16 Questões sobre Kierkegaard

 

Testes de múltipla escolha sobre Kierkegaard e sua filosofia (Nível: Ensino Médio)



1. A filosofia de Kierkegaard se desenvolve como uma crítica direta a determinadas correntes do pensamento moderno. Nesse sentido, qual alternativa expressa corretamente o principal alvo dessa crítica?


A - A tentativa de explicar a existência humana por sistemas filosóficos abstratos, que desconsideram a subjetividade e a experiência individual.
B - A valorização da ciência experimental como única forma legítima de conhecimento racional.
C - A defesa da política democrática como fundamento exclusivo da organização social.
D - A centralidade da ética aristotélica como base universal do comportamento humano.
E - A concepção materialista da história, centrada exclusivamente nas relações econômicas.



2. Para Kierkegaard, a verdade filosófica não pode ser compreendida apenas como algo objetivo. Nesse contexto, o significado da expressão “verdade subjetiva” refere-se a:

A - A negação completa da razão e do pensamento lógico na construção do conhecimento.
B - A ideia de que toda verdade depende exclusivamente das convenções sociais vigentes.
C - A compreensão de que a verdade mais importante é aquela vivida e assumida existencialmente pelo indivíduo.
D - A defesa de que apenas a ciência empírica é capaz de produzir verdades universais.
E - A redução da verdade a opiniões pessoais sem qualquer compromisso ético.



3. A noção de angústia ocupa um papel central na filosofia de Kierkegaard. Sobre esse conceito, assinale a alternativa correta:

A - A angústia é entendida como uma doença psicológica que deve ser eliminada por meio da razão científica.
B - A angústia surge da consciência da liberdade e da possibilidade de escolha, revelando a responsabilidade do indivíduo por seus atos.
C - A angústia representa apenas o medo de situações externas e concretas do cotidiano.
D - A angústia é um sentimento coletivo, determinado exclusivamente pelas estruturas sociais.
E - A angústia corresponde à ausência total de sentido na existência humana.



4. Kierkegaard descreve diferentes modos de existência vividos pelo ser humano. O chamado “estádio estético” caracteriza-se principalmente por:

A - Uma vida orientada pela obediência a normas religiosas rígidas e pela fé incondicional.
B - A rejeição completa das emoções em favor da razão pura.
C - A valorização da responsabilidade ética e do dever moral universal.
D - A submissão do indivíduo às regras impostas pelo Estado e pela tradição.
E - A busca do prazer imediato, da satisfação pessoal e da fuga do compromisso duradouro.



5. O “estádio ético”, na filosofia de Kierkegaard, pode ser compreendido como:

A - Uma fase marcada exclusivamente pela negação da liberdade individual.
B - Um modo de vida em que o indivíduo assume compromissos, responsabilidades e escolhas morais conscientes.
C - Um estágio em que o prazer imediato continua sendo o valor supremo da existência.
D - Uma forma de existência baseada apenas em dogmas religiosos e rituais.
E - Uma condição em que o indivíduo abandona qualquer relação com a sociedade.



6. O “estádio religioso” apresenta características próprias na filosofia kierkegaardiana. Assinale a alternativa que melhor define esse estágio:

A - A vivência da fé como relação pessoal e subjetiva com o absoluto, que ultrapassa a razão objetiva.
B - A simples aceitação de normas morais universais válidas para toda a humanidade.
C - A recusa de qualquer tipo de escolha individual em favor da tradição social.
D - A identificação da religião com instituições políticas e jurídicas.
E - A negação do sofrimento e da angústia como dimensões da existência humana.



7. A ideia do “salto da fé” é um dos conceitos mais conhecidos de Kierkegaard. Esse conceito pode ser entendido como:

A - Um ato racional plenamente demonstrável por argumentos lógicos.
B - Uma decisão existencial que envolve risco, incerteza e compromisso pessoal com a fé.
C - Um comportamento automático imposto pela cultura religiosa.
D - Uma escolha baseada exclusivamente em recompensas materiais futuras.
E - Um processo científico de comprovação da existência de Deus.



8. Ao tratar da relação entre indivíduo e sociedade, Kierkegaard defende que:

A - O indivíduo deve sempre submeter-se às opiniões da maioria.
B - A multidão representa a forma mais elevada de verdade ética.
C - A existência autêntica exige que o indivíduo assuma suas escolhas, mesmo contra a pressão social.
D - A vida social elimina completamente a responsabilidade pessoal.
E - A sociedade determina de forma absoluta o sentido da existência humana.



9. Kierkegaard é frequentemente associado ao existencialismo. Considerando essa associação, é correto afirmar que sua filosofia enfatiza:

A - A primazia das estruturas econômicas sobre a vida individual.
B - A existência humana como algo definido previamente por leis universais.
C - A rejeição de qualquer forma de subjetividade.
D - A neutralidade emocional como ideal filosófico.
E - A experiência concreta, a escolha e a responsabilidade individual como centrais para a filosofia.


