Absolutismo na Inglaterra
Contexto histórico e origem
O absolutismo na Inglaterra teve início com a centralização do poder na figura do monarca, na segunda metade do século XV, após a Guerra dos Cem Anos e a Guerra das Duas Rosas. Foi a dinastia Tudor (Henrique VII foi o primeiro monarca), que conseguiu obter, a partir de 1485, apoio do Parlamento inglês e da burguesia, abrindo caminho para formação do absolutismo na Inglaterra. Porém, foi somente em 1509, no início do reinado de Henrique VIII, que o regime absolutista ganhou força no reino inglês.
As principais características do absolutismo na Inglaterra foram:
• Centralização do poder nas mãos do monarca, que controlava a política, a justiça e a economia da Inglaterra.
• Controle do monarca sobre a religião. Henrique VIII rompeu com a Igreja Católica e criou a Igreja Anglicana.
• Luta entre as dinastias (famílias reais) pelo controle do poder.
• A monarquia inglesa, especialmente sob os Stuarts, procurou consolidar o poder real às custas da nobreza e do parlamento. Isto fazia parte de uma tendência europeia mais ampla, em que os monarcas pretendiam centralizar a autoridade e diminuir o poder de outras elites sociais.
Principais dinastias e suas realizações:
1. Dinastia Tudor
- Governou a Inglaterra entre os anos de 1485 e 1603.
- Esse período foi marcado por conflitos com a Casa Stuart (família real da Escócia que sucedeu à Dinastia Tudor).
- O principal monarca desta dinastia foi Henrique VIII, que controlou o Parlamento inglês e, através do Ato de Supremacia (1534), tornou o anglicanismo a religião oficial da Inglaterra.
- Elisabeth I, filha de Henrique VIII, deu um grande impulso ao mercantilismo na Inglaterra, tornando o país uma potência marítima-comercial. Durante seu reinado começou a colonização da América do Norte (regiões dos atuais EUA e Canadá).
2. Dinastia Stuart
- Governou a Inglaterra entre os anos de 1603 e 1714.
- Um dos principais reis desta dinastia foi Jaime I, que governou entre 1603 e 1625. Conseguiu unir a Escócia com a Inglaterra. Teve grande apoio da nobreza, porém sofreu com a resistência do Parlamento. Utilizou a perseguição religiosa para impor o anglicanismo.
- Filho de Jaime I, Carlos I foi outro importante rei absolutista inglês. Seu governo foi e 1625 a 1648. Buscando reduzir e controlar o governo deste monarca, o Parlamento entrou em conflito com ele. Carlos I dissolveu o Parlamento, como forma de restaurar os poderes absolutos da monarquia. Este conflito de poderes foi uma das principais causas da guerra civil que ocorreu na Inglaterra entre os anos de 1641 e 1649. Liderados por Oliver Cromwell, os opositores ao rei saíram vencedores. Carlos I foi executado a pedido do Parlamento, sepultando assim o absolutismo na Inglaterra.
Conclusão
Ao contrário de França ou Espanha, as ambições absolutistas dos monarcas ingleses enfrentaram uma resistência significativa e, em última análise, não conseguiram criar raízes. A cultura política na Inglaterra, que tinha uma forte tradição de autoridade legal e parlamentar, revelou-se um obstáculo intransponível para o estabelecimento da monarquia absoluta.
Resumo
Absolutismo na Inglaterra
• Período histórico: o Absolutismo inglês desenvolveu-se principalmente entre os séculos XVI e XVII, em um contexto de fortalecimento das monarquias europeias.
• Centralização do poder real: os reis ingleses buscaram ampliar sua autoridade sobre a administração, a justiça, a arrecadação de impostos e as decisões políticas do reino.
• Dinastia Tudor: entre 1485 e 1603, os Tudor fortaleceram a monarquia, especialmente nos governos de Henrique VIII e Elizabeth I.
• Henrique VIII: governou entre 1509 e 1547 e rompeu com a Igreja Católica, criando a Igreja Anglicana e aumentando o controle do rei sobre assuntos religiosos e políticos.
• Reforma Anglicana: a criação da Igreja Anglicana, no século XVI, permitiu ao monarca controlar parte das riquezas e propriedades antes ligadas à Igreja Católica.
• Elizabeth I: governou entre 1558 e 1603, consolidou o poder da monarquia, fortaleceu a marinha inglesa e apoiou a expansão comercial.
• Limites ao poder real: mesmo com o fortalecimento da monarquia, a Inglaterra possuía o Parlamento, instituição que representava setores da nobreza e da burguesia.
