Plêiades

 


O que são as Plêiades?



As Plêiades são um aglomerado aberto de estrelas localizado na constelação de Touro. Também são conhecidas pelo nome de M45, por integrarem o catálogo organizado pelo astrônomo francês Charles Messier no século XVIII. A olho nu, aparecem como um pequeno grupo de estrelas brilhantes, geralmente percebido como uma mancha luminosa ou como um conjunto de seis ou sete estrelas próximas entre si.

Do ponto de vista astronômico, as Plêiades não são uma constelação, mas um aglomerado estelar. Isso significa que suas estrelas nasceram aproximadamente na mesma região do espaço, a partir de uma antiga nuvem molecular formada por gás e poeira. Por esse motivo, muitas delas têm idade, composição química e movimento semelhantes, o que permite aos astrônomos estudá-las como uma espécie de "família estelar".

As Plêiades estão entre os objetos celestes mais conhecidos do céu noturno. Sua visibilidade a olho nu fez com que fossem observadas desde a Antiguidade por diferentes povos, aparecendo em mitologias, calendários agrícolas, tradições de navegação e registros astronômicos. Por estarem relativamente próximas da Terra, também são muito estudadas na Astronomia moderna.



Localização no céu



As Plêiades ficam na constelação de Touro, uma região do céu visível especialmente nos meses de primavera e verão do Hemisfério Sul, sobretudo entre outubro e março. Para observadores no Brasil, elas costumam aparecer próximas à estrela Aldebarã, uma estrela alaranjada e brilhante que marca o "olho" do Touro.

Uma forma simples de localizá-las é observar a região próxima à constelação de Órion, conhecida popularmente no Brasil pelo conjunto das "Três Marias". Prolongando mentalmente a linha formada por essas três estrelas em direção a Aldebarã, é possível chegar à área onde se encontra o pequeno agrupamento das Plêiades.

Em locais com céu escuro, longe da poluição luminosa das cidades, as Plêiades podem ser vistas sem instrumentos. Com binóculos, o conjunto se torna muito mais nítido, revelando dezenas de estrelas. Telescópios pequenos também permitem observar melhor o aglomerado, embora aumentos muito fortes possam dificultar a visão do conjunto inteiro, pois as Plêiades ocupam uma área relativamente ampla no céu.



Distância e tamanho



As Plêiades estão a cerca de 440 anos-luz da Terra. Isso significa que a luz que vemos hoje partiu desse aglomerado há aproximadamente 440 anos. Quando observamos as Plêiades no céu, estamos vendo uma luz que iniciou sua viagem pelo espaço em uma época anterior à existência da Astronomia moderna.

O aglomerado contém mais de mil estrelas conhecidas, embora apenas uma pequena parte delas seja visível a olho nu. As estrelas mais brilhantes são azuladas ou branco-azuladas, indicando temperaturas superficiais elevadas. Entre as mais conhecidas estão Alcíone, Maia, Electra, Merope, Taigete, Celeno e Asterope, nomes associados à mitologia grega.

A aparência compacta das Plêiades no céu é resultado da grande distância em relação ao observador terrestre. Na realidade, as estrelas do aglomerado estão separadas por distâncias enormes. Mesmo assim, quando comparadas com estrelas isoladas da galáxia, elas ainda formam um grupo físico relacionado pela gravidade e por uma origem comum.



Origem e idade das Plêiades



As Plêiades são consideradas um aglomerado jovem em termos astronômicos. Sua idade é estimada em cerca de 100 milhões de anos. Esse número pode parecer imenso quando comparado à escala da vida humana, mas é pequeno quando comparado à idade do Sol, que tem cerca de 4,6 bilhões de anos.

As estrelas das Plêiades se formaram a partir do colapso de uma nuvem molecular. Nessas regiões, a gravidade concentra grandes quantidades de gás e poeira, favorecendo o nascimento de estrelas. Depois de formadas, essas estrelas passaram a se mover juntas pelo espaço, mantendo parte da associação original.

Com o passar de milhões de anos, a gravidade da Via Láctea e as interações entre as próprias estrelas tendem a dispersar aglomerados abertos. Por isso, as Plêiades não permanecerão agrupadas para sempre. No futuro distante, suas estrelas deverão se espalhar pela galáxia, como ocorreu com muitos outros antigos aglomerados estelares.



As estrelas das Plêiades



As estrelas mais luminosas das Plêiades são estrelas quentes, jovens e massivas, muitas delas pertencentes ao tipo espectral B. Esse tipo de estrela emite grande quantidade de luz azulada, característica associada a altas temperaturas superficiais. Por isso, em fotografias astronômicas, o aglomerado aparece com uma tonalidade azul intensa.

Apesar de serem muito brilhantes, essas estrelas não vivem tanto quanto estrelas menores e mais frias, como o Sol. Estrelas massivas consomem seu combustível nuclear com rapidez, pois fundem hidrogênio em hélio em ritmo muito acelerado. Assim, sua vida estelar é relativamente curta quando comparada à de estrelas menos massivas.

O aglomerado também possui estrelas menores e menos brilhantes, muitas delas invisíveis a olho nu. Essas estrelas são importantes para os estudos astronômicos porque ajudam a compreender a distribuição de massas dentro do aglomerado. A análise de estrelas brilhantes e fracas permite investigar como se formam grupos estelares e como eles evoluem ao longo do tempo.



