Arcontes da Grécia Antiga


Que eram e funções

 

Os arcontes eram magistrados das cidades-estados gregas, especialmente importantes em Atenas, responsáveis por funções políticas, administrativas, religiosas e judiciais. 

Em Atenas, existiam diferentes tipos de arcontes, como o arconte epônimo, que dava nome ao ano e exercia funções civis; o arconte basileu, ligado a cerimônias religiosas e a questões sagradas; e o arconte polemarco, originalmente relacionado aos assuntos militares. Com o tempo, o poder dos arcontes diminuiu, principalmente com o fortalecimento de outras instituições, como a Bulé e a Eclésia. Mesmo assim, eles continuaram sendo figuras importantes na organização política e jurídica da pólis ateniense.



Como eram escolhidos


Em Atenas, inicialmente, os arcontes eram escolhidos entre os membros da aristocracia, ou seja, entre os eupátridas, grupo formado pelas famílias nobres e proprietárias de terras. No começo, o cargo era vitalício; depois passou a ter duração de dez anos e, posteriormente, tornou-se anual. Isso mostra que, com o tempo, houve uma tentativa de limitar o poder individual desses magistrados.

Com as reformas políticas de Sólon, no início do século VI a.C., o acesso ao arcontado passou a depender da riqueza dos cidadãos. Assim, os cargos ficaram abertos aos grupos mais ricos da sociedade ateniense, não apenas à antiga nobreza de nascimento. Mais tarde, com o avanço da democracia ateniense, especialmente a partir das reformas de Clístenes e de mudanças posteriores, os arcontes passaram a ser escolhidos por sorteio entre cidadãos previamente habilitados. Esse sorteio era visto como uma forma de reduzir disputas entre famílias poderosas e ampliar a participação política.

Portanto, a escolha dos arcontes mudou ao longo do tempo: primeiro predominou a escolha aristocrática; depois, o critério de riqueza; por fim, em Atenas democrática, o sorteio entre cidadãos aptos. Em outras cidades-estados gregas, o processo podia variar, pois cada pólis tinha suas próprias leis e instituições políticas.



Duração do cargo

 

Nos primeiros tempos, o cargo de arconte era vitalício (durava toda a vida). Logo após esta fase, o cargo tornou-se decenal e, logo em seguida, a partir do século VII a.C., anual.



Tipos de arcontes e suas funções principais:

 

• O arconte epónimo era o magistrado supremo e o chefe de estado. Era o responsável pela administração civil e se ocupava das leis familiares e hereditárias.

 

• Havia também o arconte rei (basileu), que era o responsável pelo culto religioso, além de receber as denúncias das infrações penais.

 

• O arconte polemarco era o chefe supremo militar, até o início do século V. Depois, ficou encarregado das menções honrosas da guerra, pois o comando militar ficou sob a responsabilidade de estrategistas militares.

 

• Já os arcontes tesmotétas tinham a função de preparar as leis e fazer com que estas fossem executadas. Ou seja, tinham a importante função de administrar a justiça na cidade-estado.




Após o cargo de arconte

 


Quando terminava o período de exercício do cargo, os arcontes de Atenas passavam a integrar o Areópago, um antigo e prestigiado conselho formado por ex-arcontes. Essa instituição tinha grande importância na vida política e jurídica ateniense, sobretudo nos períodos mais antigos da cidade. O Areópago atuava como tribunal responsável pelo julgamento de crimes considerados graves, especialmente os crimes de sangue, como homicídios. Por reunir antigos magistrados, era visto como um órgão de experiência e autoridade, ligado à preservação das leis, dos costumes e da ordem pública. Com o avanço da democracia ateniense, parte de seu poder foi reduzida, mas o Areópago continuou existindo como uma instituição relevante na organização judicial da pólis.

 

 

Retrato pintado de Pisístrato, homem branco de cabelo castanho e barba

Pisístrato: foi um arconte tirano de Atenas em 561, 556 e 546 a.C.

 

 

 


 

Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 22/06/2026