Relevo da Região Sul do Brasil

 

 Introdução


O relevo da região Sul do Brasil apresenta grande diversidade de formas, resultado da combinação entre fatores geológicos, climáticos e erosivos ao longo de milhões de anos. Trata-se de um território que reúne planaltos, serras, planícies costeiras e extensas áreas de campos, configurando paisagens variadas que influenciam diretamente a economia, a ocupação humana e a biodiversidade local. Essa diversidade morfológica, associada ao clima predominantemente subtropical, torna o Sul uma das regiões mais peculiares em termos de estrutura do relevo no território brasileiro.



Características gerais do relevo da região Sul do Brasil:


Predomínio de planaltos: a região é marcada por áreas elevadas, compostas por derrames vulcânicos basálticos, que formam superfícies planas ou suavemente onduladas, como o Planalto Meridional.


Presença de serras: escarpas e elevações mais íngremes aparecem como resultado de processos tectônicos e erosivos, compondo paisagens de grande beleza cênica.


Planícies fluviais e costeiras: ao longo do litoral e de grandes rios, encontram-se áreas planas e sedimentares, formadas por depósitos aluviais e marinhos, importantes para atividades agrícolas e urbanização.

Pampas: no extremo sul, principalmente no Rio Grande do Sul, predominam os campos naturais de relevo baixo e suavemente ondulado, conhecidos como pampas ou coxilhas.


Diversidade geológica: o relevo do Sul é fruto de formações antigas, com rochas cristalinas e sedimentares, além de extensos derrames basálticos, que marcam sua composição.




As unidades de relevo do Sul do Brasil



1. Planalto Meridional

O Planalto Meridional é a unidade de relevo mais expressiva da região, estendendo-se por Paraná, Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul. Formado principalmente por rochas basálticas oriundas de antigos derrames vulcânicos, apresenta solos férteis, conhecidos como terra roxa, que se destacam pela alta produtividade agrícola, sobretudo no cultivo de café, soja e milho. Suas superfícies são onduladas, com altitudes que variam entre 500 e 1.200 metros, favorecendo a prática agropecuária e a instalação de hidrelétricas nos rios que o cortam.



2. Serras

As serras constituem áreas de relevo mais acidentado, com altitudes elevadas e encostas íngremes. Destacam-se a Serra do Mar, que acompanha o litoral do Paraná e de Santa Catarina, e a Serra Geral, que marca a transição entre o planalto e a região costeira. Essas formações possuem grande importância ecológica, pois abrigam remanescentes da Mata Atlântica e apresentam paisagens de grande valor turístico. As serras também influenciam o clima, provocando chuvas orográficas que garantem regimes hídricos regulares em diversas áreas.



3. Pampas (planícies gaúchas)


Localizados principalmente no Rio Grande do Sul, os pampas caracterizam-se por extensas planícies e colinas suaves chamadas de coxilhas. Essa unidade de relevo é coberta predominantemente por campos naturais, propícios para a pecuária extensiva, atividade tradicional na economia gaúcha. Os pampas apresentam solos rasos e, em alguns pontos, sujeitos à erosão, exigindo práticas de manejo sustentável. Além da importância econômica, são áreas de significativa biodiversidade, com espécies adaptadas ao clima subtropical.



4. Planícies costeiras

As planícies costeiras do Sul do Brasil se estendem ao longo do litoral dos três estados, formadas por depósitos de origem marinha e fluvial. Nessas áreas, encontram-se lagoas, restingas, dunas e manguezais, compondo ambientes de grande valor ecológico. São regiões utilizadas para o turismo, a pesca e atividades agrícolas em menor escala, além de concentrarem importantes centros urbanos, como Curitiba (em seu planalto costeiro) e Florianópolis, que se localiza em uma ilha próxima à costa catarinense. O relevo plano favorece a urbanização, mas também exige atenção devido à vulnerabilidade a inundações e à erosão costeira.

 

 

Destaques do relevo da região Sul do Brasil:

 

- Pico Paraná: localizado na Serra do Mar, no estado do Paraná, é o ponto culminante da região Sul com 1.877 metros de altitude, conhecido por sua importância geográfica e por atrair praticantes de montanhismo.


- Morro da Igreja: situado em Urubici, Santa Catarina, possui 1.822 metros de altitude e é famoso por ser um dos pontos mais frios do Brasil, além de oferecer ampla vista panorâmica da Serra Geral.


- Serra do Rio do Rastro: localizada em Lauro Müller, Santa Catarina, é uma serra íngreme e sinuosa, cortada por uma estrada que se tornou atração turística, destacando-se pelas paisagens de cânions e vales profundos.


- Cânion Itaimbezinho: situado no Parque Nacional de Aparados da Serra, entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, apresenta paredões de basalto de até 720 metros de altura, formados pela erosão sobre a Serra Geral.


- Morro do Cambirela: localizado em Palhoça, próximo a Florianópolis (SC), possui cerca de 1.050 metros de altitude e é um marco paisagístico do litoral catarinense, com trilhas e vista para a Ilha de Santa Catarina.


- Coxilha Rica: região de campos ondulados em Lages, Santa Catarina, que apesar de não ter grandes altitudes, é um ponto importante do relevo sulino, marcado por planaltos suavemente ondulados usados para pecuária e preservação cultural dos campos sul-brasileiros.

 

 

Cânion do Itaimbezinho

O Cânion do Itaimbezinho está localizado no Parque Nacional de Aparados da Serra, entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. É considerado o cânion mais famoso do Brasil, com paredões de basalto que chegam a mais de 700 metros de altura. Sua formação está ligada à erosão de rochas vulcânicas, resultando em uma paisagem imponente e de grande valor turístico e ambiental.

 

 


 

Artigo escrito por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)


Publicado em 10/09/2025