Relevo Submarino

 

O que é


O relevo submarino, também chamado de relevo oceânico, corresponde ao conjunto de formas existentes no fundo dos mares e oceanos. Assim como ocorre na superfície dos continentes, o fundo oceânico não é uniforme. Ele apresenta áreas planas, depressões, montanhas, vales profundos, cordilheiras, vulcões e fossas, formando uma paisagem submersa bastante variada.

Durante muito tempo, acreditou-se que o fundo dos oceanos fosse uma grande planície sem muitas diferenças de altitude. Com o desenvolvimento de técnicas de sondagem, mapeamento por sonar, imagens de satélite e estudos geológicos, tornou-se possível conhecer melhor essas estruturas. Esses estudos mostraram que o relevo submarino é resultado da ação de processos geológicos, tectônicos, sedimentares, vulcânicos e erosivos.

O relevo submarino está diretamente relacionado à dinâmica interna da Terra. A movimentação das placas tectônicas, por exemplo, provoca a formação de dorsais oceânicas, fossas submarinas, vulcões e terremotos. Já a deposição de sedimentos transportados pelos rios e pelas correntes marinhas contribui para a formação de áreas mais planas, como as plataformas continentais e as planícies abissais.



Características principais do relevo submarino


O relevo submarino sofre intensa influência das águas dos mares e oceanos. As correntes marinhas, as ondas, as marés e os movimentos de massa submersos ajudam a modelar o fundo oceânico, transportando sedimentos e modificando algumas formas do relevo ao longo do tempo. Esse processo é mais perceptível nas áreas próximas aos continentes, especialmente nas plataformas continentais.

Uma de suas principais características é a grande diversidade de formas. O fundo oceânico apresenta áreas rasas, regiões profundas, superfícies relativamente planas, cadeias montanhosas, vales submarinos, cânions, vulcões e fossas oceânicas. Essa variedade demonstra que o fundo dos oceanos é tão complexo quanto o relevo encontrado nas terras emersas.

Em algumas áreas, o relevo submarino abriga importantes bacias sedimentares. Essas regiões acumulam sedimentos ao longo de milhões de anos e podem apresentar reservas de petróleo, gás natural e outros recursos minerais. Por esse motivo, a plataforma continental possui grande importância econômica para muitos países, pois nela ocorrem atividades de exploração de recursos energéticos.

Também existem áreas de intensa atividade vulcânica no fundo dos oceanos. Em regiões onde as placas tectônicas se afastam, o magma sobe do interior da Terra e forma novas porções de crosta oceânica. Esse processo ocorre principalmente nas dorsais oceânicas, que são grandes cadeias montanhosas submersas. Em alguns casos, vulcões submarinos podem crescer até ultrapassar o nível do mar, formando ilhas.

Outro elemento importante são as montanhas submarinas. Elas se elevam a partir do leito oceânico, mas geralmente não chegam à superfície. Muitas têm origem vulcânica e podem servir de abrigo para diversas espécies marinhas, pois alteram a circulação das águas e favorecem a concentração de nutrientes.

Há ainda os cânions submarinos, que são vales profundos escavados na plataforma continental e no talude continental. Eles podem ter origem associada à erosão provocada por antigos rios, à ação de correntes de turbidez ou ao deslocamento de sedimentos em direção às áreas mais profundas do oceano. Esses cânions funcionam como corredores naturais para o transporte de materiais entre as áreas costeiras e as grandes profundidades.



Plataforma continental


A plataforma continental é a continuação natural do continente abaixo do nível do mar. Ela se estende desde a linha da costa até o início do talude continental. Em geral, apresenta relevo suavemente inclinado e profundidade relativamente baixa, chegando em média a cerca de 180 metros, embora esse valor possa variar de acordo com a região.

Essa área é formada principalmente por rochas sedimentares e por sedimentos trazidos pelos rios, pelas ondas e pelas correntes marinhas. Por estar próxima aos continentes, recebe grande quantidade de matéria orgânica e nutrientes, o que favorece a existência de muitas espécies de plantas e animais marinhos.

A plataforma continental é uma das áreas mais ricas em vida marinha. Como a luz solar consegue penetrar em boa parte dessa região, ocorre maior desenvolvimento de algas, fitoplâncton e outros organismos que servem de base para as cadeias alimentares marinhas. Por isso, muitas das principais áreas de pesca do mundo localizam-se sobre plataformas continentais.

