Participação das mulheres na política brasileira
História da participação das mulheres na política
Durante grande parte da História do Brasil, as mulheres não tiveram participação na política, pois a elas eram negados os principais direitos políticos como, por exemplo, votar e se candidatar. Somente em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, as mulheres conquistaram o direito do voto. Também puderam se candidatar a cargos políticos. Nas eleições de 1933, a doutora Carlota Pereira de Queirós foi eleita, tornando-se a primeira mulher deputada federal brasileira.
Principais conquistas das mulheres na política brasileira:
- Em 1929, Alzira Soriano torna-se a primeira mulher a tomar posse como prefeita de um município brasileiro. Ela foi eleita em 1928 para o cargo de prefeita da cidade de Lages (RN).
- Em 1932, as mulheres brasileiras conquistam o direito de participar das eleições como eleitoras e candidatas.
- Em 1933, Carlota Pereira de Queirós tornou-se a primeira deputada federal brasileira.
- Em 1934, a professora Antonieta de Barros, filha de uma escrava liberta, foi eleita para a Assembleia de Santa Catarina. Ela foi a primeira parlamentar negra da História do Brasil.
- Em 1975, ocorre a fundação do Centro da Mulher Brasileira.
- Em 1979, Euníce Michiles tornou-se a primeira senadora do Brasil.
- Entre 24 de agosto de 1982 e 15 de março de 1985, o Brasil teve a primeira mulher ministra. Foi Esther de Figueiredo Ferraz, ocupando a pasta da Educação e Cultura.
- Em 1985, ocorre a criação do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.
- Em 1989, ocorre a primeira candidatura de uma mulher para a presidência da República. A candidata era Maria Pio de Abreu, do PN (Partido Nacional).
- Em 1995, Roseana Sarney tornou-se a primeira governadora brasileira.
- Em 31 de outubro de 2010, Dilma Rousseff (PT - Partido dos Trabalhadores) venceu as eleições presidenciais no segundo turno, tornando-se a primeira mulher presidente da República no Brasil. Em 2014, Dilma foi reeleita presidente para mais quatro anos de mandato presidencial. Porém, foi afastada do poder, em 2016, através de um processo de impeachment.
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Alzira Soriano foi a primeira prefeita do Brasil. Foto da posse em 1º de janeiro de 1929. |
Exemplos de mulheres que se destacaram na História do Brasil:
Anita Garibaldi
Companheira do líder revolucionário Giuseppe Garibaldi, Anita foi um exemplo de mulher corajosa e forte. Lutou ao lado do marido na Guerra dos Farrapos.
Maria Quitéria
Maria Quitéria de Jesus (1792-1853) foi uma militar baiana que lutou na Guerra de Independência do Brasil. Ela se alistou com identidade masculina. Após a guerra, ela foi condecorada com a Ordem do Cruzeiro pelo imperador Dom Pedro I.
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| Maria Quitéria: combateu na Guerra de Independência do Brasil. |
Princesa Isabel
Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Gonzaga de Bragança, a Princesa Isabel, nasceu no palácio de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1846. Tornou-se a herdeira do trono brasileiro, após a morte prematura do irmão mais velho. Teve importância para a História do Brasil ao assinar a Lei Áurea em 1888, que aboliu a escravidão no país.
Maria Leopoldina
Maria Leopoldina de Áustria foi a primeira esposa de d. Pedro I do Brasil. Muitos historiadores afirmam que ela teve importante papel na articulação do processo de Independência do Brasil.
Nísia Floresta (Nísia Floresta Brasileira Augusta)
Nísia Floresta, nascida em 1810, foi uma pioneira do feminismo e da educação no Brasil, destacando-se como escritora, educadora e ativista pelos direitos das mulheres. Sua obra "Direitos das Mulheres e Injustiças dos Homens" foi crucial na luta pela igualdade de gênero. Fundou escolas inovadoras que promoviam a educação inclusiva e participou de movimentos sociais e políticos, defendendo também os direitos dos povos indígenas e dos escravizados, além dos ideais republicanos. Nísia viveu na Europa, onde interagiu com importantes intelectuais e publicou internacionalmente, deixando um legado duradouro até sua morte em 1885.
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| Nísia Floresta: sua participação política esteve relacionada ao feminismo, abolicionismo e defesa de ideais republicanos. |
Bertha Lutz
Bertha Lutz foi uma das principais lideranças da luta pelo direito das mulheres à participação política no Brasil durante a primeira metade do século XX. Nascida em 1894, ela teve formação científica, mas se destacou também como militante feminista e defensora do sufrágio feminino. Em 1919, fundou a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, que depois deu origem à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, organização fundamental na campanha pelo direito ao voto. Sua atuação foi decisiva no processo que levou ao reconhecimento do voto feminino no Código Eleitoral de 1932. Posteriormente, Bertha Lutz também atuou na política institucional, chegando à Câmara dos Deputados, onde defendeu direitos civis, educação, trabalho feminino e maior participação das mulheres na vida pública.
Celina Guimarães Viana
Celina Guimarães Viana teve participação política importante por ter sido a primeira mulher a se registrar como eleitora no Brasil, em 1927, no estado do Rio Grande do Norte. Sua inscrição eleitoral ocorreu em um contexto no qual a legislação estadual potiguar permitiu o alistamento de mulheres, antes mesmo do reconhecimento nacional do voto feminino pelo Código Eleitoral de 1932. Embora sua atuação não tenha sido marcada por mandatos ou liderança partidária de grande projeção nacional, seu gesto teve forte significado político, pois representou uma ruptura com a exclusão feminina da cidadania eleitoral. Ao tornar-se eleitora, Celina Guimarães Viana passou a simbolizar a conquista do direito das mulheres de participar formalmente das escolhas políticas do país.
