Movimentos e Fases das Artes Plásticas no Brasil
Artes Plásticas na Pré-História (de 15.000 a 3.000 a.C.)
As pinturas rupestres (em paredes de cavernas) mais antigas do Brasil foram encontradas na Serra da Capivara, no estado do Piauí. Na época entre 5.000 a.C. e 1.100, povos da Amazônia fabricaram objetos de enfeites e de cerâmica. Destacam-se os vasos de cerâmica da ilha de Marajó e do rio Tapajós. A arte plumária (com penas de pássaros) feitas por indígenas e a pintura corporal, usando tintas derivadas da natureza, representam importantes exemplos da arte indígena.
Artes Plásticas no início da colonização (séculos XV e XVI)
Junto com os portugueses, chegam ao país influências artísticas renascentistas e do começo da fase barroca. Na época em que os holandeses invadiram o nordeste brasileiro e lá permaneceram (de1630 a 1654), muitos artistas retratam a paisagem, os indígenas, os animais, as flores e o cotidiano do Nordeste. Na época do governo de Mauricio de Nassau, chegam ao Brasil muitos pintores, entre eles o paisagista Frans Post. Este artista holandês usa técnicas de luz e cor típicas da pintura holandesa e retrata desta forma os cenários do nordeste do Brasil, no século XVII.
O Barroco e o Rococó (séculos XVI ao XIX)
Período que se destaca as esculturas e decoração de igrejas com características religiosas. Destacam-se neste período os seguintes artistas: frei Agostinho da Piedade, Agostinho de Jesus, Domingos da Conceição da Silva e frei Agostinho do Pilar.
No auge do século do ouro, as igrejas são decoradas para mostrar o poder da Igreja. A utilização de curvas e espirais prevalecem nas obras deste período. Os artistas utilizam muito matérias-primas típicas do Brasil, tais como: pedra-sabão e madeira. O artista que mais se destacou nesta época foi Aleijadinho.
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Escultura do profeta Isaías, obra de Aleijadinho, um dos grandes nomes da arte barroca e da história da escultura brasileira. |
O Neoclassicismo (século XIX)
D. João VI ao chegar ao Brasil em 1808 efetuou mudanças no cenário cultural da colônia. Em 1816, trouxe para o Brasil, pintores e escultores comprometidos com o ideal do neoclassicismo. Destacavam-se na Missão Artística Francesa: Nicolas-Antoine Taunay, Félix-Émile Taunay, Jean-Baptiste Debret, Auguste Taunay e Le Breton (chefe da missão). Estes artistas buscaram retratar o cotidiano da colônia de uma forma romântica, idealizando a figura do indígena e ressaltando o nacionalismo e as paisagens naturais (florestas, plantas, rios, etc.).
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| Guerreiro indígena a cavalo: pintura de Debret. |
O Ecletismo nas artes plásticas (1870 a 1922)
Período marcado pesa fusão de estilos artísticos europeus como, por exemplo, o impressionismo, o simbolismo, o naturalismo e o romantismo. Fazem parte desta época: Eliseu Visconti, Almeida Júnior e Hélios Seelinger.
O Expressionismo (início do século XX)
Dois artistas expressionistas se destacam neste período: Lasar Segall e Anita Malfatti.
O primeiro, ao realizar sua primeira exposição em São Paulo, mostra sua pintura cheia de cores tropicais e repleta de cenas da realidade do Brasil.
Anita Malfatti choca a sociedade tradicional com suas obras expressionistas como, por exemplo, O homem Amarelo e O Japonês.
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| A Estudante (1915-1916): exemplo de obra expressionista de Anita Malfatti. |
Arte Moderna: modernismo na 1ª metade do século XX
O marco desta época foi a Semana de Arte Moderna realizada em São Paulo, em fevereiro de 1922. Nesta semana, vários artistas comprometidos em mudar a cara da arte nacional se apresentaram e chocaram a sociedade. Quebraram com os padrões europeus e buscaram valorizar a identidade nacional e uma arte, cujo cenário de fundo, eram as paisagens brasileiras e o povo brasileiro. Inovaram e romperam com o tradicional. O Modernismo preocupou-se muito a parte social do Brasil (principalmente as condições de vida das camadas mais pobres da sociedade).
