Caranguejo

 

O que é o caranguejo?

 

O caranguejo é um crustáceo pertencente à ordem Decapoda, caracterizado por um corpo geralmente achatado e coberto por uma carapaça rígida, além de possuir dez patas, sendo as duas dianteiras adaptadas em pinças. Habita ambientes aquáticos e costeiros, como manguezais, praias, estuários e fundos rochosos, embora algumas espécies vivam em áreas terrestres úmidas. Sua locomoção típica ocorre de forma lateral e seu comportamento inclui escavação de tocas, defesa do território com as pinças e busca constante por alimento, que pode incluir algas, moluscos, pequenos peixes e matéria orgânica em decomposição. Além disso, o caranguejo desempenha papel ecológico fundamental na reciclagem de nutrientes nos ecossistemas onde vive.

 

 

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:


• Os caranguejos são crustáceos que possuem, na parte das costas, uma carapaça (formada por um tecido duro e resistente) protetora.

 

• Habitam as regiões litorâneas do mundo todo, sendo que algumas espécies preferem área de mangue.

 

• Algumas espécies vivem em água salgada, enquanto outras são de água doce.

 

• Alimentam-se de peixes e outras espécies de animais mortos.

 

• A fase do acasalamento ocorre após a troca de carapaça da fêmea.

 

• As larvas do caranguejo possuem a capacidade de nadar.

 

• Possuem uma capacidade enorme de adaptação em qualquer tipo de água, até mesmo em águas sujas e poluídas.

 

• Possuem dois olhos na extremidade da cabeça.

 

• São animais decápodes, ou seja, possuem 10 patas.

 

• O abdome deste crustáceo flexionado por baixo do corpo.




REPRODUÇÃO

 

Caranguejos se reproduzem sexualmente, com um processo que tipicamente envolve os seguintes passos:


1. Acasalamento: caranguejos machos e fêmeas acasalam quando a fêmea está em um estado de casca mole, geralmente logo após a muda, quando ela está mais receptiva ao acasalamento. O macho frequentemente guarda a fêmea antes e depois da muda para garantir sua oportunidade de acasalar.


2. Transferência de esperma: durante o acasalamento, o caranguejo macho transfere esperma para a fêmea usando seus gonopódios, apêndices especializados para esse propósito.


3. Fertilização: a fêmea armazena o esperma até estar pronta para fertilizar seus ovos. A fertilização geralmente ocorre internamente, embora em algumas espécies possa acontecer externamente.


4. Postura de ovos: após a fertilização, a fêmea produz ovos e os fixa na parte inferior do seu abdômen, onde são protegidos por sua aba caudal (pleópodes) até a eclosão.


5. Incubação: os ovos são incubados por um período que pode variar dependendo da espécie e das condições ambientais. Durante esse tempo, a fêmea carrega os ovos consigo, fornecendo proteção.


6. Eclosão: os ovos eclodem em larvas, que são liberadas na água. Essas larvas passam por vários estágios planctônicos, durante os quais estão sujeitas à predação e precisam encontrar comida para sobreviver.


7. Desenvolvimento: após os estágios planctônicos, as larvas se estabelecem no fundo, e se transformam em caranguejos juvenis, iniciando sua vida bentônica. Eles continuam a crescer e passam por uma série de mudas para atingir a idade adulta.



* Vale dizer que a reprodução de caranguejos pode variar entre as espécies, especialmente em termos de comportamentos de acasalamento, tempos de incubação e número de ovos produzidos.

 

 

Habitat e distribuição geográfica

 

Os caranguejos vivem em uma grande variedade de habitats aquáticos e semi-aquáticos, sendo encontrados principalmente em ambientes marinhos, costeiros, estuarinos e de manguezal. Muitas espécies habitam praias, costões rochosos, recifes de coral, fundos arenosos e lodosos, onde encontram abrigo, alimento e locais adequados para reprodução. Nos manguezais, os caranguejos exercem papel ecológico importante, pois escavam tocas, revolvem o sedimento e ajudam na decomposição da matéria orgânica. Embora a maioria das espécies esteja associada à água salgada ou salobra, também existem caranguejos de água doce, que vivem em rios, riachos, lagos e áreas úmidas.

A distribuição geográfica dos caranguejos é ampla, ocorrendo em praticamente todos os continentes, especialmente nas regiões tropicais e subtropicais, onde a temperatura e a disponibilidade de alimentos favorecem sua diversidade. Eles são muito comuns em áreas costeiras da América, África, Ásia e Oceania, com grande presença em manguezais e zonas intertidais, que são áreas cobertas e descobertas pelas marés. No Brasil, os caranguejos são encontrados ao longo de grande parte do litoral, com destaque para os manguezais do Norte, Nordeste e Sudeste. Sua presença varia conforme fatores como salinidade, temperatura da água, tipo de solo, vegetação e disponibilidade de abrigo.



Comportamento

 

O comportamento dos caranguejos varia conforme a espécie e o ambiente em que vivem, mas muitos apresentam hábitos de escavação, defesa territorial e busca ativa por alimento. Diversas espécies constroem tocas na areia, no lodo ou em áreas de manguezal, usando esses abrigos para se proteger de predadores, evitar o ressecamento e descansar durante parte do dia. A alimentação pode incluir folhas, algas, pequenos animais, restos orgânicos e matéria em decomposição, o que faz dos caranguejos importantes recicladores de nutrientes nos ecossistemas. Eles também usam as pinças para defesa, captura de alimento, disputa por território e comunicação com outros indivíduos. Algumas espécies são mais ativas durante a noite ou em períodos de maré baixa, quando saem de suas tocas para se alimentar e se locomover com menor risco.

