Movimentos Sociais na Primeira República
Contexto histórico
A Primeira República, também conhecida como República Velha, é o período da História do Brasil que vai da Proclamação da República (15/11/1889) até a Revolução de 1930. Uma de suas principais características foi o poder das oligarquias agrárias (principalmente de Minas Gerais e São Paulo) na política brasileira.
Foi um período também marcado por muita insatisfação popular, tanto no campo quanto nas grandes cidades, em função dos problemas políticos, profundas desigualdades sociais, exploração dos latifundiários e da crise econômica, que marcaram grande parte desse período.
Principais movimentos sociais na Primeira República:
1. Principais movimentos sociais urbanos
Revolta da Vacina: ocorreu na cidade do Rio de Janeiro em 1904. Teve como causa principal a campanha de vacinação obrigatória contra a varíola, imposta pelo governo federal. Porém, teve como pano de fundo o processo de reurbanização do Rio de Janeiro, que expulsou grande parte da população pobre das regiões centrais da cidade. A crise econômica, o desemprego e o elevado custo de vida também atuaram como elementos de insatisfação popular.
Revolta da Chibata: ocorreu no Rio de Janeiro em 1910. Foi liderada pelo marinheiro João Cândido. Teve como principais causas os castigos e maus tratos pelos quais eram submetidos os marinheiros. O movimento foi reprimido pelo governo federal.
Greve Geral de 1917: ocorreu, principalmente, nas capitais das regiões Sudeste e Sul do Brasil. Foi um movimento reivindicatório contra as péssimas condições de trabalho, baixos salários e falta de direitos trabalhistas. Muitos líderes eram anarquistas, principalmente de origem italiana. As greves foram reprimidas com uso de força policial.
Movimento Tenentista: ocorreu na década de 1920, foi uma série de revoltas lideradas por jovens oficiais militares de baixa patente, conhecidos como tenentes. O movimento criticava a política do "café com leite" e a falta de democracia, além de lutar por reformas sociais e políticas.
Greves operárias de 1919: ocorreram em várias cidades brasileiras, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro. Os trabalhadores reivindicavam aumento de salários, redução da jornada de trabalho, melhores condições nas fábricas e reconhecimento de direitos trabalhistas. Anarquistas e sindicalistas tiveram participação importante na organização dessas mobilizações.
Greves operárias de 1920: deram continuidade às mobilizações do movimento operário brasileiro. Trabalhadores de diferentes categorias realizaram paralisações contra os baixos salários, as longas jornadas e as condições precárias de trabalho. A repressão policial e a perseguição de lideranças sindicais contribuíram para enfraquecer parte dessas organizações ao longo da década de 1920.
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| Trabalhadores numa manifestação de rua durante a Greve Geral de 1917. |
2. Movimentos sociais rurais
Guerra do Contestado: movimento dos camponeses contra a exploração dos grandes proprietários rurais. Ocorre na divisa dos estados do Paraná com Santa Catarina entre os anos de 1912 e 1916. O movimento foi reprimido pelas forças do governo.
Guerra de Canudos: ocorreu no interior da Bahia entre os anos de 1893 e 1895. Foi liderado pelo beato Antônio Conselheiro. Teve como causa principal a miséria do povo do sertão. Sua principal característica foi o caráter religioso (messianismo). Depois de vários conflitos armados, o movimento foi debelado pelo exército brasileiro.
Sedição de Juazeiro: ocorreu em 1914, no Ceará, na cidade de Juazeiro do Norte. O movimento foi liderado pelo padre Cícero. O conflito ocorreu entre as oligarquias cearenses e o governo federal. Teve como principal causa a interferência do governo federal nos assuntos do estado.
Caldeirão de Santa Cruz do Deserto: comunidade rural formada no Ceará, a partir da década de 1920, sob a liderança religiosa de José Lourenço Gomes da Silva, conhecido como beato José Lourenço. Reunia sertanejos pobres que praticavam formas comunitárias de trabalho e produção agrícola. Sua expansão despertou a desconfiança de proprietários rurais, autoridades e setores da Igreja. O movimento ultrapassou cronologicamente a Primeira República, sendo destruído durante a década de 1930.
Revolta de Princesa: ocorreu em 1930, no município de Princesa Isabel, na Paraíba. O conflito nasceu da disputa entre grupos oligárquicos locais e o governo estadual de João Pessoa. Liderados pelo coronel José Pereira Lima, os revoltosos chegaram a organizar uma administração própria na região. Embora tivesse forte caráter político e oligárquico, o episódio demonstra os conflitos existentes entre poderes locais e governos estaduais no final da Primeira República.
Cangaço: ocorreu no sertão nordestino entre o final do século XIX e a década de 1940. O fenômeno do Cangaço foi descentralizado e teve como principal característica a violência e intimidação feitas pelos cangaceiros. Esses eram espécies de bandidos que invadiam fazendas e exigiam alimentos, dinheiro e hospedagem.
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Cangaço: outro exemplo de movimento social da República Velha (na foto: Lampião e cangaceiros do seu bando). |
Revisado por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 07/08/2026
Temas relacionados
Bibliografia e vídeos indicados:
Fontes de referência do texto:
História dos Movimentos Sociais no Brasil
CAMPOS, Raymundo. História do Brasil. São Paulo: Editora Atual, 1991.
BARBEIRO, Heródoto. História do Brasil. São Paulo: Moderna, 1978.
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