Império Assírio
Período histórico e localização geográfica
O Império Assírio desenvolveu-se na Antiguidade, principalmente entre os séculos XIV a.C. e VII a.C., embora suas origens estejam ligadas a períodos anteriores da história mesopotâmica. Sua formação ocorreu na região da Mesopotâmia, especialmente no norte do território situado entre os rios Tigre e Eufrates, área correspondente, em grande parte, ao atual norte do Iraque. A cidade de Assur foi um dos principais centros políticos e religiosos dos assírios, seguida por outras cidades importantes, como Nínive, Nimrud e Dur-Sharrukin.
Em seu período de maior expansão, especialmente entre os séculos IX a.C. e VII a.C., o Império Assírio dominou vastas áreas do Oriente Médio, incluindo partes da Síria, Palestina, Anatólia, Egito, Babilônia e Pérsia ocidental. Sua localização estratégica favoreceu o controle de rotas comerciais, a organização militar e a expansão territorial, tornando os assírios uma das potências mais influentes do mundo antigo.
Origem e expansão do império assírio
A origem do Império Assírio está ligada à cidade de Assur, localizada no norte da Mesopotâmia, às margens do rio Tigre. Inicialmente, Assur era uma cidade-Estado de grande importância comercial e religiosa, situada em uma região estratégica para o contato entre a Mesopotâmia, a Anatólia, a Síria e o planalto iraniano. A partir do segundo milênio a.C., os assírios passaram a desenvolver uma organização política e militar cada vez mais forte, favorecida pela necessidade de defender seu território e controlar rotas comerciais. Com o tempo, a cidade de Assur tornou-se o núcleo de um Estado expansionista, marcado pela centralização do poder, pela valorização do exército e pela formação de uma elite administrativa ligada ao rei.
A expansão assíria ocorreu de forma mais intensa entre os séculos IX a.C. e VII a.C., período conhecido como fase neoassíria. Nesse momento, os reis assírios organizaram exércitos numerosos, disciplinados e bem equipados, usando cavalaria, carros de guerra, arqueiros, lanceiros e técnicas avançadas de cerco. Sob governantes como Assurnasirpal II, Tiglate-Pileser III, Sargão II, Senaqueribe, Assaradão e Assurbanípal, o império conquistou regiões da Síria, Palestina, Babilônia, Anatólia, Fenícia, Egito e parte do planalto iraniano. Para controlar territórios tão extensos, os assírios criaram províncias, impuseram tributos, construíram estradas, deslocaram populações conquistadas e mantiveram forte vigilância militar. Essa expansão transformou o Império Assírio em uma das maiores potências do Oriente Antigo, embora sua administração rígida e suas guerras constantes também tenham contribuído para revoltas internas e para sua queda no final do século VII a.C.
Principais características do Império Assírio:
1. As duas capitais do império:
O Império Assírio teve duas capitais: as cidades de Assur e depois Nínive.
2. Economia
A economia assíria era baseada, principalmente, na agricultura e também nas pilhagens obtidas nas guerras. A agricultura dependia das enchentes do rio Tigre, que deixava o vale fértil.
3. Violência
Outra característica marcante dos assírios era a violência que utilizavam com seus inimigos de guerra. Há relatos de várias ações cruéis contra adversários. O exército assírio era muito poderoso, bem preparado e armado. Eles eram muito temidos pelos povos vizinhos.
4. Os principais reis da Assíria
O primeiro grande rei assírio foi Sargão I. Ele foi o responsável pela refortificação da cidade de Assur (capital do Império Assírio). Também reformou o templo de Ishtar (deusa babilônica da beleza, do amor, da fertilidade e da vida), localizado na cidade de Assur.
Porém, o período de maior desenvolvimento do povo assírio foi durante o reinado de Senaqueribe (entre 705 a.C. e 681 a.C.). Foi ele que transferiu a capital do império de Assur para Nínive. Outros reis importantes no Império Assírios foram: Sargão II e Assurbanipal (último grande rei assírio).
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Assurbanípal II: um dos mais importantes reis assírios. |
5. Poder dos reis
O rei era a autoridade máxima no Império Assírio e concentrava vários poderes em suas mãos (governo monárquico e autoritário). Os chefes militares também tinham importância na sociedade. Existiam também os sacerdotes, os comerciantes, os artesãos e os agricultores. Com relação ao trabalho, havia o sistema de servidão coletiva, principalmente para os capturados em batalhas.
6. Religião
Os assírios possuíam uma religião politeísta (crença em vários deuses). O principal deus assírio era Assur, que era identificado com o Sol e com o poder da guerra. Outros deuses importantes do panteão assírio eram: Adad (deus das chuvas e das tempestades), Anu (deus do céu), Nabu (deus da sabedoria e da escrita), Dagan (deus da fertilidade), Astarte (deusa da guerra e do amor), Enki (deus da água) e Tammuz (deus da vegetação e da comida).