Destacam-se como artistas modernistas: Di Cavalcanti, Vicente do Rêgo, Anita Malfatti, Lasar Segall, Tarsilla do Amaral, Victor Brecheret e Ismael Nery.
Para valorizar a arte modernista, embora reúnam obras de vários períodos, dois museus são criados nesta época: o MASP ( Museu de Arte Moderna de São Paulo), criado pelo empresário Assis Chateaubriand e o MAM-RJ (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro).
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Abaporu (1929), pintura de Tarsila do Amaral, uma das principais artistas plásticas do Modernismo brasileiro. |
O Concretismo (décadas de 1950 e 1960)
Movimento de arte abstrata marcado pelo uso de figuras geométricas e pela elaboração baseada no raciocínio. Esse movimento artístico foi criado pelo grupo paulista Ruptura, formado pelos artistas Haroldo de Campos, Geraldo de Barros e Valdemar Cordeiro.
No Rio de Janeiro, surge o grupo Frente que contesta a arte concreta e inicia o neoconcretismo. Aproximando-se da pop art e da arte cinética, elaboram obras de arte valorizando a luz, o espaço e os símbolos. São deste período: Amilcar de Castro, Franz Weissmann, Lygia Clark, Lygia Pape e Hélio Oiticica e Ivan Serpa.
O Construtivismo (década de 1950)
O movimento Construtivista brasileiro dos anos 1950 foi influenciado pelo Construtivismo Russo e pela arte Concreta europeia, mas os artistas brasileiros logo deram sua própria interpretação a esses princípios, resultando em um movimento que era distinto e original.
O Construtivismo no Brasil foi caracterizado pela simplificação das formas, uso de geometria básica, e a busca de uma arte universal, que fosse desprovida de subjetividade. Havia um foco em formas abstratas e geométricas puras e nas relações entre cores e formas, além da incorporação do espaço e do movimento na obra. A arte construtivista no Brasil também foi marcada por uma forte ligação com o design e a arquitetura.
O Grupo Ruptura, formado em São Paulo em 1952, é geralmente considerado o início do movimento construtivista no Brasil. Os membros do grupo incluíam Waldemar Cordeiro, Lothar Charoux, Luís Sacilotto, Kazmer Féjer, Leopoldo Haar e Anatol Wladyslaw, entre outros. Eles defendiam a arte concreta, que é uma forma de construtivismo, e rejeitavam a representação e a expressão pessoal em favor da abstração geométrica pura.
No Rio de Janeiro, surgiu um movimento paralelo liderado por artistas como Ivan Serpa, Abraham Palatnik e Aluísio Carvão, que fundaram o Grupo Frente. Embora também estivessem focados na arte concreta e construtivista, esses artistas eram um pouco menos dogmáticos em suas abordagens do que os membros do Grupo Ruptura.
O artista mais famoso associado ao construtivismo no Brasil é provavelmente Lygia Clark. Clark foi uma figura chave no movimento Neoconcreto, que surgiu no final dos anos 1950 como uma reação contra o rigor do construtivismo. Embora o Neoconcretismo ainda fosse baseado em formas abstratas e geométricas, ele reintroduziu a subjetividade e a experiência pessoal na arte.
O informalismo e a arte abstrata (1960 a 1970)
Nesta fase, a arte abstrata passa a ser marcada pelo informalismo lírico e gestual. Os meios de comunicação fornecem os temas para a produção de obras de arte politicamente engajadas.
Destacam-se os seguintes artistas:Tomie Ohtake, Manabu Mabe, Arcângelo Ianelli e Maria Bonomi.
Década de 1970: tecnologias e arte
Nesta época novos sistemas e meios são utilizados nas obras de arte. A instalação (utilização de tecnologia para promover uma interação entre obra e espectador), o grafite (pinturas em spray em locais públicos), a arte postal (uso dos meios postais para criação de obras de arte) e a performance (uso de teatro ou dança em conjunto com as obras).
Destacam-se nesta época: Sirón Franco, Antonio Lizárraga, Luiz Paulo Baravelli, Cláudio Tozzi, Takashi Fukushima, Alex Vallauri, Regina Silveira, Evandro Jardim, Mira Schendel e José Roberto Aguilar.
