Agentes Externos e Internos do Relevo

 

O que são os agentes externos e internos do relevo?


O relevo terrestre é o conjunto das formas existentes na superfície da Terra, como montanhas, planaltos, planícies, depressões, vales, serras, chapadas e escarpas. Essas formas não surgem ao acaso. Elas são resultado da ação de forças naturais que atuam ao longo do tempo, algumas vindas do interior do planeta e outras relacionadas aos elementos da superfície, como água, vento, gelo, temperatura e seres vivos. Em Geografia, essas forças são chamadas de agentes do relevo.

De modo didático, os agentes do relevo podem ser divididos em dois grandes grupos: agentes internos e agentes externos. Os agentes internos, também chamados de endógenos, atuam a partir do interior da Terra e estão ligados à dinâmica das placas tectônicas, ao vulcanismo e aos terremotos. Eles tendem a construir, elevar, deformar ou romper partes da crosta terrestre. Já os agentes externos, também chamados de exógenos, atuam na superfície terrestre e estão relacionados ao desgaste, transporte e deposição de materiais. Eles tendem a modelar, rebaixar e transformar as formas criadas ou modificadas pelos agentes internos.




1. Agentes internos do relevo


Os agentes internos do relevo são forças que têm origem no interior da Terra. Eles estão associados ao calor interno do planeta, ao movimento do magma e ao deslocamento das placas tectônicas. Esses agentes são responsáveis por grandes transformações na crosta terrestre, especialmente pela formação de montanhas, dobramentos, falhas geológicas, vulcões, fossas oceânicas e áreas sujeitas a terremotos.

A Terra não é uma estrutura imóvel. Sua camada externa, chamada litosfera, é formada por grandes blocos rochosos conhecidos como placas tectônicas. Essas placas se movimentam lentamente sobre uma camada mais quente e parcialmente plástica do manto terrestre. Embora esse movimento seja muito lento, geralmente medido em centímetros por ano, seus efeitos acumulados durante milhões de anos podem produzir grandes alterações no relevo.


Tectonismo

O tectonismo é o conjunto de movimentos da crosta terrestre provocados pela movimentação das placas tectônicas. Esses movimentos podem ocorrer de diferentes formas: aproximação, afastamento ou deslizamento lateral entre placas. O tectonismo é um dos principais agentes internos do relevo, pois pode formar cadeias montanhosas, fossas oceânicas, falhas e grandes depressões.

Quando duas placas tectônicas se chocam, pode ocorrer a formação de montanhas. Esse processo é chamado de orogênese. Um exemplo importante é a Cordilheira do Himalaia, formada pelo choque entre a placa Indiana e a placa Euro-Asiática. Esse encontro provocou o dobramento e a elevação de camadas rochosas, dando origem a algumas das maiores montanhas do planeta.

Outro exemplo é a Cordilheira dos Andes, localizada na porção oeste da América do Sul. Ela se formou principalmente pelo encontro entre a placa de Nazca e a placa Sul-Americana. A placa de Nazca, por ser oceânica e mais densa, mergulha sob a placa Sul-Americana em um processo chamado subducção. Essa dinâmica provoca elevação do relevo, atividade vulcânica e terremotos em diferentes áreas andinas.

O tectonismo também pode provocar falhas geológicas. As falhas ocorrem quando blocos da crosta terrestre se rompem e se deslocam. Um exemplo conhecido é a Falha de San Andreas, na Califórnia, Estados Unidos, onde há deslizamento lateral entre as placas do Pacífico e Norte-Americana. Essa área é marcada por forte instabilidade sísmica, ou seja, por frequentes terremotos.


Vulcanismo

O vulcanismo é o processo pelo qual o magma, material rochoso derretido existente no interior da Terra, pode atingir a superfície terrestre na forma de lava, gases, cinzas e fragmentos rochosos. Quando esse material se acumula, pode formar vulcões, ilhas vulcânicas, planaltos basálticos e outras formas de relevo.

Os vulcões são comuns em áreas de encontro entre placas tectônicas, especialmente em zonas de subducção. Um exemplo é o chamado Círculo de Fogo do Pacífico, região que concentra grande número de vulcões e terremotos ao redor do oceano Pacífico. Países como Japão, Indonésia, Chile, México e Estados Unidos apresentam vulcões ativos ou áreas sujeitas a intensa atividade sísmica.

