Fauna e Flora de Minas Gerais

 


Introdução



Minas Gerais apresenta uma gama de espécies animais e vegetais, resultado principalmente da presença de diferentes paisagens, tipos de relevo, condições climáticas e formações vegetais. O território mineiro está inserido principalmente nos biomas Cerrado e Mata Atlântica, além de possuir áreas de transição e formações características dos campos rupestres, especialmente nas regiões montanhosas. Essa variedade de ambientes favorece a existência de numerosas espécies, algumas delas endêmicas, ou seja, encontradas naturalmente apenas em determinadas regiões.

A fauna mineira reúne mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes e inúmeros invertebrados. A flora também é bastante rica, com árvores de grande porte, arbustos, gramíneas, palmeiras, bromélias, orquídeas e espécies adaptadas aos solos pedregosos e às condições particulares das serras. Entretanto, a expansão agropecuária, a mineração, os incêndios florestais, o crescimento urbano e o desmatamento representam ameaças importantes para muitos desses ambientes naturais.



Exemplos de espécies da fauna de Minas Gerais:



• Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus): mamífero típico do Cerrado e um dos animais mais representativos da fauna mineira. Possui pernas longas, pelagem avermelhada e hábitos predominantemente solitários. Alimenta-se de pequenos animais, frutos e outros vegetais, desempenhando importante papel na dispersão de sementes.



• Onça-parda (Puma concolor): grande felino encontrado em diferentes ambientes naturais de Minas Gerais. É um predador de topo da cadeia alimentar e consome animais como veados, capivaras, tatus e pequenos mamíferos. Sua presença indica a existência de áreas naturais relativamente conservadas.



• Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla): encontrado principalmente em áreas de Cerrado e campos abertos. Possui focinho comprido e língua especializada na captura de formigas e cupins. A perda de habitat, atropelamentos e incêndios estão entre as principais ameaças à espécie.



• Tatu-canastra (Priodontes maximus): maior espécie de tatu existente no mundo. Vive em áreas de Cerrado e outros ambientes naturais, alimentando-se principalmente de formigas e cupins. Suas escavações criam abrigos que podem ser utilizados por outros animais.



• Veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus): espécie associada a campos e áreas abertas do Cerrado. Alimenta-se de gramíneas, folhas e brotos. A transformação de ambientes naturais em áreas agrícolas e pastagens reduziu suas populações em diversas regiões.



• Jaguatirica (Leopardus pardalis): felino de médio porte encontrado principalmente em áreas florestais. Possui pelagem amarelada com manchas escuras e apresenta hábitos predominantemente noturnos. Alimenta-se de roedores, aves, répteis e pequenos mamíferos.



• Mico-estrela (Callithrix penicillata): pequeno primata comum em várias regiões de Minas Gerais, especialmente em ambientes de Cerrado e áreas alteradas pela ação humana. Alimenta-se de frutos, insetos, flores, sementes e seiva de árvores.



• Macaco-sauá (Callicebus nigrifrons): primata encontrado principalmente em fragmentos da Mata Atlântica do Sudeste brasileiro. Vive em pequenos grupos familiares e possui alimentação baseada em frutos, folhas e sementes.



• Seriema (Cariama cristata): ave terrestre muito comum nas áreas abertas do Cerrado mineiro. Possui pernas longas e forte vocalização. Alimenta-se de insetos, pequenos vertebrados, sementes e frutos.



• Mutum-do-sudeste (Crax blumenbachii): ave de grande porte associada à Mata Atlântica. Foi muito afetada pela destruição de florestas e pela caça, tornando-se uma espécie ameaçada de extinção.



• Canário-da-terra (Sicalis flaveola): pequena ave conhecida por sua coloração amarela e pelo canto. Pode ser encontrada em campos, áreas rurais e ambientes parcialmente modificados pela ação humana.



• Pato-mergulhão (Mergus octosetaceus): ave aquática extremamente rara, encontrada em rios de águas limpas e correntezas, inclusive na região da Serra da Canastra. Depende da boa conservação dos cursos d'água para sobreviver.

 

Foto de um macaquinho marrom com pelos pretos no rosto

Mico-estrela: espécie de macaco presente na fauna da região central de Minas Gerais.

 

 

Exemplos de espécies da flora de Minas Gerais:



• Pequizeiro (Caryocar brasiliense): árvore típica do Cerrado e bastante presente em Minas Gerais. Produz o pequi, fruto utilizado na culinária regional e importante também para a alimentação de animais silvestres.



• Ipê-amarelo (Handroanthus spp.): árvore conhecida pelas flores amarelas intensas que aparecem principalmente durante a estação seca. Diversas espécies de ipê ocorrem em Minas Gerais, tanto no Cerrado como em outras formações vegetais.



• Barbatimão (Stryphnodendron adstringens): árvore típica do Cerrado, reconhecida por sua casca rica em taninos. É tradicionalmente utilizada na medicina popular, embora seu uso medicinal exija cuidados e orientação adequada.



• Cagaita (Eugenia dysenterica): árvore do Cerrado que produz frutos amarelos comestíveis. Seus frutos servem de alimento para animais silvestres e também são utilizados na produção de doces, sucos e sorvetes.



• Araticum (Annona crassiflora): árvore típica do Cerrado, produtora de um fruto de polpa aromática e adocicada. Também é conhecida em algumas regiões como marolo e possui importância alimentar e econômica local.



• Jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra): árvore característica da Mata Atlântica, historicamente explorada devido à qualidade de sua madeira. A exploração intensa e a perda de habitat fizeram com que suas populações naturais fossem bastante reduzidas.



• Jequitibá-rosa (Cariniana legalis): uma das maiores árvores da Mata Atlântica brasileira, podendo atingir dezenas de metros de altura. Exemplares antigos possuem grande importância ecológica, pois oferecem abrigo e alimento para diferentes espécies animais.



• Embaúba (Cecropia spp.): árvore encontrada principalmente em áreas de Mata Atlântica e ambientes em regeneração. Seus frutos alimentam aves, morcegos e mamíferos, contribuindo para a recuperação de áreas degradadas.



• Quaresmeira (Pleroma granulosum): árvore conhecida por suas flores arroxeadas e frequente em áreas de Mata Atlântica. Também é muito utilizada na arborização urbana devido ao seu valor ornamental.



• Canela-de-ema (Vellozia spp.): planta muito característica dos campos rupestres de Minas Gerais, especialmente em áreas montanhosas da Cadeia do Espinhaço. É adaptada a solos rasos, rochosos e pobres em nutrientes.



• Sempre-viva (Paepalanthus spp. e outras espécies): conjunto de plantas características dos campos rupestres mineiros. Muitas apresentam flores e estruturas que mantêm sua aparência mesmo depois de secas, característica que originou seu nome popular.



• Orquídeas: numerosas espécies de orquídeas ocorrem naturalmente nas matas e campos rupestres de Minas Gerais. Muitas possuem distribuição geográfica restrita e dependem da conservação de seus habitats para sobreviver.

 

 

Foto de um ipê amarelo florido

Ipê: uma árvore comum na região norte de Minas Gerais, onde se encontra o bioma Caatinga.

 

 

 


 

 

Por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)

Atualizado em 28/08/2026