Neoexpressionismo (década de 1980)
Na década de oitenta a arte resgata os meios artísticos tradicionais, embora haja, ao mesmo tempo, o fortalecimento da arte conceitual e do abstracionismo. Meios tecnológicos interferem, tornando possível o surgimento da videoarte (uso de imagens e sons, feitos em vídeo, nas artes plásticas). Relações entre o espaço público e a obra de arte possibilitam uma intervenção urbana, dando origem à arte pública.
Importantes artistas neoexpressionistas: Guto Lacaz, Cildo Meireles, Tunga, Carmela Gross, Dudi Maia Rosa, Rafael França, Ivald Granato, Marcelo Nitsche, Mário Ramiro, Hudnilson Junior, Daniel Senise e Alex Flemming.
Pós-modernismo (década de 1990)
As discussões sobre a história da arte e os conceitos artísticos ganham importância e influenciam este período. Uso de tecnologias, desconstrução da arte, aproximações da arte e do mundo real, globalização da arte. Estes foram os caminhos da arte na década de 1990.
Artistas desta época: Leda Catunda, Sandra Kogut, Laurita Sales, Iran do Espírito Santo, Rosângela Rennó, Jac Leirner, Hélio Vinci, Aprígio, Ana Amália, Marcos Benjamin Coelho, Cláudio Mubarac, Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Luis Hermano e Alex Cerveny.
Linha do tempo das Artes Plásticas no Brasil
Antes de 1500: arte indígena brasileira
Antes da chegada dos portugueses, os povos indígenas já produziam diversas formas de arte, como cerâmicas, pinturas corporais, trançados, máscaras, plumárias, cestarias e objetos rituais. Essas produções estavam ligadas à vida cotidiana, à espiritualidade, à guerra, às festas e à relação com a natureza.
Principais expressões: cerâmica marajoara, cerâmica tapajônica, arte plumária, grafismos corporais e cestaria indígena.
Principais artistas: produção coletiva de diferentes povos indígenas, como Marajoara, Tapajó, Karajá, Kadiwéu, Yanomami, Tukano e muitos outros.
Séculos XVI e XVII: arte colonial e arte religiosa
Com a colonização portuguesa iniciada em 1500, as artes plásticas no Brasil passaram a ser fortemente influenciadas pelo Catolicismo e pelas necessidades da colonização. Igrejas, conventos, imagens de santos, altares e pinturas religiosas tornaram-se as principais manifestações artísticas do período.
Principais movimentos: arte colonial, maneirismo tardio, início do barroco religioso.
Principais obras: igrejas coloniais de Salvador, Olinda, Recife e Rio de Janeiro; imagens sacras em madeira; retábulos de igrejas católicas.
Principais artistas: Frei Agostinho da Piedade, Frei Agostinho de Jesus e artistas anônimos ligados às oficinas religiosas.
Século XVIII: barroco brasileiro
No século XVIII, o Barroco tornou-se o principal estilo artístico no Brasil, especialmente em Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. A arte barroca brasileira destacou-se pela decoração intensa das igrejas, pelo uso de talha dourada, pela dramaticidade das imagens sacras e pela integração entre arquitetura, escultura e pintura.
Principais movimentos: Barroco brasileiro, Rococó religioso.
Principais obras: Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto; Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas; profetas de Congonhas; Passos da Paixão de Cristo; Igreja de São Francisco, em Salvador.
Principais artistas: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho; Manuel da Costa Ataíde, conhecido como Mestre Ataíde; Valentim da Fonseca e Silva, conhecido como Mestre Valentim.
1808: chegada da Corte portuguesa ao Brasil
A chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, modificou a vida cultural da colônia. A presença da Corte estimulou instituições artísticas, urbanização, encomendas oficiais e maior contato com modelos europeus.
Principais mudanças: criação de instituições culturais, valorização da arte oficial, fortalecimento da pintura de retrato e da arte ligada ao poder político.
Principais artistas: Leandro Joaquim, José Leandro de Carvalho e artistas ligados às encomendas da Corte.
1816: Missão Artística Francesa
Em 1816, chegou ao Brasil a Missão Artística Francesa, grupo de artistas europeus que influenciou profundamente a formação acadêmica das artes plásticas no país. A missão contribuiu para introduzir padrões neoclássicos e para organizar o ensino artístico oficial.
Principais movimentos: Neoclassicismo, academicismo inicial.
Principais obras: projetos arquitetônicos, retratos oficiais e pinturas históricas ligadas à Corte.