Um exemplo de relevo formado pelo vulcanismo é o arquipélago do Havaí, no oceano Pacífico. Essas ilhas surgiram pela atividade vulcânica associada a um ponto quente, isto é, uma região do manto onde o magma sobe com maior intensidade. Com sucessivas erupções ao longo de milhões de anos, a lava se acumulou no fundo oceânico até formar ilhas.

No Brasil, embora não existam vulcões ativos atualmente, houve atividade vulcânica em períodos geológicos antigos. Um exemplo importante é a formação de grandes derrames basálticos na região Sul do Brasil, especialmente na Bacia do Paraná. Esses derrames deram origem a rochas basálticas que, com o tempo, contribuíram para a formação de solos férteis, como a terra roxa, muito importante para a agricultura.


Abalos sísmicos ou terremotos

Os terremotos são vibrações da crosta terrestre provocadas, na maioria das vezes, pelo deslocamento brusco de blocos rochosos ao longo de falhas geológicas. Eles também podem estar associados ao vulcanismo ou a outras movimentações internas da Terra. Embora sejam fenômenos de curta duração, podem causar grandes transformações na paisagem e produzir fortes impactos sociais.

As áreas mais sujeitas a terremotos costumam estar localizadas nos limites entre placas tectônicas. Japão, Chile, Indonésia, Turquia, México e Califórnia são exemplos de regiões com alta atividade sísmica. Nessas áreas, a crosta terrestre está em constante tensão devido ao movimento das placas. Quando essa tensão é liberada rapidamente, ocorre o terremoto.

Os terremotos podem provocar deslizamentos de terra, rachaduras no solo, elevação ou rebaixamento de partes da crosta e tsunamis quando ocorrem no fundo do oceano. O tsunami é uma sequência de grandes ondas geradas, muitas vezes, por terremotos submarinos. Um exemplo ocorreu no oceano Índico em 2004, quando um forte terremoto submarino provocou ondas gigantes que atingiram vários países asiáticos.

No Brasil, os terremotos costumam ser de baixa intensidade porque o país está situado no interior da placa Sul-Americana, longe das principais bordas tectônicas. Mesmo assim, pequenos abalos sísmicos podem ocorrer devido a falhas geológicas antigas ou acomodações internas da crosta.




2. Agentes externos do relevo


Os agentes externos do relevo atuam na superfície terrestre. Eles são responsáveis por desgastar, transportar e depositar materiais rochosos e sedimentos. Diferentemente dos agentes internos, que tendem a construir ou elevar grandes estruturas, os agentes externos modelam o relevo ao longo do tempo, modificando montanhas, planaltos, planícies, encostas, vales e litorais.

A ação dos agentes externos ocorre principalmente por meio de três processos: intemperismo, erosão e sedimentação. O intemperismo é a decomposição ou desagregação das rochas no próprio local onde elas se encontram. A erosão envolve o desgaste e o transporte dos materiais. A sedimentação é o depósito desses materiais em áreas mais baixas, como planícies, fundos de vale, deltas, lagos e oceanos.


Intemperismo

O intemperismo é o processo de alteração das rochas pela ação de elementos naturais, como temperatura, água, vento, organismos vivos e substâncias químicas. Ele pode ser físico, químico ou biológico.

O intemperismo físico ocorre quando a rocha se quebra em pedaços menores sem alterar sua composição química. Isso pode acontecer por variações de temperatura, congelamento da água em rachaduras, alívio de pressão ou ação mecânica de raízes. Em áreas desérticas, por exemplo, a grande diferença entre o calor do dia e o frio da noite pode favorecer a fragmentação das rochas.

O intemperismo químico ocorre quando os minerais das rochas sofrem alterações químicas, geralmente pela ação da água e de substâncias dissolvidas nela. Esse processo é muito comum em regiões quentes e úmidas, como áreas tropicais. No Brasil, onde predominam climas com temperaturas elevadas e presença de chuvas em grande parte do território, o intemperismo químico é bastante importante na formação dos solos.

O intemperismo biológico acontece quando seres vivos contribuem para a desagregação ou decomposição das rochas. Raízes de plantas podem penetrar em fendas e ampliar rachaduras. Microrganismos, fungos e líquens também podem liberar substâncias que ajudam a alterar os minerais das rochas. Assim, a ação dos seres vivos participa da formação dos solos e da transformação do relevo.


