Causas da Proclamação da República no Brasil

 

Introdução

 

A Proclamação da República no Brasil, ocorrida em 15 de novembro de 1889, não foi um acontecimento isolado, mas o resultado de um conjunto de tensões políticas, sociais, econômicas e ideológicas que se intensificaram ao longo das últimas décadas do Segundo Reinado (1840–1889). O enfraquecimento da Monarquia, os conflitos com o Exército e a Igreja, o descontentamento das elites agrárias após a abolição da escravidão e a influência de novas ideias políticas, como o Positivismo, contribuíram para a crise do regime imperial. Dessa forma, compreender as causas da Proclamação da República é fundamental para entender por que o Brasil abandonou a Monarquia e iniciou uma nova etapa de sua história política.

 

 

Causas da Proclamação da República:

 

 

1. Crise da Monarquia

 

• O sistema monárquico brasileiro, especialmente nas últimas décadas do século XIX, encontrava-se desgastado e era questionado por diferentes grupos da sociedade. O governo imperial já não conseguia manter o mesmo apoio político de antes, o que contribuiu para o enfraquecimento do regime.

 

• O Exército brasileiro estava insatisfeito com a Monarquia. Muitos militares criticavam a pouca valorização da instituição, a interferência do governo em assuntos militares e as restrições à manifestação pública de oficiais, como a proibição de se expressarem na imprensa sem autorização do Ministro da Guerra. Esse conflito ficou conhecido como Questão Militar.

 

• A Igreja Católica também entrou em conflito com o Império. Durante a chamada Questão Religiosa, na década de 1870, membros do clero passaram a criticar a interferência do Estado nos assuntos da Igreja, o que abalou a aliança tradicional entre a Monarquia e o catolicismo.

 

• No contexto do final do século XIX, a Monarquia passou a ser vista por muitos grupos como um regime politicamente ultrapassado. Em vários países, a República aparecia como símbolo de modernização política. No Brasil, setores da classe média urbana, estudantes, profissionais liberais e intelectuais passaram a defender o republicanismo e a fazer oposição ao Império.

 

• Outro fator importante foi o afastamento dos grandes fazendeiros escravistas. Muitos proprietários rurais, antes aliados da Monarquia, romperam com o governo após a abolição da escravidão em 1888, pois não receberam indenização pela perda dos escravizados. Esse grupo ficou conhecido como “republicanos de última hora”.

 

• Havia também críticas ao sistema político imperial, marcado por participação política restrita, forte centralização do poder e exclusão de grande parte da população da vida política nacional.

 

 

2. Desgaste econômico do Império

 

• A situação econômica do Império também contribuiu para o seu enfraquecimento. A Guerra do Paraguai (1864–1870) gerou elevados gastos para o Estado brasileiro, aumentando o endividamento externo e agravando as dificuldades financeiras do governo.

 

• Embora a crise econômica não tenha sido a causa principal da Proclamação da República, ela ampliou o descontentamento de setores da elite e contribuiu para a percepção de que o regime monárquico estava em decadência.

 

 

3. Influência do Positivismo

 

• O Positivismo foi uma corrente filosófica surgida na França no século XIX e exerceu forte influência sobre militares, intelectuais e profissionais liberais no Brasil. Essa doutrina valorizava a ciência, a ordem e o progresso como fundamentos para a organização da sociedade.

 

• Muitos adeptos do Positivismo defendiam a substituição da Monarquia por uma República, considerada mais racional, moderna e adequada ao progresso nacional. Por isso, essa corrente de pensamento teve papel importante no ambiente ideológico que favoreceu a queda do Império.

 

• A frase “Ordem e Progresso”, presente na bandeira do Brasil criada após a Proclamação da República, demonstra a influência positivista na formação do novo regime.

 

 

Infográfico com resumo sobre as causas da Proclamação da República no Brasil.

Infográfico sobre as causas da Proclamação da República no Brasil


 

 

Como as Causas da Proclamação da República no Brasil podem cair em questões de vestibulares e ENEM?

 

O tema das causas da Proclamação da República no Brasil (1889) costuma aparecer em vestibulares e no ENEM de forma interpretativa, articulando fatores políticos, sociais, econômicos e ideológicos. A cobrança raramente exige memorização isolada, priorizando a compreensão das tensões do final do Segundo Reinado (1840–1889) e a análise de documentos, charges ou trechos historiográficos.

Uma forma recorrente é a associação entre diferentes grupos sociais e seus descontentamentos com a Monarquia. Questões podem apresentar textos ou imagens que remetam à insatisfação dos militares (influenciados pelo Positivismo), da elite agrária (especialmente após a abolição da escravidão em 1888 sem indenização) e da Igreja (em razão da Questão Religiosa na década de 1870). O candidato deve identificar como esses setores contribuíram para o enfraquecimento do regime monárquico.

Também é comum a abordagem do chamado “isolamento político de Dom Pedro II”, destacando a crise do sistema parlamentar brasileiro e a perda de apoio das elites. Nessa linha, as questões podem exigir a identificação da fragilidade das instituições imperiais e da ausência de mecanismos de participação política mais amplos, o que favoreceu a adesão a ideias republicanas.

Outro formato frequente envolve a análise do impacto das ideias republicanas e positivistas no Exército. O candidato pode ser solicitado a reconhecer como a difusão dessas ideias, sobretudo entre oficiais, contribuiu para a articulação do movimento que resultou no golpe de 15 de novembro de 1889. Nesse caso, é importante compreender o papel político crescente dos militares no final do Império.

As provas também exploram a relação entre a abolição da escravidão (Lei Áurea, 1888) e a crise da Monarquia. Questões podem apresentar esse evento como um fator que rompeu o apoio da elite cafeeira ao regime, exigindo do estudante a compreensão de que a medida, embora socialmente significativa, teve consequências políticas imediatas.

É comum que o tema apareça em questões interdisciplinares, relacionando História e Sociologia, especialmente ao tratar da transição de regimes políticos e da formação da República no Brasil. Nessas situações, o candidato deve interpretar conceitos como cidadania, participação política e mudanças institucionais, articulando-os ao contexto histórico do final do século XIX.




Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 26/03/2026