Principais artistas: Jean-Baptiste Debret, Nicolas-Antoine Taunay, Auguste-Marie Taunay e Grandjean de Montigny.
1826: criação da Academia Imperial de Belas Artes
A Academia Imperial de Belas Artes, inaugurada em 1826 no Rio de Janeiro, tornou-se a principal instituição de ensino artístico do Brasil durante o século XIX. Ela consolidou o modelo acadêmico, baseado no desenho, na pintura histórica, na pintura de retrato, na escultura e na valorização da arte europeia.
Principais movimentos: academicismo, Neoclassicismo e pintura histórica.
Principais artistas: Manuel de Araújo Porto-Alegre, Félix Taunay, Victor Meirelles e Pedro Américo.
1830 a 1880: pintura histórica e construção da identidade nacional
Durante o Segundo Reinado, entre 1840 e 1889, a pintura histórica ganhou grande importância no Brasil. O Império utilizou a arte para construir símbolos nacionais, representar episódios da História do Brasil e fortalecer a imagem do Estado.
Principais movimentos: academicismo, Romantismo histórico, pintura oficial.
Principais obras: "A primeira missa no Brasil", de Victor Meirelles; "Batalha dos Guararapes", de Victor Meirelles; "Independência ou Morte", de Pedro Américo; "Batalha do Avaí", de Pedro Américo.
Principais artistas: Victor Meirelles, Pedro Américo, Rodolfo Amoedo, Almeida Júnior e Zeferino da Costa.
Final do século XIX: Realismo, Naturalismo e temas brasileiros
No final do século XIX, parte dos artistas começou a se afastar dos grandes temas heroicos e históricos, aproximando-se de cenas do cotidiano, paisagens, personagens populares e temas regionais. Esse processo ajudou a ampliar os assuntos representados nas artes plásticas brasileiras.
Principais movimentos: Realismo, Naturalismo, academicismo tardio.
Principais obras: "O violeiro", de Almeida Júnior; "Caipira picando fumo", de Almeida Júnior; "Arrufos", de Belmiro de Almeida; "A partida da monção", de Almeida Júnior.
Principais artistas: Almeida Júnior, Belmiro de Almeida, Rodolfo Amoedo, Antônio Parreiras e Eliseu Visconti.
Final do século XIX e início do século XX: Impressionismo e Simbolismo no Brasil
Entre o final do século XIX e o começo do século XX, alguns artistas brasileiros passaram a incorporar elementos do Impressionismo, do Simbolismo e de tendências decorativas europeias. A cor, a luz, a atmosfera e a subjetividade ganharam maior importância.
Principais movimentos: Impressionismo, Simbolismo, Art Nouveau e Pré-Modernismo artístico.
Principais obras: "Gioventù", de Eliseu Visconti; "Maternidade", de Eliseu Visconti; "Recompensa de São Sebastião", de Eliseu Visconti; pinturas decorativas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Principais artistas: Eliseu Visconti, João Batista da Costa, Antônio Parreiras e Lucílio de Albuquerque.
1910 a 1920: Lasar Segall e Anita Malfatti
Na década de 1910, as artes plásticas brasileiras passaram a receber influências mais diretas das vanguardas europeias, como Expressionismo, Cubismo e Futurismo. Lasar Segall e Anita Malfatti foram fundamentais para introduzir novas formas de representação, rompendo com os padrões acadêmicos tradicionais.
Principais movimentos: Expressionismo, primeiras experiências modernistas.
Principais obras: "O homem amarelo", de Anita Malfatti; "A estudante russa", de Anita Malfatti; "A boba", de Anita Malfatti; "Navio de emigrantes", de Lasar Segall.
Principais artistas: Anita Malfatti e Lasar Segall.
1917: exposição de Anita Malfatti
A exposição de Anita Malfatti, realizada em 1917, tornou-se um marco para o Modernismo brasileiro. Suas obras provocaram forte reação crítica, especialmente de setores ligados ao gosto acadêmico, mas abriram caminho para a renovação artística que seria consolidada em 1922.
Principais movimento: Modernismo inicial.
Principais obras: "O homem amarelo", "A estudante russa", "A boba" e "O japonês".
Principal artista: Anita Malfatti.