Do ponto de vista econômico, a plataforma continental é muito importante. Nela ocorrem atividades como pesca, navegação, instalação de cabos submarinos, construção de estruturas portuárias e exploração de petróleo e gás natural. Em muitos países, a exploração petrolífera em áreas marítimas depende diretamente das condições geológicas existentes nessa porção do relevo submarino.



Talude continental


O talude continental é a faixa de transição entre a plataforma continental e as regiões mais profundas do oceano. Ele apresenta declive muito mais acentuado do que a plataforma continental, formando uma espécie de “descida” em direção ao fundo oceânico. Sua profundidade pode variar bastante, alcançando milhares de metros em algumas áreas.

Essa parte do relevo submarino marca o limite entre a margem continental e a bacia oceânica profunda. No talude, os sedimentos podem se deslocar por gravidade, formando correntes de turbidez. Essas correntes transportam lama, areia e outros materiais para áreas mais profundas, contribuindo para a formação de depósitos sedimentares no sopé continental.

O talude continental também pode apresentar cânions submarinos. Esses vales profundos cortam a superfície do talude e funcionam como canais de transporte de sedimentos. Em algumas regiões, sua formação está relacionada à ação de antigos rios que escavaram vales quando o nível do mar era mais baixo.



Sopé continental


O sopé continental, também chamado de elevação continental, localiza-se na base do talude continental. Essa área é formada pelo acúmulo de sedimentos que descem da plataforma e do talude em direção ao fundo oceânico. Por apresentar inclinação mais suave, funciona como uma zona intermediária entre o continente submerso e a bacia oceânica.

Essa região tem grande importância para a compreensão da formação das margens continentais. Os sedimentos acumulados no sopé continental ajudam os geólogos a estudar processos de erosão, transporte e deposição que ocorreram ao longo de milhões de anos. Em algumas áreas, esses depósitos também podem estar associados à presença de recursos energéticos.



Bacia oceânica


A bacia oceânica corresponde às grandes áreas profundas do fundo dos oceanos. Ela se localiza entre as margens continentais e as dorsais oceânicas, abrangendo extensas superfícies submersas. Em geral, apresenta profundidades que variam entre 2.000 e 5.000 metros.

As bacias oceânicas incluem diferentes formas de relevo, como planícies abissais, montanhas submarinas, colinas abissais e fossas oceânicas. Apesar de muitas partes parecerem relativamente planas, essas áreas podem apresentar grande complexidade geológica, especialmente onde há influência de falhas, vulcanismo ou movimentação das placas tectônicas.

Nessas regiões, a luz solar não chega, a pressão da água é muito elevada e as temperaturas são baixas. Mesmo assim, existem formas de vida adaptadas a essas condições extremas. Algumas espécies vivem próximas às fontes hidrotermais, locais onde águas aquecidas pelo calor interno da Terra saem por fendas no fundo oceânico, carregando minerais dissolvidos.



Planície abissal


A planície abissal é uma das formas mais extensas e planas do relevo submarino. Ela ocorre em grandes profundidades, geralmente entre 3.000 e 6.000 metros, e é coberta por sedimentos finos que se acumulam lentamente ao longo do tempo. Esses sedimentos podem ter origem continental, biológica ou vulcânica.

As planícies abissais estão entre as áreas mais uniformes do planeta. Essa aparência plana resulta do preenchimento das irregularidades do relevo por sedimentos. Mesmo assim, podem ser interrompidas por montanhas submarinas, colinas abissais e outras formas elevadas do fundo oceânico.

Essa região é pouco conhecida em comparação com as áreas costeiras, pois sua grande profundidade dificulta a exploração direta. Estudos realizados com submarinos, robôs e equipamentos de sensoriamento remoto têm ampliado o conhecimento sobre a vida e a geologia dessas áreas profundas.



Dorsais oceânicas


As dorsais oceânicas são grandes cadeias montanhosas submarinas formadas nas áreas onde as placas tectônicas se afastam. Nesses locais, o magma sobe do interior da Terra, resfria-se ao entrar em contato com a água e forma novas porções de crosta oceânica. Por isso, as dorsais estão associadas ao processo de expansão do assoalho oceânico.