10. A crítica de Kierkegaard ao pensamento sistemático, especialmente ao idealismo, baseia-se na ideia de que:

A - Sistemas filosóficos são necessários para compreender plenamente a existência humana.
B - A realidade pode ser explicada de forma completa por conceitos universais e abstratos.
C - A existência individual escapa a sistemas totalizantes e não pode ser reduzida a esquemas teóricos.
D - A filosofia deve abandonar qualquer reflexão sobre o indivíduo.
E - A razão científica é suficiente para explicar todas as dimensões da vida humana.



11. A noção de desespero, na filosofia de Kierkegaard, está relacionada:

A - À simples tristeza causada por perdas materiais.
B - À consciência da relação do indivíduo consigo mesmo e com sua própria possibilidade de ser.
C - À rejeição completa da liberdade humana.
D - À ausência total de escolhas na vida cotidiana.
E - À dependência exclusiva das condições sociais.



12. Para Kierkegaard, a fé autêntica distingue-se de uma religiosidade meramente formal porque:

A - Depende exclusivamente da obediência a regras externas.
B - Está baseada apenas em tradições culturais herdadas.
C - Envolve uma relação pessoal, interior e existencial com o sagrado.
D - Elimina qualquer tipo de dúvida ou angústia.
E - Dispensa totalmente a dimensão ética da vida humana.



13. A filosofia kierkegaardiana pode ser compreendida como um convite para que o indivíduo:

A - Evite qualquer tipo de reflexão sobre si mesmo.
B - Viva de acordo com padrões fixos impostos pela sociedade.
C - Submeta-se integralmente a sistemas filosóficos prontos.
D - Assuma sua existência de modo autêntico, consciente de suas escolhas e responsabilidades.
E - Busque apenas o sucesso material como finalidade da vida.



14. Considere as afirmações a seguir sobre a filosofia de Kierkegaard:

I. A subjetividade é um elemento central para a compreensão da verdade existencial.
II. A angústia está ligada à liberdade e à possibilidade de escolha.
III. A fé é compreendida como uma decisão puramente racional e sem riscos.
IV. A existência individual não pode ser plenamente explicada por sistemas abstratos.

Assinale a alternativa correta:

A - Apenas I, II e IV estão corretas.
B - Apenas II e III estão corretas.
C - Apenas I e II estão corretas.
D - Apenas III e IV estão corretas.
E - Todas as afirmações estão corretas.



15. No ensino de Filosofia no Ensino Médio, o pensamento de Kierkegaard contribui principalmente para:

A - A compreensão da filosofia como um conjunto fixo de doutrinas prontas.
B - O desenvolvimento da reflexão sobre liberdade, escolha, responsabilidade e sentido da existência.
C - A substituição da ética pela ciência experimental.
D - A negação da importância da subjetividade na formação do indivíduo.
E - A valorização exclusiva da lógica formal em detrimento da experiência humana.



16. Leia com atenção o texto a seguir para responder a questão.


“A moralidade, em si, está no geral, e a este título é aplicável a todos. O que pode por outro lado, exprimir-se dizendo que é aplicável a cada instante. Repousa imanente em si mesma, sem nada exterior que seja o seu telos sendo ela mesma telos de tudo o que lhe é exterior; e uma vez que se tenha integrado nesse exterior não vai mais além. Tomado como ser imediato, sensível e psíquico, o Indivíduo é o Indivíduo que tem o seu telos no geral; a sua tarefa moral consiste em exprimir-se constantemente, em despojar-se do seu caráter individual para alcançar a generalidade.”  (Kierkegaard, Søren Aabye)

Com base no texto e na filosofia de Kierkegaard, é correto afirmar que:

A - A moralidade, enquanto dimensão universal, exige que o indivíduo submeta sua singularidade às normas gerais, realizando-se eticamente ao assumir valores válidos para todos.
B - A moralidade depende exclusivamente da experiência subjetiva individual, não possuindo qualquer vínculo com princípios universais.
C - O texto defende que o indivíduo deve rejeitar a ética em favor de uma vida puramente estética, centrada nos desejos imediatos.
D - Kierkegaard afirma que a moralidade é determinada por fatores externos, como a política e a economia, que definem o telos da ação humana.
E - A moralidade é apresentada como incompatível com a vida social, pois impede qualquer forma de convivência coletiva.




GABARITO COMENTADO:


1. A
Kierkegaard critica os sistemas filosóficos que pretendem explicar a existência humana de forma abstrata e totalizante, pois considera que eles ignoram a singularidade do indivíduo concreto, suas escolhas e vivências. Para o filósofo, a existência não pode ser plenamente compreendida por esquemas teóricos universais, já que envolve subjetividade, sofrimento, decisão e compromisso pessoal.

