De Stijl

 

O que foi

 

O De Stijl foi um movimento artístico e cultural surgido nos Países Baixos em 1917, organizado em torno da revista “De Stijl”, fundada por Theo van Doesburg. Seus integrantes defendiam uma arte abstrata, racional e universal, baseada na simplificação das formas, no uso de linhas horizontais e verticais, em figuras geométricas e nas cores primárias, combinadas ao preto, ao branco e ao cinza. O movimento procurava superar a representação da realidade e alcançar equilíbrio, clareza e harmonia visual. Seus princípios foram aplicados não apenas à pintura, mas também à arquitetura, ao mobiliário, ao design gráfico e à decoração de interiores, exercendo grande influência sobre a arte e o design modernos.



Principais características:

 

• O movimento era formado por pintores, designers e arquitetos holandeses. Eles criaram uma associação artística e também um jornal, cujo nome era De Stijl.

 

• Utilizam, em suas obras, formas simples, desenhos geométricos e purismo. Retângulos e quadrados são as formas geométricas mais utilizadas.

 

• Um dos principais objetivos era a integração das artes, porém fugindo do tradicionalismo. Propunham uma nova estética e uma nova linguagem baseada no abstracionismo.

 

• Arquitetura funcional, informativa, leve, aberta e transparente.

 

• O movimento foi influenciado pela estética do Cubismo.

 

• Prioridade para três cores primárias (cores puras): vermelho, amarelo e azul. Não há uso de cores misturadas ou gradientes.

 

• Além de terem sido usados na pintura e arquitetura, os elementos do movimento foram usados também no design de móveis e objetivos da vida cotidiana.

 

Pintura de fundo preto com vários retângulos coloridos

Composição VII (1917); pintura de Theo van Doesburg.

 

 

Principais artistas do movimento De Stijl:

 


Piet Mondrian


Piet Mondrian foi um dos fundadores e principais representantes do De Stijl. Desenvolveu uma linguagem abstrata conhecida como neoplasticismo, baseada em linhas horizontais e verticais, formas retangulares e uso predominante das cores primárias, além do branco, do preto e do cinza. Suas composições procuravam alcançar equilíbrio, ordem e harmonia por meio da redução dos elementos visuais.



Theo van Doesburg

Pintor, arquiteto, escritor e teórico, Theo van Doesburg fundou a revista “De Stijl” em 1917 e teve papel decisivo na organização e divulgação do movimento. Defendia a integração entre pintura, arquitetura, mobiliário e design. Posteriormente, desenvolveu o elementarismo, introduzindo linhas diagonais nas composições, proposta que provocou divergências com Mondrian.



Gerrit Rietveld

Gerrit Rietveld foi um arquiteto e designer holandês que aplicou os princípios do De Stijl à arquitetura e ao mobiliário. Suas criações utilizavam planos geométricos independentes, estruturas aparentes, linhas retas e cores primárias. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão a “Cadeira Vermelha e Azul” e a “Casa Schröder”, construída em Utrecht em 1924. 



Bart van der Leck

Bart van der Leck contribuiu para a formação da linguagem cromática do movimento. Antes mesmo da consolidação do De Stijl, já utilizava figuras simplificadas e áreas planas nas cores vermelha, azul e amarela. Sua redução da paleta às cores primárias, combinadas ao preto e ao branco, exerceu forte influência sobre Mondrian e outros integrantes do grupo. 



Vilmos Huszár

De origem húngara, Vilmos Huszár atuou como pintor, designer gráfico, decorador e projetista de interiores. Produziu a imagem da primeira capa da revista “De Stijl”, publicada em 1917. Seus trabalhos ajudaram a aproximar os princípios geométricos do movimento das artes gráficas, da publicidade, do design de interiores e da organização de espaços. 


Georges Vantongerloo

O artista belga Georges Vantongerloo destacou-se principalmente na escultura e na investigação das relações entre volume, espaço e proporção. Criava estruturas geométricas abstratas inspiradas em princípios matemáticos, ampliando as propostas do De Stijl para além da pintura. Suas obras demonstram a tentativa de construir formas tridimensionais equilibradas e racionalmente organizadas.



