Relevo da Região Nordeste do Brasil

 

Introdução


O relevo da Região Nordeste do Brasil apresenta uma significativa diversidade de formas e altitudes, resultado de processos geológicos antigos, associados principalmente à ação do intemperismo e da erosão ao longo de milhões de anos. Essa diversidade está diretamente relacionada aos distintos tipos de clima, solos e vegetação presentes no território nordestino. As estruturas geológicas predominantes são compostas por escudos cristalinos e bacias sedimentares, que moldam diferentes unidades de relevo. 

A compreensão do relevo é fundamental para a análise das dinâmicas naturais e humanas da região, uma vez que influencia aspectos como a ocupação do solo, a disponibilidade hídrica, a agricultura e o desenvolvimento urbano.




Tipos e Unidades de relevo do Nordeste e suas características:



1. Planícies Litorâneas


As planícies litorâneas do Nordeste são faixas de relevo plano e de baixa altitude, situadas ao longo da extensa costa atlântica da região. Essas planícies resultam principalmente da deposição de sedimentos marinhos, fluviais e lagunares, sendo formadas em áreas próximas ao nível do mar. 

As planícies incluem áreas de manguezais, restingas, dunas e praias, compondo um ambiente de transição entre o continente e o oceano. Por serem áreas planas e próximas ao mar, tornaram-se locais atrativos para a ocupação urbana, turística e portuária, como se observa nas cidades de Salvador, Recife, Natal e Fortaleza. A presença dessas planícies favorece também a instalação de atividades ligadas à pesca, ao comércio e ao turismo costeiro.



2. Planalto da Borborema


O Planalto da Borborema é uma das formações mais relevantes do relevo nordestino. Localizado entre os estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas, esse planalto compõe uma área de altitudes elevadas que variam entre 400 e 1.200 metros. Sua estrutura é composta predominantemente por rochas cristalinas antigas, sendo considerada uma área de escudo cristalino. 

O Planalto da Borborema exerce um papel importante na climatologia da região, pois funciona como uma barreira orográfica que impede a penetração das massas de ar úmidas vindas do oceano Atlântico para o interior. Essa característica contribui para o regime semiárido do Sertão nordestino, localizado a oeste do planalto. A região do planalto é também marcada por serras, como a Serra da Ibiapaba e a Serra do Teixeira, e abriga algumas áreas de agricultura de subsistência e produção de hortaliças, apesar das limitações impostas pelo solo e pelo clima.

 

Foto do Pico da Boa Vista no Planalto da Borborema

Pico da Boa Vista no Planalto da Borborema em Pernambuco.




3. Depressões


As depressões do Nordeste são formas de relevo caracterizadas por altitudes inferiores às das áreas ao redor, localizadas entre os planaltos e as chapadas. Essas depressões se formaram ao longo do tempo por meio de processos erosivos que desgastaram as rochas e rebaixaram a superfície terrestre. No contexto nordestino, as principais são a Depressão Sertaneja e a Depressão do São Francisco. 

A Depressão Sertaneja abrange uma extensa faixa do interior da região, com predomínio de clima semiárido e vegetação de caatinga.


Já a Depressão do São Francisco acompanha o curso médio e inferior do rio São Francisco, sendo uma área importante para atividades agropecuárias irrigadas em função da presença do rio. Essas depressões representam áreas de transição entre unidades mais elevadas, com solos geralmente rasos e pouco férteis, o que condiciona o tipo de uso que pode ser feito do território.



4. Chapada Diamantina


A Chapada Diamantina é uma das mais impressionantes formações do relevo nordestino, localizada no estado da Bahia. Trata-se de um conjunto de planaltos elevados, escarpas e serras que integram o Planalto Nordestino, com altitudes que podem ultrapassar 2.000 metros. É nesse conjunto que se encontra o Pico do Barbado, o ponto culminante da Região Nordeste, com 2.033 metros de altitude.


A Chapada é formada por rochas sedimentares e abriga formações geológicas antigas, além de cânions, vales profundos e nascentes de rios importantes, como o Paraguaçu e o São Francisco. A região se destaca por sua grande biodiversidade e por paisagens cênicas que atraem visitantes de todo o país. Além disso, a Chapada possui importância histórica e econômica, devido à exploração de diamantes e à presença de comunidades tradicionais que desenvolvem práticas agrícolas adaptadas ao relevo.



