Questões sobre a Filosofia Medieval


QUESTÕES SOBRE FILOSOFIA MEDIEVAL:

 

1. A Filosofia Medieval é marcada principalmente por sua tentativa de:

a) Romper com todos os conceitos religiosos em busca de um racionalismo puro e autônomo.
b) Integrar os saberes orientais com as concepções da filosofia chinesa e hinduísta.
c) Unificar as ideias da tradição greco-romana com os ensinamentos do cristianismo.
d) Desenvolver teorias políticas seculares voltadas para a organização do Estado moderno.
e) Criticar os dogmas cristãos por meio de métodos empíricos e experimentais.



2. Um dos traços fundamentais da Patrística é:


a) A valorização da experiência sensível como única forma de conhecimento válido.
b) A tentativa de conciliar a fé cristã com os ensinamentos de Platão.
c) A negação da imortalidade da alma e da existência de Deus.
d) O resgate das ideias estoicas para organizar a ética cristã.
e) A crítica sistemática aos Evangelhos a partir do materialismo grego.



3. A Escolástica foi uma escola filosófica medieval cujo principal objetivo era:

a) Formular uma doutrina religiosa desvinculada da tradição judaico-cristã.
b) Buscar o conhecimento através da fé sem qualquer base racional.
c) Resolver as contradições entre a razão e a fé por meio da argumentação lógica.
d) Questionar os fundamentos morais da Igreja com base na filosofia epicurista.
e) Produzir um sistema científico voltado para a observação da natureza.



4. Um dos principais representantes da Patrística foi:

a) Santo Agostinho, que associou a doutrina cristã às ideias platônicas.
b) Tomás de Aquino, que integrou o pensamento de Aristóteles à religião islâmica.
c) Boécio, que escreveu exclusivamente sobre política e direito romano.
d) São Francisco de Assis, conhecido por sua doutrina materialista.
e) William Ockham, defensor do empirismo moderno e da ciência experimental.



5. A Filosofia Medieval dividiu-se em duas grandes fases, que foram:

a) Idealismo e racionalismo.
b) Humanismo e renascentismo.
c) Patrística e escolástica.
d) Atomismo e determinismo.
e) Existencialismo e empirismo.



6. Sobre Tomás de Aquino, é correto afirmar que:

a) Foi um crítico da Igreja e defensor da separação entre fé e razão.
b) Acreditava que apenas a fé era suficiente para compreender o mundo natural.
c) Defendia o abandono da razão como caminho para a salvação.
d) Rejeitou completamente as ideias de Aristóteles por considerá-las pagãs.
e) Buscou unir a teologia cristã com a filosofia aristotélica.



7. A doutrina do “livre-arbítrio”, abordada na Filosofia Medieval, refere-se:

a) À negação da existência de Deus como fundamento da liberdade humana.
b) À crença de que os seres humanos não podem escolher entre o bem e o mal.
c) À liberdade total dos anjos em agir de acordo com seus desejos.
d) À capacidade humana de fazer escolhas morais mesmo diante da graça divina.
e) À obediência cega aos dogmas religiosos impostos pela Igreja.



8. Um elemento característico da Escolástica foi o método:

a) Experimental, baseado na observação dos fenômenos naturais.
b) Dialético, que conciliava a fé com a razão através do uso da lógica.
c) Alegórico, que interpretava os mitos antigos em sua literalidade.
d) Simbólico, que rejeitava o raciocínio lógico em favor da intuição mística.
e) Cartesiano, voltado para a dúvida sistemática e a certeza do cogito.



9. Qual dos pensadores medievais ficou conhecido por formular o princípio da navalha, que busca a explicação mais simples para os fenômenos?

a) Pedro Abelardo, autor de obras sobre a origem das espécies.
b) Boécio, defensor da supremacia da fé sobre a lógica.
c) Guilherme de Ockham, com o princípio da parcimônia.
d) João Escoto Erígena, criador do método experimental moderno.
e) Bernardo de Claraval, com sua crítica à teologia escolástica.



10. Na Filosofia Medieval, qual era a função da razão em relação à fé?

a) Servir como instrumento auxiliar para melhor compreender os mistérios divinos.
b) Anular os dogmas teológicos para permitir um pensamento autônomo.
c) Contradizer os ensinamentos sagrados a partir da ciência empírica.
d) Estabelecer um método cético que refutasse os milagres religiosos.
e) Criar teorias políticas fundamentadas no materialismo dialético.



11. A obra "Suma Teológica" foi escrita por:

a) Santo Agostinho, como forma de defender o estoicismo cristão.
b) Boécio, com o objetivo de fundamentar o direito canônico.
c) Tomás de Aquino, como uma síntese do pensamento cristão e aristotélico.
d) Anselmo de Cantuária, para propor o argumento cosmológico.
e) João Duns Scotus, em defesa do empirismo moderno.



