Mastabas do Egito Antigo

 

O que eram as mastabas?


As mastabas eram tumbas retangulares construídas para abrigar os corpos de membros da elite egípcia, especialmente nobres e altos funcionários do Estado. O termo “mastaba” vem do árabe e significa “banco” ou “assento”, em alusão ao formato de sua estrutura, que se assemelhava a um banco de pedra colocado sobre o solo. Elas foram predominantes durante o Período Arcaico e o início do Antigo Império, antes da evolução arquitetônica que resultou nas pirâmides.


Características das mastabas


As mastabas apresentavam uma base retangular, paredes inclinadas e um teto plano. Eram geralmente construídas em tijolos de barro ou, em casos mais luxuosos, em blocos de pedra calcária.


No interior, havia uma capela ou câmara para oferendas, um poço vertical que conduzia à câmara funerária subterrânea e uma estela (ou falsa porta) que permitia simbolicamente a passagem do espírito do falecido entre o mundo dos vivos e o dos mortos. Essas construções eram orientadas de forma a respeitar crenças religiosas relacionadas ao Sol e à eternidade.



Qual era a função das mastabas


A principal função das mastabas era servir como morada eterna do falecido, preservando seu corpo e garantindo a continuidade da existência no além. Nelas eram depositados o sarcófago, objetos pessoais, alimentos, utensílios e oferendas, tudo com o propósito de assegurar uma vida confortável após a morte. Também funcionavam como locais de culto, onde familiares e sacerdotes realizavam rituais e oferendas ao espírito do morto, reforçando a crença egípcia na imortalidade da alma.



Como eram feitas as mastabas


A construção das mastabas seguia técnicas engenhosas, adequadas ao clima árido do Egito. Inicialmente, eram feitas de tijolos de barro moldados e secos ao sol, mas com o avanço da engenharia, passaram a utilizar pedra, o que aumentava sua durabilidade. Os arquitetos escavavam o poço funerário, depois erguiam a estrutura retangular sobre ele e, por fim, decoravam as paredes internas com pinturas e relevos representando cenas da vida cotidiana e rituais religiosos. Tais ornamentos tinham função simbólica: perpetuar a memória e os feitos do falecido.



Quais as diferenças entre as mastabas e as pirâmides?


As mastabas diferem das pirâmides principalmente pela forma e pela evolução simbólica. Enquanto as mastabas possuíam forma retangular e eram tumbas isoladas, as pirâmides, surgidas posteriormente, tinham base quadrada e forma triangular, simbolizando a ascensão do faraó ao céu. 

Vale ressaltar também que as pirâmides eram destinadas aos reis e membros da realeza, enquanto as mastabas eram usadas por nobres e altos funcionários. A transição entre ambos os tipos de construção é marcada pela pirâmide de degraus do faraó Djoser, projetada por Imhotep, que representa uma mastaba empilhada em vários níveis.




Curiosidades:


- Algumas mastabas possuíam verdadeiros complexos funerários, com capelas, pátios e estátuas do falecido, demonstrando o poder e a importância do indivíduo sepultado. Essas estruturas serviam não apenas como túmulos, mas também como monumentos à memória e ao prestígio social.


- Nas escavações arqueológicas, muitas mastabas revelaram pinturas e inscrições que são fontes valiosas sobre o cotidiano, a economia e as crenças do Egito Antigo. Essas representações mostram cenas de caça, agricultura e oferendas, permitindo aos historiadores compreender melhor a vida e a mentalidade egípcia durante os primeiros períodos dinásticos.

 

 

Mastaba de Djoser

Mastaba de Djoser: mastaba empilhada em vários níveis

 

 


 

Por Jefferson Evandro Machado Ramos (graduado em História pela FFLCH-USP)

Publicado em 07/11/2025