Zigurate
O que era
O zigurate era uma grande construção religiosa da Mesopotâmia Antiga, formada por vários níveis ou plataformas sobrepostas, semelhantes a uma pirâmide escalonada. Geralmente construído com tijolos de barro, localizava-se no centro das cidades e estava ligado ao culto das divindades locais. Em sua parte mais elevada havia um templo ou santuário destinado às cerimônias religiosas, frequentado principalmente pelos sacerdotes. Os zigurates também simbolizavam a ligação entre o mundo dos seres humanos e o mundo dos deuses, além de demonstrarem o poder político, econômico e religioso das cidades mesopotâmicas.
Principais características dos zigurates:
• Arquitetura monumental: a construção dos zigurates representava uma importante realização da arquitetura mesopotâmica. Essas obras exigiam conhecimentos técnicos, planejamento, grande quantidade de materiais e organização de numerosos trabalhadores.
• Estrutura em plataformas: os zigurates apresentavam formato escalonado, composto por grandes plataformas sobrepostas que diminuíam de tamanho à medida que a construção ganhava altura. Alguns possuíam vários níveis, podendo chegar a sete plataformas.
• Materiais de construção: eram construídos principalmente com tijolos de barro secos ao Sol. Nas áreas externas, podiam ser utilizados tijolos cozidos em fornos, mais resistentes à chuva e à erosão. O uso de pedra era limitado, pois esse material era relativamente escasso em grande parte da Mesopotâmia.
• Escadarias e rampas de acesso: o acesso aos níveis superiores ocorria por meio de grandes escadarias ou rampas. A disposição dessas estruturas variava conforme a cidade e o período histórico, não existindo um único modelo utilizado em todos os zigurates.
• Função religiosa: os zigurates estavam diretamente relacionados à religião mesopotâmica. Em seu ponto mais elevado geralmente existia um santuário dedicado à principal divindade protetora da cidade.
• Ligação simbólica com os deuses: por sua grande altura, essas construções representavam simbolicamente uma aproximação entre o mundo humano e o mundo divino. Os mesopotâmicos consideravam o templo localizado no alto um espaço sagrado relacionado à presença da divindade.
• Acesso restrito às áreas sagradas: as partes mais importantes do complexo religioso não eram espaços de livre circulação da população. Sacerdotes e outras pessoas ligadas ao culto desempenhavam as principais atividades religiosas realizadas nesses locais.
• Símbolo de poder das cidades: além da função religiosa, os zigurates demonstravam a riqueza, a capacidade administrativa e o poder político das cidades mesopotâmicas. Sua construção dependia da mobilização de recursos, trabalhadores e autoridades.
• Localização no centro urbano: muitos zigurates faziam parte de grandes complexos religiosos situados em áreas importantes das cidades. Ao redor deles podiam existir templos, depósitos, oficinas e outras construções vinculadas às atividades religiosas e administrativas.
• Identidade cultural: cada grande cidade mesopotâmica possuía suas próprias divindades protetoras. Por isso, os zigurates também funcionavam como importantes referências da identidade religiosa e política das comunidades urbanas da Mesopotâmia Antiga.
Como os zigurates eram construídos?
A construção dos zigurates exigia planejamento, grande quantidade de trabalhadores e conhecimento técnico acumulado pelos povos da Mesopotâmia. Como a região possuía pouca disponibilidade de pedra e madeira, o principal material utilizado era o tijolo de barro. Esses tijolos eram produzidos com argila misturada, em alguns casos, com palha ou outros materiais vegetais, moldados e depois secos ao Sol. Nas partes externas, também podiam ser empregados tijolos cozidos em fornos, mais resistentes à chuva e à erosão.
A estrutura era levantada em grandes plataformas sobrepostas. A base era larga e maciça, enquanto os níveis superiores se tornavam progressivamente menores, formando o aspecto escalonado característico dos zigurates. O interior das plataformas era preenchido principalmente com tijolos de barro e outros materiais compactados. Para aumentar a resistência da construção, os responsáveis pela obra precisavam distribuir adequadamente o peso e reforçar as paredes externas.
O acesso aos diferentes níveis era feito por escadarias ou rampas, cuja disposição variava de acordo com o zigurate. Algumas construções possuíam grandes escadarias frontais, enquanto outras apresentavam sistemas de rampas laterais. No nível mais elevado localizava-se geralmente um santuário dedicado à divindade protetora da cidade, considerado uma das partes mais sagradas do complexo.
Outro cuidado importante estava relacionado à proteção contra a água. Como os tijolos de barro eram vulneráveis à umidade, os construtores utilizavam revestimentos, camadas de tijolos cozidos e, em determinadas obras, betume, uma substância impermeabilizante natural encontrada na região. Também eram empregados sistemas de drenagem para diminuir os danos provocados pelas chuvas.
A construção de um grande zigurate podia mobilizar numerosos trabalhadores e consumir uma enorme quantidade de materiais. Reis e autoridades locais organizavam essas obras como parte dos grandes projetos religiosos e políticos das cidades mesopotâmicas. Dessa forma, a construção de um zigurate demonstrava não apenas conhecimentos arquitetônicos, mas também a capacidade do Estado de organizar mão de obra, recursos e atividades econômicas.
Curiosidades:
• Um dos zigurates mais bem preservados é o Zigurate de Ur, construído por volta do século XXI a.C., na antiga cidade suméria de Ur, no atual Iraque.
• Diferentemente das pirâmides egípcias, os zigurates não eram túmulos. Sua principal função estava relacionada ao culto religioso e aos templos dedicados às divindades.
• Alguns estudiosos relacionam a descrição bíblica da Torre de Babel à tradição dos grandes zigurates da Mesopotâmia, especialmente ao Etemenanki, localizado na antiga Babilônia.
• Como eram feitos principalmente de tijolos de barro, muitos zigurates sofreram forte desgaste ao longo dos séculos. Por isso, diversas dessas construções chegaram aos tempos atuais apenas como ruínas.
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Zigurate da cidade de Ur após reconstrução. |
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| Zigurate de Susa (Irã) |
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 11/08/2026
Temas relacionados
Bibliografia e vídeos indicados:
- PILETTI, Nelson. História e Vida Integrada. São Paulo: Editora Ática, 1998.
- COTRIM, Gilberto. História Global – Brasil e Geral, São Paulo: Saraiva, 2011.


