Questões sobre a Revolta da Chibata

 

QUESTÕES DE TESTE (1 a 13)



1. A Revolta da Chibata, ocorrida no Rio de Janeiro em 1910, expressa as contradições da sociedade brasileira da época. Sobre as causas que motivaram esse movimento, é correto afirmar que:


a. Os marinheiros buscavam a ampliação da participação política nas decisões sobre os rumos da política externa brasileira.
b. Os oficiais da Marinha exigiam a implementação de novas tecnologias navais para modernizar os equipamentos de guerra.
c. Os marinheiros se revoltaram contra os baixos salários e as longas jornadas de trabalho impostas pelas fábricas navais.
d. A revolta foi liderada por grupos ligados ao movimento anarquista que pretendiam instaurar uma república socialista no Brasil.
e. A revolta teve como principal motivação a manutenção de práticas punitivas violentas, como os castigos físicos, herdadas do período escravista.



2. Sobre os participantes da Revolta da Chibata, é verdadeiro afirmar que:

a. Eram, majoritariamente, marinheiros de alta patente, recrutados entre as elites do Exército brasileiro.
b. Tinham formação intelectual refinada e contato direto com movimentos filosóficos europeus.
c. Eram, em sua maioria, homens pobres, negros ou mestiços, oriundos de camadas sociais desfavorecidas.
d. Pertenciam às classes médias urbanas e protestavam contra os altos impostos marítimos.
e. Eram imigrantes europeus contratados para atuar na renovação técnica da Marinha.



3. A liderança de João Cândido Felisberto na Revolta da Chibata ficou marcada por:

a. Sua atuação como símbolo de resistência à opressão racial e aos castigos físicos impostos aos marinheiros.
b. Sua participação no governo republicano como Ministro da Marinha, onde tentou negociar com os marinheiros.
c. Sua capacidade de organizar o movimento de forma pacífica, evitando confrontos violentos com o governo federal.
d. Seu alinhamento com os oficiais da Marinha no sentido de defender os castigos como forma de manter a disciplina.
e. Seu compromisso com os interesses comerciais dos exportadores de café, que financiavam o movimento.



4. A repressão do governo à Revolta da Chibata revelou:

a. A abertura do Estado para o diálogo com as demandas sociais das camadas populares.
b. O fortalecimento da democracia participativa e o reconhecimento imediato das reivindicações dos marinheiros.
c. A disposição do governo em substituir os castigos físicos por novas formas de punição civilizadas.
d. A tendência autoritária da República Velha, que prometeu anistia aos revoltosos, mas perseguiu e puniu severamente os líderes.
e. O engajamento dos parlamentares em mediar o conflito e criar uma nova legislação trabalhista para os marinheiros.



5. Sobre o contexto social da época em que ocorreu a Revolta da Chibata, é correto afirmar:

a. A sociedade brasileira já havia superado completamente os efeitos da escravidão e promovia a igualdade racial.
b. Os trabalhadores urbanos possuíam ampla representação política e legislativa, o que favorecia as negociações.
c. A desigualdade racial e social era profunda, com resquícios da escravidão ainda presentes nas instituições e práticas militares.
d. A Marinha brasileira era um espaço de mobilidade social e ascensão para homens negros e pobres.
e. As Forças Armadas eram conhecidas por promoverem a inclusão e os direitos dos trabalhadores.



6. A Revolta da Chibata está inserida no cenário da chamada Primeira República. Nesse contexto, a política brasileira era marcada:

a. Pela centralização do poder nas mãos do movimento operário sindicalizado e socialista.
b. Pela ampla participação de todos os segmentos sociais no sistema político representativo.
c. Pela democratização da sociedade, com foco nos direitos dos trabalhadores rurais e urbanos.
d. Pela ascensão dos militares ao poder por meio de eleições diretas organizadas pelo Exército.
e. Pelo predomínio das oligarquias rurais, especialmente dos estados de São Paulo e Minas Gerais.



7. Assinale a alternativa que está incorreta sobre a Revolta da Chibata:


a. A revolta foi rapidamente abafada com a ajuda de tropas estrangeiras e sem negociações com os revoltosos.
b. Os revoltosos chegaram a tomar o controle de navios da Marinha e ameaçaram bombardear o Rio de Janeiro.
c. O governo, inicialmente, prometeu atender às reivindicações dos marinheiros, mas posteriormente voltou atrás.
d. Os marinheiros exigiam melhores condições de trabalho, fim dos castigos físicos e melhores salários.
e. João Cândido, apesar de ser líder da revolta, foi preso e expulso da Marinha após o movimento.



8. A prática do uso da chibata na Marinha brasileira simbolizava:

a. A valorização dos marinheiros pela hierarquia militar e sua contribuição à pátria.
b. A permanência de uma cultura de castigo corporal, herdada do regime escravocrata.
c. A introdução de métodos modernos de disciplina inspirados nas marinhas europeias.
d. A recompensa pelo bom comportamento dos marinheiros durante missões internacionais.
e. A promoção dos marinheiros à condição de heróis nacionais após batalhas navais.