1922: Semana de Arte Moderna
A Semana de Arte Moderna, realizada no Theatro Municipal de São Paulo em fevereiro de 1922, foi um marco da ruptura com o academicismo. O evento defendeu uma arte brasileira moderna, aberta às vanguardas europeias, mas também interessada em temas nacionais.
Principais movimentos: Modernismo brasileiro, vanguardas artísticas.
Principais obras: pinturas e esculturas modernistas apresentadas no evento; obras de Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Victor Brecheret.
Principais artistas: Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Victor Brecheret, John Graz, Zina Aita e Vicente do Rego Monteiro.
Década de 1920: primeira fase do Modernismo
Após 1922, os artistas modernistas buscaram uma linguagem brasileira, usando cores fortes, deformações expressivas, temas populares, indígenas, urbanos e rurais. A arte passou a dialogar com a cultura nacional, a industrialização, o crescimento das cidades e a crítica aos modelos europeus rígidos.
Principais movimentos: Modernismo, Pau-Brasil, Antropofagia.
Principais obras: "Abaporu", de Tarsila do Amaral; "A negra", de Tarsila do Amaral; "Antropofagia", de Tarsila do Amaral; "Samba", de Di Cavalcanti; esculturas de Victor Brecheret.
Principais artistas: Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Victor Brecheret, Vicente do Rego Monteiro e Ismael Nery.
1928: "Abaporu" e o movimento antropofágico
Em 1928, Tarsila do Amaral pintou "Abaporu", obra que inspirou o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade. A proposta antropofágica defendia a assimilação crítica de influências estrangeiras, transformando-as em uma arte ligada à realidade brasileira.
Principal movimento: Antropofagia modernista.
Principal obra: "Abaporu", de Tarsila do Amaral.
Principais artistas: Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade no campo literário e intelectuais modernistas associados ao movimento.
Década de 1930: arte social e crítica da realidade brasileira
Na década de 1930, muitos artistas modernistas passaram a representar trabalhadores, migrantes, desigualdades sociais, festas populares, vida urbana e problemas nacionais. A arte moderna ganhou forte dimensão social e política.
Principais movimentos: Modernismo social, arte figurativa moderna.
Principais obras: "Operários", de Tarsila do Amaral; "Segunda classe", de Tarsila do Amaral; obras de Portinari sobre trabalhadores e retirantes; pinturas de Di Cavalcanti sobre festas populares e personagens urbanos.
Principais artistas: Candido Portinari, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Cícero Dias e Alberto da Veiga Guignard.
1935 a 1945: Candido Portinari e a pintura social
Candido Portinari tornou-se um dos principais nomes das artes plásticas brasileiras ao representar trabalhadores, infância, religiosidade popular, retirantes, desigualdades sociais e episódios históricos. Sua obra combinou modernismo, monumentalidade, crítica social e forte identidade brasileira.
Principais movimentos: Modernismo social, muralismo, pintura histórica moderna.
Principais obras: "Café"; "Mestiço"; "Retirantes"; "Criança morta"; "Guerra e Paz"; painéis do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro.
Principal artista: Candido Portinari.
Décadas de 1930 e 1940: Grupo Santa Helena
O Grupo Santa Helena reuniu artistas ligados ao cotidiano urbano, ao trabalho, aos bairros populares e às paisagens da cidade de São Paulo. Muitos de seus integrantes tinham origem operária ou imigrante, o que marcou a sensibilidade social de suas obras.
Principais movimentos: modernismo paulista, pintura social, arte figurativa.
Principais obras: paisagens urbanas, cenas de trabalhadores, bairros paulistanos e retratos populares.
Principais artistas: Francisco Rebolo, Alfredo Volpi, Mario Zanini, Clóvis Graciano, Aldo Bonadei e Fulvio Pennacchi.
1947: criação do Museu de Arte de São Paulo
A criação do Museu de Arte de São Paulo, em 1947, contribuiu para a ampliação do contato do público brasileiro com a arte europeia, brasileira e internacional. A instituição tornou-se importante espaço de formação cultural e de valorização das artes plásticas.
Principais movimentos relacionados: arte moderna, museologia, circulação artística internacional.
Principais nomes: Pietro Maria Bardi e Assis Chateaubriand, ligados à criação do museu.
1948: criação do Museu de Arte Moderna de São Paulo
O Museu de Arte Moderna de São Paulo foi criado em 1948 e teve papel importante na difusão da arte moderna no Brasil. A instituição ajudou a aproximar artistas brasileiros das tendências internacionais do pós-guerra.