12. O argumento ontológico para provar a existência de Deus foi elaborado por:


a) Tomás de Aquino, com base na teoria dos quatro elementos.
b) Agostinho, a partir da concepção do tempo circular.
c) Boécio, por meio da interpretação dos textos estoicos e céticos.
d) Guilherme de Ockham, utilizando os princípios da lógica empírica.
e) Anselmo de Cantuária, com base na ideia de que Deus é o ser mais perfeito concebível.



13. Sobre Boécio, é correto afirmar que:

a) Sua filosofia era voltada exclusivamente para os estudos astronômicos.
b) Traduziu e preservou obras da filosofia grega e tratou da relação entre providência e destino.
c) Foi responsável pela difusão do pensamento aristotélico entre os romanos.
d) Fundou uma escola neoplatônica voltada para o misticismo oriental.
e) Combateu duramente o pensamento cristão por meio de obras materialistas.



14. O pensamento de João Duns Scotus contribuiu principalmente:

a) Para o refinamento das distinções lógicas e da liberdade da vontade.
b) Para a defesa do ceticismo absoluto e da negação da moral cristã.
c) Para o desenvolvimento da doutrina da predestinação radical.
d) Para a criação de um sistema jurídico baseado na tradição greco-romana.
e) Para a rejeição do conhecimento sensível como forma de acesso à verdade.



15. Em relação ao papel da Filosofia Medieval na história do pensamento ocidental, pode-se dizer que:

a) Ela rompeu completamente com os valores religiosos da Antiguidade.
b) Estabeleceu uma nova ética baseada no hedonismo e na estética da arte.
c) Representou uma ponte entre a tradição clássica e o pensamento moderno.
d) Desconsiderou a lógica formal em favor das experiências místicas.
e) Desenvolveu um pensamento científico voltado exclusivamente à natureza.

 

 

Questões discursivas:

 

16. Explique como Santo Agostinho conciliou a filosofia platônica com os fundamentos do cristianismo e qual foi a importância dessa síntese para a formação da Patrística.


17. A Escolástica teve como um de seus principais representantes Tomás de Aquino. Com base nessa afirmação, apresente os principais objetivos da Escolástica e explique como Tomás de Aquino utilizou a filosofia de Aristóteles para fundamentar a teologia cristã.


18. A Filosofia Medieval foi marcada por uma intensa relação entre razão e fé. Discorra sobre essa relação e analise como os filósofos medievais tentaram resolver as aparentes contradições entre os dois campos do conhecimento.


19. Explique o papel de Guilherme de Ockham no contexto da Filosofia Medieval e analise a importância do princípio da "navalha de Ockham" no desenvolvimento do pensamento filosófico e científico posterior.


20. A Filosofia Medieval teve grande importância na preservação e reorganização do saber clássico durante a Idade Média. Analise de que forma os pensadores medievais atuaram como intermediários entre o pensamento antigo e o renascimento cultural do período moderno.




 

Gabarito:

1. c
2. b
3. c
4. a
5. c
6. e
7. d
8. b
9. c
10. a
11. c
12. e
13. b
14. a
15. c


16. Santo Agostinho utilizou o pensamento de Platão, especialmente as ideias sobre o mundo das ideias e a alma, para reforçar conceitos cristãos como a existência de um mundo espiritual e a centralidade de Deus como verdade absoluta. Essa síntese foi fundamental para estruturar a Patrística, oferecendo uma base filosófica sólida à teologia cristã inicial.

17. A Escolástica buscava conciliar a razão filosófica com os dogmas da fé cristã. Tomás de Aquino, influenciado por Aristóteles, utilizou a lógica e o método racional para sistematizar os ensinamentos cristãos, mostrando que a razão poderia ser utilizada para compreender e explicar os mistérios da fé.

18. Na Filosofia Medieval, a razão era vista como um instrumento útil para aprofundar a fé, sem que essa fosse subordinada inteiramente à lógica humana. Os filósofos medievais, como Anselmo de Cantuária e Tomás de Aquino, afirmavam que a fé era o ponto de partida, mas que a razão auxiliava na compreensão dos dogmas. Essa busca por conciliação gerou uma produção intelectual voltada para o entendimento dos textos sagrados com base em argumentações filosóficas.

19. Guilherme de Ockham defendeu a simplicidade nas explicações filosóficas e teológicas, formulando o princípio da navalha de Ockham: "não se deve multiplicar os entes sem necessidade". Sua obra marcou uma ruptura com os sistemas mais complexos da Escolástica e influenciou o pensamento moderno ao valorizar hipóteses mais econômicas, tornando-se importante para o surgimento do método científico.

20. Os filósofos medievais preservaram textos e ideias da filosofia antiga ao traduzirem, comentarem e integrarem obras de pensadores como Platão e Aristóteles à tradição cristã. Atuaram como mediadores intelectuais entre a Antiguidade Clássica e a Modernidade, contribuindo para a formação das universidades e para o desenvolvimento do pensamento sistemático que influenciaria o Renascimento e a filosofia moderna.

 

 


 

Por Jefferson Evandro Machado Ramos (graduado em História pela FFLCH-USP)

Publicado em 07/07/2025