Governo Médici

 

O período de governo

 

Emilio Garrastazu Médici foi presidente da República do Brasil, durante o período da Ditadura Militar. Seu mandato foi entre os anos de 1969 e 1974. O governo do general Médici é considerado pelos historiadores o mais repressivo e violento do regime militar brasileiro (1964 a 1985).

 

Como Médici foi escolhido para presidente do Brasil?


Emílio Garrastazu Médici foi escolhido presidente do Brasil em 1969, durante a Ditadura Militar (1964–1985), sem participação direta da população. Após o presidente Artur da Costa e Silva sofrer um derrame cerebral, em agosto de 1969, uma Junta Militar assumiu temporariamente o governo e impediu que o vice-presidente civil, Pedro Aleixo, assumisse o cargo. Os comandantes das Forças Armadas realizaram consultas internas entre oficiais-generais e indicaram Médici, então general do Exército, como candidato à Presidência. Sua escolha foi posteriormente formalizada pelo Congresso Nacional, que havia sido reaberto pelo regime após meses de fechamento e realizou uma eleição indireta em 25 de outubro de 1969. Médici, tendo como vice o almirante Augusto Rademaker, foi eleito sem concorrência efetiva e tomou posse em 30 de outubro de 1969. Sua ascensão, portanto, ocorreu dentro das estruturas políticas controladas pelos militares, em um contexto de forte autoritarismo e restrição dos direitos políticos.



Principais características e realizações do governo Médici:



• Intensificação da censura aos meios de comunicação: o regime ampliou os mecanismos de controle sobre jornais, revistas, rádio, televisão, música e produções culturais. A atuação dos órgãos de repressão, como o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), garantiu a supressão de críticas ao governo, promovendo autocensura e limitando a circulação de informações divergentes.


• Repressão sistemática aos movimentos de oposição: o governo adotou uma política de combate direto aos grupos considerados subversivos, atingindo especialmente estudantes, intelectuais, artistas e trabalhadores organizados. Entidades estudantis e sindicatos foram fechados ou rigidamente controlados, e lideranças opositoras foram perseguidas, presas ou forçadas ao exílio.


• Combate à guerrilha urbana e rural: as ações repressivas voltaram-se para a eliminação de grupos armados de esquerda, como aqueles atuantes em centros urbanos e na região do Araguaia. O aparato estatal utilizou métodos violentos, incluindo prisões arbitrárias, desaparecimentos forçados e práticas sistemáticas de tortura, com o objetivo de desarticular qualquer forma de resistência.


• Crescimento econômico acelerado ("milagre econômico"): entre 1969 e 1973, o Brasil registrou elevadas taxas de crescimento do PIB, impulsionadas por investimentos estrangeiros, expansão do crédito e políticas de incentivo à industrialização. Contudo, esse crescimento foi acompanhado por concentração de renda e aumento das desigualdades sociais, além de maior endividamento externo.


• Expansão do setor industrial: houve significativo desenvolvimento da indústria de base e de bens de consumo duráveis, com destaque para os setores automobilístico, siderúrgico e de construção pesada. O Estado atuou como indutor do crescimento, articulando investimentos públicos e privados.


• Ampliação da presença de empresas multinacionais: o governo incentivou a entrada de capitais estrangeiros, oferecendo condições favoráveis para a instalação de empresas internacionais no país. Isso contribuiu para a modernização industrial, mas também aumentou a dependência econômica em relação ao capital externo.


• Investimentos em grandes obras de infraestrutura: foram realizados projetos de grande porte, como a construção da Rodovia Transamazônica, da Ponte Rio-Niterói e da Usina Hidrelétrica de Itaipu (iniciada em 1973). Essas obras visavam integrar o território nacional e sustentar o crescimento econômico.


• Propaganda oficial e estímulo ao nacionalismo: o governo utilizou campanhas publicitárias para reforçar a imagem de progresso e unidade nacional, difundindo slogans como “Brasil: ame-o ou deixe-o”. O futebol, especialmente a conquista da Copa do Mundo de 1970, foi instrumentalizado como elemento de coesão e propaganda do regime.


• Criação e fortalecimento de empresas estatais: foram estruturadas ou ampliadas instituições estratégicas, como a Embrapa (1973), voltada para a pesquisa agropecuária; a Telebrás (1972), responsável pela expansão das telecomunicações; e a Infraero (1972), destinada à administração de aeroportos, consolidando o papel do Estado em setores-chave.


• Endurecimento do aparato institucional autoritário: o período foi marcado pela vigência do Ato Institucional nº 5 (AI-5, decretado em 1968), que permitia o fechamento do Congresso, cassações de mandatos e suspensão de direitos políticos, garantindo ampla autonomia ao Executivo e restringindo as liberdades civis.


• Crescimento da desigualdade social: apesar do expressivo aumento da produção econômica, os benefícios do crescimento concentraram-se em setores específicos da sociedade, ampliando o fosso entre as camadas mais ricas e as mais pobres, com impacto direto nas condições de vida da população.


