Graciliano Ramos

Saiba mais sobre a vida e a obras desse importante escritor modernista brasileiro

Graciliano Ramos: importante escritor do Modernismo no Brasil
Graciliano Ramos: importante escritor do Modernismo no Brasil

 

Quem foi


Graciliano Ramos de Oliveira, conhecido mais amplamente por sua obra “Vidas Secas”. É considerado um dos grandes escritores (romancista, contista e cronista) da Segunda Geração do Modernismo no Brasil.

 

Graciliano Ramos - mais conhecido por sua obra Vidas Secas (1938) - foi romancista, cronista, contista, jornalista, político, militante comunista e memorialista brasileiro. Foi autor de várias obras, dentre elas Angústia (1936), considerada por vários críticos a sua melhor obra.



Biografia resumida


Graciliano Ramos de Oliveira, nasceu em Quebrangulo (município de Alagoas) na data de 27 de outubro de 1892.

 

Oriundo de uma família grande de classe média, era o filho mais velho do comerciante Sebastião Ramos de Oliveira e Maria Amélia Ramos.

 

Passou o início de sua infância migrando para diversas cidades da Região Nordeste do Brasil.

 

Aos 13 anos, foi para o Colégio 15 de março, em Maceió.

 

Por volta dos 14 anos, iniciou sua vida profissional como colaborador do jornal “O Malho”, publicando alguns sonetos.

 

Aos 17 anos começou a escrever rotineiramente para o Jornal de Alagoas, Maceió.

 

Em 1914, foi para o Rio de Janeiro e trabalhou como revisor de diferentes jornais. Contudo; permaneceu por pouco tempo, pois precisou retornar à Palmeira dos índios, logo no ano seguinte, por conta da morte de familiares que foram vítimas da peste bubônica.

 

Casou-se em 1915 com sua primeira esposa, Maria Augusta Ramos, com a qual teve quatro filhos. Ela morreu em 1920 por complicações no parto.

 

Em 1925, começou a escrever o romance Caetés.

 

Em 1927 foi eleito prefeito da cidade Palmeira dos Índios (Alagoas).

 

Em 1928 casou-se com a sua segunda esposa - Heloísa Leite de Medeiros - sendo o primeiro filho do casal o escritor Ricardo Ramos (1929 – 1992).

 

Em 1930 renunciou ao cargo de prefeito e voltou a ser colaborador do Jornal de Alagoas. Mudou-se para Maceió e passou a trabalhar como diretor da Imprensa Oficial, professor e diretor da Instrução Pública do estado.

 

Em 1945, ingressou no Partido Comunista Brasileiro.

 

De 1934 a 1945 publicou várias obras, entre elas: São Bernardo (1934), Angústia (1936), Vidas Secas (1938); foi preso sob a acusação de ligações com o Partido Comunista Brasileiro (cumpriu pena de 1936 a 1937); ingressou no Partido Comunista Brasileiro; viajou à Europa com sua segunda esposa e publicou Infância, relato autobiográfico (1945).

 

Faleceu aos 60 anos, em 20 de março de 1953, vítima de câncer do pulmão.

 

Foto em preto e branco de Graciliano Ramos

Graciliano Ramos: um dos grandes nomes da literatura brasileira.



Movimento literário que fez parte:

 

- Modernismo (2.ª Geração, também conhecida como Geração de 30).



Principais características de suas obras e estilo literário:


Apesar da obra de Graciliano Ramos ter surgido num momento de notória projeção do romance de 30 no Nordeste, quando fatores de enredo - como contexto social, problemática política ou paisagem - costumavam predominar sobre a personagem, sua obra segue sentido oposto, ou seja, o homem, apesar de aparecer vinculado a uma realidade regional, não é ofuscado por ela.

 

Seus personagens são profundamente elaborados, com ênfase em sua psicologia e desenvolvimento moral, muitas vezes representando a dura realidade do homem sertanejo.

 

Apesar do realismo e da crítica social, suas histórias são envolventes, com enredos que capturam a atenção do leitor, equilibrando aspectos dramáticos com a representação fiel da realidade.

 

O regionalismo é outra importante característica importante deste escritor. Suas obras exploram as peculiaridades e os problemas sociais do nordeste brasileiro, especialmente do sertão, destacando as condições de vida e as questões políticas da região.

 

Possuía um estilo de escrita direto e enxuto.

 

 

Principais obras de Graciliano Ramos:


- Caetés - romance - Editora Schmidt, 1933;

 

- São Bernardo - romance - 1934;

 

- Angústia - romance - 1936;

 

- Vidas Secas – romance - 1938;

 

- A Terra dos Meninos Pelados - contos infanto-juvenis - 1939;

 

- Brandão Entre o Mar e o Amor - romance - 1942 – (escrito em parceria com Jorge Amado, José Lins do Rego, Aníbal Machado e Rachel de Queiroz).

 

- Histórias de Alexandre - contos infanto-juvenis - 1944;

 

- Dois dedos - coletânea de contos - 1945;

 

- Infância - memórias - 1945;

 

- Histórias Incompletas - coletânea de contos - 1946;

 

- Insônia - contos - 1947;

 

- Memórias do Cárcere - memórias - 1953; (obra póstuma)

 

- Viagem - crônicas - 1954; (obra póstuma)

 

- Linhas Tortas - crônicas - 1962; (obra póstuma)

 

- Viventes das Alagoas - crônicas - 1962; (obra póstuma)

 

- Alexandre e Outros Heróis - contos infanto-juvenis - Editora Martins, 1962); (obra póstuma)

 

- Cartas - correspondência - 1980; (obra póstuma)

 

- O Estribo de Prata - literatura infantil - 1984; (obra póstuma)

 

- Cartas de amor à Heloísa - correspondência - 1992; (obra póstuma)

 

- Garranchos - textos inéditos - 2012. (obra póstuma)

 

Capa do livro Vidas Secas
Vidas Secas (1938): uma das principais obras de Graciliano Ramos.

 

 

Vidas Secas: sua grande obra

 

Esta grande obra retrata a vida miserável de uma família de retirantes no sertão nordestino. A obra expõe a luta pela sobrevivência em meio à seca, a fome e a opressão social, destacando a desumanização e a alienação dos personagens. A narrativa é marcada pela linguagem concisa e pela crueza dos acontecimentos, evidenciando a dura realidade enfrentada pelos mais pobres no Brasil rural.

 

 



Artigo publicado em 24/01/2020

Por Elaine Barbosa de Souza
Graduada em Letras (Português e Inglês) pela FMU (2002).