A nebulosidade azulada



Um dos aspectos mais marcantes das Plêiades é a nebulosidade azulada que aparece ao redor de algumas de suas estrelas em imagens obtidas por telescópios. Essa nebulosidade não é uma nuvem iluminada por luz própria. Trata-se de uma nebulosa de reflexão, formada por poeira interestelar que reflete e espalha a luz das estrelas brilhantes do aglomerado.

A cor azul ocorre porque partículas de poeira espalham a luz azul com mais eficiência do que a luz vermelha, fenômeno semelhante ao que contribui para a cor azul do céu terrestre. No caso das Plêiades, as estrelas jovens e quentes iluminam a poeira ao redor, produzindo o efeito visual característico.

Durante muito tempo, imaginou-se que essa poeira pudesse ser remanescente da nuvem que deu origem ao aglomerado. Hoje, muitos astrônomos interpretam essa nebulosidade como material interestelar pelo qual as Plêiades estão passando em seu movimento pela galáxia. Assim, a poeira não seria necessariamente o "berço" original das estrelas, mas uma região atravessada pelo aglomerado.



Importância para a Astronomia



As Plêiades são importantes porque funcionam como um laboratório natural para o estudo da evolução estelar. Como suas estrelas têm origem comum e idade semelhante, os astrônomos podem comparar estrelas de diferentes massas dentro de um mesmo ambiente. Isso ajuda a entender por que algumas estrelas evoluem mais rapidamente do que outras.

O aglomerado também foi essencial em debates sobre a medição de distâncias no Universo. Durante anos, houve divergências entre medidas obtidas por diferentes métodos e instrumentos. O estudo das Plêiades ajudou a aperfeiçoar técnicas de paralaxe, que medem pequenas mudanças aparentes na posição das estrelas ao longo do movimento da Terra em torno do Sol.

Missões modernas, como Gaia e TESS, ampliaram o conhecimento sobre o aglomerado. Observações recentes indicam que há estrelas associadas às Plêiades distribuídas por uma região muito mais extensa do céu do que se imaginava anteriormente. Isso sugere que a história dinâmica do aglomerado é mais ampla e complexa do que a aparência compacta observada a olho nu poderia indicar.



As Plêiades na cultura



As Plêiades aparecem em tradições de muitos povos. Na mitologia grega, eram associadas às sete filhas de Atlas e Pleione, conhecidas como as "Sete Irmãs". Os nomes de várias estrelas brilhantes do aglomerado derivam dessa tradição mitológica, o que mostra a ligação histórica entre observação do céu, narrativa simbólica e organização cultural.

Em diferentes sociedades antigas, o aparecimento das Plêiades no céu foi usado como referência para atividades agrícolas e marítimas. O nascimento helíaco do aglomerado, isto é, sua primeira aparição no horizonte pouco antes do nascer do Sol, servia como marcador sazonal. Em algumas culturas, esse fenômeno indicava períodos de plantio, colheita ou navegação.

Essa presença cultural demonstra que a Astronomia não nasceu apenas como ciência matemática, mas também como prática de observação ligada à vida cotidiana. Antes dos telescópios, os povos já utilizavam o movimento aparente das estrelas para organizar calendários, orientar deslocamentos e interpretar os ciclos da natureza.

Como observar as Plêiades



Para observar as Plêiades, o ideal é escolher uma noite sem Lua intensa e com pouca poluição luminosa. Em áreas urbanas, o aglomerado ainda pode ser visto, mas costuma aparecer menos definido. Em regiões rurais ou afastadas de grandes cidades, torna-se muito mais fácil perceber seu formato e identificar algumas de suas estrelas principais.

A observação com binóculos costuma ser uma das melhores formas de apreciar o aglomerado. Diferentemente de telescópios com grande aumento, os binóculos mostram uma área mais ampla do céu, permitindo ver o conjunto estelar de maneira mais completa. Para fins didáticos, essa é uma excelente atividade, pois ajuda os alunos a perceberem a diferença entre observação a olho nu e observação instrumental.

Também é importante orientar os estudantes a não confundirem as Plêiades com planetas ou estrelas isoladas. O aglomerado tem aparência agrupada e levemente nebulosa, sobretudo quando observado de forma indireta. Olhar ligeiramente ao lado do objeto, em vez de fixar a visão diretamente nele, pode ajudar a perceber estrelas mais fracas.



Curiosidades sobre as Plêiades



As Plêiades são conhecidas popularmente como "Sete Irmãs", embora a maioria das pessoas consiga ver apenas seis estrelas a olho nu em condições comuns de observação. A visibilidade depende da qualidade do céu, da acuidade visual do observador e da intensidade da poluição luminosa.

Galileu Galilei observou as Plêiades com telescópio no início do século XVII e percebeu que havia muito mais estrelas no aglomerado do que os olhos humanos podiam distinguir. Essa observação ajudou a reforçar uma mudança profunda na compreensão do céu: muitos objetos aparentemente simples revelavam estruturas muito mais ricas quando observados com instrumentos.

As Plêiades também são um excelente exemplo de como a Astronomia combina observação antiga e ciência moderna. O mesmo objeto que orientou agricultores, navegadores e narrativas mitológicas hoje é estudado por satélites espaciais, telescópios de grande precisão e modelos computacionais de evolução estelar.

 

 

Sistema estelar Alcyone

Sistema estelar Alcyone e sua localização nas plêiades

 

Plêiades brilhando no céu noturno

Plêiades: as estrelas mais brilhantes do céu noturno.

 

 



Por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)

Atualizado em 25/06/2026