5. Sertão


O Sertão é uma vasta região do interior nordestino, marcada por um relevo composto por planaltos e depressões, além de apresentar clima semiárido e vegetação de caatinga. O relevo é suavemente ondulado, com presença de chapadas isoladas e inselbergs, que são elevações rochosas isoladas em meio ao terreno plano. As altitudes variam geralmente entre 200 e 800 metros.


A região do Sertão é fortemente condicionada pela escassez hídrica e pelos solos pouco profundos e pedregosos, fatores que dificultam atividades agrícolas em larga escala. No entanto, existem áreas onde a agricultura irrigada e a criação de animais de médio porte se desenvolvem, especialmente nas proximidades de rios perenes, como o São Francisco. O relevo do Sertão também influencia a forma como as populações se organizam, com predominância de pequenas propriedades rurais e assentamentos espalhados.



6. Meio-Norte


A região do Meio-Norte é uma faixa de transição entre o clima úmido da Amazônia e o clima semiárido do Sertão. Abrange principalmente os estados do Maranhão e do Piauí, apresentando um relevo diversificado que combina áreas de planaltos, planícies e depressões. Os planaltos da região são constituídos por rochas sedimentares e cobertos por formações vegetais de transição, como o cerrado e áreas de mata.


As planícies, por sua vez, concentram-se nas regiões próximas ao litoral e às margens dos rios, como o rio Parnaíba, onde os solos são mais férteis e a agricultura apresenta maior potencial. A variedade do relevo no Meio-Norte favorece o desenvolvimento de diferentes atividades econômicas, como a produção agrícola, a extração vegetal e a pecuária. Essa diversidade de formas também é um reflexo da localização geográfica da região, situada entre duas grandes províncias naturais do Brasil.



7. Chapada do Araripe


A Chapada do Araripe é uma importante formação localizada na divisa entre os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. É uma elevação tabular com topos planos e encostas íngremes, típica de áreas de rochas sedimentares, especialmente do período Cretáceo. Essa chapada faz parte da Bacia Sedimentar do Araripe e é conhecida por seus fósseis de peixes e répteis, além de conter importantes reservas de água subterrânea. A vegetação predominante é o cerrado, com áreas de mata úmida nas encostas. Embora possa ser classificada como parte dos planaltos interiores nordestinos, suas características geológicas e ecológicas conferem-lhe destaque próprio.

 

Foto da Chapada do Araripe no Nordeste do Brasil

A Chapada do Araripe (imagem acima) é uma formação de relevo tabular situada entre o Ceará, Pernambuco e Piauí, com altitudes médias entre 700 e 1.000 metros. É conhecida por sua riqueza paleontológica e por abrigar nascentes e vegetação típica de transição entre a caatinga e o cerrado.

 



8. Depressão Sertaneja e do São Francisco


Embora já mencionadas no artigo anterior, vale ressaltar que essas duas depressões formam uma subdivisão mais detalhada dentro da grande Depressão Interplanáltica nordestina. A Depressão Sertaneja ocupa uma vasta área do interior semiárido, enquanto a Depressão do São Francisco se estende ao longo do vale do rio homônimo, com relevância econômica e ecológica. Ambas compartilham características como baixa altitude, clima árido e solos pouco profundos, mas se distinguem pelo tipo de uso do solo e disponibilidade hídrica.



9. Rebordos e Escarpas


O Nordeste possui diversos rebordos e escarpas que marcam a transição entre unidades de relevo com diferentes altitudes. Por exemplo, o rebordo oriental do Planalto da Borborema delimita a passagem entre a zona da mata e o agreste. Essas feições são relevantes para a drenagem e para a formação de microclimas, e muitas vezes funcionam como divisores naturais de bacias hidrográficas.



10. Cuestas e Inselbergs


Embora não sejam unidades de relevo em escala regional, as cuestas e os inselbergs são formas importantes no interior nordestino. As cuestas apresentam perfil assimétrico, com um lado de declive suave e outro abrupto, enquanto os inselbergs são elevações isoladas com forma arredondada ou pontiaguda, comuns em áreas de embasamento cristalino. Essas formas afetam o uso do solo, a drenagem e, em alguns casos, servem como marcos naturais na paisagem.

 


 

Por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005).

Publicado em 12/08/2025