9. João Cândido ficou conhecido como o “Almirante Negro” principalmente porque:

a. Comandou uma embarcação de guerra durante a Revolta Constitucionalista.
b. Foi o primeiro negro a assumir o comando da Marinha brasileira.
c. Tornou-se um símbolo da luta contra o racismo e a opressão dentro das Forças Armadas.
d. Liderou a oposição ao regime militar no fim da década de 1960.
e. Lutou ao lado dos imigrantes europeus por melhores condições de trabalho no campo.



10. A Revolta da Chibata é considerada um marco importante na história brasileira porque:

a. Estimulou diretamente a criação do primeiro partido operário brasileiro com base marxista.
b. Representou uma forma de luta contra práticas autoritárias e racistas dentro de uma instituição estatal.
c. Levou à imediata abolição das punições físicas em todo o território nacional.
d. Resultou na federalização da Marinha brasileira e em sua desmilitarização.
e. Deflagrou uma guerra civil que durou vários meses e causou milhares de mortes.



11. A atuação de João Cândido após a revolta revela:

a. Sua rápida ascensão à carreira política como senador do estado do Rio de Janeiro.
b. Sua nomeação como comandante-geral das Forças Armadas durante o governo seguinte.
c. Sua exclusão da vida pública, perseguição política e dificuldades econômicas ao longo da vida.
d. Sua aliança com empresários nacionais que o apoiaram financeiramente em sua aposentadoria.
e. Sua nomeação como embaixador do Brasil em países africanos, como reconhecimento por sua luta.



12. É correto afirmar que a memória da Revolta da Chibata no Brasil contemporâneo:


a. Foi completamente esquecida, sem qualquer referência em livros ou monumentos.
b. É celebrada como símbolo da vitória das elites militares contra os insubordinados.
c. É ignorada nos currículos escolares, sendo tratada como um episódio sem relevância histórica.
d. É resgatada por movimentos sociais como símbolo da resistência negra e luta por justiça.
e. Está restrita ao debate acadêmico, sem repercussões sociais ou políticas no presente.

 

13. A Revolta da Chibata, ocorrida em 1910, foi um movimento liderado por marinheiros da Marinha brasileira, em sua maioria negros e oriundos das camadas populares, que se insurgiram contra os castigos físicos, especialmente a chibata, prática herdada do período escravocrata. O movimento evidenciou contradições profundas da Primeira República, marcada pela exclusão social e política de grande parte da população.

Considerando o contexto e os desdobramentos da Revolta da Chibata, assinale a alternativa que apresenta corretamente uma de suas consequências mais importantes.

a. A imediata democratização da Marinha brasileira, com a plena incorporação dos marinheiros às instâncias decisórias da instituição.
b. A abolição definitiva dos castigos corporais na Marinha e a posterior repressão aos líderes do movimento, revelando os limites das concessões do Estado republicano.
c. A consolidação de um regime socialista no interior das Forças Armadas, inspirado nas revoluções operárias europeias.
d. O fortalecimento político dos marinheiros revoltosos, que passaram a ocupar cargos de destaque no governo federal.
e. A ampliação do direito ao voto para os marinheiros, integrando-os plenamente ao sistema político da Primeira República.

 

 

Questões discursivas (14 a 16)

 

14. A Revolta da Chibata é frequentemente interpretada como uma reação de setores populares contra a persistência de práticas autoritárias e racistas no interior das instituições republicanas. A partir disso, explique como a estrutura da Marinha brasileira no início do século XX refletia as heranças do regime escravista e contribuiu para a eclosão do movimento liderado por João Cândido.


15. Considere o contexto da Primeira República brasileira, marcado pelo predomínio das oligarquias e pela repressão aos movimentos sociais. Analise como o tratamento dado aos revoltosos da Chibata revela as contradições entre os ideais republicanos e as práticas políticas da época.


16. A memória da Revolta da Chibata tem ganhado espaço nas discussões sobre o racismo estrutural e a valorização de lideranças negras na história do Brasil. Explique a importância de João Cândido como símbolo histórico e como sua trajetória contribui para o debate sobre a justiça e a cidadania no Brasil contemporâneo.

 

 

 

GABARITO COMENTADO:

 

1 - e - A revolta teve como causa central a manutenção de castigos físicos na Marinha, prática herdada do período escravista e aplicada principalmente contra marinheiros negros e pobres. Esses castigos simbolizavam a permanência de estruturas autoritárias e racistas na instituição, motivando a mobilização dos marinheiros contra a violência institucionalizada.

2 - c - A maioria dos participantes era composta por homens pobres, negros ou mestiços, oriundos de camadas sociais marginalizadas. Esses grupos encontravam na Marinha um espaço de trabalho marcado por disciplina rígida, castigos físicos e ausência de direitos, o que agravava seu descontentamento.

