História da Espanha
Antiguidade
Os primeiros ocupantes da Espanha foram os ibéricos, povo líbio do sul. Mais tarde vieram os celtas, povo tipicamente ariano, e de sua fusão surgiram os celtiberos. Atraídos pela mineração, os fenícios fundaram uma série de postos comerciais ao longo de sua costa e, em sua luta contra os gregos, convocaram os cartagineses, que, sob as ordens de Amílcar Barca, tomaram posse da maior parte da Espanha. Nessa época, teve início a Segunda Guerra Púnica, da qual os romanos saíram vencedores. Cipião, o Africano, subjugou e romanizou completamente a península, que veio a produzir escritores da estatura de Sêneca e Lucano e eminentes imperadores, como Trajano e Adriano.
Idade Média
Após a queda do Império Romano, os suevos, vândalos e alanos entraram no território, mas foram derrotados pelos visigodos que, no final do século VI, ocuparam praticamente toda a península. No início do século VIII, os árabes entraram pelo sul e conquistaram o país rapidamente. O período de influência muçulmana é dividido em Emirado (711 a 756), Califado (756-1031) e os Reinos de Taifas (1031 a 1492).
Em 1469, o casamento dos reis católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, uniu os dois reinos e deu início a um período de crescente sucesso para a Espanha: Granada foi conquistada e, em 1492, Cristóvão Colombo descobriu a América; as ilhas Canárias foram anexadas em 1495, e a hegemonia da Espanha no Mediterrâneo foi afirmada com a conquista do Reino de Nápoles.
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Fernando de Aragão e Isabel de Castela, os reis católicos da Espanha: expulsão dos árabes da Península Ibérica. |
Renascença ao Século XIX
Os séculos XVI e XVII testemunharam a construção e o apogeu do império espanhol. A guerra de sucessão à coroa espanhola (1701-1714) marcou o fim da dinastia dos Habsburgos e a chegada dos Bourbons. O Tratado de Utrecht, em 1713, formalizou a ocupação britânica de Gibraltar e, em 1808, José Bonaparte foi instalado no trono espanhol, após a invasão napoleônica.
Em 1873, o breve reinado de Amadeo de Saboia terminou com sua abdicação, e a Primeira República foi proclamada. A monarquia foi restaurada, todavia, em 1875, e Afonso XII proclamado rei da Espanha. Ele foi sucedido em 1886 por seu filho Alfonso XIII. Antes disso, uma breve guerra com os Estados Unidos resultou na perda de Cuba, Porto Rico e Filipinas, em 1898, completando a dissolução do império ultramarino espanhol.
A guerra entre os Estados Unidos e a Espanha que ocorreu em 1898 é conhecida como a Guerra Hispano-Americana ou Guerra Hispano-Estadunidense. Este conflito teve um papel significativo na mudança do equilíbrio geopolítico, marcando o fim do império colonial espanhol e o surgimento dos Estados Unidos como uma potência global, com a aquisição de territórios ultramarinos como Porto Rico, Guam e as Filipinas.
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| Batalha da Baía de Manila, entre EUA e Espanha, durante a Guerra Hispano-Americana. |
Século XX
Nas eleições de 1931 todos os candidatos que apoiavam a Monarquia foram derrotados. Como resultado, Alfonso XIII deixou a Espanha e a Segunda República foi estabelecida. Ao longo de cinco anos, a Espanha foi tomada por todo tipo de conflitos políticos, econômicos e sociais e em 1936 eclodiu uma guerra civil que durou três anos.
Em outubro de 1936, o general Franco assumiu como chefe de Estado e comandante-em-chefe das Forças Armadas, dando início a uma ditadura de quarenta anos, durante o qual a vida política do país foi caracterizada pela ilegalidade de todos os partidos políticos, com exceção do Movimento Nacional. Franco morreu em 1975, e a monarquia foi novamente restaurada com a ascensão ao trono de Juan Carlos I. Uma importante política de descentralização foi estabelecida, promovendo um grande grau de independência a certas comunidades autônomas (Galiza, Catalunha, País Basco). Felipe VI de Espanha é rei desde 2014.
Linha do tempo da História da Espanha
c. 1.200 a.C. – Povos celtas estabelecem-se em diferentes regiões da Península Ibérica, convivendo posteriormente com populações iberas e formando comunidades celtiberas.
c. 1.100 a.C. – Fenícios fundam colônias comerciais no litoral sul da Península Ibérica, entre elas Gadir, atual Cádiz.
séculos VIII–VI a.C. – Gregos estabelecem colônias comerciais na costa mediterrânea, enquanto Cartago amplia sua influência sobre partes do território peninsular.
218 a.C. – Durante a Segunda Guerra Púnica, os romanos iniciam a conquista da Península Ibérica.
19 a.C. – Roma conclui a conquista da maior parte da Península Ibérica após as Guerras Cantábricas. O território passa por intensa romanização.
séculos I–IV – A Hispânia integra o Império Romano, desenvolvendo cidades, estradas, agricultura, mineração e instituições administrativas romanas.