• Expansão do endividamento externo: o financiamento do crescimento econômico baseou-se em empréstimos internacionais, aproveitando o contexto de abundância de crédito externo. Essa política resultou em elevação significativa da dívida externa brasileira, gerando dificuldades econômicas nas décadas seguintes.

 


Você sabia?

 

Médici fazia parte do partido político chamado ARENA (Aliança Renovadora Nacional), que foi o partido governista durante todo regime militar brasileiro.


Médici serviu o Exército Brasileiro entre os anos de 1927 e 1969. Ele chegou até a graduação máxima do Exército que é a de general.

O ministro da economia do governo Médici foi o experiente professor universitário e economista Delfim Neto.

 

Médici ao lado do presidente dos EUA Richard Nixon

Médici (a esquerda) ao lado do presidente dos EUA Richard Nixon (1971)

 

 


 

RESUMO

 

Contexto histórico

- O governo de Emílio Garrastazu Médici ocorreu entre 1969 e 1974, durante o regime militar no Brasil.
- Foi marcado pelo auge da repressão política e pela censura.
- Integrou a fase mais dura do regime, conhecida como "anos de chumbo".


Características do governo:


Repressão política:

- Institucionalização de práticas autoritárias, como torturas e desaparecimentos forçados.
- Atuação do DOI-CODI e de outros órgãos repressivos na perseguição a opositores do regime.

Censura:

- Controle rigoroso da imprensa, artes e manifestações culturais.
- Produção de propagandas oficiais para moldar a opinião pública, como o slogan "Brasil: Ame-o ou Deixe-o".


Economia

- Foi marcado pelo "milagre econômico", período de crescimento acelerado do PIB.
- Ampliação de investimentos estrangeiros e grandes obras de infraestrutura, como a construção da Transamazônica.
- A prosperidade econômica, porém, foi acompanhada pelo aumento das desigualdades sociais e concentração de renda.


Propaganda e controle ideológico:

- Fortalecimento do patriotismo e nacionalismo por meio de campanhas públicas.
- Criação de programas como o MOBRAL para combater o analfabetismo, com objetivos ideológicos subjacentes.
- Ênfase na segurança nacional como justificativa para a repressão.


Fim do governo

- Apesar do crescimento econômico, a insatisfação social começou a emergir devido às desigualdades e à repressão.
- Em 1974, Médici entregou o poder a Ernesto Geisel, que deu início à abertura política gradual.
- O legado do governo ficou marcado pela violência e as violações aos direitos humanos.

 

 

 


 

 

Possíveis formas de cobrança do governo Médici (1969–1974) em questões de vestibulares e ENEM:



• Interpretação de fontes históricas: textos jornalísticos censurados, charges, músicas da época ou propagandas oficiais podem ser apresentados para que se identifique a presença da censura, da propaganda estatal e do controle ideológico exercido pelo regime.

• Análise do milagre econômico: questões costumam explorar os altos índices de crescimento do PIB entre 1969 e 1973, relacionando-os à entrada de capital estrangeiro, à expansão industrial e ao aumento da dívida externa, exigindo a compreensão de seus efeitos sociais, como a concentração de renda.

• Relação entre crescimento econômico e autoritarismo: é comum a abordagem da contradição entre desenvolvimento econômico e restrição de direitos civis, levando o candidato a reconhecer que o crescimento ocorreu em um contexto de forte repressão política.

• Repressão e violência de Estado: podem ser cobradas questões sobre o combate à guerrilha urbana e rural, o uso de tortura e o papel de órgãos repressivos, exigindo a identificação dessas práticas como características do período mais rígido da ditadura.

• Nacionalismo e propaganda: análises de slogans como “Brasil: ame-o ou deixe-o” ou da utilização da Copa do Mundo de 1970 como instrumento político são frequentes, exigindo a compreensão do uso da cultura e do esporte como ferramentas de legitimação do regime.

• Infraestrutura e integração territorial: questões podem abordar grandes obras, como a Transamazônica e Itaipu, relacionando-as ao projeto de desenvolvimento e integração nacional promovido pelo governo.

• Comparação entre governos militares: o governo Médici pode ser comparado com outros períodos da ditadura, especialmente com o governo Geisel (1974–1979), destacando a diferença entre o auge da repressão e o início da abertura política.

• Impactos sociais do período: o candidato pode ser levado a identificar que, apesar do crescimento econômico, houve aumento da desigualdade social e exclusão de grande parte da população dos benefícios do desenvolvimento.

• Contextualização dentro da Guerra Fria: questões podem relacionar o apoio ao regime militar brasileiro com o contexto de combate ao comunismo, inserindo o governo Médici na lógica geopolítica do período (1947–1991).

• Identificação de conceitos-chave: termos como “milagre econômico”, “anos de chumbo”, “AI-5 (1968)” e “repressão política” são frequentemente utilizados nas alternativas, exigindo domínio conceitual e associação correta ao período.

 



Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 07/08/2026