Escultura egípcia antiga
Usos e principais características
A escultura egípcia antiga procurava representar os deuses e os faraós para capacitar a população a vê-los em suas formas físicas. Ela estava intimamente ligada à arquitetura, que, por sua vez, voltava-se para a construção de templos e de tumbas. As paredes desses lugares eram revestidas com gesso e entalhadas (um método mais fácil do que esculpir na pedra). Nelas também se colocavam estátuas de deuses, do falecido rei ou rainha, de funcionários públicos, escribas e outros grupos. Além disso, retratavam-se objetos menores de uso doméstico e diário.
As cenas das paredes das primeiras tumbas egípcias apresentam atividades como caça, pesca e ambientes agrícolas; atividades artísticas e comerciais; tarefas domésticas, etc. Tais relevos mostram uma crença confiante no futuro como uma espécie de extensão da vida presente.
Todas essas esculturas eram feitas em vários tamanhos. São representativos os enormes colossos de governantes e as pequenas figuras (shabtis) que eram colocadas nas tumbas e que representavam os trabalhadores que acompanhariam o falecido na vida após a morte.
Outra característica interessante é a hierarquia relacionada ao tamanho das esculturas egípcias. Quanto maior fosse a escultura, mais poder e importância se pretendia dar a um deus, faraó ou animal sagrado.
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Busto do faraó Akhenaton |
Parâmetros artísticos
As esculturas egípcias deviam seguir rigorosos parâmetros. Cada parte do corpo tinha de ter determinado tamanho e proporção, com os ombros e o rosto voltados para o espectador. As estátuas masculinas eram mais escuras do que as femininas; nas estátuas sentadas, as mãos tinham de ser colocadas de joelhos; o deus Hórus, por exemplo, deveria sempre ser representado com uma cabeça de falcão, enquanto o deus Anúbis deveria ser mostrado com a cabeça de um chacal. As obras artísticas eram classificadas de acordo com o cumprimento exato de todas essas convenções, e estas foram seguidas tão rigorosamente que, ao longo de três mil anos, muito pouco mudou em sua aparência.
Outra característica é que os escultores egípcios não podiam colocar seus nomes nas obras, de forma que, hoje, não se tem ideia de quem os fez. Todavia, já é possível distinguir entre obras feitas em boas oficinas e aquelas elaboradas em lugares menos prestigiosos.
As escultura funerárias do Egito Antigo
As esculturas funerárias do Antigo Egito, que se estendem desde o Período Dinástico Inicial até o Período Greco-Romano, são artefatos notáveis que forneceram muitas informações históricas sobre a cultura, crenças e práticas artísticas egípcias. Estas esculturas, variando de estátuas majestosas a relevos complexos e detalhados, eram fundamentais para as tradições funerárias e crenças egípcias na vida após a morte. Frequentemente esculpidas em pedra, madeira ou metal, elas eram colocadas em tumbas e templos funerários. Destacam-se as representações dos falecidos, muitas vezes idealizadas e jovens, e de divindades, especialmente aquelas associadas ao além, como Osíris, Anúbis e Ísis. Estas esculturas tinham uma dupla finalidade: garantir uma passagem segura e uma vida após a morte confortável para o falecido, e como um meio para os vivos interagirem e lembrarem de seus entes queridos que se foram.
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Relevo do Egito Antigo, representando oferendas num templo. |
Materiais utilizados
As grandes esculturas eram geralmente esculpidas em arenito. As pequenas e médias, em madeira pintada, calcário, alabastro egípcio (um tipo de calcita), granito rosa, basalto negro, quartzito rosa e cinza, argila, xisto, cerâmica, bronze, etc. Estátuas de pedra calcária e de madeira eram pintadas e tinham olhos de pedra ou cristal de rocha incrustados. Já as esculturas feitas de cobre, bronze e outros metais eram moldadas usando o método da cera perdida.
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| Escultura de um Babuíno |
Os escultores no Egito Antigo
Os escultores do Egito Antigo eram artesãos especializados que trabalhavam principalmente para o faraó, para a nobreza e para os templos religiosos. Em geral, eles não eram considerados artistas individuais no sentido atual, pois suas obras obedeciam a regras tradicionais e tinham funções religiosas, políticas ou funerárias. Muitos trabalhavam em oficinas organizadas pelo Estado ou pelos templos, onde existia uma divisão de tarefas entre mestres escultores, desenhistas, entalhadores, polidores e pintores.
Esses profissionais produziam estátuas de faraós, deuses, sacerdotes, escribas e membros da elite. Também realizavam relevos nas paredes de templos, palácios e túmulos. Utilizavam materiais como calcário, granito, arenito, basalto, madeira, cobre e bronze. Para os egípcios, a escultura podia servir como morada simbólica do espírito do falecido ou como representação permanente de uma divindade.
A maioria dos escultores permaneceu anônima, pois as obras valorizavam mais a pessoa representada e sua função religiosa do que o autor. Uma exceção conhecida foi Tutmés, escultor que viveu durante o reinado do faraó Aquenáton, no século XIV a.C. Em sua oficina, na cidade de Aquetáton, foi encontrado o famoso busto da rainha Nefertiti.
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| Estátua do faraó egípcio Menkaure e sua esposa (escultura em pedra feita por volta de 2472 a.C.) |
Por Jefferson Evandro M. Ramos (graduado em História pela USP).
Atualizado em 02/08/2026
Temas relacionados
Bibliografia e vídeos indicados:
Fontes de pesquisa:
https://www.britannica.com/art/Egyptian-art/Sculpture
ARNOLD, Dorothea. A Arte no Egito Antigo. São Paulo: Edições Nova Cultural, 1988.
BETRO, Maria Carmela. O Egito Antigo: Arte e Arquitetura. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2003.