409 – Povos germânicos, como suevos, vândalos e alanos, atravessam os Pireneus e ocupam partes da Península Ibérica.
507 – Após serem derrotados pelos francos na Gália, os visigodos consolidam seu domínio sobre grande parte da Península Ibérica.
589 – O rei visigodo Recaredo converte-se ao catolicismo, favorecendo a aproximação religiosa entre a monarquia visigoda e a população hispano-romana.
711 – Tropas muçulmanas comandadas por Tariq ibn Ziyad atravessam o estreito de Gibraltar e derrotam os visigodos na Batalha de Guadalete.
711–718 – Os muçulmanos conquistam rapidamente a maior parte da Península Ibérica. O território sob domínio islâmico torna-se conhecido como Al-Andalus.
722 – A tradicional Batalha de Covadonga marca o fortalecimento de um núcleo cristão nas Astúrias e costuma ser apresentada como um dos marcos iniciais da Reconquista.
756 – Abd al-Rahman I estabelece o Emirado de Córdoba, politicamente independente do Califado Abássida.
929 – Abd al-Rahman III proclama o Califado de Córdoba, período de grande desenvolvimento econômico, político e cultural de Al-Andalus.
1031 – O Califado de Córdoba é dissolvido e seu território fragmenta-se em diversos reinos muçulmanos chamados taifas.
1085 – O Reino de Castela conquista Toledo, importante avanço dos reinos cristãos sobre territórios muçulmanos.
1212 – Na Batalha de Las Navas de Tolosa, forças cristãs derrotam os almóadas. A vitória acelera a expansão dos reinos cristãos pelo sul da Península Ibérica.
1236 – Fernando III de Castela conquista Córdoba.
1248 – Castela conquista Sevilha. O Reino de Granada permanece como o principal território muçulmano da Península Ibérica.
1469 – Isabel de Castela casa-se com Fernando de Aragão. A união dinástica aproxima os dois principais reinos cristãos peninsulares, embora cada coroa mantenha instituições próprias.
1474 – Isabel I torna-se rainha de Castela.
1479 – Fernando II torna-se rei de Aragão. A união das coroas de Castela e Aragão constitui uma etapa fundamental da formação política da Espanha.
1478 – É estabelecida a Inquisição Espanhola, vinculada à monarquia dos Reis Católicos.
2 de janeiro de 1492 – Granada rende-se aos Reis Católicos. O episódio encerra o último reino muçulmano independente da Península Ibérica.
31 de março de 1492 – Os Reis Católicos decretam a expulsão dos judeus que não aceitassem a conversão ao cristianismo.
12 de outubro de 1492 – A expedição de Cristóvão Colombo, financiada pela Coroa de Castela, chega ao continente americano, iniciando a expansão colonial espanhola na América.
1494 – Espanha e Portugal assinam o Tratado de Tordesilhas, estabelecendo uma divisão das áreas de expansão ultramarina entre as duas monarquias.
1516 – Carlos I assume as coroas de Castela e Aragão, governando também extensos territórios europeus e americanos.
1519 – Carlos I é eleito imperador do Sacro Império Romano-Germânico, passando a ser conhecido como Carlos V nesse contexto.
1519–1521 – Hernán Cortés lidera a conquista do Império Asteca, ampliando significativamente os domínios espanhóis na América.
1532–1533 – Francisco Pizarro lidera a conquista do Império Inca.
1556 – Filipe II torna-se rei da Espanha. Durante seu governo, o Império Espanhol alcança grande extensão territorial e poder político.
1571 – A frota da Liga Santa, com importante participação espanhola, derrota os otomanos na Batalha de Lepanto.
1580 – Filipe II torna-se também rei de Portugal, iniciando a União Ibérica.
1588 – A chamada Armada Invencível sofre graves perdas durante a tentativa espanhola de invadir a Inglaterra.
1640 – Portugal inicia o processo de restauração de sua independência em relação à monarquia espanhola.
1648 – A Paz de Vestfália encerra a Guerra dos Trinta Anos e reconhece, entre outras mudanças, a independência das Províncias Unidas em relação à Espanha.
1668 – A Espanha reconhece oficialmente a independência de Portugal.
1700 – A morte de Carlos II sem herdeiros encerra a dinastia dos Habsburgo espanhóis e desencadeia uma disputa sucessória.
1701–1714 – Guerra de Sucessão Espanhola, conflito europeu pela definição do novo monarca espanhol e pelo equilíbrio de poder no continente.
1713 – O Tratado de Utrecht reconhece Filipe V, da dinastia Bourbon, como rei da Espanha, embora o país perca importantes territórios europeus.
1707–1716 – Os Decretos de Nueva Planta ampliam a centralização administrativa da monarquia Bourbon.
1808 – Napoleão Bonaparte força a abdicação da família real espanhola e coloca seu irmão José Bonaparte no trono.
2 de maio de 1808 – Uma revolta popular em Madri contra a ocupação francesa torna-se símbolo da resistência espanhola.