3 - a - A liderança de João Cândido destacou-se como símbolo de resistência à violência institucional e ao racismo presentes na Marinha. Sua atuação tornou-se referência histórica por denunciar a opressão e conduzir um movimento que buscava o fim dos castigos corporais e condições mais dignas de trabalho.

4 - d - A reação do governo à revolta expôs o caráter autoritário da Primeira República: apesar de inicialmente prometer anistia, o Estado perseguiu e puniu severamente os líderes. Essa prática revelou a distância entre o discurso conciliador e a ação repressiva estatal.

5 - c - A sociedade da época era profundamente marcada por desigualdades sociais e raciais, com resquícios evidentes da escravidão presentes nas práticas institucionais. A Marinha reproduzia hierarquias que colocavam marinheiros negros em posições subordinadas e sujeitos a castigos violentos.

6 - e - A Primeira República caracterizava-se pelo predomínio das oligarquias rurais, especialmente das regiões mais influentes economicamente. Essas elites controlavam a política nacional, restringiam a participação popular e mantinham estruturas de poder excludentes.

7 - a - A afirmação é incorreta porque a revolta não foi abafada com auxílio de tropas estrangeiras; houve negociação inicial, tomada de navios pelos revoltosos e posterior repressão pelo governo brasileiro. O restante das alternativas descreve corretamente aspectos do movimento.

8 - b - O uso da chibata simbolizava a continuidade de práticas punitivas herdadas do escravismo e expressava formas de violência direcionadas principalmente aos marinheiros negros. Essa punição reforçava hierarquias raciais e disciplinarização brutal dentro da instituição.

9 - c - João Cândido ficou conhecido como “Almirante Negro” por representar a luta contra o racismo e a opressão institucional nas Forças Armadas. Sua figura tornou-se símbolo de resistência e memória das injustiças sofridas pelos marinheiros.

10 - b - A Revolta da Chibata é um marco por denunciar práticas autoritárias e racistas presentes na Marinha, revelando tensões sociais profundas. O movimento expôs contradições da Primeira República e mobilizou debates sobre direitos, cidadania e violência estatal.

11 - c - Após a revolta, João Cândido foi perseguido politicamente, expulso da Marinha e enfrentou dificuldades econômicas significativas. Sua trajetória posterior revela os limites da política republicana quanto à reintegração de figuras que desafiaram o autoritarismo estatal.

12 - d - A memória da revolta tem sido resgatada por movimentos sociais como símbolo de resistência negra e de enfrentamento ao racismo estrutural. Essa recuperação evidencia a importância do episódio na construção de debates contemporâneos sobre justiça e igualdade.

13 - b - Uma das consequências mais significativas foi a abolição formal dos castigos corporais na Marinha, seguida pela repressão aos líderes do movimento. A combinação desses fatos mostrou que, embora algumas concessões fossem feitas, o Estado manteve mecanismos de perseguição e controle rígido, limitando transformações estruturais na instituição.

 

13. A estrutura da Marinha brasileira mantinha práticas herdadas do período escravocrata, como os castigos corporais, especialmente a chibata, aplicados aos marinheiros de baixa patente, majoritariamente negros e pobres. Essa hierarquia rígida e violenta refletia o racismo estrutural presente na sociedade da Primeira República. A ausência de direitos básicos, a alimentação precária, os baixos salários e as punições brutais contribuíram para o sentimento de revolta entre os marinheiros, culminando na insurgência liderada por João Cândido em defesa da dignidade e dos direitos humanos.


14. A repressão à Revolta da Chibata evidencia o caráter autoritário da Primeira República, apesar do discurso liberal e democrático do regime. Embora o governo tenha inicialmente prometido anistia e o fim dos castigos, recuou e reprimiu duramente os envolvidos, com prisões, perseguições e mortes. Isso demonstra a contradição entre os ideais republicanos e a prática política voltada à manutenção da ordem oligárquica e do controle sobre os setores populares. O episódio ilustra a resistência do Estado em reconhecer direitos aos trabalhadores e enfrentar a desigualdade racial e social.


15. João Cândido tornou-se símbolo de resistência contra o autoritarismo e o racismo institucional. Sua liderança na Revolta da Chibata, motivada pela luta por justiça e dignidade, representa a atuação de sujeitos negros na história brasileira, frequentemente invisibilizados. Ao longo do século XX, sua figura foi resgatada por movimentos sociais e intelectuais comprometidos com a valorização da história afro-brasileira. Sua trajetória contribui para o debate atual sobre racismo estrutural, cidadania e a necessidade de rever o papel das instituições na promoção da equidade e dos direitos humanos.

 

 


 


Questões elaboradas por Jefferson Evandro Machado Ramos (graduado em História pela USP)

Publicado em 16/05/2025