 

Fotografia de um caranguejo vermelho

Caranguejo: um crustáceo muito comum em regiões litorâneas.

 

 

7 exemplos de espécies de caranguejos:



1. Caranguejo-uçá (Ucides cordatus)

O caranguejo-uçá é uma das espécies mais conhecidas dos manguezais brasileiros. Vive em tocas escavadas no lodo e se alimenta principalmente de folhas, frutos e matéria orgânica em decomposição. Tem grande importância ecológica, pois ajuda a reciclar nutrientes no manguezal, e também importância econômica, sendo tradicionalmente capturado por comunidades litorâneas.



2. Guaiamum (Cardisoma guanhumi)

O guaiamum é um caranguejo terrestre encontrado em áreas úmidas próximas ao litoral, especialmente em regiões de mangue e restingas. Possui coloração que pode variar entre azulada, arroxeada e acinzentada. Apesar de viver em terra firme, depende de ambientes úmidos e da proximidade com a água para completar parte de seu ciclo de vida.



3. Siri-azul (Callinectes sapidus)


O siri-azul é um crustáceo aparentado aos caranguejos e muito comum em águas costeiras e estuarinas. Recebe esse nome por causa da coloração azulada em partes de suas patas e pinças. Suas últimas patas são achatadas, o que facilita a natação. Alimenta-se de pequenos animais, restos orgânicos e outros organismos aquáticos.



4. Caranguejo-vermelho-da-ilha-do-Natal (Gecarcoidea natalis)

Essa espécie vive na Ilha do Natal, território australiano localizado no oceano Índico. É famosa por sua migração em massa, quando milhões de indivíduos saem das florestas e caminham em direção ao mar para se reproduzir. Esse fenômeno é considerado um dos eventos naturais mais marcantes envolvendo crustáceos terrestres.



5. Caranguejo-aranha-japonês (Macrocheira kaempferi)

O caranguejo-aranha-japonês é uma das maiores espécies de caranguejo do mundo, podendo atingir grande envergadura quando suas longas patas estão estendidas. Vive em águas profundas próximas ao Japão. Apesar do tamanho impressionante, costuma se alimentar de animais mortos, moluscos e outros organismos encontrados no fundo do mar.



6. Caranguejo-eremita (Paguroidea)

Os caranguejos-eremitas não pertencem a uma única espécie, mas a um grupo de crustáceos com características próprias. Eles possuem abdômen mole e, por isso, usam conchas vazias de moluscos como proteção. À medida que crescem, precisam procurar conchas maiores. São encontrados em ambientes marinhos e, em alguns casos, em áreas terrestres úmidas próximas ao litoral.



7. Caranguejo-fantasma (Ocypode quadrata)

O caranguejo-fantasma vive em praias arenosas, principalmente em regiões tropicais e subtropicais das Américas. Recebe esse nome por sua coloração clara e por sua rapidez ao se deslocar pela areia, o que dificulta sua observação. Costuma escavar tocas na praia e se alimenta de pequenos organismos, restos orgânicos e matéria deixada pela maré.

 



CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA:


 
Reino: Animalia

Filo: Arthropoda

Subfilo: Crustacea

Classe: Malacostraca

Ordem: Decapoda

Subordem: Pleocyemata

Infra-ordem: Brachyura

 

 

CURIOSIDADES:

 

• A palavra caranguejo deriva do espanhol Cangrejo.

 

• Os caranguejos também são conhecidos, no Brasil, por outros nomes populares, tais como: auçá, guaiá e uaçá.

 

• Caranguejos podem regenerar pernas e pinças perdidas. Quando perdem um membro, um novo broto se forma antes da muda do exoesqueleto. Depois da muda, o novo membro aparece menor e pode levar várias mudas para voltar ao tamanho normal.


• Nem todos os caranguejos andam apenas de lado. O deslocamento lateral é uma característica muito comum, mas algumas espécies também conseguem andar para frente ou para trás, dependendo da anatomia das pernas e do ambiente em que vivem.


• O corpo do caranguejo é protegido por um exoesqueleto rígido, mas essa “armadura” precisa ser trocada para que o animal cresça. Durante a muda, o caranguejo fica mais vulnerável, pois o novo exoesqueleto ainda está mole.


• Muitos caranguejos usam antenas e estruturas sensoriais para perceber o ambiente. Essas estruturas ajudam a detectar vibrações, cheiros, sabores e mudanças ao redor, sendo importantes para localizar alimento e evitar predadores.


• O “rabo” dos caranguejos verdadeiros fica dobrado e escondido sob o corpo. Essa característica ajuda a diferenciar os caranguejos de muitos outros crustáceos, como lagostas e camarões, que possuem abdômen mais alongado e visível

 

 

Infográfico sobre as características do caranguejo

Infográfico resumido com as características do caranguejo.

 

 

 



Artigo revisado por Tânia Cabral - Professora de Biologia e Ciências - graduada na Unesp, 2001

Atualizado em 19/06/2026

Temas relacionados