2. C
A noção de verdade subjetiva expressa a ideia de que a verdade mais relevante para o ser humano não é apenas aquela formulada de modo objetivo, mas aquela que é vivida intensamente pelo indivíduo. Trata-se de uma verdade existencial, que envolve engajamento pessoal, escolha e responsabilidade, e não mera aceitação intelectual de conceitos.

3. B
A angústia, em Kierkegaard, nasce da consciência da liberdade humana e da possibilidade de escolha. Ao perceber que pode decidir entre diferentes caminhos, o indivíduo confronta-se com a responsabilidade por seus atos, o que gera angústia como condição fundamental da existência, e não como simples medo ou patologia.

4. E
O estádio estético caracteriza-se por uma forma de vida orientada pela busca do prazer, da satisfação imediata e da evasão de compromissos duradouros. Nesse modo de existência, o indivíduo evita responsabilidades profundas e tende a viver o presente sem refletir sobre as consequências éticas de suas escolhas.

5. B
No estádio ético, o indivíduo passa a assumir conscientemente suas responsabilidades morais, reconhecendo o valor do compromisso, do dever e da escolha refletida. Diferentemente do estágio estético, há maior preocupação com a coerência da vida e com as implicações éticas das ações pessoais.

6. A
O estádio religioso é marcado por uma relação subjetiva e pessoal com o absoluto, vivida por meio da fé. Nesse nível da existência, o indivíduo ultrapassa os limites da ética universal e da razão objetiva, assumindo uma relação singular com o sagrado, que envolve risco, angústia e entrega pessoal.

7. B
O chamado salto da fé representa uma decisão existencial que não pode ser justificada plenamente pela razão. Trata-se de um ato de compromisso pessoal diante da incerteza, no qual o indivíduo aceita o risco e a ausência de garantias racionais como parte constitutiva da experiência da fé.

8. C
Kierkegaard valoriza a responsabilidade individual diante das escolhas existenciais, mesmo quando elas entram em conflito com as opiniões da maioria. Para ele, a existência autêntica exige coragem para assumir decisões pessoais, evitando a diluição do indivíduo na massa ou na pressão social.

9. E
A associação de Kierkegaard ao existencialismo decorre de sua ênfase na experiência concreta do indivíduo, na liberdade de escolha e na responsabilidade pessoal. Sua filosofia destaca que o sentido da existência não é dado previamente, mas construído a partir das decisões vividas pelo sujeito.

10. C
A crítica ao pensamento sistemático fundamenta-se na ideia de que a existência individual é dinâmica, singular e marcada por escolhas, o que impede sua completa redução a conceitos abstratos. Sistemas filosóficos podem organizar ideias, mas não captam plenamente a realidade vivida do indivíduo.

11. B
O desespero, para Kierkegaard, refere-se à relação problemática do indivíduo consigo mesmo, especialmente quando não assume plenamente sua própria possibilidade de ser. Trata-se de uma condição existencial ligada à consciência de si, à liberdade e à dificuldade de viver de forma autêntica.

12. C
A fé autêntica distingue-se da religiosidade formal por envolver uma relação interior e pessoal com o sagrado. Ela não se limita a práticas externas ou tradições herdadas, mas exige envolvimento existencial, escolha individual e enfrentamento da dúvida e da angústia.

13. D
A filosofia kierkegaardiana convida o indivíduo a assumir sua existência de modo consciente e responsável, reconhecendo que viver autenticamente implica escolher, errar, sofrer e responder por suas decisões. Esse convite reforça a centralidade da liberdade e da responsabilidade na vida humana.

14. A
As afirmações I, II e IV estão de acordo com o pensamento de Kierkegaard, pois destacam a importância da subjetividade, da angústia ligada à liberdade e da crítica aos sistemas abstratos. A afirmação III está incorreta, já que a fé não é concebida como um ato puramente racional, mas como uma decisão arriscada e existencial.

15. B
No Ensino Médio, o pensamento de Kierkegaard contribui para a reflexão sobre temas centrais da existência humana, como liberdade, escolha, responsabilidade e sentido da vida. Sua filosofia estimula o estudante a pensar criticamente sobre si mesmo e sobre o modo como constrói sua própria trajetória existencial.

16. A
O trecho afirma que a moralidade pertence ao âmbito do geral, sendo válida para todos e constituindo o telos da ação ética. Nesse sentido, o indivíduo, enquanto ser imediato e particular, realiza sua tarefa moral ao ultrapassar sua singularidade e integrar-se à generalidade, assumindo normas e valores universais. Essa concepção corresponde ao estádio ético em Kierkegaard, no qual o sujeito reconhece o dever moral como algo que transcende seus desejos individuais e orienta sua existência a partir de princípios válidos para todos.

 


 

Por Jefferson Evandro Machado Ramos (professor graduado em História pela FFLCH-USP)

Publicado em 02/01/2026