Revolução Federalista
O que foi
A Revolução Federalista foi um conflito civil ocorrido no sul do Brasil entre 1893 e 1895, durante os primeiros anos da República. Desenvolveu-se principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, envolvendo disputas políticas entre grupos que defendiam diferentes modelos de organização do poder republicano. De um lado, os federalistas, conhecidos como maragatos, criticavam o governo centralizado e defendiam maior autonomia para os estados; de outro, os republicanos governistas, chamados de pica-paus, apoiavam a manutenção de um poder mais centralizado. O conflito refletiu as tensões políticas do período pós-Proclamação da República (1889) e evidenciou a instabilidade institucional que marcou a consolidação do regime republicano no Brasil.
Contexto histórico
A Revolução Federalista foi uma revolta ocorrida na região Sul do Brasil, entre os anos de 1893 e 1895. Embora seja denominada revolta, ela foi uma guerra civil. Teve como centro o estado do Rio Grande do Sul, mas atingiu também áreas de Santa Catarina e Paraná.
Esse movimento está diretamente relacionado com a Proclamação da República, que ocorreu em 15 de novembro de 1889.
Principais causas da Revolução Federalista
A principal causa foi a disputa política entre republicanos (conhecidos popularmente como pica-paus) e federalistas (conhecidos como maragatos) pelo controle do governo do Rio Grande do Sul.
Os republicanos eram representantes das elites econômicas do Sul do Brasil e tinham como líder Júlio de Castilhos (presidente do estado do Rio Grande do Sul). Esse grupo tinha o apoio político de Floriano Peixoto, presidente do Brasil em 1893. Eram defensores dos ideais positivistas.
Os federalistas queriam tirar do poder o presidente Júlio de Castilhos e seu grupo político. A busca por maior autonomia, adoção de um sistema parlamentar, reforma constitucional e a descentralização do poder eram os principais objetivos dos federalistas. Os revolucionários foram liderados pelo magistrado e político Silveira Martins, do Partido Federalista.
Como foi a revolta, principais acontecimentos e como terminou
Silveira Martins não tinha como objetivo o enfrentamento armado. Porém, a maioria dos federalistas optaram por esse caminho. As tensões entre os dois grupos se acirram e acabou ocorrendo uma sangrenta disputa armada. A guerra civil começou quando, em fevereiro de 1893, os federalistas pegaram em armas e se levantaram contra os republicanos.
Depois de muitos combates armados e grande quantidade de mortos (cerca de 10 mil entre militares e civis), as forças governamentais (dos republicanos) saíram vencedoras. Vale lembrar que o presidente Floriano Peixoto enviou ajuda de forças federais para combaterem ao lado dos republicanos.
Principais consequências:
• Fortalecimento do governo central com maior controle sobre os estados rebeldes.
• Enfraquecimento das oligarquias locais envolvidas na revolta.
• Aumento da repressão política e militar contra opositores ao governo republicano.
• Consolidação do regime republicano no Brasil, reforçando a estrutura federativa.
• Significativas perdas humanas e econômicas, especialmente no estado do Rio Grande do Sul.
Curiosidade histórica:
Muitos voluntários uruguaios se juntaram aos federalistas durante os combates. Um dos líderes dos uruguaios foi o militar, politico e caudilho Aparício Saraiva.
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Líderes da Revolução Federalista de 1893 |
RESUMO
Revolução Federalista (1893–1895)
O que foi
• Conflito civil ocorrido no sul do Brasil durante os primeiros anos da República (1893–1895).
• Disputa entre federalistas (maragatos) e republicanos governistas (pica-paus).
• Movimento que defendia maior autonomia estadual frente ao poder central.
Contexto histórico
• Primeiros anos da República (após 1889): período de instabilidade política e institucional no Brasil.
• Governo de Floriano Peixoto (1891–1894): fortalecimento do poder central e repressão a opositores.
• Rio Grande do Sul: domínio político de Júlio de Castilhos e consolidação de um governo centralizador estadual.
Causas:
• Conflitos políticos regionais: oposição ao governo autoritário de Júlio de Castilhos no Rio Grande do Sul.
• Centralização do poder: rejeição ao modelo republicano centralizador defendido pelos governistas.
• Disputas ideológicas: divergência entre federalismo (maior autonomia estadual) e centralismo republicano.
• Rivalidades locais: tensões entre elites políticas regionais e disputa pelo controle do poder.
Como foi
• Início no Rio Grande do Sul (1893): revolta armada liderada pelos federalistas contra o governo estadual.
• Expansão do conflito: combates estenderam-se para Santa Catarina e Paraná.
• Guerra violenta: marcada por batalhas intensas, perseguições e execuções, como a prática da degola.
• Participação de líderes militares: atuação de figuras como Gumercindo Saraiva entre os federalistas.
Consequências:
• Consolidação do poder republicano: vitória dos governistas e fortalecimento do modelo centralizador.
• Repressão política: eliminação de opositores e enfraquecimento dos federalistas.
• Instabilidade regional: destruição econômica e social nas áreas afetadas pelo conflito.
• Afirmação do regime republicano: demonstração da capacidade do governo de conter revoltas internas.
Como este tema histórico pode cair em vestibulares e ENEM?
1. Interpretação de conflitos da Primeira República (1889–1930)
As questões podem apresentar textos ou trechos sobre instabilidade política no início da República e solicitar a identificação da Revolução Federalista (1893–1895) como exemplo de disputa regional. O foco costuma ser a compreensão do conflito como expressão das tensões entre centralização do poder e autonomia estadual.
2. Relação entre centralização e federalismo
Pode-se cobrar a diferença entre os projetos políticos em disputa. As questões tendem a exigir a identificação dos federalistas como defensores de maior autonomia dos estados, enquanto os governistas apoiavam um poder mais centralizado, tanto no âmbito estadual quanto federal.
3. Análise de grupos políticos e sociais
É comum aparecer a identificação dos grupos envolvidos, como maragatos e pica-paus, associando-os às suas posições políticas. O estudante pode ser solicitado a relacionar esses grupos às elites regionais e às disputas pelo controle do poder político no sul do Brasil.
4. Comparação com outros movimentos da Primeira República
O tema pode ser cobrado em comparação com outros conflitos do período, como a Revolta da Armada (1893–1894) ou a Guerra de Canudos (1896–1897). Nesse caso, a questão exige reconhecer semelhanças e diferenças quanto às causas, ao caráter regional ou nacional e à relação com o governo central.
5. Contexto do governo Floriano Peixoto (1891–1894)
Questões podem abordar o papel do governo federal no conflito, destacando a postura autoritária e centralizadora de Floriano Peixoto. O aluno deve compreender como o governo atuou para reprimir movimentos considerados ameaças à consolidação da República.
6. Violência política e consolidação do Estado republicano
Também pode aparecer a análise da violência no processo de consolidação do regime republicano. A Revolução Federalista pode ser utilizada como exemplo de guerra civil marcada por práticas violentas e repressão política, evidenciando a fragilidade institucional do período.
Publicado em 03/12/2021 e atualizado em 20/03/2026
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
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Bibliografia e vídeos indicados:
Fontes de referência utilizadas:
NAPOLITANO, Marcos. História do Brasil República – da queda da Monarquia ao fim do Estado Novo. São Paulo: Contexto, 2016.
CARONE, Edgard. A Primeira República (1889-1930): texto e contexto. São Paulo: Difel, 1969.
Vídeo indicado no YouTube:
GUERRA DA DEGOLA: REVOLUÇÃO FEDERALISTA DE 1893 - EDUARDO BUENO - Canal Buenas Ideias

