Reino de Axum

Saiba mais sobre a história desse importante reino africano antigo, suas características, cultura, economia e organização social.

Moeda de ouro do Reino de Axum
Moeda de ouro do Reino de Axum

 

O que foi: época e localização

 

O Reino de Axum, também conhecido como Reino de Aksum, foi um reino africano que se desenvolveu na região Sudeste da África (região da atual Somália, Eritreia e Etiópia), entre os anos 100 a.C. e 940 d.C. O reino Axum se estendeu também numa área do extremo sudeste da península Arábica.

 

Esse reino, que se transformou num império, teve importante desenvolvimento cultural, econômico e social. Sua sociedade era complexa e sua cultura de grande esplendor, principalmente em Axum (nome da capital, mesmo do reino). Foi uma das principais potências comerciais da África durante grande parte do primeiro milênio.



Principais características históricas, econômicas, políticas, culturas e sociais do reino de Axum:

 

- Os primeiros habitantes do Reino Axum eram originários do sudoeste da península Arábica (região do atual Iêmen).

 

- Com o passar dos séculos, suas primeiras vilas e aldeias cresceram e se transformaram em importantes e movimentados centros comerciais.

 

- No começo da Era Cristã, foi na cidade de Axum (capital do reino) onde se desenvolveu um grande comércio de marfim, plumagens variadas, obsidiana (vidro de cor preta), ouro e sal.

 

- Com o crescimento do reino, foram conquistando, militarmente, povos da região. Deles, os axunitas cobravam tributos, principalmente em espécies.

 

- A língua falada no Reino Axum era o Gueês, antiga língua semítica.

 

- O sistema político que vigorou no Reino Axum foi uma espécie de monarquia, tendo o Negus como rei e detentor de grande poder político.

 

- No século II, conquistaram o Reino de Cuxe, importante império africano até então. No auge do império Axum, por volta do ano 300, o território dominado pelos axunitas chegou a 1,2 milhão de km² de extensão.

 

- Com relação à religião, o reino de Axum teve várias fases. No início, seguiam o politeísmo árabe (do século II a.C. ao IV), depois receberam a influência do Judaísmo (final do século IV) e logo em seguida seguiram o Cristianismo.

 

- No comércio utilizam um sistema baseado em moedas, cunhadas pelo próprio reino, metálica (principalmente de ouro). Tiveram relações comerciais com a Índia, Europa e até a China. Fizeram parte da famosa e importante Rota da Seda.

 

- A arquitetura axunitas teve grande desenvolvimento. Eles construíram templos, igrejas e palácios. As casas dos habitantes comuns eram feitas de barro e as construções maiores de pedra com argamassa de barro.

 

- Ainda no campo da arquitetura, podemos destacar também as estelas (obeliscos), que eram espécies de torres de pedra, construídas para marcar os túmulos de reis e integrantes da nobreza.

 

- Eram muito hábeis na fabricação de cerâmica. Faziam potes, vasos, estátuas e espécies de garrafas para guardar líquidos.

 

- Além do comércio, a agricultura também foi importante na econômica axunitas.

 

- Desenvolveram um sistema de escrita tendo como base a língua de Axum, o gueze. Os grandes comerciantes e integrantes da elite de Axum também falavam a língua grega, que predominou nos negócios e contatos políticos, entre os povos, até o século V d.C.

 

- A sociedade era desigual, assim como em muitas sociedades antigas. O rei, sua família, os nobres em geral, os ricos comerciantes e os militares comandantes tinham privilégios e uma vida muito abundante. Já grande parte da população, composta por agricultores, artesãos e pequenos comerciantes, estavam na base da sociedade e viviam de forma mais simples, inclusive com dificuldades.

 

Mapa mostrando a localização geográfica do Reino de Axum
Mapa mostrando a localização geográfica do Reino de Axum em sua maior extensão territorial.

 

 

Foto de um grande obelisco cinza

Obelisco de Axum: localizado na Etiópia, foi construído em granito por volta do século IV.

 

 

 


 

Artigo publicado em: 13/12/2021

Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).