Marfim

 

O que é

 

O marfim é um material duro, resistente e de tonalidade branca ou amarelada, formado principalmente pela dentina presente nas presas de animais, sobretudo elefantes, mas também morsas, hipopótamos e narvais. Durante séculos, foi utilizado na produção de esculturas, joias, objetos religiosos, teclas de piano e peças decorativas. A intensa exploração desse material contribuiu para a caça ilegal e para a redução das populações de elefantes, razão pela qual o comércio internacional de marfim é atualmente proibido ou rigorosamente controlado em muitos países.



Características principais do marfim:

 

• É muito utilizado na fabricação de colares, enfeites e outros objetos. 

 

• O marfim é tipicamente esbranquiçado. Com o tempo e com a exposição à luz, tende a desenvolver uma pátina amarelada ou acastanhada.



• O marfim é denso e duro, mas também é ligeiramente poroso. Tem uma superfície lisa e um pouco brilhante quando polida.



• Uma característica estrutural única do marfim é a presença de linhas de Schreger, ou hachuras cruzadas, visíveis quando vistas em corte transversal. Esse padrão é frequentemente usado para distinguir o marfim genuíno das imitações.



• O marfim é altamente durável e resistente a danos por fricção, o que o torna ideal para aplicações onde a resistência ao desgaste é importante, como em teclas de piano ou bolas de bilhar.



• Apesar de sua dureza, o marfim pode ser esculpido em formas e desenhos intrincados, o que o tornou um material popular para esculturas, joias e itens decorativos ao longo da história.



• O marfim é um mau condutor de calor, outra razão pela qual foi usado historicamente para cabos de talheres e instrumentos.



• Propriedades acústicas: o marfim possui propriedades únicas de transmissão de som, por isso é usado em instrumentos musicais.




Alto valor comercial e risco de extinção dos elefantes



Em razão de seu elevado valor comercial, o marfim tem sido alvo da caça ilegal em diferentes regiões da África. Caçadores matam elefantes para retirar suas presas, que são vendidas clandestinamente e utilizadas na fabricação de esculturas, joias, objetos decorativos e outros produtos.

Essa caça predatória provocou uma forte redução das populações de elefantes em várias áreas do continente africano, ameaçando a sobrevivência da espécie e prejudicando o equilíbrio dos ecossistemas. Para combater esse problema, diversos países adotaram leis mais rigorosas, medidas de fiscalização e restrições ao comércio de marfim.

 

Cabeça de um elefante com as presas de marfim

Marfim: presente nas presas do elefante.



O marfim na História


O uso do marfim remonta às sociedades pré-históricas, que aproveitavam presas de mamutes e de outros grandes animais para fabricar ferramentas, objetos de adorno e pequenas esculturas. Por ser resistente, relativamente fácil de esculpir e visualmente atraente, esse material passou a ocupar um lugar importante em diferentes culturas.

No Egito Antigo, o marfim foi empregado na produção de pentes, cabos de armas, caixas, móveis e objetos religiosos. Muitas dessas peças eram associadas às elites políticas e religiosas, pois o material era raro e valorizado. Povos da Mesopotâmia, da Pérsia e do vale do Indo também utilizaram o marfim em artigos de luxo e em elementos decorativos.

Entre gregos e romanos, o marfim ganhou grande prestígio artístico. Escultores gregos combinaram esse material com ouro na técnica conhecida como criselefantina, utilizada em estátuas monumentais de divindades. No Império Romano, o marfim apareceu em placas decorativas, tronos, objetos cerimoniais e dípticos, que eram painéis articulados com cenas esculpidas.

Durante a Idade Média, artesãos europeus empregaram o marfim na fabricação de relicários, imagens religiosas, capas de livros, peças de jogos e objetos litúrgicos. Parte da matéria-prima chegava à Europa por rotas comerciais que ligavam o continente à África e à Ásia. Seu alto valor fazia com que o material fosse reservado principalmente às igrejas, às cortes e aos grupos mais ricos.

A expansão marítima europeia, a partir dos séculos XV e XVI, ampliou o comércio internacional de marfim. Nos séculos seguintes, principalmente entre os séculos XVIII e XIX, ele passou a ser utilizado em grande escala na produção de teclas de piano, bolas de bilhar, bengalas, cabos, joias e peças decorativas. A crescente procura estimulou a caça de elefantes em diversas regiões africanas e asiáticas.

Ao longo do século XX, os impactos ambientais desse comércio tornaram-se mais evidentes. A caça predatória provocou uma forte redução das populações de elefantes, levando governos e organizações internacionais a estabelecer restrições à venda do marfim. Atualmente, muitos objetos antigos são preservados em museus por seu valor histórico e artístico, enquanto o combate ao comércio ilegal busca proteger os elefantes e impedir a continuidade dessa exploração.



Você sabia?

 

Atualmente, existem materiais sintéticos desenvolvidos para imitar a aparência, a cor e a textura do marfim natural. Produzidos com resinas, polímeros e outros componentes artificiais, eles são utilizados na fabricação de objetos decorativos, peças artísticas e instrumentos, sem a necessidade de matar elefantes. Por esse motivo, o chamado marfim sintético representa uma alternativa mais sustentável e contribui para a redução da caça ilegal e para a preservação desses animais.


Presa de elefante esculpida do século XI

Presa de elefante esculpida do século XI

 

 




Vocabulário do texto:

 

- Translúcida: que permite a passagem parcial da luz, mas sem deixar ver nitidamente através.


- Compacto: que apresenta estrutura densa, com pouca ou nenhuma porosidade.


- Caninos: dentes longos e pontiagudos localizados entre os incisivos e os molares em certos animais.


- Morsas: grandes mamíferos marinhos com presas de marfim, encontrados em regiões frias.


- Narvais: espécies de baleias dentadas conhecidas por sua presa longa em forma de espiral.


- Esbranquiçado: que apresenta cor branca ou quase branca.


- Pátina: alteração superficial que ocorre em certos materiais com o tempo e a exposição à luz ou ao ar.


- Poroso: que apresenta poros ou pequenas aberturas na estrutura.


- Polida: alisada e tornada brilhante por meio de fricção ou tratamento.


- Estrutural: relacionado à estrutura ou à forma de algo.


- Transversal: que corta algo de lado a lado, em sentido perpendicular ao eixo principal.


- Genuíno: autêntico, verdadeiro, que não é imitação.


- Fricção: ato de esfregar uma superfície contra outra.


- Aplicações: usos ou finalidades para os quais algo é empregado.


- Esculpido: trabalhado com ferramentas para adquirir forma artística ou decorativa.


- Decorativos: que servem para ornamentar ou enfeitar.


- Condutor: material que permite a passagem de calor ou eletricidade.


- Acústicas: relacionadas à propagação ou percepção do som.


- Predatória: que provoca destruição, exploração excessiva ou desequilíbrio ambiental.

 

 


 

Artigo revisado por Tânia Cabral - Professora de Biologia e Ciências - graduada na Unesp, 2001.

Atualizado em 27/07/2026

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