Principais movimentos: Modernismo, abstração, arte contemporânea inicial.
Principais artistas associados ao contexto: Cicero Dias, Alfredo Volpi, Emiliano Di Cavalcanti, Lasar Segall e artistas abstratos emergentes.
1951: primeira Bienal Internacional de São Paulo
A primeira Bienal Internacional de São Paulo, realizada em 1951, colocou o Brasil em contato direto com a arte internacional contemporânea. O evento ajudou a fortalecer a arte abstrata, a arte concreta e os debates sobre modernização cultural.
Principais movimentos: abstracionismo, arte concreta, arte moderna internacional.
Principais artistas brasileiros do período: Ivan Serpa, Abraham Palatnik, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Alfredo Volpi e Waldemar Cordeiro.
Década de 1950: arte concreta
Na década de 1950, a arte concreta ganhou força no Brasil, especialmente em São Paulo. Esse movimento valorizava a geometria, a racionalidade, a organização visual, a cor e a forma autônoma, afastando-se da representação figurativa tradicional.
Principais movimentos: Concretismo, abstracionismo geométrico.
Principais obras: composições geométricas de Waldemar Cordeiro, Luiz Sacilotto, Geraldo de Barros e Judith Lauand.
Principais artistas: Waldemar Cordeiro, Luiz Sacilotto, Geraldo de Barros, Lothar Charoux, Judith Lauand e Hermelindo Fiaminghi.
1959: Neoconcretismo
O Neoconcretismo surgiu no Rio de Janeiro, em 1959, como reação à rigidez racionalista do Concretismo. Os neoconcretos valorizaram a experiência sensível, a participação do público, o corpo e a relação entre obra e espaço.
Principais movimentos: Neoconcretismo, arte participativa.
Principais obras: "Bichos", de Lygia Clark; "Livro da criação", de Lygia Pape; "Metaesquemas", de Hélio Oiticica; obras espaciais de Amilcar de Castro.
Principais artistas: Lygia Clark, Lygia Pape, Hélio Oiticica, Amilcar de Castro, Franz Weissmann e Ferreira Gullar no campo teórico.
Década de 1960: arte experimental e participação do público
Na década de 1960, a arte brasileira passou por forte experimentação. A obra deixou de ser apenas objeto de contemplação e passou a envolver o corpo, o espaço, a ação e a participação do espectador.
Principais movimentos: arte experimental, arte participativa, Nova Objetividade Brasileira.
Principais obras: "Parangolés", de Hélio Oiticica; "Tropicália", de Hélio Oiticica; proposições sensoriais de Lygia Clark; trabalhos de Lygia Pape.
Principais artistas: Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Rubens Gerchman, Antonio Dias e Carlos Vergara.
1964 a 1985: arte durante a Ditadura Militar
Durante a Ditadura Militar no Brasil, entre 1964 e 1985, muitos artistas produziram obras críticas, usando metáforas visuais, linguagem conceitual, instalações, performances e intervenções urbanas. A censura e a repressão estimularam formas indiretas e experimentais de contestação.
Principais movimentos: arte conceitual, arte política, Nova Objetividade Brasileira, arte postal, performance.
Principais obras: "Inserções em circuitos ideológicos", de Cildo Meireles; "Trouxas ensanguentadas", de Artur Barrio; obras de Antonio Manuel e Antonio Dias.
Principais artistas: Cildo Meireles, Artur Barrio, Antonio Manuel, Antonio Dias, Anna Bella Geiger, Regina Silveira e Rubens Gerchman.
Década de 1970: arte conceitual e novas linguagens
Na década de 1970, a arte brasileira incorporou fotografia, vídeo, performance, instalação, arte postal e intervenção urbana. A ideia passou a ter papel central na obra, muitas vezes mais importante que o objeto artístico tradicional.
Principais movimentos: arte conceitual, videoarte, performance, arte postal.
Principais obras: trabalhos conceituais de Cildo Meireles; experimentações de Anna Bella Geiger; performances de Letícia Parente; intervenções de Paulo Bruscky.
Principais artistas: Cildo Meireles, Anna Bella Geiger, Letícia Parente, Paulo Bruscky, Regina Vater e Waltercio Caldas.