Cornelis van Eesteren

Cornelis van Eesteren foi um arquiteto e urbanista holandês que colaborou diretamente com Theo van Doesburg. Participou da elaboração de projetos arquitetônicos fundamentados em planos assimétricos, volumes geométricos e cores primárias. Seu trabalho foi importante para transportar os princípios abstratos do De Stijl para o planejamento de construções e espaços urbanos.

Obrasde arte do movimento De Stijl: Cadeira Vermelha e Azul

Cadeira Vermelha e Azul (1917), de Gerrit Rietveld.



Exemplos de obras:

 

1. “Composição com vermelho, azul, preto, amarelo e cinza” (1921), de Piet Mondrian

A pintura apresenta planos retangulares separados por linhas pretas horizontais e verticais. O uso do vermelho, do azul e do amarelo, combinado com áreas brancas e cinzentas, expressa os princípios do neoplasticismo, linguagem artística desenvolvida por Mondrian no interior do De Stijl. A obra procura alcançar equilíbrio visual por meio da geometria, sem representar objetos ou paisagens do mundo real.


2. “Composição em vermelho, azul e amarelo” (1937–1942), de Piet Mondrian

Considerada uma das imagens mais conhecidas da arte abstrata geométrica, essa composição utiliza linhas pretas de diferentes espessuras para organizar áreas brancas e campos de cores primárias. A distribuição assimétrica dos elementos produz uma sensação de equilíbrio dinâmico. A obra sintetiza a busca do De Stijl por uma linguagem visual universal, baseada na ordem, na clareza e na redução das formas.


3. “Composição com grande plano vermelho, amarelo, preto, cinza e azul” (1921), de Theo van Doesburg


Nessa pintura, Theo van Doesburg empregou retângulos coloridos, linhas retas e áreas neutras para organizar a superfície da tela. Embora próxima das composições de Mondrian, a obra revela maior variedade na distribuição dos planos. Seu objetivo era eliminar a representação figurativa e construir uma imagem baseada exclusivamente nas relações entre linhas, cores e espaços.


4. “Contracomposição VI” (1925), de Theo van Doesburg

A obra representa uma mudança importante na trajetória do De Stijl, pois introduz linhas diagonais e formas inclinadas. Essa proposta, denominada elementarismo, pretendia transmitir maior movimento e tensão visual. Mondrian discordou dessa inovação, pois defendia o uso exclusivo de linhas horizontais e verticais, divergência que contribuiu para o afastamento entre os dois artistas.


5. “Cadeira Vermelha e Azul” (1918–1923), de Gerrit Rietveld

Criada inicialmente em madeira sem pintura, a cadeira recebeu posteriormente as cores primárias características do De Stijl. Sua estrutura é formada por barras retas, planos independentes e encaixes aparentes, transformando um objeto cotidiano em uma composição geométrica tridimensional. A obra demonstra como os princípios do movimento podiam ser aplicados ao mobiliário e ao design.


6. “Casa Schröder” (1924), de Gerrit Rietveld e Truus Schröder-Schräder

Construída em Utrecht, nos Países Baixos, a residência é considerada a principal realização arquitetônica do De Stijl. A fachada combina planos horizontais e verticais, linhas retas e detalhes nas cores vermelha, azul e amarela. No interior, paredes móveis permitem modificar a organização dos ambientes, aproximando arquitetura, pintura e design. A construção concretizou a ideia de transformar o espaço habitável em uma composição neoplástica.

 

O que o movimento De Stijl apresentou de novidade (inovações)?

 

O De Stijl apresentou como principal inovação a criação de uma linguagem visual extremamente simplificada e abstrata. Seus artistas abandonaram a representação de pessoas, objetos e paisagens, reduzindo a composição a linhas retas, formas geométricas e cores primárias, combinadas ao preto, ao branco e ao cinza. Essa proposta, conhecida como neoplasticismo, buscava eliminar os elementos considerados particulares ou acidentais para alcançar uma arte universal, racional e equilibrada.

Outra novidade foi a aplicação dos mesmos princípios estéticos em diferentes áreas, como pintura, arquitetura, mobiliário, design gráfico e decoração de interiores. Dessa maneira, o movimento procurou integrar arte e vida cotidiana, transformando edifícios e objetos comuns em composições geométricas. O uso de espaços flexíveis, planos independentes e estruturas aparentes também contribuiu para renovar a arquitetura e o design do século XX.

 




Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).

Atualizado em 17/07/2026