-se mais abundantes e o clima passa a apresentar maior umidade.

Essa diversidade climática explica a presença de diferentes formações vegetais. Ao longo da bacia são encontradas áreas de Caatinga, Cerrado, campos rupestres, florestas estacionais e Mata Atlântica. O Rio de Contas estabelece, portanto, uma ligação entre distintos ambientes naturais do território baiano.



Importância econômica


As águas do Rio de Contas são utilizadas para o abastecimento de áreas urbanas e rurais. Diversas comunidades dependem diretamente do rio, de seus afluentes, de poços e de reservatórios ligados à bacia para obter água destinada ao consumo e às atividades cotidianas.

Na agricultura, seus recursos hídricos permitem a irrigação de plantações, especialmente em áreas onde as chuvas são escassas ou irregulares. A disponibilidade de água favorece o cultivo de frutas, hortaliças, cana-de-açúcar, café, cacau e outros produtos, embora as atividades agrícolas variem de acordo com as condições de cada região.

O rio também é aproveitado para a geração de energia hidrelétrica. A Barragem da Pedra, construída no município de Jequié, regulariza parte da vazão do curso de água, contribui para o controle de cheias e possibilita a produção de eletricidade. Entretanto, a construção de barragens pode modificar o fluxo natural do rio e provocar impactos sobre os ecossistemas e as comunidades locais.



Turismo e atividades de lazer


No baixo curso, principalmente em Itacaré, o Rio de Contas constitui um importante atrativo turístico. Passeios de barco, canoagem, pesca recreativa e esportes de aventura são realizados em alguns de seus trechos. A paisagem formada pelo encontro entre o rio, a Mata Atlântica e o Oceano Atlântico atrai visitantes de diferentes regiões.

O turismo pode gerar empregos e renda para as comunidades locais, mas precisa ser organizado de maneira sustentável. O descarte inadequado de resíduos, a ocupação irregular das margens e o excesso de visitantes podem comprometer a qualidade da água e prejudicar a vegetação.



Problemas ambientais


Entre os principais problemas ambientais encontrados na bacia estão o desmatamento das matas ciliares, a erosão do solo, o assoreamento, as queimadas e a ocupação irregular das margens. A retirada da vegetação facilita o transporte de sedimentos para o leito, tornando o rio mais raso e aumentando o risco de enchentes em determinados locais.

A poluição provocada pelo lançamento de esgotos domésticos, resíduos sólidos, produtos químicos e rejeitos de atividades econômicas também ameaça a qualidade das águas. Em áreas agrícolas, fertilizantes e agrotóxicos podem ser carregados pelas chuvas até os rios e córregos, afetando os organismos aquáticos e limitando o uso da água.

Outro desafio está relacionado aos períodos prolongados de estiagem. Como parte considerável da bacia está situada no Semiárido, a disponibilidade de água pode diminuir significativamente durante as secas. O uso excessivo ou desorganizado dos recursos hídricos intensifica os conflitos entre o abastecimento humano, a agricultura, a indústria e a geração de energia.

Foto de um trecho do rio de Conta em Itacaré

Rio de Contas, no estado da Bahia.

 

 


 

Por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)

Atualizado em 26/07/2026