Água das chuvas

A água das chuvas é um dos principais agentes externos do relevo. Quando cai sobre a superfície, ela pode infiltrar-se no solo, escoar pela superfície ou concentrar-se em pequenos canais. Ao escoar, a água remove partículas do solo e fragmentos de rochas, provocando erosão.

Em áreas sem cobertura vegetal, a erosão pluvial é mais intensa. Isso acontece porque a vegetação protege o solo contra o impacto direto das gotas de chuva e ajuda na infiltração da água. Quando há desmatamento, queimadas ou uso inadequado do solo, a água passa a escorrer com maior força pela superfície, carregando sedimentos e formando sulcos, ravinas e voçorocas.

As voçorocas são grandes erosões abertas no solo, muitas vezes profundas e de difícil recuperação. Elas podem surgir em áreas rurais mal manejadas, em terrenos inclinados ou em locais onde a água da chuva não é corretamente drenada. Esse tipo de erosão prejudica a agricultura, destrói estradas, assoreia rios e causa perda de solo fértil.


Rios

Os rios são agentes externos muito importantes porque desgastam, transportam e depositam sedimentos. Ao longo de seu percurso, um rio modifica o relevo por meio da erosão fluvial. Essa erosão pode aprofundar vales, desgastar margens e transportar materiais para áreas mais baixas.

Nas regiões de relevo mais inclinado, os rios costumam ter maior velocidade e maior capacidade de erosão. Eles podem escavar vales profundos e formar cachoeiras, corredeiras e cânions. Um exemplo é o Grand Canyon, nos Estados Unidos, formado pela ação prolongada do rio Colorado sobre camadas rochosas durante milhões de anos.

Nas áreas mais planas, os rios perdem velocidade e passam a depositar sedimentos. Esse processo contribui para a formação de planícies fluviais. Um exemplo é a planície Amazônica, onde a dinâmica dos rios, das cheias e da deposição de sedimentos desempenha papel fundamental na modelagem da paisagem.

Os rios também podem formar deltas, que são áreas de deposição de sedimentos na foz, quando o rio encontra um mar, lago ou oceano com baixa capacidade de remover esses materiais. O delta do rio Nilo, no Egito, é um exemplo clássico. Ao longo da história, seus sedimentos contribuíram para a fertilidade das terras agrícolas próximas ao rio.


Vento

O vento é um agente externo importante, especialmente em regiões áridas e semiáridas, onde há pouca vegetação e grande quantidade de partículas soltas. Ele atua por meio da erosão eólica, transportando areia, poeira e pequenos fragmentos rochosos.

Nos desertos, o vento pode formar dunas, que são elevações de areia moldadas conforme a direção e a intensidade dos ventos. As dunas podem se deslocar lentamente, modificando a paisagem. No Brasil, exemplos de dunas podem ser observados nos Lençóis Maranhenses, no Maranhão, e em áreas litorâneas de estados como Ceará, Rio Grande do Norte e Santa Catarina.

O vento também pode desgastar rochas por abrasão. Nesse processo, partículas de areia carregadas pelo vento atingem as rochas, funcionando como uma espécie de lixa natural. Com o tempo, esse desgaste pode produzir formas curiosas, como rochas com bases mais estreitas ou superfícies polidas.


Gelo

O gelo atua principalmente em regiões frias, montanhosas ou polares. As geleiras são grandes massas de gelo que se movimentam lentamente sobre o terreno. Durante esse deslocamento, elas arrancam, desgastam e transportam materiais rochosos, modelando o relevo.

A erosão glacial pode formar vales em formato de U, diferentes dos vales fluviais, que geralmente têm formato de V. Também pode formar fiordes, que são vales glaciais invadidos pelo mar. Exemplos de fiordes são encontrados na Noruega, no Chile e na Nova Zelândia.

Durante períodos glaciais do passado, grandes áreas da América do Norte, Europa e Ásia foram cobertas por gelo. Quando essas geleiras recuaram, deixaram marcas no relevo, como lagos, vales alargados e depósitos de sedimentos. Os Grandes Lagos, na América do Norte, estão relacionados à ação glacial em períodos geológicos anteriores.