7. Sociedade
A sociedade assíria era hierárquica. O rei estava no topo, seguido por uma classe de oficiais, sacerdotes e líderes militares. Comerciantes e artesãos formavam a classe média, enquanto agricultores e escravizados estavam na base.
8. Arquitetura, escrita e arte
- Na arquitetura, podemos destacar a construção de templos, palácios e zigurates.
- A escrita dos assírios era a cuneiforme e a língua principal era o acadiano.
- Com relação às artes, podemos destacar os relevos que decoravam as paredes dos palácios. Esses relevos, geralmente, retratavam as qualidades (principalmente força e valentia) e grandes conquistas militares dos imperadores assírios. Havia também nos palácios grandes esculturas e azulejos policromados decorativos.
- Uma das contribuições culturais mais significativas dos assírios foi a Biblioteca de Assurbanipal em Nínive, uma das bibliotecas mais antigas e abrangentes do mundo antigo, contendo uma riqueza de literatura mesopotâmica, textos religiosos e obras científicas.
9. Legislação
Os assírios desenvolveram um conjunto abrangente de leis, influenciando sistemas legais subsequentes na região.
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Rei assírio Sargão II e um dignatário (baixo-relevo) |
Fim do império assírio
O Império Assírio terminou no final do século VII a.C., após um período de enfraquecimento político, disputas internas pelo poder e revoltas nos territórios dominados. A rigidez da administração assíria, a cobrança de tributos e a violência usada contra povos conquistados provocaram forte resistência em várias regiões do império. Aproveitando esse contexto, babilônios, medos e outros povos se uniram contra os assírios e atacaram seus principais centros urbanos. Em 612 a.C., Nínive, uma das capitais mais importantes do império, foi conquistada e destruída por essa coalizão. Depois disso, os assírios ainda tentaram resistir por alguns anos, mas foram definitivamente derrotados em 609 a.C. Com sua queda, os territórios antes controlados pela Assíria passaram a ser disputados principalmente pelos babilônios e pelos medos, marcando o fim de uma das maiores potências militares da Antiguidade oriental.
Legado
O legado do Império Assírio foi significativo para a história do Oriente Antigo, sobretudo por sua organização militar, administrativa e urbana. Os assírios aperfeiçoaram técnicas de guerra, como o uso de cavalaria, máquinas de cerco e estratégias de intimidação, influenciando exércitos posteriores. No campo político, desenvolveram formas eficientes de administração imperial, com províncias, governadores, cobrança de tributos, estradas e sistemas de comunicação para controlar territórios distantes. Também se destacaram na arquitetura, com palácios monumentais, relevos esculpidos e cidades planejadas, como Nínive e Nimrud.
Outro aspecto importante foi a preservação do conhecimento, especialmente por meio da biblioteca de Assurbanípal, em Nínive, que reuniu milhares de tábuas de argila com textos religiosos, literários, científicos e administrativos da Mesopotâmia. Assim, embora lembrado muitas vezes por sua força militar, o Império Assírio deixou contribuições importantes para a administração, a cultura escrita, a arte e a organização dos grandes impérios da Antiguidade.
RESUMO
Período histórico e localização geográfica: desenvolveu-se no norte da Mesopotâmia, entre 2500 a.C. e 612 a.C.
1. Capitais do império
Assur foi a primeira capital, sucedida por Nínive.
2. Economia
Baseada na agricultura, dependente das enchentes do rio Tigre.
As pilhagens das guerras também eram fonte de recursos.
3. Violência
Uso de violência extrema contra inimigos.
Exército poderoso, temido pelos povos vizinhos.
4. Principais reis
Sargão I reforçou Assur e reformou o templo de Ishtar.
Senaqueribe transferiu a capital para Nínive.
Sargão II e Assurbanipal também se destacaram.
5. Poder dos reis
Rei como autoridade máxima, com poder centralizado.
Sociedade incluía chefes militares, sacerdotes, comerciantes e agricultores.
Prisioneiros eram submetidos à servidão coletiva.
6. Religião
Religião politeísta, com Assur como principal deus.
Outros deuses importantes incluíam Adad, Anu e Nabu.
7. Sociedade
Hierarquia social com o rei no topo.
Classes médias incluíam comerciantes e artesãos.
Agricultores e escravizados estavam na base.
8. Arquitetura, escrita e arte
Construção de templos, palácios e zigurates.
Uso da escrita cuneiforme, com o acadiano como língua principal.
Relevos e esculturas exaltavam força e conquistas.
Biblioteca de Assurbanipal preservou textos e literatura.
9. Legislação
Leis detalhadas influenciaram sistemas legais posteriores.
Publicado em 23/07/2020 e atualizado em 22/06/2026
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
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Bibliografia e vídeos indicados:
Fontes de pesquisa consultadas para a elaboração do texto:
https://www.britannica.com/place/Assyria
ARRUDA. José Jobson de Andrade. História Antiga e Medieval. São Paulo: Editora Ática, 1988.
GUARINELLO, Norberto Luiz. História Antiga. São Paulo: Contexto, 2013.
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