Alzira Soriano
Alzira Soriano foi uma figura pioneira na história política brasileira por ter sido eleita prefeita de Lajes, no Rio Grande do Norte, em 1928, tornando-se a primeira mulher a assumir uma prefeitura no Brasil e uma das primeiras da América Latina. Sua eleição ocorreu em um momento em que a participação feminina na política ainda era muito restrita e enfrentava forte resistência social. Sua vitória demonstrou que as mulheres podiam ocupar cargos executivos e exercer funções de liderança no poder público. Apesar de seu mandato ter sido interrompido após a Revolução de 1930, sua trajetória permaneceu como marco da presença feminina na política institucional brasileira, especialmente no contexto das lutas pelo reconhecimento da cidadania política das mulheres.
Carlota Pereira de Queirós
Carlota Pereira de Queirós foi a primeira mulher eleita deputada federal no Brasil, em 1933, para participar da Assembleia Nacional Constituinte responsável pela Constituição de 1934. Médica de formação, ela teve atuação pública destacada em São Paulo e ingressou na política em um momento de ampliação dos direitos eleitorais femininos. Sua presença na Constituinte teve grande importância simbólica e institucional, pois representou a entrada das mulheres no espaço parlamentar nacional. Como deputada, defendeu temas ligados à educação, saúde, assistência social e valorização da participação feminina na vida pública. Sua atuação marcou uma etapa importante da incorporação das mulheres ao sistema político brasileiro após a conquista do direito ao voto em 1932.
Antonieta de Barros
Antonieta de Barros foi professora, jornalista, escritora e política catarinense, reconhecida como uma das primeiras mulheres negras eleitas para um cargo legislativo no Brasil. Em 1934, foi eleita deputada estadual em Santa Catarina, em um período no qual a participação política feminina ainda era recente e a presença de mulheres negras nos espaços de poder era extremamente limitada. Sua atuação política esteve ligada principalmente à defesa da educação, da valorização dos professores e da ampliação do acesso ao conhecimento. Antonieta também utilizou a imprensa como instrumento de intervenção pública, defendendo ideias relacionadas à cidadania, à instrução e à presença das mulheres na sociedade. Sua trajetória tornou-se referência na história política brasileira por unir educação, imprensa e representação parlamentar.
Patrícia Galvão
Patrícia Galvão, conhecida como Pagu, teve participação política relevante no Brasil do século XX por sua militância ligada ao comunismo, ao movimento operário e à crítica às desigualdades sociais. Nascida em 1910, ela participou do modernismo brasileiro, mas também se destacou por sua atuação política, especialmente a partir de sua aproximação com o Partido Comunista Brasileiro. Pagu envolveu-se em atividades de mobilização, manifestações e debates sobre os direitos dos trabalhadores, a condição feminina e as contradições sociais do país. Foi presa durante o governo de Getúlio Vargas, tornando-se uma das primeiras mulheres presas por motivos políticos no Brasil republicano. Sua atuação combinou literatura, jornalismo, militância e enfrentamento às estruturas autoritárias e conservadoras de sua época.
Eunice Michiles
Eunice Michiles teve papel importante na história política brasileira por ter sido a primeira mulher a ocupar uma cadeira no Senado Federal. Natural do Amazonas, ela assumiu o mandato em 1979, durante o período da Ditadura Militar no Brasil, após a morte do senador João Bosco de Lima. Sua chegada ao Senado representou um marco na presença feminina dentro do Poder Legislativo nacional, especialmente em uma instituição historicamente dominada por homens. Em sua atuação parlamentar, participou de debates relacionados à educação, à família, aos direitos das mulheres e às questões regionais da Amazônia. Sua trajetória abriu caminho para a ampliação gradual da presença feminina no Senado e em outras instâncias da política institucional brasileira.
Dilma Rousseff
Dilma Rousseff teve participação política importante desde a juventude, quando atuou em organizações de oposição à Ditadura Militar no Brasil, instaurada em 1964. Durante esse período, participou da resistência política ao regime autoritário, foi presa em 1970 e submetida a perseguições políticas. Após a redemocratização, construiu carreira em cargos técnicos e administrativos, especialmente no Rio Grande do Sul, até alcançar projeção nacional no governo federal. Foi ministra de Minas e Energia entre 2003 e 2005 e ministra-chefe da Casa Civil entre 2005 e 2010. Em 2010, foi eleita a primeira mulher presidente do Brasil, governando de 2011 a 2016. Sua trajetória marcou a história política brasileira por reunir militância contra a Ditadura Militar, atuação no Executivo federal e chegada feminina ao cargo máximo da República.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 02/05/2026
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Bibliografia e vídeos indicados:
Fontes:
Especial Mulher - A história da participação feminina na política brasileira
SIMILI, Ivana Guilherme. Mulher e política - a trajetória da primeira dama Darcy Vargas (1930 - 1945). São Paulo: Unesp, 2014.
Vídeo indicado no YouTube:
Documentário - Participação feminina na política - Rádio e TV Justiça