Mares e oceanos

A ação do mar também transforma o relevo, especialmente nas áreas costeiras. As ondas, marés e correntes marítimas desgastam rochas, transportam sedimentos e constroem formas litorâneas. Esse processo é chamado de erosão marinha ou abrasão marinha.

Em áreas de costa rochosa, as ondas podem formar falésias, que são paredões íngremes junto ao mar. Um exemplo ocorre em partes do litoral do Nordeste brasileiro, como em trechos do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia. As falésias são resultado do desgaste contínuo provocado pelo impacto das ondas.

O mar também deposita sedimentos, formando praias, restingas, cordões arenosos e bancos de areia. As praias são ambientes dinâmicos, pois sua forma pode mudar conforme as ondas, as correntes, os ventos e a interferência humana. Construções próximas ao litoral, retirada de areia e obras mal planejadas podem intensificar a erosão costeira.


Seres vivos e ação humana

Os seres vivos também participam da transformação do relevo. A vegetação protege o solo, reduz a velocidade da água da chuva, favorece a infiltração e diminui a erosão. As raízes ajudam a fixar o solo, enquanto a matéria orgânica contribui para sua fertilidade.

A ação humana, porém, tornou-se um dos fatores mais intensos de transformação da superfície terrestre. Desmatamento, mineração, agricultura inadequada, urbanização, abertura de estradas, construção de barragens e retirada de areia modificam paisagens e podem acelerar processos erosivos.

Um exemplo é a mineração a céu aberto, que altera diretamente o relevo ao remover grandes volumes de solo e rocha. Outro exemplo é a urbanização sem planejamento, que impermeabiliza o solo com asfalto e concreto. Isso reduz a infiltração da água, aumenta o escoamento superficial e pode causar enchentes, deslizamentos e erosão em encostas.




Diferença entre agentes internos e externos


A principal diferença entre agentes internos e externos está na origem da força que atua sobre o relevo. Os agentes internos têm origem no interior da Terra e estão ligados ao tectonismo, vulcanismo e terremotos. Eles são responsáveis pela criação ou deformação de grandes estruturas, como montanhas, falhas, vulcões e fossas oceânicas.

Os agentes externos, por sua vez, têm origem na superfície terrestre e na atmosfera. Eles envolvem a ação da água, vento, gelo, temperatura, mares, rios, seres vivos e atividades humanas. Esses agentes desgastam, transportam e depositam materiais, modelando o relevo ao longo do tempo.

De forma simplificada, pode-se dizer que os agentes internos constroem e elevam o relevo, enquanto os agentes externos desgastam e remodelam essas formas. No entanto, na natureza, esses processos atuam de maneira conjunta. Uma cadeia montanhosa formada pelo tectonismo, por exemplo, passa a ser desgastada pela chuva, pelos rios, pelo vento e pelo gelo. Assim, o relevo é resultado de uma interação permanente entre forças internas e externas.




Exemplos integrados de formação e transformação do relevo


A Cordilheira dos Andes é um bom exemplo da atuação conjunta dos agentes do relevo. Sua formação está ligada ao tectonismo, especialmente ao choque entre placas tectônicas. Porém, depois de formada, essa cadeia montanhosa passou a ser modificada por agentes externos, como rios, geleiras, chuvas e ventos. Vales, encostas, depósitos sedimentares e áreas de erosão são resultado dessa ação contínua.

O litoral brasileiro também revela essa interação. Em algumas áreas, a estrutura geológica antiga condiciona a forma da costa. Ao mesmo tempo, ondas, marés, correntes marítimas e ventos modelam praias, falésias, restingas e dunas. Em certos trechos, a ação humana intensifica a erosão costeira, principalmente quando há ocupação inadequada próxima ao mar.

No caso dos planaltos brasileiros, muitos são formados por estruturas geológicas antigas que foram desgastadas durante milhões de anos. A ação dos rios, das chuvas e do intemperismo ajudou a esculpir serras, chapadas, vales e depressões. A Chapada Diamantina, na Bahia, e a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, são exemplos de áreas onde a erosão atuou intensamente sobre antigas estruturas rochosas.


 

 

Infográfico sobre agentes de relevo
Infográfico didático com síntese sobre agentes de relevo (internos e externos)

 

 

 




Por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005).

Atualizado em 19/06/2026