Principais Parques Eólicos no Brasil
O que são parques eólicos?
Parques eólicos são conjuntos de aerogeradores instalados em áreas com ventos constantes e adequados para transformar a energia cinética do vento em energia elétrica. Cada aerogerador possui pás que giram com a força dos ventos, acionando um sistema interno de geração elétrica. Essa eletricidade é conduzida por redes de transmissão até subestações e, depois, integrada ao sistema elétrico.
No Brasil, os parques eólicos estão concentrados principalmente no Nordeste, região favorecida por ventos regulares, intensos e previsíveis, mas também existem empreendimentos importantes no Sul do país.
Origem dos parques eólicos no Brasil
A origem da energia eólica no Brasil está ligada aos primeiros experimentos de geração elétrica a partir dos ventos no início da década de 1990. Em 1992, entrou em operação o primeiro aerogerador instalado no país, no arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco. O projeto resultou de uma parceria entre o Centro Brasileiro de Energia Eólica, a Companhia Energética de Pernambuco e o instituto dinamarquês Folkecenter. Naquele momento, a tecnologia ainda era cara, pouco difundida e dependia de políticas públicas mais consistentes para se expandir.
Durante os anos 1990, a energia eólica avançou lentamente no Brasil, principalmente por causa dos altos custos dos equipamentos e da ausência de uma cadeia produtiva nacional. A crise energética de 2001 incentivou o debate sobre diversificação da matriz elétrica, levando à criação do Programa Emergencial de Energia Eólica, conhecido como PROEÓLICA. Embora o programa não tenha alcançado os resultados esperados, ele indicou a necessidade de ampliar fontes alternativas de energia e reduzir a dependência das hidrelétricas em períodos de estiagem.
O impulso mais importante veio com o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica, o PROINFA, criado em 2002. Esse programa estimulou a contratação de projetos de energia eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas, favorecendo a formação de uma indústria nacional de componentes, torres e aerogeradores. Posteriormente, em 2009, ocorreu o primeiro leilão de energia voltado exclusivamente para a fonte eólica, com contratação de 1,8 GW. A partir desse momento, os parques eólicos passaram a crescer de forma mais acelerada, especialmente nos estados do Rio Grande do Norte, Bahia, Piauí, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Maranhão e Rio Grande do Sul.
Os principais parques eólicos do Brasil:
Lagoa dos Ventos: localizado no Piauí, especialmente nos municípios de Lagoa do Barro do Piauí, Queimada Nova e Dom Inocêncio, o Complexo Eólico Lagoa dos Ventos é um dos maiores e mais relevantes empreendimentos eólicos do Brasil. Sua importância está associada à grande capacidade de geração, à localização em uma área de ventos muito favoráveis e ao papel do Piauí na expansão da energia renovável nacional. A Enel Green Power informa que o empreendimento possui capacidade de 1.063,05 MW, considerando sua configuração ampliada.
Campo Largo: situado em Sento Sé, na Bahia, o Complexo Eólico Campo Largo é um dos principais empreendimentos eólicos do país. Ele se destaca pela grande escala de geração e por reforçar a posição da Bahia como um dos estados mais importantes na produção de energia eólica. Com entrada em operação entre 2018 e 2021, reúne diversos parques conectados a uma mesma estrutura de geração e escoamento de energia. Segundo levantamento da eixos, sua capacidade instalada considerada no ranking era de 687,9 MW.
Chuí: localizado nos municípios de Chuí e Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, o Complexo Eólico Chuí representa a importância da região Sul na geração eólica brasileira. Embora o Nordeste concentre a maior parte dos parques, o extremo sul do país possui ventos favoráveis e regulares. O empreendimento entrou em operação entre 2015 e 2016 e se tornou um marco da expansão eólica fora do eixo nordestino. O levantamento da eixos indicava capacidade instalada de 582,8 MW.
Oitis: o Complexo Eólico Oitis está localizado entre Dom Inocêncio, no Piauí, e Casa Nova, na Bahia. Sua posição geográfica mostra a força da região semiárida nordestina na geração de energia a partir dos ventos. O empreendimento é relevante por integrar dois estados de grande potencial eólico e por ampliar a participação da Neoenergia no setor de energias renováveis. De acordo com o levantamento da eixos, Oitis tinha 517 MW de capacidade instalada em operação.
Rio do Vento: localizado no Rio Grande do Norte, nos municípios de Bento Fernandes, Caiçara do Rio do Vento, Riachuelo e Ruy Barbosa, o Complexo Eólico Rio do Vento é um dos maiores empreendimentos eólicos do estado. O Rio Grande do Norte foi, por muitos anos, uma das principais referências nacionais em energia eólica, devido aos ventos constantes do litoral e do interior. O complexo entrou em operação em 2021 e foi registrado no levantamento da eixos com 504 MW de capacidade instalada.
Chafariz: instalado na Paraíba, nos municípios de Areia de Baraúnas, São Mamede e Santa Luzia, o Complexo Eólico Chafariz reforça a participação paraibana na geração renovável. Sua importância está ligada à interiorização da produção eólica no Nordeste, pois muitos empreendimentos não se limitam às áreas litorâneas, alcançando também zonas do sertão com ventos favoráveis. O complexo entrou em operação em 2022 e foi apontado com 471,2 MW de capacidade instalada.
Chapada do Piauí: localizado nos municípios de Simões, Caldeirão Grande do Piauí e Marcolândia, o Complexo Eólico Chapada do Piauí é um dos empreendimentos que consolidaram o Piauí como uma fronteira energética importante no Brasil. A região apresenta boas condições de vento e grandes áreas disponíveis para instalação de aerogeradores. Com entrada em operação em 2015, o complexo possui relevância histórica por fazer parte de uma etapa de expansão mais intensa da energia eólica brasileira. O levantamento da eixos indicava 438 MW de capacidade instalada.
Alto Sertão: situado na Bahia, nos municípios de Igaporã, Caetité e Riacho de Santana, o Complexo Eólico Alto Sertão teve papel relevante na consolidação da Bahia como uma potência nacional em energia eólica. A região do alto sertão baiano reúne condições naturais favoráveis, com ventos constantes e áreas elevadas. O empreendimento também se tornou conhecido por integrar geração energética, investimentos em infraestrutura e transformação econômica local. Segundo o levantamento da eixos, sua capacidade instalada considerada era de 438 MW.
Delta do Maranhão: localizado nos municípios de Barreirinhas e Paulino Neves, o Complexo Eólico Delta do Maranhão representa a expansão da energia eólica para áreas litorâneas do Maranhão. Sua localização próxima ao litoral favorece o aproveitamento de ventos regulares, típicos de regiões costeiras. O complexo entrou em operação entre 2017 e 2019 e se destacou por ampliar a presença da fonte eólica no estado. O levantamento da eixos apontava 426 MW de capacidade instalada.
Ventos de São Roque: localizado em Dom Inocêncio, no Piauí, o Complexo Eólico Ventos de São Roque é outro empreendimento de grande relevância no crescimento da geração eólica piauiense. Sua importância está associada à expansão de grandes complexos no semiárido nordestino e ao uso de áreas com elevado potencial de vento. Em operação desde 2022, o complexo foi registrado no levantamento da eixos com 396 MW de capacidade instalada.
Revisado por Luiz Antônio Machado (graduado em Física pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP)
Atualizado em 26/05/2026
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Bibliografia e vídeos indicados:
Fontes:
https://eixos.com.br/empresas/os-10-maiores-parques-eolicos-do-brasil/