1808–1814 – Guerra da Independência Espanhola contra a ocupação napoleônica.
1812 – As Cortes de Cádiz promulgam uma constituição liberal que limita o poder monárquico e afirma princípios de soberania nacional.
1814 – Fernando VII retorna ao trono e restaura o absolutismo.
1820–1823 – O chamado Triênio Liberal procura restabelecer a Constituição de 1812 e limitar o poder absolutista.
1833 – Morre Fernando VII. A sucessão de Isabel II provoca a Primeira Guerra Carlista.
1833–1876 – As Guerras Carlistas envolvem disputas dinásticas e conflitos entre setores tradicionalistas e forças liberais.
1868 – A Revolução Gloriosa derruba Isabel II e inicia um período de intensa instabilidade política.
1873 – Proclamação da Primeira República Espanhola.
1874 – Restauração da monarquia Bourbon com Afonso XII.
1898 – A Espanha é derrotada pelos Estados Unidos na Guerra Hispano-Americana e perde Cuba, Porto Rico e Filipinas. O episódio marca o fim de grande parte de seu antigo império colonial.
1902 – Afonso XIII assume efetivamente o trono.
1923 – O general Miguel Primo de Rivera estabelece uma ditadura com apoio do rei Afonso XIII.
1930 – Primo de Rivera deixa o poder diante do desgaste político de seu regime.
14 de abril de 1931 – É proclamada a Segunda República Espanhola. Afonso XIII deixa o país.
1931–1936 – O governo republicano promove reformas políticas, sociais, educacionais, militares e agrárias, enfrentando forte polarização política.
17–18 de julho de 1936 – Uma revolta militar contra o governo republicano inicia a Guerra Civil Espanhola.
1936–1939 – Guerra Civil Espanhola entre republicanos e nacionalistas. O conflito envolve também participação e apoio de potências estrangeiras.
26 de abril de 1937 – A cidade basca de Guernica é bombardeada pela Legião Condor alemã e pela Aviação Legionária italiana, aliadas dos nacionalistas.
1º de abril de 1939 – Francisco Franco anuncia a vitória nacionalista e o fim da Guerra Civil.
1939–1975 – Ditadura de Francisco Franco. O período caracteriza-se pelo autoritarismo, centralização política, repressão aos opositores e ausência de eleições democráticas nacionais competitivas.
1946 – A Assembleia Geral das Nações Unidas condena politicamente o regime franquista e recomenda o isolamento diplomático da Espanha.
1955 – A Espanha ingressa na Organização das Nações Unidas.
20 de novembro de 1975 – Francisco Franco morre.
22 de novembro de 1975 – Juan Carlos I é proclamado rei da Espanha.
1976–1978 – Desenvolve-se o processo conhecido como Transição Espanhola, com reformas políticas que desmontam progressivamente as estruturas institucionais da ditadura.
15 de junho de 1977 – Realizam-se as primeiras eleições democráticas gerais desde a Segunda República.
6 de dezembro de 1978 – A atual Constituição espanhola é aprovada em referendo.
29 de dezembro de 1978 – A Constituição entra oficialmente em vigor, estabelecendo a Espanha como uma monarquia parlamentar e organizando o Estado em comunidades autônomas.
23 de fevereiro de 1981 – Uma tentativa de golpe de Estado ocorre durante uma sessão do Congresso dos Deputados, mas fracassa.
30 de maio de 1982 – A Espanha ingressa na Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN.
1º de janeiro de 1986 – A Espanha passa a integrar a Comunidade Econômica Europeia, antecessora da atual União Europeia.
1992 – Barcelona recebe os Jogos Olímpicos e Sevilha sedia a Exposição Universal, acontecimentos associados à projeção internacional da Espanha democrática.
1º de janeiro de 1999 – A Espanha participa da criação do euro como moeda escritural.
1º de janeiro de 2002 – As moedas e cédulas de euro entram em circulação na Espanha.
11 de março de 2004 – Atentados terroristas contra trens em Madri provocam 193 mortes e centenas de feridos.
19 de junho de 2014 – Filipe VI torna-se rei após a abdicação de Juan Carlos I.
1º de outubro de 2017 – O governo regional da Catalunha realiza um referendo de independência considerado ilegal pelo Tribunal Constitucional espanhol, provocando uma grave crise política.
27 de outubro de 2017 – O Parlamento catalão aprova uma declaração de independência. O governo espanhol aplica medidas constitucionais para intervir temporariamente na administração regional.
século XXI – A Espanha permanece como uma monarquia parlamentar democrática, integrante da União Europeia e organizada territorialmente em comunidades autônomas, enquanto questões econômicas, territoriais e identitárias continuam presentes em sua vida política.
Revisado por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 27/08/2026
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Bibliografia e vídeos indicados:
Fontes:
https://es.wikipedia.org/wiki/Historia_de_Espa%C3%B1a
PHILLIPS, Jr., William D. História Concisa da Espanha. São Paulo: Edipro, 2011.
Vídeo indicado no YouTube:
A História da Espanha - Impérios AD