Essas cordilheiras submarinas podem se estender por milhares de quilômetros. Um exemplo importante é a Dorsal Mesoatlântica, que atravessa o Oceano Atlântico de norte a sul. Embora esteja submersa em grande parte de sua extensão, em alguns pontos suas elevações ultrapassam o nível do mar, formando ilhas.

As dorsais oceânicas são áreas de intensa atividade geológica. Nelas ocorrem terremotos, vulcanismo submarino e emissão de calor do interior da Terra. Também podem existir fontes hidrotermais, que sustentam ecossistemas baseados na quimiossíntese, e não na luz solar.



Fossas oceânicas


As fossas oceânicas são as áreas mais profundas dos oceanos. Elas se formam principalmente em zonas de subducção, onde uma placa tectônica mergulha sob outra. Esse processo provoca a formação de depressões longas, estreitas e muito profundas no fundo do mar.

A Fossa das Marianas, localizada no Oceano Pacífico, é a mais profunda conhecida, alcançando mais de 11.000 metros em seu ponto mais profundo. Nessas regiões, a pressão da água é extremamente elevada, a luz solar não chega e as condições ambientais são severas.

As fossas oceânicas possuem grande importância científica, pois ajudam a compreender a dinâmica das placas tectônicas, a formação de terremotos e os processos de reciclagem da crosta terrestre. Apesar das condições extremas, estudos já identificaram organismos capazes de viver nesses ambientes profundos.



Montanhas submarinas e ilhas oceânicas


As montanhas submarinas são elevações que surgem a partir do fundo oceânico. Muitas são antigas estruturas vulcânicas que não chegaram a atingir a superfície. Elas podem aparecer isoladas ou em cadeias, acompanhando áreas de atividade tectônica ou antigos pontos de vulcanismo.

Quando uma montanha submarina cresce o suficiente para ultrapassar o nível do mar, forma-se uma ilha oceânica. Muitas ilhas vulcânicas têm origem nesse processo. Com o passar do tempo, a erosão, o afundamento da crosta e a ação dos organismos marinhos podem modificar essas estruturas.

As montanhas submarinas são importantes para a biodiversidade marinha. Elas alteram as correntes oceânicas, favorecem a subida de águas ricas em nutrientes e criam ambientes adequados para diversas espécies. Por isso, muitas dessas áreas são consideradas relevantes para a conservação dos ecossistemas marinhos.



Cânions submarinos


Os cânions submarinos são vales profundos que cortam a plataforma continental e o talude continental. Eles se assemelham, em certos aspectos, aos vales fluviais encontrados nos continentes, embora estejam submersos. Sua formação pode estar relacionada à erosão antiga, à ação de correntes de turbidez e ao deslocamento de sedimentos.

Esses cânions desempenham papel importante no transporte de materiais das áreas costeiras para as regiões profundas. Sedimentos, matéria orgânica e nutrientes podem ser levados por esses canais até as bacias oceânicas, influenciando os ecossistemas de grande profundidade.

Em algumas regiões, os cânions submarinos também podem concentrar biodiversidade. Suas paredes, correntes e variações de profundidade criam ambientes distintos, favorecendo a presença de organismos adaptados a diferentes condições.



Vulcões submarinos


Os vulcões submarinos são estruturas formadas pela saída de magma no fundo dos oceanos. Eles ocorrem principalmente nas dorsais oceânicas, em zonas de subducção e em pontos quentes da crosta terrestre. A lava liberada em ambiente submarino resfria-se rapidamente, formando rochas características.

Esses vulcões podem permanecer totalmente submersos ou, ao longo do tempo, formar ilhas vulcânicas. Em áreas de intensa atividade, sucessivas erupções acumulam materiais que elevam o relevo submarino. Esse processo explica a origem de várias ilhas e arquipélagos oceânicos.

O vulcanismo submarino também influencia a composição química das águas profundas. Em torno de fontes hidrotermais associadas a áreas vulcânicas, desenvolvem-se ecossistemas específicos, com organismos capazes de sobreviver em ausência de luz solar.

 

 

Infográfico sobre o relevo submarino
Infográfico resumido e didático sobre o relevo submarino

 


 

Por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)

Atualizado em 03/06/2026