Década de 1980: Geração 80 e retorno da pintura
Na década de 1980, especialmente após a exposição "Como vai você, Geração 80?", realizada em 1984, houve uma retomada da pintura com cores intensas, gestualidade, liberdade formal e referências à cultura urbana. Esse período coincidiu com a abertura política e o fim da Ditadura Militar em 1985.
Principais movimentos: Geração 80, neoexpressionismo, pintura contemporânea.
Principais obras: pinturas de Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Leda Catunda e Leonilson.
Principais artistas: Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Leda Catunda, Leonilson, Luiz Zerbini, Cristina Canale e Jorge Guinle.
Década de 1990: arte contemporânea brasileira e projeção internacional
Na década de 1990, a arte contemporânea brasileira ganhou maior projeção internacional. Instalações, fotografias, objetos, performances e obras conceituais passaram a circular em bienais, museus e exposições fora do Brasil.
Principais movimentos: arte contemporânea, instalação, fotografia, arte conceitual.
Principais obras: instalações de Ernesto Neto; obras fotográficas de Vik Muniz; trabalhos de Adriana Varejão; obras de Rosângela Rennó; instalações de Tunga.
Principais artistas: Adriana Varejão, Ernesto Neto, Vik Muniz, Rosângela Rennó, Tunga, Jac Leirner e José Damasceno.
Décadas de 2000 e 2010: diversidade, memória e identidade
Nas primeiras décadas do século XXI, as artes plásticas no Brasil ampliaram o debate sobre identidade, memória, território, raça, gênero, ancestralidade, urbanização, meio ambiente e desigualdades sociais. A produção artística tornou-se mais plural, com forte presença de artistas indígenas, afro-brasileiros, periféricos e coletivos urbanos.
Principais movimentos: arte contemporânea, arte urbana, arte afro-brasileira, arte indígena contemporânea, instalações e performances.
Principais obras: produções de Rosana Paulino sobre memória e escravidão; obras de Jaider Esbell sobre arte indígena contemporânea; murais de Eduardo Kobra; instalações de Ernesto Neto; trabalhos de Adriana Varejão.
Principais artistas: Rosana Paulino, Adriana Varejão, Ernesto Neto, Vik Muniz, Jaider Esbell, Denilson Baniwa, Ayrson Heráclito, Maxwell Alexandre e Eduardo Kobra.
2010 em diante: arte indígena contemporânea
A partir da década de 2010, a arte indígena contemporânea passou a ocupar espaço crescente em museus, bienais e debates culturais. Essa produção questiona visões coloniais, valoriza cosmologias indígenas e afirma a presença política e cultural dos povos originários no Brasil atual.
Principais movimentos: arte indígena contemporânea, arte decolonial, arte contemporânea brasileira.
Principais obras: trabalhos de Jaider Esbell; obras de Denilson Baniwa; produções de Daiara Tukano; pinturas, instalações e intervenções de artistas indígenas em exposições nacionais e internacionais.
Principais artistas: Jaider Esbell, Denilson Baniwa, Daiara Tukano, Gustavo Caboco, Uýra e Naine Terena.
2020 em diante: arte contemporânea, tecnologia e debates sociais
A partir de 2020, a arte brasileira continuou marcada pela pluralidade de linguagens, com uso de pintura, escultura, fotografia, vídeo, instalação, arte digital, muralismo, performance e obras imersivas. Muitos artistas passaram a tratar de temas como crise ambiental, memória histórica, desigualdade social, racismo, ancestralidade, território e transformações tecnológicas.
Principais movimentos: arte contemporânea, arte digital, arte urbana, arte indígena contemporânea, arte afro-brasileira contemporânea.
Principais obras: produções recentes de artistas contemporâneos em bienais, museus, galerias e espaços públicos.
Principais artistas: Rosana Paulino, Adriana Varejão, Ernesto Neto, Vik Muniz, Denilson Baniwa, Daiara Tukano, Maxwell Alexandre, Panmela Castro e Eduardo Kobra.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 01/05/2026
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Fontes de referência:
BATTISTONI FILHO, Duilio. Pequena História das Artes no Brasil. Campinas: Editora Atomo, 2008.
PEREIRA, Sônia Gomes. História da Arte no Brasil – Textos de Síntese. São Paulo: Editora Nacional, 2015.