• Dinastia Stuart: a partir de 1603, os reis Stuart defenderam com mais força a ideia do direito divino dos reis e tentaram governar com menor interferência parlamentar.
• Jaime I: governou entre 1603 e 1625 e entrou em conflito com o Parlamento ao defender a autoridade quase ilimitada do rei.
• Carlos I: governou entre 1625 e 1649 e agravou os conflitos políticos ao tentar impor impostos sem aprovação parlamentar e governar de forma autoritária.
• Conflito entre rei e Parlamento: no século XVII, a disputa envolvia o controle dos impostos, do exército, das leis e da participação política da burguesia e da nobreza parlamentar.
• Guerra Civil Inglesa: ocorreu entre 1642 e 1651, colocando em confronto os defensores do rei e os partidários do Parlamento.
• Execução de Carlos I: em 1649, Carlos I foi executado, fato que marcou uma ruptura profunda com a tradição absolutista inglesa.
• República de Oliver Cromwell: entre 1649 e 1660, a monarquia foi abolida temporariamente, e a Inglaterra viveu uma experiência republicana comandada por Oliver Cromwell.
• Revolução Gloriosa: em 1688, o poder real foi definitivamente limitado, consolidando a supremacia do Parlamento sobre a monarquia.
• Monarquia parlamentar: após 1688 e a Declaração de Direitos de 1689, a Inglaterra afastou o modelo absolutista e consolidou um sistema em que o rei governava submetido às leis e ao Parlamento.
Dúvidas frequentes sobre Absolutismo na Inglaterra:
O fortalecimento da monarquia Tudor fez o Parlamento inglês desaparecer?
Não. Os Tudor reforçaram a autoridade da Coroa, mas continuaram a utilizar o Parlamento para aprovar leis e dar sustentação a decisões importantes. No reinado de Henrique VIII, a ruptura com Roma e a transferência de autoridade religiosa para o monarca foram realizadas por meio de legislação parlamentar. Isso mostra que fortalecimento real e atuação do Parlamento podiam coexistir. Por essa razão, aplicar a ideia de absolutismo à Inglaterra exige cuidado: a monarquia inglesa não seguiu exatamente o mesmo caminho institucional observado na França de Luís XIV.
Por que Carlos I governar sem convocar o Parlamento gerou tensões?
Entre 1629 e 1640, Carlos I governou sem convocar o Parlamento, período conhecido como Governo Pessoal. Para obter recursos, recorreu a cobranças que provocaram oposição, enquanto suas políticas religiosas também alimentavam desconfianças. O problema envolvia não apenas o valor dos tributos, mas a autoridade para exigi-los e os direitos reivindicados pelos grupos representados no Parlamento. As necessidades financeiras de conflitos com a Escócia contribuíram para sua reconvocação em 1640. A ruptura entre o rei e seus adversários se aprofundou e desembocou em guerra civil.
A execução de Carlos I encerrou definitivamente a monarquia inglesa?
Não. Carlos I foi executado em 1649, e a Inglaterra passou por uma experiência republicana, na qual Oliver Cromwell se tornou a principal figura política e depois assumiu como lorde protetor. Essa mudança não criou uma democracia com participação igual para toda a população: houve exclusões e forte influência militar sobre o governo. Em 1660, a monarquia foi restaurada com Carlos II. Portanto, a execução do rei marcou uma ruptura profunda, mas não impediu o retorno da instituição monárquica nem resolveu todas as disputas sobre os limites do poder.
A Revolução Gloriosa transformou imediatamente a Inglaterra em uma democracia para todos?
Não. A deposição de Jaime II em 1688 e a chegada de Guilherme e Maria ao trono favoreceram uma monarquia submetida a limites parlamentares. O Bill of Rights, de 1689, restringiu práticas como a suspensão de leis pela Coroa e a cobrança de tributos sem autorização parlamentar. Entretanto, a participação política continuou concentrada em parcelas da população, com restrições sociais e religiosas, e as mulheres não receberam direitos eleitorais. O fortalecimento do Parlamento foi decisivo para limitar o rei, mas não correspondeu à implantação imediata do sufrágio universal.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 05/10/2026
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Bibliografia e vídeos indicados:
Fontes de pesquisa utilizadas:
https://tinkenglish.it/file_picupload/38163_absolutism%20in%20england.pdf
- ANDERSON, Perry. Linhagens do Estado Absolutista. São Paulo: Brasiliense, 2004.
- RODRIGUES, Antônio Edmilson M.; KAMITA, João Masao. História Moderna – os momentos fundadores da cultura ocidental. Petrópolis, Editora Vozes, 2018.
- BOULOS Jr., Alfredo, História – Sociedade e Cidadania. São Paulo: FTD, 2018.
